Pedem-me para continuar a escrever sobre Santo Onofre, mas confesso: faz-me mal à saúde conversar e escrever sobre aquela instituição de ensino. É muito difícil lidar diariamente com a destruição de tudo aquilo que levou anos a construir e com os resultados que se conhecem. Ouvir os desânimos inultrapassáveis e generalizados durante muito tempo não ajuda nada. Ainda por cima os sinais da má imagem já romperam fronteiras e o passar do tempo só acentua os dramáticos efeitos nos alunos.
Ando há dias com este post por escrever e faço-o agora para sublinhar o óbvio: acredito que haja alguém tão triste como eu com o estado insustentável da instituição, mas tenho a certeza que não há quem esteja mais triste. O facto de ter tirado um bilhete de balcão não impede que ouça os desabafos, as críticas e o desassossego que ultrapassou há muito os muros da escola sede.
Os últimos episódios não surpreendem. Encontrei uma colega que exerce um cargo de gestão escolar num agrupamento vizinho. Depois dos cumprimentos iniciais foi taxativa: já leste a avaliação externa da tua escola? Mau, muito mau mesmo. Pior é impossível. Têm o mínimo normalmente atribuído em todos os parâmetros e o descritivo envergonha-vos. Levaram com suficiente em tudo menos na organização do agrupamento, onde o bom é normalmente a classificação mais baixa que a inspecção atribui. Os resultados dos alunos estão sempre a descer e nem há projecto educativo aprovado.
Ainda balbuciei uma justificação do tipo: o pesadelo há-de terminar, é um momento mau mas passageiro. Debalde. A vossa escola tem uma péssima imagem em todo o lado, sentenciou a colega. Disse mais umas coisas que me escuso a escrever.
Fiquei envergonhado. Tenho um sentimento especial por Santo Onofre e ninguém gosta de ver o seu clube a ser goleado. O histórico e o bilhete de identidade daquela instituição ficam manchados.
Quem começou como uma escola TEIP, e teve de arregaçar as mangas para o que se sabe, sente uma dor de alma sem fim com a actualidade. Somos muitos os que sentem isso e não paro de receber mensagens de quem deu muito àquela instituição e que agora está fora ou reformado.
As avaliações externas valem o que valem, não lhes dou, objectivamente, grande crédito e não há relatório capaz de descrever o grau da dor. Para proteger a saúde, não fui capaz de o ler.
Fiquei preocupado com os resultados que estas coisas podem ter no futuro que se avizinha. De instituição de referência, com palavra e com excelentes progressos dos seus alunos, passámos a nem-sei-o-quê.
Beijo Grande, Paulo.
ResponderEliminarNão se envergonhe NUNCA pelos possíveis resultados de avaliações externas realizadas em dois ou três dia por aquelas equipas absolutamente bacocas e anquilosadas da IGE!
ResponderEliminarHá uns três anos requeri ingenuamente a avaliação ao meu (ex) agrupamento que era, de longe, o melhor da cidade em termos de aproveitamento e o mais escolhido pelos pais, com um corpo docente e não docente estável e muito sabedor das coisas da educação e da instrução e até um Insuf. nos foi atribuído! E, depois das nossas escolas serem constantemente escolhidas pela DREC para serem dadas como exemplos de boas práticas em variadíssimas áreas, a senhora inspectora chefe chamou-me lá para me perguntar se eu queria que ela pedisse ajuda à DREC para melhorar a escola...
Desculpe a "baixeza", mas ainda tremo com esta lembrança, que se lixe (com F maiúsculo!) a IGE e as suas avaliações externas!!!
E ... cheer up!
E também se diz que houve um mão invisível do PS para que o relato não fosse mais degradante...
ResponderEliminarAo que me dizem aquilo só filmado.
ResponderEliminarportugal no seu melhor... um país falido e alguns ainda se admiram... medíocre e cunhas...
ResponderEliminarerrata: uma mão, desculpem
ResponderEliminarAprendam...
ResponderEliminarConto, aliás, uma história que ouvi recentemente. Um cidadão
português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o Tejo,
descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de
Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não
tinha janela.
Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o
projecto e o entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva
autorização para a obra. O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria
bastantes meses ou mesmo anos a obter uma resposta e que, no final,
ela seria negativa. No entanto, acrescentou, ele resolveria o
problema.
Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros
entrou na referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a
fachada. O arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a
nova janela e endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse
permitido ao proprietário fechar a dita janela.
Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora:
invocando um extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os
serviços da câmara davam um rotundo não à pretensão do proprietário de
fechar a dita janela.
E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou
com toda a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia,
se atreva a vir dizer-lhe que tem de fechar a janela! [....]
Nicolau Santos, in "Expresso online" [...]
Paulo, faz-me mal pensar na "nossa escola", tento não pensar. Vou lá fazer o que tenho a fazer e, depois, não vejo a hora de me vir embora. O que me move são os alunos. Até quando este desnorte.
ResponderEliminarBj
Mena
De facto a avaliação deixou muito a desejar. É lamentável que assim seja. Mas tinha de ser assim, não tenhamos ilusões.
