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quinta-feira, 30 de junho de 2011

e santo onofre? (12) fim de um capítulo

 


 


Procuro encerrar capítulos blogosféricos virados para a denominada luta dos professores na busca de oxigenação e da mudança de tema - nunca da desistência na defesa do poder democrático da escola -. É que, por vezes, teclar faz doer o corpo. Por acaso pensei que já o tinha feito com a avaliação de professores e afinal têm sido necessários uns episódios suplementares.


 


Tudo isto para afirmar o encerramento do capítulo "e santo onofre?". Sinto orgulho em pertencer a uma escola, hoje sede de agrupamento, com uma história assim. Até nos momentos recentes se sucederam as lições de dignidade e de profissionalismo que marcam uma parte importante daquela cultura organizacional. Como escrevi várias vezes, tirei um bilhete de balcão e assisti aos movimentos no palco que perpetraram a destruição; já ninguém duvida da dimensão dos estragos. Chega. Espera-se o regresso à normalidade, à reconstrução e às notícias que nos enchem a alma.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

e santo onofre? (11) director demitiu-se

 


 


Acabam de me informar que quem ocupava as funções de director no agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou a demissão numa reunião do Conselho Geral. Termina a parte maior do pesadelo que se abateu sobre aquele agrupamento de escolas. O elevado grau de destruição de um ambiente organizacional que um dia foi referência, deve servir para que se perceba que exemplos daquele género nunca mais se devem repetir.


Bem hajam todos os que conseguiram suportar tempos tão difíceis com elevados níveis de dignidade e de profissionalismo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

e santo onofre? (10) mais? é impossível

 


 


 


Pedem-me para continuar a escrever sobre Santo Onofre, mas confesso: faz-me mal à saúde conversar e escrever sobre aquela instituição de ensino. É muito difícil lidar diariamente com a destruição de tudo aquilo que levou anos a construir e com os resultados que se conhecem. Ouvir os desânimos inultrapassáveis e generalizados durante muito tempo não ajuda nada. Ainda por cima os sinais da má imagem já romperam fronteiras e o passar do tempo só acentua os dramáticos efeitos nos alunos.


 


Ando há dias com este post por escrever e faço-o agora para sublinhar o óbvio: acredito que haja alguém tão triste como eu com o estado insustentável da instituição, mas tenho a certeza que não há quem esteja mais triste. O facto de ter tirado um bilhete de balcão não impede que ouça os desabafos, as críticas e o desassossego que ultrapassou há muito os muros da escola sede.


 


Os últimos episódios não surpreendem. Encontrei uma colega que exerce um cargo de gestão escolar num agrupamento vizinho. Depois dos cumprimentos iniciais foi taxativa: já leste a avaliação externa da tua escola? Mau, muito mau mesmo. Pior é impossível. Têm o mínimo normalmente atribuído em todos os parâmetros e o descritivo envergonha-vos. Levaram com suficiente em tudo menos na organização do agrupamento, onde o bom é normalmente a classificação mais baixa que a inspecção atribui. Os resultados dos alunos estão sempre a descer e nem há projecto educativo aprovado.


 


Ainda balbuciei uma justificação do tipo: o pesadelo há-de terminar, é um momento mau mas passageiro. Debalde. A vossa escola tem uma péssima imagem em todo o lado, sentenciou a colega. Disse mais umas coisas que me escuso a escrever.


 


Fiquei envergonhado. Tenho um sentimento especial por Santo Onofre e ninguém gosta de ver o seu clube a ser goleado. O histórico e o bilhete de identidade daquela instituição ficam manchados.


 


Quem começou como uma escola TEIP, e teve de arregaçar as mangas para o que se sabe, sente uma dor de alma sem fim com a actualidade. Somos muitos os que sentem isso e não paro de receber mensagens de quem deu muito àquela instituição e que agora está fora ou reformado.


