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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

do brexit, dos EUA e quiçá da França e da Itália







 




"Que o caos está presente em tudo é uma descoberta grega que se torna arrepiante quando se descobre que, em vez de estar no início, está dentro de todas as coisas, mesmo aquelas que fazemos para nossa segurança."

 


José B. de Miranda,
Queda sem fim.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

portugal e a metáfora do burro - um exemplo com reconhecimento em grande escala

 


 


 


 


 


 


 


A edição europeia do International The New York Times destaca hoje o burro mirandês




"Em Portugal, um burro de carga vive de subsídios". O burro mirandês, actualmente em risco de extinção, serve de metáfora para a situação económica, financeira e social do país que sobrevive de "subsídios europeus".(...)"Hoje não é fácil ser burro". Segue para a descrição da função tradicional do burro mirandês - a de ajudar os agricultores de Miranda - e para a eventual extinção da espécie tipicamente portuguesa, entretanto substituída por maquinaria moderna e tractores no cultivo dos campos.(...)"Depois de décadas de negligência e, dizem alguns, desentendimentos, o destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos," que surge imediatamente esclarecida, "ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia".(...)Raphael Minder cita o socialista e ex presidente da Junta de Freguesia e Ifanes do concelho de Miranda do Douro, Orlando Vaqueiro, para sustentar a ideia de que "Hoje não é fácil ser burro" em Portugal: "Precisamos dos subsídios para manter os burros, mas o resultado é que todos se tornam completamente dependentes deles, portanto não há espírito de inovação nem desejo de modernizar ou produzir mais".




Esta metáfora recorda-me um frase inesquecível de um professor da EBI de Santo Onofre, que começou como TEIP em 1993, quando os resultados das políticas educativas evidenciavam a queda do número de alunos de uma escola pública de referência que mantinha, e mantém, boa parte dos profissionais que a elevaram: "Compramos um burro e dizemos que oferecemos ensino equestre".


 


A lógica de mercado puro e duro na Educação, associada à ideia dos privados que se subsidiam exclusivamente no orçamento de Estado, explica o estudo de caso em que se transformaram essas escolas públicas e que de alguma forma foi detectado noutras áreas no artigo pouco rigoroso e algo injusto da edição europeia do International The New York Times.




 

sábado, 13 de outubro de 2012

os rankings como espelho

 


 


 


 


 


 


Quem deu um contributo decisivo para que o Hubble nos ilumine, também terá aberto as portas às tragédias de Hiroshima e Nagasaki. A validade dos instrumentos científicos depende da cabeça que os utiliza e com os rankings das escolas não é diferente: nas mãos de descomplexados competitivos ou de dogmáticos empedernidos pode provocar danos irreparáveis ou a conservação de taxas de abandono e insucesso escolares que nos envergonham. E importa sempre acrescentar este tipo de reflexões: "(...)O Professor Gert Biesta, da Universidade Stirling, deu há um ano, creio, uma entrevista ao Público com o significativo título “Os rankings são muito antiquados e não devem ter lugar numa sociedade civilizada" decorrem de uma questão nuclear, “Medimos o que valorizamos ou valorizamos o que medimos”.(...)"


 


Revejo-me no algoritmo que voltei a publicar no post anterior e verifico-o no terreno.


 


Conheço muito bem a rede escolar das Caldas da Rainha que é o "ponto de partida e de chegada" do post. Por ser um concelho que acolhe o caciquismo, o pior das ideias de Liceu e de Colégio permitem a guetização social e a lógica de mercado na escolha das escolas.


 


As famílias mais informadas seleccionam as escolas dos seus educandos, o limite de vagas faz o resto e os rankings limitam-se a espelhar o fenómeno. Também conheço os concelhos de Chaves, Vila Real, Coimbra, Porto e Beja e a situação é semelhante; basta estudar a história das escolas, embora os recentes agrupamentos façam a terraplenagem do que existe (para o bem e para o mal, na minha modesta opinião mais no sentido negativo) e favoreçam a privatização de lucros.


 


A escola onde sou professor, a EBI de Santo Onofre, nasceu em 1993 e confirma o algoritmo. Como foi edificada no bairro social mais carenciado (dito assim para simplificar) da cidade, rapidamente os alunos obtiveram o estigma dos excluídos. A situação inverteu-se e uma década depois era a escola da moda para as pessoas com mais ambições escolares. Em meados da primeira década do milénio, qualquer ranking publicado colocava-a nos primeiros lugares nacionais e a comunidade enchia-se de orgulho.


