Mário Monti, o futuro chefe de governo de Itália e que, com 75 anos, nunca exerceu qualquer cargo político-partidário, agrada à maioria dos comentadores. Advogam a seriedade e a credibilidade técnica. Berlusconi sempre me pareceu o desastre que se confirmou. É estranha a sucessiva queda de chefes de governo na Europa sem a necessidade do voto ou com a posterior "reafirmação" pelo sufrágio directo e universal. Os "mercados", na versão capitalismo selvagem, determinam. Haverá rostos por detrás? Decerto que sim, só que não sabemos ao certo quem é esse poder quase absoluto nem o sufragamos.
Outro sinal estranho foi dado por Sarkozy. Embora o francês seja dado a trapalhadas, sempre é o chefe de estado da França. Os últimos dias reafirmaram a preocupação com a governança em registo de humores mesquinhos; como os humanos, afinal. Não se esperava que Sarkozy cobiçasse o financiamento da dívida dos PIIGS para escapar à austeridade em plena pré-campanha eleitoral, propondo uma Europa a duas velocidades e o esconderijo na imaginária parede alemã. É demasiado e tem de se temer tanto desnorte.
Os dois fenómenos descritos são, no mínimo, estranhos. Não sei se são inauditos, mas indicam um qualquer mundo novo.
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