 


As avaliações externas valem o que valem, não lhes dou, objectivamente, grande crédito e não há relatório capaz de descrever o grau da dor. Para proteger a saúde, não fui capaz de o ler.


 


Fiquei preocupado com os resultados que estas coisas podem ter no futuro que se avizinha. De instituição de referência, com palavra e com excelentes progressos dos seus alunos, passámos a nem-sei-o-quê.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

e santo onofre? (09) resultados

 


 


Realizou-se hoje o processo eleitoral para escolha dos professores que vão integrar o primeiro Conselho Geral do Agrupamento de Santo Onofre. De acordo com o que tinha previsto aqui, apresentaram-se duas listas. A lista A constituída por professores que se manifestaram contrários ao actual modelo de gestão e a lista B que, de alguma forma, deu continuidade à ideia que levou à constituição do controverso Conselho Geral Transitório.


 


A lista A obteve 94 votos (cerca de 68%) e, de acordo com o método d´hont, tem direito a cinco efectivos e a lista B obteve 34 votos (cerca de 24%) que lhe garante dois efectivos. Houve 9 votos brancos, 3 nulos e votaram 140 professores e educadores num universo de cerca de 180. Recebi os dados pelo telefone e rectificarei se for caso disso.


 


Estão de parabéns todos os candidatos que participaram neste acto democrático, coisa que rareia nas escolas portuguesas. Quem diria que seria assim o Portugal de 2010. É, sem dúvida, um excelente resultado para a lista A.


 


Ontem à noite escrevi o post E Santo Onofre (8) Lições e publiquei-o antes de ir votar. Seria escrito independentemente desta eleição. Estava no prelo há muito, mas o tempo é o que é. No entanto, estes resultados confirmam as minhas impressões. Devo acrescentar, que converso com pessoas dos mais diversos grupos e não apenas com professores.

e santo onofre? (08) lições

 


 


Já escrevi algumas vezes: tirei um bilhete de balcão em Santo Onofre e converso com quase todas as pessoas. Há um registo que é unânime: o agrupamento está em descida vertiginosa e a situação é insustentável. Os meus interlocutores sabem bem o que penso, é público, e também com o que podem contar. Para discursos ajustados às ocasiões a porta não é esta.


 


Nos casos graves, como o deste agrupamento, há algumas lições a tirar. Existem, desde logo, factos históricos: a escola sede foi uma referência de cultura organizacional que ultrapassou as fronteiras da região e assumiu, já como agrupamento, posições difíceis, mas elogiadas pela comunidade nacional, na denominada luta dos professores.


 


O sentimento de pertença a Santo Onofre não foi ponderado por quem nunca o viveu. Deu em tragédia.


 


Sejamos objectivos. A entrada de uma CAP foi o primeiro passo para a situação presente. O ME, as estruturas locais (de vários concelhos do Oeste) do partido do governo e outras entidades que todos sabemos quais são, devem aprender uma lição: uma ocupação semelhante não se deve repetir.


 


É evidente que a história ainda mais recente mostra-nos que o despautério não terminou aí. Seguiram-se outros episódios inclassificáveis; por pudor, sou franco, vou omitir os detalhes. As divisões por parte de quem se movimentava no palco, por exemplo, foram do mais péssimo exemplo que se podia imaginar.


 


Ninguém contesta que a indignação se acentua à medida que o tempo passa. É mesmo impressionante a revolta com a presença dos elementos que constituíram a CAP ou com os que participaram nos episódios seguintes. É uma dor que o tempo crava. Nunca tinha vivido nada assim. Penso que já são muito poucos os que não intuíram o estado de sítio.


 


Em situações deste género, os primeiros responsáveis estão sempre prontos para não prestar contas e os stakeholders do agrupamento é que terão a responsabilidade de reerguer o que foi destruído. Aí é que não é nada de novo, portanto.

domingo, 14 de novembro de 2010

e santo onofre? (07)

 


 


Entrou um comentário de um encarregado de educação que teve a confirmação no dia seguinte: abriu o processo eleitoral para a formação do Conselho Geral (CG) do agrupamento de escolas de Santo Onofre.


