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sábado, 18 de maio de 2019

Futuro

 


 


Passei por um conjunto de conferências viradas para o futuro da educação que decorre perto da minha localização. Quando entrei, o conferencista dizia: "a avaliação formativa e sumativa deve ser acompanhada por um texto descritivo. Com o excel automatizam-se as grelhas (o descritivo corresponde, automaticamente, à inserção de um dado numérico)". Compreendo todas as apreensões com o futuro.

domingo, 11 de junho de 2017

da geringonça e do jogo

 


 


 


Percebe-se António Costa. Proporá sempre uma geringonça para condicionar o apetite do PS. Contudo, o PM deve ser informado para não irritar as pessoas. Se a geringonça escolar registou três méritos iniciais - inferno da mediação com crianças, concursos de professores e rede escolar -, há duas medidas que o PM não deve evidenciar: redução de alunos por turma e gestão curricular. A primeira é uma miragem e a segunda uma incógnita. Se a ideia antiga da interdisciplinaridade é uma tentativa (elogie-se os candidatos) para ultrapassar a escola tradicional como fim da história, a sua aplicação recente evidenciou uma fatalidade burocrática que persiste: excessos da ciências da educação associados a atavismos administrativos.


Por outro lado, há ruído na rede escolar. "Governo altera mapa para financiar colégio de amigos socialistas" é uma notícia que exige esclarecimentos. Já há tempos referi, aqui, o caso das Caldas da Rainha, que conheço bem, onde um "privado" passa de zero para cinco turmas financiadas num ano inicial de ciclo. Haverá duplicação de oferta. Há escolas públicas com capacidade para todas as turmas do concelho. A lei não mudou. É referido um acordo com Nuno Crato. Ou seja, a geringonça, "exigida" pelo PM, deve estar atenta aos compulsivos jogos dos aparelhos retratados no desenho e eliminar qualquer ruído antes que se torne ensurdecedor.


 


Captura de Tela 2017-06-11 às 17.08.24


 


Compulsive Gambling, Xavier Bonilla


World Press Cartoon


Exposição patente no CCC das Caldas da Rainha

Welcome

 


 


 


 


Captura de Tela 2017-06-11 às 17.09.11


 


Captura de Tela 2017-06-11 às 17.09.15


World Press Cartoon


Exposição no CCC das Caldas da Rainha


 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

"como é que explica isto?"

 


 


 


"Não pode impedir-me de dizer uma coisa. Até no escuro eu posso gritá-la: dantes na paisagem havia subidas e descidas. Agora só há descidas. Como é que explica isto?". É um parágrafo de um grande texto, "O fim das possibilidades", de Jean-Pierre Sarrazac, traduzido por Isabel Lopes, que o Teatro da Rainha levou à cena numa grande produção. Imperdível.


 


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quinta-feira, 23 de maio de 2013

artur e os minimeus

 


 


 


 


 



 


Recebi por email com pedido de divulgação: 


"No âmbito da articulação entre a EBI de Santo Onofre e a Academia de Música de Óbidos


irá realizar -se no CCC das Caldas da Rainha, no dia 2 de Junho, o concerto "Artur e os Minimeus".
Este espetáculo contará com a participação dos alunos da disciplina de Som e Movimento, do 7ºC, e de Língua Portuguesa, do 5ºA.


Estarão expostos trabalhos realizados nas disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica, relacionados com o filme."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

da desvinculação

 


 


 


 


 



 


 Da esquerda para a direita: Helena Mendes, Arlindo Ferreira, César israel Paulo e Jorge Costa.


 


 


 


A Comissão Europeia "obrigou" o MEC a vincular os milhares de professores portugueses que estão há anos a contrato e numa situação inédita na Europa. A petição que originou essa decisão foi desenvolvida por professores portugueses, conforme relatei neste post a propósito do encontro nas Caldas da Rainha a que se refere a imagem.


 


Na altura, escrevi assim:


 


"(...)O Jorge Costa (Petição ao Parlamento europeu) foi muito detalhado e deixou claro o esforço em nome da vinculação dos professores contratados junto dos Parlamentos nacional e europeu. Percebeu-se melhor que a decisão inesperada de Nuno Crato ao anunciar a vinculação de professores contratados foi um exigência europeia e não um achamento ou epifania. O Jorge Costa evidenciou a persistência a que se obrigou num processo em que contrastaram os procedimentos europeus e a morosidade e tortuosidade, e isto para ser brando, do nosso MEC.(...)"




