A notícia é de ontem e sublinha o que os bloggers e algumas organizações institucionais evidenciaram: a redução de estudantes anunciada por Nuno Crato referia-se ao programa novas oportunidades e a alunos adultos, conforme o ministro acabou por confessar na Assembleia da República.
""Contámos com os adultos. Houve um ‘boom’ nas NO e em seguida as pessoas terminaram a sua formação e saíram do sistema", disse o ministro na Assembleia da República, admitindo que a quebra da natalidade "não explica tudo"(...)"
Enfim. A polémica à volta disto foi o que foi e muito lamentável também para quem defendia os números apresentados por Nuno Crato. Um a um, vão caindo os achamentos ministeriais que provocaram o maior despedimento colectivo da nossa história, uma humilhação incomum em milhares de professores e mais uma machada na imagem da escola pública e no seu clima organizacional.
O que o Prudêncio escreveu, na minha opinião, induz em erro os mais distrídos. Porquê? Explico-lhe:
ResponderEliminar1. A polémica teve o seu início quando o Guinote desconfiou dos números do Ministro e no seu blogue afirmou que não tinha havido uma redução do número de alunos (afirmação falsa como se veio a comprovar);
2. Tentei chamar à atenção do Guinote avisando-o que os números do Ministro poderiam estar correctos e que, de facto, o número total de alunos poderia ter descido (mesmo que, em grande parte, à custa dos alunos das Novas Oportunidades), tendo o Guinote insistido na versão dele (errada como se comprovou agora, dado que, de facto, houve redução do número de alunos);
3. O Ministro nunca afirmou que a redução do número de alunos se devesse exclusivamente a factores demográficos como alguma comunicação social e muitos blogues quiseram dar a entender (insinuar algo que o Ministro nunca disse, mesmo que insinuando muitas vezes, não torna essa insinuação numa verdade);
Conclusão: o Ministro tinha razão porque houve, de facto, uma redução do número de alunos, perspectivando-se que essa redução continue a ocorrer (até segundo dados da OCDE, com excepção dos alunos entre os 15 e 19 anos) e o Guinote errou ao precipitar-se e ao tentar induzir em erro os seus leitores (erro acrescido de outros dois: o de não admitir o erro e o de enveredar pela linguagem de baixo nível).
Um conselho. Prudêncio, induzir em erro os leitores é quase igual a mentir e quando não se contam as histórias do princípio ao fim, tal e qual como ocorreram, também se está, mesmo que sem ser de propósito, a induzir em erro os leitores...
Factos:
- o número de alunos decaiu como disse o Ministro
- este nunca disse que fosse só por via da queda da natalidade
- o Guinote e outros blogues induziram em erro os seus leitores, dando a entender que não havia redução do número de alunos
Ó Pedro, leu mesmo bem o post?
ResponderEliminar"A polémica à volta disto foi o que foi e muito lamentável também para quem defendia os números apresentados por Nuno Crato". Penso que quem o fez de boa fé, convencido que o ministro estava bem documentado, deve estar boquiaberto.
O que quer que lhe diga mais, quando é o próprio ministro a afirmar que contou os alunos adultos?
Essa repetição com o Paulo Guinote já começa a ser um bocado obsessiva e epidérmica, se me permite.
Se estiver para isso, leia os posts que escrevi sobre o assunto. Vai compreender, mas não volto a essa discussão. Foi o próprio ministro que confessou o erro.
Olhe Pedro: retribuo o conselho: quando diz "(...)induzir em erro os leitores é quase igual a mentir(...)" pode crer numa coisa: a linha editorial deste blogue não sofrerá alterações, não apago comentários, em 17150 comentários é a primeira vez que me escrevem em on (claro, em on) uma coisa assim e aprecio o contraditório, principalmente mais o conteúdo do que a forma.
ResponderEliminarVou tendo sinais, parecidos com os de outro tempo, que há um qualquer plano inclinado a irritar as pessoas. Só receio é que o país não aguente planos inclinados sucessivos.
Não vi o Ministro confessar nenhum erro.
ResponderEliminarVi jornalistas dizerem que o Ministro tinha errado.
São situações muito diferente...
E olhe que começam a aparecer assumpções de erro por parte dos jornais que veicularam inverdades, que foram reproduzidas por essa blogosfera fora...
ResponderEliminarVeja o Público de hoje (página 52) e vai ver que as verdades devem ser ditas por inteiro. Induzir em erro os seus leitores não é coisa bonita que se faça. O Público assumiu em parte o erro. Será que o Prudêncio vai fazer o mesmo?
É engraçado como esta sua frase, apenas como mais um "e", se aplica tão bem à classe governante!
ResponderEliminarInfelizmente, não faltam exemplos, sendo que o último será a assumpção de que a mobilidade especial não se estenderá à carreira docente, aos professores com horário zero.
"Induzir em erro os seus (e)leitores não é coisa bonita que se faça."
Pois não.
Quando Nuno Crato referiu os 200 mil alunos a menos para fundamentar os seus achamentos, alegou a natalidade e a demografia.
ResponderEliminarO que se disse na altura, é que esses problemas graves que existem não podiam, naturalmente, influenciar os números do ministro. Apurou-se que eram as NO e tb se sabe que, e pelo menos no secundário, haverá mais alunos se quisermos caminhar para a civilização.
Faço mesmo um ponto final nesta coisa dos 200 mil. Tinha sido melhor falar-se na troika e por aí fora do que manipular números para dar uma ar de inevitablidade aos cortes ou até de estudos empíricos, como no caso do número de alunos por turma.
Ana, faltam-lhe argumentos ou quê?
ResponderEliminarEm relação à mobilidade especial, não percebi a sua "boca". Quanto muito deveria admitir que a mesma não avançou, como dizia a Fenprof e muitos bloggers, à classe docente...