 


O longo, atribulado e mediático processo de Santo Onofre vai conhecer mais um episódio. Como já escrevi, adquiri um bilhete de balcão e assisto ao que se passa no palco e nos movimentos à sua volta.


 


A história recente da instituição é o que se sabe. Terminou o mandato do Conselho Geral Transitório (CGT). Foi um dos exercícios de maior longevidade no género e, ao que me contam, foi caracterizado por episódios que inspirariam o saudoso cinema feliniano.


 


São muitos os "holofotes" nacionais que estão atentos aos desenvolvimentos em Santo Onofre. Quero sublinhar o seguinte: seria injusto para a maioria dos professores atribuírem-me uma responsabilidade objectiva pelo facto dos professores não terem constituído listas para o CGT. Isso só aconteceu na quarta tentativa e nas condições descritas no link que indiquei. Sempre estive, por imperativo democrático, à margem desse processo.


 


A comunidade nacional enalteceu a posição de Santo Onfre. Foi consensual. Todavia, é justo afirmar que o agrupamento ficou isolado na luta e que os restantes trataram da vidinha. Apesar disso, não observo sinais de arrependimento; bem pelo contrário. Vejo é uma profunda tristeza com o estado actual da organização. Não me parece, portanto, que a comunidade nacional deva ficar à espera que uma boa parte dos professores de Santo Onofre não diga basta.


 


Ainda do balcão, e como converso com quem se quer dirigir-me, consegui registar dois estados de alma no dia seguinte: amargura por parte de quem queria prolongar o mandato do CGT e alegria esfuziante de alguns dos que se bateram pela abertura do processo eleitoral para o CG. Deu para tirar conclusões. Emocionou-me verificar o grito de liberdade dos segundos. Impressionou-me mesmo.


 


Se Santo Onofre foi reconhecido em tempos como referência organizacional e estudo de caso, a história recente não lhe retira o estatuto de caso. Quem quiser perceber os motivos que levaram o país ao estado de pré-falência, basta estudar bem os fenómenos que originaram o estado actual daquele agrupamento de escolas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

e santo onofre? (06)

 


 


 


 


Disse-me um professor de outra escola do concelho das Caldas da Rainha: existiu uma enorme debandada de alunos de Santo Onofre porque temos de fazer turmas muito para além dos limites da rede escolar; os encarregados de educação nem querem ouvir falar em Santo Onofre.


 


A descontrolada rede escolar das Caldas da Rainha volta a ficar desequilibrada. Depois da inédita integração urbana de uma escola particular e cooperativa (que não se agrupa) os desequilíbrios desta rede concelhia agravam-se. Os seus recursos humanos bem podem temer o futuro.


 


Deixei passar a primeira semana de aulas em Santo Onofre e tentei conhecer os números. Um procedimento que, desde o século passado, um qualquer interessado apurava com todo o rigor e à distância de um clique num qualquer terminal da rede, é hoje uma dor de cabeça. A informação não está nos locais de estilo e o melhor que consegui foi taxativo: saíram mais de duas centenas de alunos num universo de pouco mais de oitocentos.


 


Passar pelo recreio no intervalo é uma dor de alma. São poucos os que ficaram. Quem os conhece sabe que a regra foi mais ou menos assim: os alunos das famílias mais informadas transferiram-se. Ficaram os outros, os duplamente penalizados: para associar a famílias sem tempo ou ambição escolar, vêem agora vedado o convívio, na mesma sala de aula, com quem beneficia desses factores decisivos.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

e santo onofre? (05)

 


 


Já dei conta da situação insustentável que se vive em Santo Onofre. São inúmeras as variáveis da organização que entraram em crise ou em falência. A carta que se pode ler a seguir é da responsabilidade dos encarregados de educação de uma turma do primeiro ciclo. Solicitaram-me a publicação. O conteúdo é elucidativo. Entre os vários aspectos referidos, salienta-se a tábua rasa que se fez de um dos aspectos que transformou aquele estabelecimento de ensino numa referência.


