Seria precipitado "optar apenas por manuais digitais", como parece sugerir António Costa. Já há muita literatura a aconselhar o contrário e não apenas por causa da qualidade do acesso à internet.
Seria precipitado "optar apenas por manuais digitais", como parece sugerir António Costa. Já há muita literatura a aconselhar o contrário e não apenas por causa da qualidade do acesso à internet.
Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."
Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.

Este post é um contributo da Ana Sousa.
"Só por graça (ou desgraça), venho partilhar consigo algo curioso que um colega me enviou hoje mesmo, para nos darmos conta da enorme crise de valores que está a impregnar-se na nossa sociedade, subsidiária da crise económica e financeira que tem servido de álibi para toda e qualquer insanidade institucional (e não só!).
Então é assim: este ano, no 3º ano do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, há que adoptar novos manuais escolares a Língua Portuguesa, tal como em outros anos de escolaridade/disciplinas. Aliás, como saberá, os professores têm sido literalmente bombardeados com novos projectos de manuais, e estratégias de marketing mais ou menos insistentes e persuasoras. O negócio (e o posto de trabalho dos assistentes das editoras) faz falta a todos, claro!
Entretanto, na artilharia de propostas apresentadas, vão surgindo verdadeiras pérolas de um pensamento colectivo toldado pela imposição de mecanismos de subsistência/sobrevivência, de que nem as crianças parecem escapar.
Só tais mecanismos justificam esta proposta, digitalizada em anexo, de um manual escolar de Língua Portuguesa, da Porto Editora, para o 3º ano do Primeiro Ciclo.
De salientar que a própria capa deste manual escolar (da autoria de Eva Lima, Nuno Barrigão, Nuno Pedroso e Vitor da Rocha) contém a inscrição/informação: "Manual Certificado - Novo Programa"(cf. Lei nº 47/2006 de 28 de Agosto), o que é uma proeza, já que nenhum dos inúmeros manuais escolares propostos para adopção, em Língua Portuguesa, para os próximos 6º e 8º anos, mereceram a mesma consideração de terem sido, previamente, certificados pela DGIDC. Nenhum desses o foi, conforme prontamente transmitido às escolas via Circular, como se fosse um pormenor de somenos importância ou um lavar de mãos aceitável.
Agora veja bem o despautério deste texto (para não lhe chamar outra coisa), qualquer que seja o ponto de vista da análise!
Será uma imposição da TROIKA este "Educar para a Poupança"?
Para além de tudo o mais verdadeiramente aberrante (sentimentos de culpa, etc), que criatividade e afectividade se pretende fomentar nestas crianças (de 8/9 anos de idade)? Chocante!
Não me lembro de um ano lectivo em que tenha recebido tantos manuais escolares de promoção acompanhados de guiões para professores (uma espécie de GPS em versão algo atrevida) e de alguma parafernália tecnológica, que vai desde os DVD´s à indicação de links com conteúdos na internet (deve ser para os miúdos que têm o tal de Magalhães). Recebi-os em casa e na escola, e em doses repetidas, e constatei que a desflorestação do país não comoveu quem quer que seja e que o respeito pelos orçamentos familiares parece coisa de nórdicos.
Lecciono uma disciplina que tem um regime facultativo nesta adopção, não deixo de registar com alguma perplexidade esta realidade e acrescento mais uma explicação para o estado de bancarrota a que chegámos associado ao estado de sítio do nosso sistema escolar. Já sei que alguns dirão que são os mercados a funcionar e que a regulação deve ser feita pela consciência dos consumidores.