 


Nos tempos do socratismo, a escola agrupou-se, fez uma resistência quase solitária à avaliacão de professores e ao modelo de gestão escolar, e com rasgados elogios nacionais, e pagou por isso. O breve vazio de poder foi aproveitado por uma minoria de profissionais apoiados em stakeholders que o novo modelo de gestão escolar permitiu. Uma CAP, imposta pelo Governo em 2009 e apoiada nessa minoria, certificou a tragédia. A escola deixou de ser a pretendida pelas famílias (em cerca de 6 a 7 anos perdeu perto de 50% na frequência de alunos) e os rankings são o plano inclinado que se pode ver. 


 


Encontra aqui os rankings apresentados pelo Expresso. Há outros órgãos de comunicação social que publicam rankings mais detalhados e que são interessantes instrumentos de investigação. Na generalidade, confirmam o algoritmo.


 


Os dados que escolhi refere-se a listas com as escolas todas e servem para ilustrar o post. O linque indicado permite outras consultas.


 


 


 


Ranking 6º ano - escolas todas.






 


189 - Colégio Frei S. Cristóvão


 


293 - Escola Básica 2,3 D. João II


 


383 - Colégio Rainha D. Leonor


 


457 - Escola BI de Santo Onofre


 


488 - Escola BI de Santa Catarina






 


Ranking 9º ano - escolas todas.






 


117 - Escola Secundária Raul Proença


 


244 - Colégio Rainha D. Leonor


 


253 - Escola Básica 2,3 D. João II


 


258 - Colégio Frei S. Cristóvão


 


422 - Escola BI de Santa Catarina


 


825 - Escola BI de Santo Onofre


 


1032 - Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro






 


 


Ranking 12º ano - escolas todas. Coloquei entre parêntesis a classificação do ano anterior que, como é evidente, só está disponível para este ano de escolaridade.




 


 


032 (059) - Escola Secundária Raul Proença


 


044 (081) - Colégio Rainha D. Leonor


 


178 (462) - Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro






Ainda sobre este assunto, recomendo a leitura deste comentário do professor João Pereira que é membro da comissão de representantes do movimento "Em defesa das escolas públicas do Oeste".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

mais agregações

 


 


 


 


O Público acaba de publicar a lista (a lista do MEC foi publicada depois) com as duas fases das agregações de escolas.


 


Pode saber mais aqui.


 


Constato que a Escola onde sou professor, a Básica Integrada de Santo Onofre, foi agregada.


 


Termina assim, de forma inglória e com vontade amplamente maioritária - pasme-se ou não - de uma comunidade educativa que implorou que "quanto mais depressa se agregasse melhor", um período de 19 anos (foi inaugurada em 1993) em que a escola foi uma unidade autónoma ou sede de agrupamento e que foi marcado por longos momentos considerados de referência. A partir de 2009, sucederam-se factos inenarráveis que tiveram hoje uma espécie de epílogo.


 


Tenho dado conta do desmiolo, que está comprovado e documentado, em vários posts que podem servir de estudo de caso a quem queira perceber como se leva um pais à bancarrota ou como o modelo de gestão escolar de 2008 (alguns pilares do mau centralismo continuam vigentes) pode destruir uma cultura organizacional.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

não é justo

 


 


 


Não é justo que a Escola Básica de Santo Onofre, e o actual agrupamento de escolas por arrastamento, veja a sua imagem, e a dos seus alunos e profissionais, constantemente ridicularizada na comunidade educativa.


 


Uma boa parte dos profissionais que elevaram a história daquela instituição a uma referência em diversos domínios são os mesmos. O que mudou foi uma pouco estudada alteração na rede escolar, uma impensada entrada em agrupamento e principalmente as ocorrências derivadas do novo modelo de gestão escolar. Como se sabe, no modelo vigente são suficientes menos de uma dezena de profissionais (e nem necessitam de pertencer à escola sede) e outros tantos stakeholders para ocuparem os lugares de chefia e escolherem os caminhos a percorrer.