 


 


"Assunto: Reclamação de horário"


 


Os pais e Encarregados de Educação dos alunos da turma 3º B da Escola EBI Santo Onofre, reunidos em Assembleia, vêm requerer à Direcção do Agrupamento a alteração do horário dos seus filhos/educandos pelas razões que a seguir indicam.




a) A consistência e a articulação das matérias curriculares, no plano da aprendizagem, exige uma disponibilidade intelectiva e emocional, que não é compatível com o facto de disciplinas de natureza extracurricular figurarem intercaladas com aquelas, porque assim se força a criança a estar concentrada em momentos (fim do dia lectivo) que vão além das suas capacidades.




b) A não uniformização dos tempos de almoço, dada a sua variação ao longo da semana, quebra o estabelecimento de rotinas imprescindivéis para uma boa formação nesta faixa etária, e vem ao arrepio dos problemas de desenvolvimento que caraterizam os alunos com mais dificuldades. Note-se que foram entregues relatórios médicos nos quais se refere que a escola deve “promover um ambiente estruturado e organizado, no qual as rotinas sejam mantidas e os hábitos sejam regulares”. Considere-se ainda que a não uniformização dos tempos no horário traz implicações negativas, em termos práticos, para as famílias, pois exige que os Encarregados de Educação, que optarem por dar almoçam aos seus educandos fora da escola, tenham (pelo menos) uma diponibilidade de tempo desde as 11:50 às 14:10. Impede também o encontro salutar entre irmãos à hora de almoço, pois os horários na EBI não são coincidentes mesmo entre alunos do 1.º ciclo. Obriga a que estes tenham uma autonomia, semelhante à dos alunos dos restantes ciclos, uma vez que terão de almoçar ao mesmo tempo que os mais crescidos (2.º e 3.º ciclos). Aqui levanta-se a questão da indisciplina, que é notoriamente conhecida e cujo problema tem sido difícil de solucionar. Esta junção de níveis etários diferentes apresenta-se como mais um problema para os próprios assistentes operacionais.




c) Esta não uniformização dos intervalos irá obrigar a que os nossos alunos adquiram capacidades de auto-regulação que ainda não têm. Terão de se abstrair dos constantes ruídos que haverá quer nos corredores, quer no recreio. Acresce ainda o número de alunos que a  EBI tem como sendo um grande factor de promoção de constante ruído. Esta realidade em nada se compara com os restantes estabelecimentos de ensino do Agrupamento. A ideia de uniformizar os horários no Agrupamento para todas as EB1 deverá ter em conta a tipologia dos estabelecimentos, bem como a ideologia da sua construção. Não se pode nivelar todos por igual, quando na sua essência o não são. Uma Escola Básica Integrada NÃO é o mesmo que uma EB1. Há vários estudos nessa matéria e os resultados da articulação entre ciclos, assentes nesta tipologia, estão mais que comprovados, veja-se os resultados EXCELENTES dos ex-alunos desta escola. Se durante 15 anos este estabelecimento de ensino conseguiu manter um projecto de grande qualidade, o que mudou agora? Porque não fomos informados destas profundas alterações? Temos direito a ser esclarecidos quando os projectos deixam de estar em vigor, atempadamente, para podermos tomar decisões dentro dos prazos. Sentimo-nos enganados.




