Já fiz tantos posts sobre o Goldman Sachs, e sobre o outrora guru do subpraime António Borges, que nem me apeteceu comentar quando, há três dias, o consultor do Governo afirmou que era urgente cortar nos salários um dia depois de um jornalista do Le Monde vir a Portugal denunciar o perigo da presença de António Borges nas actuais funções.
Tenho ideia que, depois da hecatombe de 2008, os tais PIGS foram escolhidos para uma espécie de laboratório de ideias ultraliberais que experimentam a enésima tentativa, as anteriores falharam redondamente, sempre à custa dos mesmos (classes média e baixa) como se uma injecção ideológica, dada atrás das orelhas de uns quantos, os fizesse não vacilar.
António Borges apareceu, caído de Marte, a implorar pelo urgente corte nos salários, precisamente no mês em que o primeiro subsidio é engolido na totalidade (para além de meses a fio com salários cortados). Não sei o grau de maquiavelismo científico do Goldman Sachs e dos seus satélites, mas posso imaginar que deste modo se lançou a discussão, entre os "pacóvios", para mais cortes enquanto se consolidam os que estão em curso. E mais: permitiu ao primeiro-ministro "contrariar" o consultor das privatizações e do Pingo Doce.
Se reparamos, uma das explicações para a forma como esse banco americano enganou a Europa do Sul é semelhante à das nossas PPPs: os representantes dos estados são incompetentes na interpretação dos sofisticados produtos financeiros. Pois.
ResponderEliminarO Tribunal de Aveiro recusou o requerimento apresentado por Paulo Penedos, arguido no processo Face Oculta, para aceder a escutas a José Sócrates e Armando Vara.