 


Disseram-me que o Conselho Geral do agrupamento votou de forma amplamente maioritária a entrada imediata em mega-agrupamento com a ideia de destituir rapidamente os órgãos em exercício e exibir uma espécie de cartão vermelho à direcção. Belisquei-me. Apesar de tudo, senti vergonha. Ninguém gosta de ver a instituição onde tem dedicado uma boa parte da vida profissional tratada desta forma.


 


Afinal, e em plena Assembleia Municipal, o vereador respectivo, e também membro do Conselho Geral, confirmou mais essa singularidade (pode ler aqui a notícia completa da Gazeta das Caldas) que atinge de forma acentuada a imagem da instituição (os bolds são do jornal):


 


"(...)“O que nos foi transmitido era que o processo tinha que estar concluído até ao final do ano lectivo de 2012/2013 e que iriam ser consultados os respectivos agrupamentos”, disse, acrescentando que se as partes interessadas estiverem de acordo, não será o município a ir contra essa decisão. Tinta Ferreira sabe também que o Conselho Geral de Santo Onofre aprovou por maioria a vontade de agregar-se com a escola Raul Proença e “quando mais depressa melhor”. Já a escola Raul Proença deverá reunir-se entretanto para se pronunciar.(...)"


 


Entretanto, o Conselho Geral da Escola Secundária "Raul Proença não se opõe a juntar-se ao Agrupamento de Escolas de Santo Onofre "e, ao que tudo indica, o mega-agrupamento será uma realidade e sem a oposição dos respectivos Conselhos Gerais.


 


Como alguém escreveu noutro dia num comentário, o agrupamento de Santo Onofre foi conduzido, desde 2009, por meia dúzia de pessoas. O processo começou com uma CAP e os resultados objectivos (avaliação de alunos, frequência escolar e por aí fora) e os de alguma forma subjectivos (atmosfera relacional, liderança, cultura organizacional) têm vindo a piorar significativamente.


 


Ainda há uns meses, e num exercício que abala a melhor imagem mesmo que construída numa história de mais de uma década, o director em funções desde Novembro de 2009, ex-coordenador da CAP, declarou para justificar a sua demissão aceite em 4 de Julho de 2011: 


 


"...)Em primeiro lugar, o facto de o início do ano escolar que agora termina ter sido “muito conturbado” e ter corrido “muito, muito mal”. Acreditando que “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim”, (...)considera que “a culpa não pode morrer solteira, e independentemente de qualquer outra razão, a culpa é minha, como director”. Além disso, a avaliação externa que a IGE fez em Fevereiro de 2011, não teve os resultados que seriam esperados. “(...)E tem que ser o director a dar a cara”, afirma. (...)Ao fim de um ano e pouco de trabalho, dá a impressão que estaria a carregar nessa pessoa tudo o que correu mal no agrupamento”, garante.(...)"


 


É, portanto, com um legítimo sentimento de injustiça que os profissionais destas escolas olham o presente e o futuro. Os números de frequência de alunos estão a atingir mínimos muito preocupantes. Se considerarmos que a Escola sede já teve mais alunos do que todo o agrupamento na actualidade, não será difícil perceber os motivos de tanta apreensão. Parafraseando o tal coordenador da CAP que foi eleito director e que se demitiu, “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim,(...)a culpa não pode morrer solteira(...)".

segunda-feira, 26 de março de 2012

um 3 d e a oferta complementar

 


 


 


Na sequência da estrutura curricular dos Ensinos Básico e Secundário apresentada hoje pelo Governo, as escolas e os agrupamentos vão organizar a coadjuvação no 1º ciclo na área das expressões leccionadas por professores de outros ciclos de ensino. É uma boa notícia para a oferta curricular e para os docentes que olham com preocupação o espectro do horário zero. Como referi aqui, a escola onde sou professor, a Básica Integrada de Santo Onofre (1993), foi pioneira neste projecto que foi interrompido em 2010. O processo será retomado abrangendo as restantes escolas do agrupamento. A imagem que escolhi, refere-se a um 3D realizado no ensino das artes no 1º ciclo e conduzido por uma docente do 3º ciclo.


 


 


quarta-feira, 21 de março de 2012

pista para caricas

 


 


 


A Escola Básica Integrada de Santo Onofre (1993) foi pioneira na leccionação em tempo curricular, no primeiro ciclo, das denominadas expressões e das línguas estrangeiras por especialistas dos outros ciclos de ensino. O modelo foi interrompido em 2010 e sobrevivem algumas boas vontades no enriquecimento curricular. Noutro dia registei uma inigualável pista para caricas.


