O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
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quarta-feira, 22 de junho de 2022
sábado, 13 de maio de 2017
ecologia e analogia
Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando cruzamos páginas do "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado (anos oitenta e noventa) com o passado recente português.
Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES. Também se soube que a santa casa da misericórdia foi providencial nos empregos para os assalariados do antigo arco governativo, cabendo a vez à direita. Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias nesta ecologia.
DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
da sensatez do novo Ministro da Educação
"O modelo anterior estava errado e era nocivo", "estudos nacionais e internacionais apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino", "intervir rapidamente na reparação de danos causados ao sistema", "ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", "o que tinha de acabar era o estreitamento curricular", "alunos a treinarem para exames é pernicioso e até nocivo", disse Tiago Rodrigues, o novo MEC. São ideias sensatas, corajosas, fora da caixa e com um alcance de médio e longo prazo na qualidade da democracia.
Estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (estas três variáveis com exames de crianças, obviamente e repito). A quem se interessar por estas matérias, aconselho dois livros de Michael J. Sandel: "O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?".
salvem-se os banqueiros?
Sucedem-se as quedas bancárias e os banqueiros sofrem uma erosão na imagem pública inferior aos decisores políticos; no mínimo, menos definitiva. E porquê? Há, desde logo, toda uma moralidade dos limites do mercado por repensar numa fase em que é tal o prestígio e o poder da sua razão de existir, que torna minoritário o discurso político não vazio e capaz de provocar qualquer mudança.
Nem o estrondoso fracasso dos mercados financeiros em 2008 reduziu a aura de totalidade. Por incrível que possa parecer, a crise mais grave dos últimos oitenta anos fragilizou mais governos do que bancos. Bem sei que houve movimentos como o Ocupar Wall Street, mas uma discussão aprofundada sobre o papel dos mercados continua por fazer. O resultado mais palpável é o afastamento dos cidadãos da política que é o que parece interessar aos fervorosos adeptos da sociedade de mercado. E nada há fazer? Claro que sim e existem ideias consistentes. Desde logo, afastar as questões escolares do mercado. É um tema vasto que fica para outro post.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
da meritocracia
O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
Merkel tem autoridade democrática?
Merkel tem a autoridade democrática conferida pela eleição por sufrágio directo e universal e isso é indiscutível. A chanceler não terá sido escolhida pelos sem rosto dos Goldman Sachs deste mundo nem sequer por um conselho de estado ou por um colégio eleitoral. Só que Tsipras tem exactamente a mesma legitimidade. E se o grego carrega um país de excessos comprovados, recordo que há uma fábrica de sapatos de S. João da Madeira que exporta 94% da produção para o centro da Europa com a Alemanha destacada na linha da frente: o preço de um par fica entre os 400 e os 600 euros.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
o tríptico que francis bacon dedicou a lucian freud
O tríptico que Francis Bacon dedicou a Lucian Freud terá o valor mais alto de sempre no mercado da arte.
Este tipo de notícia pode pôr a pensar os nossos afuniladores curriculares.
Este post é de 19 de Novembro de 2014.
segunda-feira, 30 de março de 2015
paz no futebol
O futebol pode estar em paz.
O BES, a PT, o BPI e por aí fora, como outrora o BPN, o BCP, o BANIF e os investidores GOLD do BPP, talvez não continuem a alimentar o poço sem fundo da industria do futebol, mas haverá sempre russos e árabes para juntar aos offshores regulamentados por quem cortou, corta e cortará a eito nos do costume.
É certo que cortam, mas também se reconheça que lhes dão alegria, emoções fortes e muito para pensar, imaginar, discutir, suspeitar, adivinhar, desmontar e até concordar. E convenhamos: o investimento no Ronaldo, por exemplo, tem um valor de mercado superior à despesa com uns 200 mil pensionistas.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
o país está no pano verde?
Não é recente a sensação de que o país está no pano verde. Os saldos no GES, mais propriamente no BES e nas empresas da saúde e dos seguros, deixam valores da comunidade à mercê do casino puro e duro. E convenhamos: os estados licenciaram os privados para o trio referido com base em dois pressupostos: geriam melhor, faziam mais com menos, portanto, e garantiam uma superioridade ética.