ResponderEliminarOs senhores do IGE certamente que não tiveram em conta todas as variáveis sociais, nem tempo para realizar um estudo crítico, nem tempo para proceder ao cruzamento de dados de modo validá-los. Parece-me que se tratou de uma espécie de avaliação segundo Bolonha.
Gostaria que a minha escola caísse no esquecimento e que terminasse o aproveitamento político.
:(
O pior que aconteceu às escolas foi a gestão. Os cargos são cozinhados nos partidos políticos e a procissão ainda vai no adro. Se não alteram o futuro vai ter mais vergonha.
ResponderEliminar"...acredito que haja alguém tão triste como eu com o estado insustentável da instituição, mas tenho a certeza que não há quem esteja mais triste."
ResponderEliminarSei o que sentes e já por muitas vezes disse, textualmente, as tuas palavras. Ninguém poderá estar mais triste do que tu.
Há dias estive com uma colega, nossa amiga, que mudou de Agrupamento e que me contou o que por lá se passa. Também tenho falado com pessoal de Lisboa e a conclusão é esta - A doença da Escola Pública remonta à chegada da Escola a tempo inteiro e dos defuntos titulares, o seu estado de saúde piorou com os agrupamentos e definhou completamente com o novo modelo de gestão e a avaliação..........................
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Era uma vez dois países: No país A as pessoas eram felizes, o país era limpo, tinha transportes, era organizado, democrático, com uma equipa eleita pelo povo trabalhador e onde todos davam mais do que lhes era pedido.
No país B, as ruas eram sujas, não havia transportes, a organização era outra, com uma equipa eleita mas menos democrático e daí todos darem só o essencial. Mais nada.
Alguém iluminado se lembrou de mudar tudo, nos dois. E não é que o país B não deu pelas mudanças?
Passaram foi a haver queixosos em ambos os países.
Irás dizer que a anestesia me fez mal, já sei!
Bjo grande, Paulo!
Obrigado. Retribuo Rute
ResponderEliminarSei Graça. Claro. Não posso escrever tudo em cada post e já fiz muitos posts sobre a avaliação externa.
ResponderEliminarA sério? A ubiquidade?
ResponderEliminarQue raio de coisa de doidos
ResponderEliminarForça aí Mena.
ResponderEliminarBj tb.
Concordo com os dois
ResponderEliminarFizeste-me rir miúda, apesar de tudo.
ResponderEliminarBj grande para ti tb.
Mais um mês e isto leva uma grande volta. Não desanimem, vocês são MUITO GRANDES!!!!
ResponderEliminarA Inspecção-Geral da Educação serve a burocracia e os avaliados são os Inspectores. As escolas estão de pantanas.
ResponderEliminarSanto Onofre não merecia e o País também não. É obrigatório correr com os culpados e metê-los em Tribunal.
ResponderEliminarÂnimo Paulo Guilherme! Toca a arribar! Se precisar de umas bocas foleiras cá do Norte é só dizer.
ResponderEliminarmaria do norte
Outro abraço do Norte, carago. Fora com a cambada.
ResponderEliminarHoje só temos que ter vergonha dos governos que temos tido.
ResponderEliminarNão leve nada muito a peito, porque eles nem sequer merecem...
"Eles" têm a sua vida e nós tentaremos ter a nossa, enquanto nos deixarem ou enquanto não tivermos que "tratar" deles...
um abraço
im
Não há volta a dar-lhe, quem nasce torto tarde ou nunca se endireita!
ResponderEliminarAquele abraço.
ResponderEliminarsempre à vontade. Não há censura
ResponderEliminarNão desistam. Não estão sós. GRANDE ABRAÇO A SANTO ONOFRE.
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ResponderEliminarooooh Paulo, como sinto a dor contigo!!!
difícil construir a excelência, fácil esparramar na mediocridade.
abraço
Vamos fazer o que ainda não foi feito, porque amanhã é sempre tarde de mais!
ResponderEliminar"Vozes ao alto!
ResponderEliminarVozes ao alto
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada
ao sol desta canção."
jinhos
Aquele abraço companheira
ResponderEliminarQue comentário tão itech sorry
ResponderEliminarerrata: is= Isabel Seno
ResponderEliminarjinhos
itech
SÂO GRANDES!!!!
ResponderEliminarNunca esquecemos os DIGNOS E CORAJOSOS!
ResponderEliminarBEM HAJAM!
Num dos critérios, por exemplo, compara-se o desempenho dos alunos nas classificações internas com os resultados de exames e provas de aferição, para concluírem que os professores da ebi dão demasiadas negativas. Resumindo, não somos suficientemente facilitistas. Se o fôssemos um pouco mais, teríamos uma melhor classificação.
ResponderEliminarTemos que ter em conta o relatório e melhorar e exigir sempre mais de nós próprios, dos alunos e da comunidade escolar.
É Luís. E tb não adiantam os eufemismo, porque só não vê quem não quer onde está a origem da queda. Como alguém escreveu por aqui: depois já pode ser tarde.
ResponderEliminarÉ mesmo Rita. Quem diria.
ResponderEliminarJá nem me lembrava desse texto, que tb é teu
Bjo grande