 


 


quinta-feira, 30 de junho de 2011

e santo onofre? (12) fim de um capítulo

 


 


Procuro encerrar capítulos blogosféricos virados para a denominada luta dos professores na busca de oxigenação e da mudança de tema - nunca da desistência na defesa do poder democrático da escola -. É que, por vezes, teclar faz doer o corpo. Por acaso pensei que já o tinha feito com a avaliação de professores e afinal têm sido necessários uns episódios suplementares.


 


Tudo isto para afirmar o encerramento do capítulo "e santo onofre?". Sinto orgulho em pertencer a uma escola, hoje sede de agrupamento, com uma história assim. Até nos momentos recentes se sucederam as lições de dignidade e de profissionalismo que marcam uma parte importante daquela cultura organizacional. Como escrevi várias vezes, tirei um bilhete de balcão e assisti aos movimentos no palco que perpetraram a destruição; já ninguém duvida da dimensão dos estragos. Chega. Espera-se o regresso à normalidade, à reconstrução e às notícias que nos enchem a alma.

da blogosfera - mym

 


 


A Fénix renascida.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

e santo onofre? (11) director demitiu-se

 


 


Acabam de me informar que quem ocupava as funções de director no agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou a demissão numa reunião do Conselho Geral. Termina a parte maior do pesadelo que se abateu sobre aquele agrupamento de escolas. O elevado grau de destruição de um ambiente organizacional que um dia foi referência, deve servir para que se perceba que exemplos daquele género nunca mais se devem repetir.


Bem hajam todos os que conseguiram suportar tempos tão difíceis com elevados níveis de dignidade e de profissionalismo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

estranho conceito de escola

 



 


 


"O actual modelo de gestão das escolas diminuiu o peso dos professores da escola nos órgãos de gestão dessa escola. Esclareço a aparente redundância trazida pela insistência no vocábulo "escola" na construção da frase. É que a lei torna possível que um professor de qualquer escola, mesmo que seja privada, concorra a director de qualquer outra, pública, mediante "um projecto de intervenção na escola". Que estranho conceito daqui emana! Como pode alguém que não viveu numa escola, que não se envolveu com os colegas e com os alunos dessa escola, que não sofreu os seus problemas nem respirou o seu clima, conceber "um projecto de intervenção na escola"? Foi a filosofia da ASAE transposta pelas escolas.(...)"


 


Este parágrafo que acabou de ler é da autoria de Santana Castilho (2011:63) e pode lê-lo no "O ensino passado a limpo". A ideia é determinante para quem queira perceber outra variável fundamental que desgraça as nossas escolas: ausência de autoridade democrática e de liderança.


Tenho ideia que foram poucos os atrevidos que se prestaram, e foram eleitos, a ocuparem lugares de directores em escolas em que não eram professores. Os casos que conheço acabaram em tragédia, naturalmente. São exemplos do que não deve ser feito. Dizem-me que chega a ser caricato ler os projectos de intervenção, que nem se percebe como foram eleitos e que só mesmo os fenómenos que nos empurraram para a bancarrota explicam essas situações meio esquisitas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

e santo onofre? (10) mais? é impossível

 


 


 


Pedem-me para continuar a escrever sobre Santo Onofre, mas confesso: faz-me mal à saúde conversar e escrever sobre aquela instituição de ensino. É muito difícil lidar diariamente com a destruição de tudo aquilo que levou anos a construir e com os resultados que se conhecem. Ouvir os desânimos inultrapassáveis e generalizados durante muito tempo não ajuda nada. Ainda por cima os sinais da má imagem já romperam fronteiras e o passar do tempo só acentua os dramáticos efeitos nos alunos.


 


Ando há dias com este post por escrever e faço-o agora para sublinhar o óbvio: acredito que haja alguém tão triste como eu com o estado insustentável da instituição, mas tenho a certeza que não há quem esteja mais triste. O facto de ter tirado um bilhete de balcão não impede que ouça os desabafos, as críticas e o desassossego que ultrapassou há muito os muros da escola sede.