d) A introdução de áreas não curriculares antes da hora de almoço obriga a que o seu carátcer facultativo seja preterido, em virtude de os alunos que optem pela sua não frequência ficarem com um tempo vazio, note-se que há dias na semana que o intervalo de almoço é de 2h e 10min. Considere-se aqui também o facto de a escola não ter recursos humanos disponíveis para uma adequada ocupação destas crianças, como se pode inferir dos problemas já existentes durante os intervalos, ocorridos nos anos lectivos anteriores. O maior número de actos de violência praticados entre alunos ocorreu durante os intervalos de almoço, como muito bem sabe. Tendo esta escola um horário desdobrado, como poderão garantir a vigilância à hora de almoço se há alunos no recreio e na sala de aula? Aumentaram o número de recursos humanos para acautelar esta situação?




e) Considera-se ainda que esta escola deve recuparar as suas boas práticas decorrentes do projecto de articulação entre ciclos e não imitar as experiências de insensibilidade pedagógica e movidas por meros interesses financeiros, as quais tão desastrosamente têm sido organizadas pela autarquia e que têm sido objecto de crítica por toda a comunidade educativa.


Entenda-se também que as AECs são facultativas, devendo por isso figurar no horário no final das actividades curriculares. Os nossos educandos foram matriculados nesta tipologia de ensino (EBI) pela sua vertente pedagógica que privilegia a articulação entre ciclos, quer por parte dos docentes, quer por parte dos alunos. Refiram-se as inúmeras actividades realizadas ao longo do ano lectivo transacto que apontam todas nesse sentido.




f) Entendemos que os direitos dos nossos educandos não estão a ser garantidos. “As leis devem levar em conta os melhores interesses da criança” e NUNCA razões de ordem económica ou de outro tipo, rivalidades, etc.


 


Assim, propõe-se:



  1. Que não haja actividades extracurriculares antes das 15:15.

  2. Que essas actividades sejam leccionadas a partir das 15:15.

  3. Que o horário seja reposto à semelhança do ano lectivo transacto.

  4. Que a articulação entre ciclos seja retomada, pela sua relevância pedagógica e como forma de afirmar a imagem da escola.


 


Aguardamos  a  Vossa  resposta.


Caldas da Rainha, 15 de Setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

e santo onofre? (04)

 


 


Orgulho-me de ser professor em Portugal. Faço parte de uma geração que participou na massificação do ensino. Exigiu esforço, mas foi por uma boa causa. Muito está por fazer, naturalmente. A Educação é um exercício sem fim.


 


É fundamental o dia em que se recebe os alunos e os seus encarregados de Educação (EDE). Hoje foi um dia desses. É o primeiro contacto com a escola. Um dia de festa e de bem receber. Todos os cuidados são colocados e o respeito por quem chega é a palavra de ordem.


 


Hoje, em Santo Onofre, aconteceu o contrário de tudo isso. Nunca tinha vivido uma coisa assim, muito menos naquela escola. Sou franco: senti vergonha e um embaraço inédito. Recebia, às 10h30, os alunos e os EDE da minha direcção de turma na sala 25. Estranhei o excessivo número de automóveis estacionados na zona envolvente. Quando entrei na escola encontrei uma funcionária de cabeça perdida e que me disse: um caos professor; estão cá os anos quase todos e as salas estão baralhadas. Verifiquei o número da sala e mantinha-se a 25.


 


Fui buscar o livro de ponto, eram 10h25, e dirigi-me à sala de aula. Estava ocupada por outra turma. O ambiente era de confusão generalizada. Protestos sobre protestos. Em cima da mesa da funcionária do bloco estava um papel com a programação que indicava a sala 25, mas com um 32 entre parêntesis. Disse aos EDE que tínhamos de ir para outro piso.


 


Foi-me valendo que quase todos me conheciam. Abri a porta da sala 32 e estava também ocupada com outra turma. A minha colega que orientava a reunião abanou a cabeça com um sentimento de saturação. Diriji-me à mesa da funcionária do bloco e em frente do rascunho 32 estava desta vez um premonitório 31. Vamos para lá. Porta fechada à chave. Para a abrir tive de voltar à sala de professores onde está um chaveiro. Pedi às pessoas para esperarem mais um pouco. A incredulidade estava instalada nos EDE. Alguns pediram desculpa, mas tiveram de se de ir embora para voltarem ao trabalho.


