Da esquerda para a direita: Rui Correia, Paulo Guinote e José Alberto Rodrigues
O último debate, sobre autonomia e centralismo, foi moderado pelo Paulo Guinote (do blogue "A educação do meu umbigo" que já dispensa apresentações e adjectivações) e teve como convidados o José Alberto Rodrigues (APEVT) e o Rui Correia (do blogue "Postal - um verbário").
O Paulo Guinote começou por sublinhar a ideia que definimos no planeamento dos debates: o tema autonomia e centralismo serviria como uma espécie de "guarda-chuva" ou de "carro vassoura" uma vez que, e como se verificou, o tema é, a par do "modelo de gestão", transversal aos restantes.
Fez a seguinte categorização sobre a linha editorial dos blogues que deram corpo à iniciativa: o Ad Duo, o Blog DeAr Lindo e o Profslusos prestam um enorme serviço de utilidade pública que substitui uma função que estaria destinada ao MEC e aos sindicatos do sector; o Correntes e de alguma forma o Educar a Educação são blogues mais vocacionados para a opinião e para a síntese das políticas educativas; e o seu blogue tem tido os dois tipos de funções descritas, embora ultimamente se tenha dedicado mais à segunda.
A propósito do tema em debate, recordou Natércio Afonso e a conclusão a que chegou este investigador sobre a autonomia das escolas: surgiu para tirar o poder aos professores, resulta da desconfiança em relação a estes profissionais e concretizou-se com a eufemística entrada da comunidade na escolas. Os resultados parecem indicar que estamos na presença de verdadeiros mini-MECs, dando exemplos que foram das reconfigurações do currículo aos constrangimentos administrativos e financeiros. O Paulo Guinote desconstruiu de forma incisiva a ideia atentatória de medir os horários dos professores ao minuto.
O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, não pode estar presente e pediu ao Paulo Guinote para ler um texto com, entre outros assuntos e se bem me recordo, críticas muito incisivas ao estado da educação especial. Enfatizou a sua posição ao interrogar-se a propósito dos programas individuais dos alunos da educação especial serem estabelecidos centralmente.
O Paulo Guinote relatou ainda o seguinte pormenor elucidativo dos tempos que temos vivido nos últimos anos: o telefonema de uma jornalista, e a propósito de um post do seu blogue, permitiu que uma escola vazia, e prestes a inaugurar, fosse imediatamente equipada.
O José Alberto Rodrigues centrou a sua intervenção na extinção da disciplina de educação visual e tecnológica. Historiou com detalhe o desempenho da sua associação e relatou pormenores caricatos da relação estabelecida com o MEC e com o poder político. O processo das metas curriculares atingiu, na sua opinião, o auge do estado de sítio curricular e organizacional. Vincou a ideia de não desistência.
O Rui Correia pegou "na bandeira do avesso" dos últimos dias e relacionou-a com o desnorte do tempo democrático de curto prazo: a opinião pública e o excesso de simbologia. Fez uma analogia humorada entre o cartaz destes debates (acrescento um obrigado ao autor do cartaz: Maurício Pereira) e a autonomia, uma vez que a mão de uma criança parece impedir uma outra mão, de unhas impecavelmente envernizadas, de usar o rato do computador.
O Rui Correia, e a propósito do tema, deixou a seguinte garantia: o próximo Governo vai mudar tudo e o que seguirá também. Fez uma análise aos últimos testes PISA que revelam uma preocupante iliteracia em toda a Europa (e mais do que isso, o que se verifica, na sua opinião, é o abandono escolar dos professores).
Foi crítico da generalizada insensibilidade social. Advogou um papel importante dos blogues no combate a essa actualidade, afirmando que podem ajudar a atenuar o flagelo da fome, promover a resistência ao medo e estimular a segurança. Foi mesmo enfático quando considerou que muitos blogues têm feito esse papel. Alertou para o facto da inveja constranger a relação entre estes, e entre os blogues e os poderes formais.
Aconselhou a consulta deste texto da rede eurydice, onde se defende que a autonomia justifica uma legislação europeia no sentido de que a qualidade do ensino deve garantir a aproximação entre as pessoas.
Terminou a sua intervenção com um breve relato sobre a sua experiência junto de professores dirigentes escolares do resto da Europa. Disse que apenas em quatro países se elegia o director escolar e que os que não o faziam eram muito elogiosos para a legislação portuguesa anterior a 2008 no sentido de legitimar as lideranças escolares. Fez ainda um breve análise sobre os orçamentos participativos ao nível autárquico e sobre a extinção de freguesias. Disse que nunca houve uma reforma administrativa com as pessoas e "recomendou" a pílula do dia seguinte para o tratamento da legislação em Portugal.
Seguiu-se um debate muito interventivo. Voltou a sublinhar-se que destes debates não nascerá uma qualquer instituição, apesar da opinião contrária de alguns dos presentes.
Não percebo de que forma pode ter havido debate (refiro-me a verdadeiro debate de ideias diferentes) se, pelo que é descrito, todos os intervenientes se limitaram a "malhar" nas políticas educativas deste Governo e, até, a enveredar pela estratégia do "diz que disse" (isto a propósito do episódio da jornalista e da escola rapidamente equipada).
ResponderEliminarMas, há que elogiar o esforço...
Agradeço o elogio Pedro.
ResponderEliminarO Pedro também é um professor que gosta de ter um blogue e não sei se tem a noção da dimensão de tudo o que se passa em off na blogosfera e do inestimável apoio que é dado a muitas pessoas que recorrem aos blogues para resolverem os seus problemas.
Penso, se me permite, que o Pedro nem sempre é justo.
Excelente síntese, Paulo.
ResponderEliminarMuito útil para os colegas que não puderam estar presentes.
Muito obrigada pela tua intervenção e papel determinante neste encontro.
Abraço.
Obrigado Helena.
ResponderEliminarUm abraço para os dois.
Não consigo comentar no teu blogue. Mete lá a possibilidade de se fazer como anónimo, se me permites.
ResponderEliminarAbraço.
Consulto o EURYDICE muitas vezes. É uma base de centenas de textos, portanto, não lhe pode ser atribuída nenhuma tese. Os relatórios nacionais pretendem ser descritivos dos sistemas educativos.
ResponderEliminarA relação entre autonomia e centralismo tem de ser muito precisada, pois ninguém se declara em princípio contra a autonomia.
Mas, quando pensamos nas suas consequências, é que são elas.
Agradeço muito o teu esforço em estares atento ao que eu disse, mas confesso-te que me ri a bom rir com a síntese.
ResponderEliminarSim Luís. Obrigado. Não se falou em tese, pelo menos que lembre, apenas se aconselhou.
ResponderEliminarÉ, as consequências. Remeto-me para o post que fiz sobre o modelo de gestão.
Obrigado Rui.
Obrigado Rui. Fiz o possível e espero que tenha sido fiel. Se quiseres precisar algum detalhe, agradeço.
ResponderEliminarNenhum. Parabéns pela iniciativa que se revelou bem mais acutilante e ponderada do que poderia supor-se.
ResponderEliminarObrigado Rui. Também me pareceu.
ResponderEliminarContinuo a achar estranho que se critique de falta de debate quem a ele foge.
ResponderEliminarPaulo, a parte sobre a ED. Esp era da autoria do José Morgado, do Atenta Inquietude.
Concordo Paulo. É preciso uma grande pachorra, realmente.
ResponderEliminarJá corrigi. Obrigado. As minhas desculpas ao José Morgado.
Aproveitei e linquei o seu blogue na minha lista que anda a carecer de actualizações.