 


Os últimos episódios não surpreendem. Encontrei uma colega que exerce um cargo de gestão escolar num agrupamento vizinho. Depois dos cumprimentos iniciais foi taxativa: já leste a avaliação externa da tua escola? Mau, muito mau mesmo. Pior é impossível. Têm o mínimo normalmente atribuído em todos os parâmetros e o descritivo envergonha-vos. Levaram com suficiente em tudo menos na organização do agrupamento, onde o bom é normalmente a classificação mais baixa que a inspecção atribui. Os resultados dos alunos estão sempre a descer e nem há projecto educativo aprovado.


 


Ainda balbuciei uma justificação do tipo: o pesadelo há-de terminar, é um momento mau mas passageiro. Debalde. A vossa escola tem uma péssima imagem em todo o lado, sentenciou a colega. Disse mais umas coisas que me escuso a escrever.


 


Fiquei envergonhado. Tenho um sentimento especial por Santo Onofre e ninguém gosta de ver o seu clube a ser goleado. O histórico e o bilhete de identidade daquela instituição ficam manchados.


 


Quem começou como uma escola TEIP, e teve de arregaçar as mangas para o que se sabe, sente uma dor de alma sem fim com a actualidade. Somos muitos os que sentem isso e não paro de receber mensagens de quem deu muito àquela instituição e que agora está fora ou reformado.


 


As avaliações externas valem o que valem, não lhes dou, objectivamente, grande crédito e não há relatório capaz de descrever o grau da dor. Para proteger a saúde, não fui capaz de o ler.


 


Fiquei preocupado com os resultados que estas coisas podem ter no futuro que se avizinha. De instituição de referência, com palavra e com excelentes progressos dos seus alunos, passámos a nem-sei-o-quê.

quinta-feira, 3 de março de 2011

dignidade

 


 


 


Recebi um mail do blogger Mário Carneiro com a seguinte informação: na escola onde é professor, a secundária da Amora, esta posição deixou de ser apenas do seu departamento para ser assumida pela escola no seu conjunto, como se pode ler aqui. É bonito. Faz-me lembrar os tempos áureos de Santo Onofre, onde o que os responsáveis pela avaliação defendiam nas reuniões dos diversos órgãos era transformado em tomada de posição em nome da coerência e da verticalidade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

clementinas

 


 



 


As escolas são alvos para promoções diversas. Por prestarem serviço público, vêem as recusas serem consideradas más vontades por parte dos mercados. Foi também assim que se construiu o insuportável caderno de encargos da escola actual.


 


Uma boa escola, com uma cultura organizacional respeitada pela comunidade, diz não com naturalidade. O contrário pode tornar a vida dos profissionais num inferno organizacional; por nada se recusar e, muitas vezes, por se permitir que os procedimentos sejam impostos de fora. É o que está a acontecer com o regime da fruta escolar. Duas vezes por semana, os alunos do primeiro ciclo têm direito a uma peça de fruta ou a um legume. Uma boa ideia. O que brada aos céus é o registo que se impõe aos professores, com a particularidade da distinção do nome do produto.




 


 


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

clubite

 


 


Quem tem uns anos de ensino consegue dar conta do grau de destruição dos últimos anos. É claro que os professores de Santo Onofre têm uma dose a dobrar derivada do inclassificável (acreditem que é mesmo difícil nomear tanta terraplenagem e insensatez) que se tem vivido nos últimos dois anos.


 


Conheço gente do PS que teima nos laudos à anterior ministra da Educação. São cada vez menos, mas existem. Enquanto este partido político não se convencer do desastre que perpetrou, não conseguirá recuperar os eleitores que perdeu na área da Educação. Foi mau de mais para se resolver com desculpas de circunstância e vai levar anos a recuperar.


 


O estado de sítio que se vive nas escolas é inaudito. Nunca pensei assistir a tanta falta de convicção nos normativos. Da avaliação de professores ao estatuto da carreira, passando pela gestão e pelos agrupamentos de escolas, a farsa fez lei. Recomeçar vai implicar um profundo conhecimento do terreno. Se há alguma marca que a anterior ministra deixou, foi a instalação do seu assumido anarquismo. É um sistema à deriva e que só é defendido por fanáticos ou desconhecedores.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

nêspera camaleão

 


 



 


 


 


A nêspera celebrizou-se nestes tempos sobreaquecidos das escolas portuguesas. A saga vai longa e observa-se a variância do género frutífero. Compreendo algumas tonalidades, mas surpreendo-me com o desplante da nêspera camaleão; passa pelos pingos da decência como se a ética fosse um jogo doutro tempo.