 


Fui buscar a chave e cruzei-me com situações semelhantes; uma comédia feita tragédia. Voltei à sala 31 para reunir com menos de metade dos EDE. Uma das pessoas estava particularmente em pânico: chegava de uma escola inglesa e a sua filha era a mais nova da turma. A aluna estava a chorar. Durante a reunião as interrupções foram constantes e valeu a boa disposição de uns quantos.



Fiz a reunião e prometi uma outra oportunamente. Trouxe comigo para os ajudar, e com a compreensão dos restantes, o EDE recém-chegado e a aluna. O percurso até à saída foi surreal: uma aluna mais velha veio dizer-me que a papelaria tinha mudada de sítio, mas que a placa indicativa não e que no novo espaço só havia mesas e cadeiras por arrumar e nenhuma informação. Estava indignada. Queria comprar as senhas de almoço para segunda-feira e não sabia como fazer. Apareceu-me depois uma outra com um horário para fotocopiar. Disse-me que na porta indicada pela placa da reprografia estava colado um papel manuscrito com "educação especial". Queixou-se que o site da escola não tinha os horários e que raramente funciona.


 


Já não sabia que dizer. Pedi-lhes que se fossem embora, que na segunda-feira os ajudaria. O corredor da entrada estava cheio de gente a protestar e de funcionários indignados. Ainda passei pela sala de professores e o desânimo estava patente.


 


A situação de Santo Onofre é insustentável e não é novidade, claro. Desde membros dos diversos órgãos do agrupamento (até da própria direcção), passando por professores, funcionários e encarregados de educação, a constatação é repetida até à exaustão e sem qualquer inibição.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

e santo onofre? (03)

 


 


Perguntam-me pela abertura do ano escolar no Agrupamento de Santo Onofre. Ao fim dos dois primeiros dias, constata-se que a acção de terraplenagem às componentes de gestão que fizeram da Escola Básica Integrada de Santo Onofre um exemplo de excelência acelerou-se vertiginosamente.


 


Estive numa reunião geral de professores (quem ocupa as funções de director encontra-se ainda em gozo de férias) e no final ia registando os desabafos: indizível, inqualificável, nunca vi nada assim, bateu no fundo e por aí adiante.


 


O elenco das desgraças que assolaram a escola sede não tem fim e tenho-as relatado. Tenho uma leve noção do que se passa com as restantes escolas e jardins de infância do agrupamento.


 


O tema do momento são os horários escolares, naturalmente. Pela primeira vez, e ao fim de muitos anos, a sua divulgação não aconteceu nesta altura. Consta-se, porque não existe qualquer documento público que o refira, que se alteraram as variáveis que elevavam os horários das turmas de Santo Onofre aos melhores exemplos que se conhecem. Com o decorrer dos dias, darei conta de outros detalhes que ajudem a compreender o grau de irresponsabilidade pedagógica e profissional que por ali se verifica e que continua a ser comprovado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

e santo onofre? (02)

 


 


 



 


 


Leccionei em 13 escolas de Norte a Sul do país, tenho cerca de 30 anos de serviço docente quase ininterrupto, integrei uma equipa de coordenação de cerca de 50 estabelecimentos de ensino, mergulhei durante cerca de 10 anos em gestão escolar numa escola pública, lidei com procedimentos de gestão de empresas privadas e de organizações de utilidade pública e não me lembro, e escrevo-o com amargura, de uma situação tão indizível como a de Santo Onofre.


 


Quando estou dentro de uma sala de aula a coisa atenua-se. Mas quando estou presente numa qualquer reunião, o confronto com os procedimentos da organização escolar tira-me do sério. Entristece-me exercer a minha actividade profissional numa organização que recorre, em pleno 2010, a um processo de terraplenagem de toda a cultura organizacional que fez daquela escola, hoje sede de agrupamento, um exemplo de referência organizativa e de ambiente profissional.


