terça-feira, 18 de setembro de 2012

obviamente que já não existem

 


 


 


O estado de sítio legislativo no sistema escolar é tal, que até procedimentos revogados continuam a infernizar o clima organizacional e a alimentar o faz de conta burocrático. É o caso dos revogados projectos curriculares de turma (PCT). Disse isso em Julho numa reunião de professores e quem lá estava surpreendeu-se. Voltei a fazê-lo no início do ano e ninguém sabia da revogação.


 


Se o legislador soubesse a influência negativa que os PCT´s desenvolvem, vangloriava-se com o feito e tinha os spins assoberbados. Como a revogação pode ter sido por distracção (imagino a resposta da equipa ministerial perante o facto consumado: "o que era isso?"), a comédia faz-se em actos sem fim.


 


O blogue Ad duo retrata bem a história:


 


"Os PCT, PCE e PCA ainda existem? Não. Apenas fazem parte da história. O Projeto Curricular de Agrupamento (PCA), o Projeto Curricular de Escola (PCE) e o Projeto Curricular de Turma (PCT) foram criados com o Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de janeiro, que estableceu a organização curricular do ensino básico. Com a publicação do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, que estabeleceu a nova reorganização curricular do ensino básico e secundário, os PCA, PCE e PCT deixaram de se constituir como documentos necessários à estratégia de concretização e desenvolvimento dos currículos. Para consolidar a informação que prestamos, basta confontar os números 3 e 4 do art.º 2.º do Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de janeiro que institui os projetos curriculares com a nova redação do novo diploma e com a ausência de correspondênca dessas mesmas estratégias. É análoga a interpretação ao ensino Pré-escolar, cuja designação é Projeto Curricular de Grupo/Turma ou Projeto Curricular de Grupo."

7 comentários:

  1. Muito interessante Rui. Parabéns. Quando quiser publicar por aqui pode enviar para o mail.

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  2. Rui: li agora tudo e linkarei um dia destes este post, se me permite.

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  3. "[...] os professores continuam impávidos e serenos a aplicar uma “coisa” que apelidam de diarreia legislativa, que sabem só atrapalhar, que os desvia da sua função principal e que, contrariamente, tanto estimam e perpetuam. Primeiro, o legislador impunha e nós, ao que parece contrariados, executávamos. Agora, o legislador não impõe e nós, ao que parece contrariados, continuamos a executar."

    Em primeiro lugar, não é verdade que os professores "estimem"...

    Em segundo lugar, seria interessante que analisasse alguns Relatórios do 2º ciclo da Avaliação Externa das escolas e inferisse as recomendações das equipas da IGE.

    Em terceiro lugar, e o mais importante de todos, seria muito útil que sugerisse como se prova aos directores das escolas que "planos de atividades [...] adaptados às características das turmas, através de programas próprios, a desenvolver [...] pelo conselho de turma...” não é praticamente o mesmo que mudar a designação de um documento (do PCT).

    Por fim, apreciando o modelo de gestão das escolas em vigor e a agregação de que muitas delas foram alvo no final do ano lectivo anterior/início do actual, para além dos demais desacertos que a todos foram impostos por decreto, pode ainda aquilatar da importância que está a ter para muitos professores mais papel, menos papel, mais plano com nome assim, ou plano com nome assado, no contexto de todas mudanças e imposições que estão a sofrer "à bruta"!.

    Vivem-se tempos muito difíceis, em que os PCT do passado, com toda a conjuntura em que se inseriam, até já seriam o oásis neste deserto.

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  4. É Ana. A má burocracia mudou a ética de sítio: tirou-a, e bem, da avaliação de professores e meteu-a no estatuto do aluno. Esta espécie de eufemismo é o retrato do MEC: as inutilidades evoluem apenas nas nomenclaturas, muitas vezes ajudadas pelas escolas que se tornam "mais papistas do que o dito". Um exemplo flagrante foi a aplicação vírgula a vírgula do monstro da avaliação de professores.

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  5. Caro Paulo,

    Li o post sugerido.
    A história que enquadra o meu post no OG não pretende transmitir mais do que a sua mensagem primeira.

    O que me parece como certo (porque é aquilo que eu vivo diariamente, que não deixa de ser um micro-cosmos é certo) é que, na sua generalidade, os professores aceitam tudo o que lhes dizem (logo com uma interpretação do interveniente) como verdades absolutas, sem tentarem sequer fazer aquilo que enquanto académicos deveriam fazer: nortear a sua ação mediante as duas vaias, o método e a lei. E quando a lei se encontra bem feita o método está lá.

    É a minha opinião, claro.

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  6. Cara Ana,

    Obrigado pelo comentário.
    Do conflito nasce a luz, não do nepotismo.
    Se me permite irei responder no blog do Octávio Gonçalves.

    Cumprimentos.

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