 


O que mais me "divertiu" na nêspera camaleão foi a sua propalada fidelidade à lei. A nêspera camaleão, qual sapiência do direito, afirmou-se crente nos normativos em detrimento da moral para se fazer aos caminhos mais acomodados à sua oportunidade e vidinha. Não havia espaço vazio libertado pelos mais destemidos anti-nêspera camaleão que não encontrasse uma nêspera camaleão a esfregar as mãozinhas de modo disfarçado.


 


Mas o tempo faz das suas. O legislador "endeusado" ensandeceu, tratou de cortar nas benesses da nêspera camaleão e o risível tomou o seu lugar.


 


A nêspera camaleão, com salário e suplemento cortado, manda às malvas a nova lei e procura laços para ameaçar (tipo agarrem-me, claro) uma demissão pelos mesmo motivos que levaram os seus pares a terem de aguentar com a crença normativa da nêspera camaleão.


 


Raio de tempos estes. É difícil manter a pachorra, realmente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

e santo onofre? (09) resultados

 


 


Realizou-se hoje o processo eleitoral para escolha dos professores que vão integrar o primeiro Conselho Geral do Agrupamento de Santo Onofre. De acordo com o que tinha previsto aqui, apresentaram-se duas listas. A lista A constituída por professores que se manifestaram contrários ao actual modelo de gestão e a lista B que, de alguma forma, deu continuidade à ideia que levou à constituição do controverso Conselho Geral Transitório.


 


A lista A obteve 94 votos (cerca de 68%) e, de acordo com o método d´hont, tem direito a cinco efectivos e a lista B obteve 34 votos (cerca de 24%) que lhe garante dois efectivos. Houve 9 votos brancos, 3 nulos e votaram 140 professores e educadores num universo de cerca de 180. Recebi os dados pelo telefone e rectificarei se for caso disso.


 


Estão de parabéns todos os candidatos que participaram neste acto democrático, coisa que rareia nas escolas portuguesas. Quem diria que seria assim o Portugal de 2010. É, sem dúvida, um excelente resultado para a lista A.


 


Ontem à noite escrevi o post E Santo Onofre (8) Lições e publiquei-o antes de ir votar. Seria escrito independentemente desta eleição. Estava no prelo há muito, mas o tempo é o que é. No entanto, estes resultados confirmam as minhas impressões. Devo acrescentar, que converso com pessoas dos mais diversos grupos e não apenas com professores.

e santo onofre? (08) lições

 


 


Já escrevi algumas vezes: tirei um bilhete de balcão em Santo Onofre e converso com quase todas as pessoas. Há um registo que é unânime: o agrupamento está em descida vertiginosa e a situação é insustentável. Os meus interlocutores sabem bem o que penso, é público, e também com o que podem contar. Para discursos ajustados às ocasiões a porta não é esta.


 


Nos casos graves, como o deste agrupamento, há algumas lições a tirar. Existem, desde logo, factos históricos: a escola sede foi uma referência de cultura organizacional que ultrapassou as fronteiras da região e assumiu, já como agrupamento, posições difíceis, mas elogiadas pela comunidade nacional, na denominada luta dos professores.


 


O sentimento de pertença a Santo Onofre não foi ponderado por quem nunca o viveu. Deu em tragédia.


 


Sejamos objectivos. A entrada de uma CAP foi o primeiro passo para a situação presente. O ME, as estruturas locais (de vários concelhos do Oeste) do partido do governo e outras entidades que todos sabemos quais são, devem aprender uma lição: uma ocupação semelhante não se deve repetir.


 


É evidente que a história ainda mais recente mostra-nos que o despautério não terminou aí. Seguiram-se outros episódios inclassificáveis; por pudor, sou franco, vou omitir os detalhes. As divisões por parte de quem se movimentava no palco, por exemplo, foram do mais péssimo exemplo que se podia imaginar.


 


Ninguém contesta que a indignação se acentua à medida que o tempo passa. É mesmo impressionante a revolta com a presença dos elementos que constituíram a CAP ou com os que participaram nos episódios seguintes. É uma dor que o tempo crava. Nunca tinha vivido nada assim. Penso que já são muito poucos os que não intuíram o estado de sítio.