 


Tenho assistido ao processo em curso com um bilhete de balcão. Não me confundo com o jogo de sombras que decorre no palco e nos lugares próximos. A possibilidade dos mega-agrupamentos, e o modo como nasceu por ali o novo modelo de gestão, começa a abrir brechas irreparáveis.


 


Recordamo-nos dos momentos recentes em que Santo Onofre era uma referência na histórica resistência dos professores. Depois de muitas peripécias, o ME resolveu instituir uma CAP (Comissão Administrativa Provisória) com 4 elementos. Apenas uma dessas pessoas leccionava no agrupamento. Meses depois, demitiu-se ou demitiram-na e a CAP ficou reduzida a três. Mais tarde, um grupo de professores (alguns da escola sede) decidiu pôr fim ao movimento resistente e viabilizou o CGT (Conselho Geral Transitório). Com o decurso do processo concursal/eleitoral (ao que dizem os especialistas é uma singularidade lusitana) constituiu-se uma direcção composta pelos restantes membros da CAP e por alguns dos professores que viabilizaram o modelo.


 


É público que a coisa não correu nada bem. Não estou a escrever nada que os próprios não se cansem de repetir à saciedade.


 


Mas o que agora me faz escrever sobre Santo Onofre é recente. Com a saga dos mega-agrupamentos a ameaçar os mandatos por cumprir, elementos do palco (não sei se um, se dois, se uma das partes, se ambas as partes) puseram à consideração a ideia de uma reunião geral de professores e de educadores onde se tentaria recuperar a aura da resistência de modo a defender a identidade cultural de Santo Onofre e o cumprimento dos mandatos.


 


Digam-me lá se aquela área geográfica não tem tendência para a excentricidade (isto para não escrever outra coisa)?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

e santo onofre? (01)

 


 


Gosto de escrever e tinha o hábito de o fazer para os jornais mais diversos. Vim viver para as Caldas da Rainha em 1989 e dois ou três anos depois iniciei uma prática, mais ou menos semestral, de escrever para o jornal local com mais audiência - A Gazeta das Caldas -. Foi assim até 2004, altura em que iniciei o "correntes".


 


Devo confessar que os directores desse jornal sempre foram muito pacientes e publicaram diversos textos com um número bem razoável de caracteres. E foi precisamente pelo último motivo - a arrumação dos textos subordinada ao número de caracteres -, que comecei a espaçar ainda mais esse meu devaneio; o derradeiro texto que a Gazeta fez o favor de publicar foi em Março de 2008, num dos auges da luta dos professores, chamou-se "escolas sem oxigénio" e pode lê-lo aqui.


 


Daí para cá, só mesmo nos momentos mais mediatizados da ocupação do agrupamento de Santo Onofre por parte do ME é que aceitei responder às questões que os jornalistas dos jornais locais me colocaram.


 


A situação actual de Santo Onofre (e refiro-me à escola sede que conheço bem) é desgraçada como se previa e comprova. Encarregados de Educação, alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, funcionários e pessoas da comunidade interessadas na vida daquela escola, dizem-me o mesmo: "a escola está de rastos e só não sai de lá quem não o pode fazer". Invariavelmente, as pessoas mais diversas - e dos mais variados pontos do país - e que se interessam pela defesa do poder democrático das escolas perguntam-me:"e Santo Onofre? Como vai?"


 


Pedem-me para escrever sobre o assunto para o jornal local. Não o fiz nem o vou fazer nos tempos mais próximos. Os motivos dessa contenção são muito simples: não quero contribuir para agravar o êxodo que se está a verificar e que fiz referência. Fico-me pelo blogue e este post inicia uma nova rubrica que terá as entradas, e o conteúdo, que os meus critérios entenderem.