quarta-feira, 11 de julho de 2012

assim não recuperamos

 


 



 


 


Quem está pelas escolas sabe da inutilidade informacional dos planos de recuperação e de acompanhamento dos alunos com insucesso escolar. Essa invenção da má burocracia é um espelho da nossa cultura organizacional.


 


Estás a terminar o período em que as escolas lançam os dados numa aplicação do MEC. O mau centralismo dará conta, daqui a uns tempos e com o ar moderno de quem usa novas tecnologias para o devaneio estatístico, da relação entre sucesso escolar e planos de recuperação e de acompanhamento.


 


São esses procedimentos financeiramente insuportáveis, e cujo peso burocrático prejudica alunos e professores, que também nos empurraram para o estado em que estamos. A sua implosão está à distância de um delete. É apenas um detalhe, dirão alguns. Pois é. É nos detalhes que tudo se joga e nós desprezamo-los. Somos uns reformistas, sem duvida, e sempre apressados em deletar pessoas.

3 comentários:

  1. "Somos uns reformistas, sem duvida, e sempre apressados em deletar pessoas."

    Ontem, um colega de Educação Tecnológica, com cinquenta e muitos anos de idade e trinta e tal de serviço (ligeiramente abaixo do que a aposentação permite, infelizmente), dizia na escola, com um triste ar de condenado:
    "- Eu não me lembro de concorrer. Eu nem sei como isso se faz..."

    Na escola, não há horário para ele, como não há para muitos outros.
    Deletam-se porque já não fazem falta... passaram de moda?
    Com que plano de acompanhamento: emigrar?

    Desengane-se o ministro Crato que apadrinha semelhantes medidas: todos estes colegas iriam embora de boa vontade, só para se verem livres dele!

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  2. Totalmente de acordo. Mas, para além da questão muito pertinente da "má burocracia" como se justifica que, ano após ano, professores, especialmente diretores de turma, aceitem serem eles próprios a lançar os dados em aplicações do MEC? Tarefa totalmente administrativa, aliás proibida ser entregue a professores em países como o Reino Unido. É também esta inércia, passividade e falta de pensamento crítico sobre o que são as tarefas inerentes aos profissionais da educação que tem permitido estes e outros desvarios, aos quais obedecemos quase de forma acéfala, e que vão tornando a vida na escola num inferno de "má burocracia".

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