Este post é um contributo da Ana Sousa.
"Só por graça (ou desgraça), venho partilhar consigo algo curioso que um colega me enviou hoje mesmo, para nos darmos conta da enorme crise de valores que está a impregnar-se na nossa sociedade, subsidiária da crise económica e financeira que tem servido de álibi para toda e qualquer insanidade institucional (e não só!).
Então é assim: este ano, no 3º ano do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, há que adoptar novos manuais escolares a Língua Portuguesa, tal como em outros anos de escolaridade/disciplinas. Aliás, como saberá, os professores têm sido literalmente bombardeados com novos projectos de manuais, e estratégias de marketing mais ou menos insistentes e persuasoras. O negócio (e o posto de trabalho dos assistentes das editoras) faz falta a todos, claro!
Entretanto, na artilharia de propostas apresentadas, vão surgindo verdadeiras pérolas de um pensamento colectivo toldado pela imposição de mecanismos de subsistência/sobrevivência, de que nem as crianças parecem escapar.
Só tais mecanismos justificam esta proposta, digitalizada em anexo, de um manual escolar de Língua Portuguesa, da Porto Editora, para o 3º ano do Primeiro Ciclo.
De salientar que a própria capa deste manual escolar (da autoria de Eva Lima, Nuno Barrigão, Nuno Pedroso e Vitor da Rocha) contém a inscrição/informação: "Manual Certificado - Novo Programa"(cf. Lei nº 47/2006 de 28 de Agosto), o que é uma proeza, já que nenhum dos inúmeros manuais escolares propostos para adopção, em Língua Portuguesa, para os próximos 6º e 8º anos, mereceram a mesma consideração de terem sido, previamente, certificados pela DGIDC. Nenhum desses o foi, conforme prontamente transmitido às escolas via Circular, como se fosse um pormenor de somenos importância ou um lavar de mãos aceitável.
Agora veja bem o despautério deste texto (para não lhe chamar outra coisa), qualquer que seja o ponto de vista da análise!
Será uma imposição da TROIKA este "Educar para a Poupança"?
Para além de tudo o mais verdadeiramente aberrante (sentimentos de culpa, etc), que criatividade e afectividade se pretende fomentar nestas crianças (de 8/9 anos de idade)? Chocante!
curioso... sem dúvida...
ResponderEliminarEu cá, se fosse este pai com uma esposa (a mãe) tão poupada mas que ainda vai poupar mais (como?), ficava preocupado.
ResponderEliminarE já agora, esta de ele estar emigrado no Canadá será coincidência? ;)
:) João.
ResponderEliminarDeo gratias; ainda há miúdos a escrever numa caligrafia perfeita.
ResponderEliminarRoubei à descarada.
ResponderEliminar(e ainda estou de boca aberta)
Fez bem Ana.
ResponderEliminar:) :)
'' ....era muitA cara....'' - será possível?
ResponderEliminarVivi até há pouco tempo fora de portugal e quando regressei, veio comigo a minha companheira que conhecia mais ou menos a língua. O curioso foi que passado uns meses da nossa chegada ela fez-me notar que a palavra poupança, era constantemente mencionada, tanto na rádio como na televisão e em outros meios, mas especialmente na publicidade.
ResponderEliminarO texto que digitalizou faz uso dessa palavra o que me parece normal e não me choca minimamente. O que me choca é nas escolas não incentivarem à humildade e à abdicação de alguns excessos que prejudicam em grande medida a formação das crianças. Por isso poupar se tiver uma consciência por detrás ciente da actualidade é algo bastante natural e saudável. Abraços
Obrigado pelo testemunho.
ResponderEliminarAbraço também.