Um pouco de humildade, se faz favor...
Se faz um ponto final está feito.
ResponderEliminarMas lembro-lhe que o Ministro, quando referiu os 200 mil alunos a menos para fundamentar os seus achamentos (palavras suas), não alegou apenas (volto a repeti-lo, não alegou apenas!!!) a natalidade e a demografia, como o Prudêncio diz...
Portanto, a verdade no sítio da verdade.
Ana, em relação à mobilidade especial já lá tem no post dos tsunamis a minha resposta ao seu comentário. Peço desculpa por não lhe ter respondido a tempo. Mas, deixo-o aqui:
ResponderEliminarAna,
deve conhecer, como eu conheço, colegas do QZP que todos os anos ficam com horário zero porque não são obrigados a concorrer a outro QZP, quando tempos colegas que para ficarem em quadro de escola se viram obrigados a concorrer para longe de casa... Portanto, concordo com a alteração das regras do concurso para estes e outros casos que poderão ser abordados a seu tempo. Você pode chamar-lhe malabarice ou outra dorma de mobilidade especial; eu chamo-lhe necessidade de justiça e de afectação dos recursos humanos existentes.
Quanto à incompetência e má-fé apenas lhe recordo que incompetentes foram aqueles (12 anos de governos PS nos últimos 15 anos) que lançaram o país quase na bancarrota. Como não votei neles, não me pesa a consciência... Estes apenas estão a tentar resolver os problemas que os governos PS deixaram.
Só mais uma nota:
a falta de respeito pela diversidade de opiniões é bem visível quando a maioria dos bloggers apenas acompanham os blogues que correspondem aos seus pontos de vista. Eu, pelo contrário, gosto de frequentar e comentar em todos: tanto aqueles que criticam o Governo, como aqueles que o elogiam... E você?
ResponderEliminarA posição do Ministro é indefensável. Não esperava comportamentos ao nível do pior de Maria de Lurdes Rodrigues e Valer Lemos. Como amigo de Nuno Crato, não esperava e desiludiu-me.
Mas qual posição?
ResponderEliminarNuno Crato respondeu a uma questão jornalística e foram alguns jornalistas e bloggers que deturparam as suas palavras...
ResponderEliminarA redução de professores não se relaciona com a redução de 200 mil alunos adultos, por mais justificações que se apresentem.
ResponderEliminarA linha que separa os que têm coluna vertebral para além de quem está no poder vê-se cada vez melhor. O Paulo Prudêncio inclui esse grupo.
Este Mec assememelha-se ao tempo de Valter Lemos, Pedreira e Rodrigues e entrou na sobrevivência com a manipulação do informação.
Creio que alguém foi claramente implodido.
Claro que a redução de professores não se relaciona com a redução de 200 mil alunos adultos. Tem três causas principais:
ResponderEliminar- o corte, previsto no memorando da troika (assinado por PSD, PS e CDS), do orçamento do Ministério das Finanças
- a diminuição do número de alunos (a OCDE prevê que apenas os alunos entre os 15 e 19 aumentem nos próximos anos; todos os outros diminuirão)
- um maior rigor na atribuição da componente lectiva e a agregação de escolas
Podemos concordar ou discordar de alguns factores, mas estas são as principais causas para a situação actual que vivemos.
Agradeço a sua resposta e não lamente que não vale a pena. Aliás, até aprecio vir aqui poder debater consigo, com o Paulo e outros leitores. Pena é que não possa fazer o mesmo no seu blogue, caso o tenha, claro...
ResponderEliminarFelicito-o pelo tom contemporizador das suas últimas respostas, Pedro. Assim, entender-nos-emos melhor.
ResponderEliminarSe não se importa, respondo-lhe aqui às várias questões, tipo “dois em um”.
Sobre a situação de colegas QZP, não duvido da realidade que o Pedro conhece, diferente da minha. Aliás, esqueci-me de referir que a zona pedagógica onde me inscrevo é conhecida como a maior do país, com locais bem recônditos, onde, voluntariamente, não há quem queria ficar, pelo isolamento e distância das urbes a que estão sujeitos. Daí que, ao concorrerem à respectiva zona pedagógica, a maior parte dos colegas QZP obtenha colocação.
Quanto a blogues, não tenho nenhum blogue, embora admita que, em tempos, cheguei a pensar nisso.
Depois de equacionar o tipo de blogue que desejaria ter, os objectivos que pretendia alcançar e as minhas capacidades para o desenvolver, depressa descobri que não fazia qualquer sentido oferecer mais do mesmo ou, provavelmente pior, a quem quisesse visitar-me, quando existe já quem o faça com tanta mestria, reconhecimento público de qualidade e importância, em todas as vertentes de opinião.
Considero-me mais útil a colaborar nesses blogues de inquestionável mérito (e são vários), como este do Paulo Prudêncio, por exemplo, como simples leitora e comentadora ocasional, ora registando o testemunho de quem está no terreno, a denunciar situações perturbadoras, a corroborar as preocupações de outrem, ora contribuindo para a mera partilha de ideias, certa de que da diversidade nasce muita luz.
Compreendo a sua perspectiva. Aconselho-a a criar o seu blogue. Pelo que vejo, a Ana tem tempo disponível para frequentar a blogosfera e capacidade de escrita não lhe falta. Vai ver que é fácil ter o seu próprio blogue (o que custa mesmo é começar) e ainda há a vantagem de ser algo de muito intuitivo.
ResponderEliminarTem o meu sincero apoio na criação do seu próprio blogue. Vejo que a Ana gosta de um bom debate, o que não inviabilizaria continuar a frequentar outro sblogues. Coragem...