Quando se anunciam agregações de escolas num modelo inédito no mundo conhecido e que comprova o trauma de grandeza das elites lusitanas, quando nos preparamos para demonstrar que somos tão estratosféricos que metemos 30 alunos onde só cabem 22, quando andamos a despachar e a contra-despachar diariamente matrizes curriculares com meses de atraso, quando temos um ministro que se engana no algoritmo implosivo e liga às escolas o detonador que seria para o MEC, quando temos um SE Casanova que envergonhou o país numa prestação televisiva inadmissível para uma nação mesmo que troikada, os spins lembraram-se de dar eco a uma demonstração de má aritmética em que a utilização de siglas quer dar um ar sofisticado a uma ensandecida parolice organizacional.
O crédito horário das escolas foi criado em 1997 com a ideia de premiar em equivalente financeiro as escolas mais organizadas. Eram, salvo erro, 140 horas com a possibilidade de conversão financeira até 20. A coisa foi sendo apertada até ao zero. Foi também nessa altura que implodiram, e bem, as horas extraordinárias nos horários dos professores.
Os novos "iluminados" atribuem um tecto de 30 horas convertido em contratação de professores. Ou seja, passam a vida a anunciar que o MEC investe muito em pessoas e que nada sobra para o resto e quando uma escola consegue um bom índice de eficácia só pode contratar pessoas e não pode investir noutra coisa. A sério. Este país não tem remédio.
A sofisticação vigente descobre a roda mensalmente, como a seguir se traduz para senso comum:
CT = K x CAP EFI T e ponto final.
CT é o crédito de tempos lectivos.
K é a caracterização do conjunto de professores e corresponde à diferença do número de turmas (vezes 4, porque se fosse vezes 5 éramos troikados, ufa!!!!) menos o total de horas de redução ao abrigo do artigo 79º.
CAP (não, não é ainda o poder central a dizer quem vai governar umas 500 escolas que nasceram em 2012, e após a chegada de NC e JCA ao MEC, e depois da implosão) é a capacidade de gestão dos recursos (CAP = (CL) / (HSV – RCL)) e é o produto da divisão entre 2 valores, CL (componente lectiva atribuída) e a diferença entre HSV e RCL, ou seja, a diferença entre a componente lectiva para efeitos de processamento de vencimentos e o somatório das horas de redução da componente lectiva. Se CAP for superior a 100% (em Santo Onofre foi muito abaixo de zero e implodiu na mesma) o que traduz a existência de horas extraordinárias, o acréscimo é reduzido ao valor de 100%, baixando o valor da CAP (Capacidade de Gestão, ou eliminação, de Recursos).
O EFI (Indicador de Eficácia Educativa, uma brutal invenção com origem nas zonas caóticas do sistema escolar, e industrial, inglês), resulta da avaliação sumativa externa (exames) e corresponde ao maior de um dos 3 valores: a) avaliação sumativa externa; b) diferença entre a avaliação sumativa interna e externa; c) comparação da variação anual das classificações de exame com a variação anual nacional.
Os valores
K e
CAP são definidos pelo
MISI com dados obtidos pelas escolas ou agrupamentos. O
EFI é apurado no
MISI em Agosto, coitados, para que a lógica
yes minister se eternize.
O T, resulta do número de Turmas do 2º e 3º CEB que se supõem, acrescido do valor 1 por grupo de 10 turmas dos 2º e 3º CEB´s e Secundário que se supõem. A informação é apurada pela rede escolar, que a obtém no somatório dos diversos PDMs que, e ao contrário do que pensávamos e em nome do rigor, diz que somos 30 milhões numa lógica de organização territorial e imobiliária importada do MEC português ao longo da ultima década. Depois de 2004 e agravado com hecatombe de 2008, a rede escolar diz que somos 3 milhões para que as cooperativas de ensino aconcheguem os incompreendidos do imobiliário e dos offshores.
"Devemos ser gratos aos idiotas. Sem eles, o resto de nós não seria bem sucedido."
ResponderEliminar(Mark Twain)
(Assim de repente, não sei porquê, lembrei-me da comparação da ADD com uma rede de metro...)
ResponderEliminarSe o Paulo me permite, esta análise está muito bem feita.
As circulares, esclarecimentos, informações internas, portarias, ..., seguem dentro de momentos...
ResponderEliminarGenial!!!!
ResponderEliminarNo facebook disse ontem que é o desvario total e confirmo-o.
"1º Mais horas de crédito para as melhores escolas. As piores vão ainda piorar! (muito bom) 2º Temos que chumbar os alunos de 10! (ficamos com turmas maiores no ano seguinte, ficamos com mais desdobramentos nas turmas e melhores resultados nos exames). Niguem faça o contrário!!! (grande política) 3º Nunca beneficiem os alunos....sejam o mais "sovinas" possível nas notas!!! assim a escola terá mais crédito horário (fantástico) 4º 45 minutos de um lado e 50 do outro....alguém anda a beber enquanto faz despachos no MEC... 5º Precisamos de formação em matemática para perceber esta porcaria toda... Enfim...parabéns a todos que votaram nestes gajos..."
obrigado
ResponderEliminarBem esmiuçado, Paulo! Como já nos habituaste!
ResponderEliminarIsto é ridículo. E haver idiotas a fazer coisas destas e outras parecidas é o que coloca o país no patamar em que estamos. Até quando?
Estas fórmulas deviam ser plasmadas nos jornais e afins.
ResponderEliminarFantástico!
Como referiu o comentador João Vieira, tenho a ligeira sensação que isto pode levar a cenas, acrescentaria eu, perversas e pornográficas.
Obrigado a todos.
ResponderEliminarCheguei atrasado e vai em grupo:
:) Ana. Fiquemos pela ideia de contraditório.
É Carlos VC: a rede de metro é, definitivamente, um clássico. Segue-se mais do mesmo. Obrigado.
É João Vieira. Isso tem muito que se lhe diga.
Lol ramos. Nada que agradecer.
Obrigado Isabel. A coisa eterniza-se?
Obrigado Fernanda. Perversidade, realmente.
"... umas 500 escolas que nasceram em 2012, e após a chegada de NC e JCA ao MEC..."
ResponderEliminarA essas juntam-se outras tantas que "nasceram" após a chegada de JS, MLR, VL e IA ao MEC. e já foi em Julho de 2010 !!!
É Agnelo.
ResponderEliminarE também antes disso. Enfim.
Fiquei comovido!...
ResponderEliminarÉ Nuno.
ResponderEliminarExcelente.
ResponderEliminarObrigado.
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