A exemplo dos "negócios" da água ou da luz, os denominados "pinga-pinga", o trio em questão obedecia a um simples raciocínio: os licenciados sentavam-se em cima do que recebiam (depósitos das poupanças, doenças ou seguros obrigatórios) e era impossível que saíssem a perder.
A entrada da troika coincidiu com a chegada ao poder de uma confessada ideologia radical crente nas virtudes do mercado desregulado. A propagação foi rápida e apoiada em tudo o que era mainstream. Mas mais: quem os antecedeu, achou que ficava "bem-seguir-a-ideologia-única". Os resultados estão aí e não há quem impeça o saque.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Dos resíduos e do submundo que nos rodeia
Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando lemos páginas sobre o "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado e o cruzamos com o presente lusitano.
Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES (a malta do casino não se solidariza com a queda dos parceiros) e também se conheceu o óbvio: a santa casa da misericórdia, comandada por Santana Lopes, é providencial nos empregos para os assalariados do arco governativo cabendo a vez à aliança democrática.
Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias no submundo da barbárie em que vivemos; mesmo naquela que professa uma qualquer santa misericórdia.
DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
do haircut do GES
Quando há uma falência, é preciso determinar os passivos e os activos e calcular a percentagem da dívida que não será satisfeita: a reestruturação. É isso que já se deve estar a fazer com o GES e que se denomina por haircut. É sempre isso que se faz. Há, todavia, excepções: a Grécia e Portugal. O segundo foi mesmo um bom aluno que satisfez os mercados que não se cansam de premiar os governantes lusitanos.
domingo, 15 de junho de 2014
o ultraliberalismo já está por tudo
A hipocrisia do capitalismo selvagem está a atingir um qualquer pico e espera-se que comece finalmente a queda. Repare-se que mesmo a comercialização da droga pode ser legalizada e ainda veremos bordéis apoiados por sabe-se lá quem.
domingo, 8 de junho de 2014
sábado, 22 de março de 2014
a sociedade de mercado
"A sociedade de mercado" é o título da crónica de Vasco Pulido Valente no Público. Dá ideia que este outrora deputado pelo PSD acordou para a realidade ao interrogar os leitores se "Já leu o livro “O que o dinheiro não pode comprar” (não sei se está traduzido em português)? Se não leu, leia. O livro é de Michael J. Sandel, professor de Harvard e, segundo dizem, “o maior filósofo vivo”. A tese de Sandel é simples e coincide com o espírito do tempo: há valores que o mercado diminui ou perverte.(...)"
É exactamente essa perversão que os privados da Educação que se financiam no Estado não param de executar, com o habitual chico-espertismo, através da “(...)promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos filhos e de os preparar para o exame de inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais assinam quase de cruz um contrato de fidelização de 36 meses(...)".
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
do consumo, do mercado e das contradições dos liberais
Termos perdido uma boa parte da lógica da cadeia de abastecimento pode ser uma causa primeira do imbróglio em que estamos metidos. Dá ideia que avançarão as sociedades que resistirem e que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
supertite? mais uma grande treta
Precisava de colar um objecto e uma loja chinesa era o lugar mais próximo para o trajecto pedonal. As experiências anteriores foram inesquecíveis: uma lâmpada de baixo consumo que durou duas horas e uma fritadeira em ferro fundido que inundou de tinta preta o óleo da primeira utilização; lá se foi o "ferro fundido" e a chapa era tão fina que nem sei se aguentava uma dedada. Reclamei, mas até me diverti com o ploplietálio.
Não havia supercola, mas a supertite era equivalente. Só o nome dava logo para desconfiar. O marketing desta contrafacção é risível. A confusão entre adesivo e cola é que devia ter sido definitiva. A urgência fez-me trazer um material que se revelou desconhecido. Nem papel cola. Não faz nada; literal. É uma espécie de manteiga que fica elástica ao secar. Nem para adesivo serve. Se se cruzar com a supertite, já sabe: diga ao ploplietálio que vá enganal outlo.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
e o ar?
Entretanto, os portugueses reduziram o consumo de electricidade e os produtores aumentaram o preço para receberem a renda que contratualizaram. É o mercado a funcionar. Este Governo mete tanta água que a coisa não deve dar uma boa renda.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
do mercado e do consumo
Termos perdido a lógica da cadeia de abastecimento é a causa do imbróglio em que estamos metidos. Avançarão as sociedades que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
Adam Smith (2010:57). Riqueza das nações. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
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O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
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O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
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