 


Em situações deste género, os primeiros responsáveis estão sempre prontos para não prestar contas e os stakeholders do agrupamento é que terão a responsabilidade de reerguer o que foi destruído. Aí é que não é nada de novo, portanto.

domingo, 14 de novembro de 2010

e santo onofre? (07)

 


 


Entrou um comentário de um encarregado de educação que teve a confirmação no dia seguinte: abriu o processo eleitoral para a formação do Conselho Geral (CG) do agrupamento de escolas de Santo Onofre.


 


O longo, atribulado e mediático processo de Santo Onofre vai conhecer mais um episódio. Como já escrevi, adquiri um bilhete de balcão e assisto ao que se passa no palco e nos movimentos à sua volta.


 


A história recente da instituição é o que se sabe. Terminou o mandato do Conselho Geral Transitório (CGT). Foi um dos exercícios de maior longevidade no género e, ao que me contam, foi caracterizado por episódios que inspirariam o saudoso cinema feliniano.


 


São muitos os "holofotes" nacionais que estão atentos aos desenvolvimentos em Santo Onofre. Quero sublinhar o seguinte: seria injusto para a maioria dos professores atribuírem-me uma responsabilidade objectiva pelo facto dos professores não terem constituído listas para o CGT. Isso só aconteceu na quarta tentativa e nas condições descritas no link que indiquei. Sempre estive, por imperativo democrático, à margem desse processo.


 


A comunidade nacional enalteceu a posição de Santo Onfre. Foi consensual. Todavia, é justo afirmar que o agrupamento ficou isolado na luta e que os restantes trataram da vidinha. Apesar disso, não observo sinais de arrependimento; bem pelo contrário. Vejo é uma profunda tristeza com o estado actual da organização. Não me parece, portanto, que a comunidade nacional deva ficar à espera que uma boa parte dos professores de Santo Onofre não diga basta.


 


Ainda do balcão, e como converso com quem se quer dirigir-me, consegui registar dois estados de alma no dia seguinte: amargura por parte de quem queria prolongar o mandato do CGT e alegria esfuziante de alguns dos que se bateram pela abertura do processo eleitoral para o CG. Deu para tirar conclusões. Emocionou-me verificar o grito de liberdade dos segundos. Impressionou-me mesmo.


 


Se Santo Onofre foi reconhecido em tempos como referência organizacional e estudo de caso, a história recente não lhe retira o estatuto de caso. Quem quiser perceber os motivos que levaram o país ao estado de pré-falência, basta estudar bem os fenómenos que originaram o estado actual daquele agrupamento de escolas.

sábado, 30 de outubro de 2010

fatia do caos

 


 


 


 



 


 


Está muito difícil a vida para as escolas portuguesas do básico e secundário. A avaliação do desempenho dos professores cumpre calendário e o processo é a desgraça que se conhece. Por mais voltas que se dê, o clima organizacional e o ambiente relacional deterioram-se. Mais ainda, quando a instituição não tem rumo ou vê o poder de decisão na rua.


 


Quando não se pensa de forma coerente, preparada, estudada e com a ideia de conjunto, as iniciativas desgarradas impõem-se com uma simples formulação: donde venho era assim que se fazia ou sei que na escola x é assim que se procede. Benchmarking a pataco, digamos assim.


 


Nessas circunstâncias, uma ideia que encontra o vazio recebe sempre o estatuto de caminho e é acolhida por quem tinha a responsabilidade da realização como uma espécie de alívio. A soma dessas desconexões provoca a desorientação organizacional e faz emergir os fenómenos que caracterizam os maus desempenhos.


 


Se associarmos a avaliação de professores a uma organização desorientada, assistiremos a situações que ridicularizam os princípios básicos do profissionalismo e da deontologia. A corrida à inutilidade sobrepõe-se como meta para a melhor avaliação. A sobrevivência agrava-se quando não se utiliza, por desconhecimento e falta de estudo, a cultura organizacional anterior. Mais ainda se esse conjunto de procedimentos estavam certificados com uma referência de eficiência e eficácia.


 


Temos de nos beliscar se pensarmos que tudo isto tem como cenário o século XXI e o ano de 2010.