O MEC, encostado à tradicional FNE, não cumpriu. A promessa de Nuno Crato mais pareceu uma manobra para atenuar o efeito horários zero determinado pelas finanças.


 


O César Israel Paulo, da ANPC, dá uma entrevista que deve ser lida.


 


 


César Israel Paulo: “Gostava de saber o que o MEC está a imaginar fazer”


 


 


"(...)"Verdadeiramente insignificante face à dimensão real do problema." O número de 600 vagas que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) vai disponibilizar para vincular de forma extraordinária os professores contratados frustrou as expectativas de César Israel Paulo que apontavam para as 10 mil. Em entrevista ao EDUCARE.PT, o presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC) lamentou a atuação das organizações sindicais no processo de vinculação: "As federações vivem das quotizações e tenho absoluta consciência que quem as paga são os professores do quadro, portanto, considero que elas defenderam os interesses da maioria dos seus associados. Mas não foram justas."(...)"

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

vinculações em democracias suspensas

 


 


 


 


A existência de professores há anos a fio em situação de precariedade envergonha o nosso Estado de direito como reconheceu a comissão europeia (veja-se lá) e os tribunais internacionais (por cá, o MEC é lento e o resto também).


 


Como dei conta no post sobre o debate recente nas Caldas da Rainha, o César Israel Paulo (da ANVPC) e o Jorge Costa (petição ao parlamento europeu) têm desenvolvido uma série muito importante de acções com o apoio de professores, sindicatos (mas já há quem fale na traição destas organizações), bloggers e por aí fora.


 


Esta causa merece um desfecho que dignifique o Estado de direito que ainda resta. Quando o actual Governo foi forçado a avançar com a proposta de vinculação, percebeu-se de imediato a tentativa desesperada de manipulação da opinião pública. O processo não está a ser minimamente aceite e já nem a tradicional FNE consegue exercer a coreografia que corta a espinal medula das justas contestações dos professores.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

imperdível no ccc a 10 de novembro pelas 21h30

 


 


 


 


A excelente Big Band da Nazaré vai gravar ao vivo no CCC das Caldas da Rainha no dia 10 de Novembro às 21h30.


 


 


 


"Depois de um percurso de 13 anos, esta formação vai enfrentar o grande desafio de gravar um CD ao Vivo!

Por isso, este será um concerto muito especial, também porque contará com alguns convidados que de alguma forma já colaboraram com a formação.

Esta Big-Band fez Concertos em Portugal, Espanha, Bélgica e Alemanha, destacando-se a participação no Festival de Jazz de Ponte-Vedra, Festival de Música de Medina del Campo, Jazz às Quintas no CCB, Festival de Jazz da Alta Estremadura, Festival de Jazz de Aljustrel, Festival de Jazz de Portalegre, Festa do Jazz no Teatro S. Luís, nos Encontros de Jazz de Évora (com Carlos Martins como convidado), no Festival de Tomar, Palco 1º de Maio da Festa do Avante, no Hot Club de Portugal, Bflat em Matosinhos, no Festival “A Arte da Big Band”, Lisboa e no Portugal Jazz em diversas localidades.

O lançamento do primeiro CD decorreu na apresentação feita no 2º Festival Internacional de Big Band’s realizado em Julho de 2003 na Nazaré, tendo como convidada a cantora Joana Rios e em 2005 no 4º Festival, um concerto com a cantora Jacinta.

O segundo CD, “Filme”, editado em 2006, e o terceiro “10 Anos”, editado em 2009, são a mostra da evolução musical desta formação e têm recebido os melhores elogios da crítica especializada, tendo sido discos em destaque em alguns programas de rádio e revistas dedicadas ao jazz."


 


 


 


 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

6 de outubro, pelas caldas - autonomia/centralismo

 


 


 


 



 


Da esquerda para a direita: Rui Correia, Paulo Guinote e José Alberto Rodrigues


 


 


 


O último debate, sobre autonomia e centralismo, foi moderado pelo Paulo Guinote (do blogue "A educação do meu umbigo" que já dispensa apresentações e adjectivações) e teve como convidados o José Alberto Rodrigues (APEVT) e o Rui Correia (do blogue "Postal - um verbário").


 


 


O Paulo Guinote começou por sublinhar a ideia que definimos no planeamento dos debates: o tema autonomia e centralismo serviria como uma espécie de "guarda-chuva" ou de "carro vassoura" uma vez que, e como se verificou, o tema é, a par do "modelo de gestão", transversal aos restantes.


 


Fez a seguinte categorização sobre a linha editorial dos blogues que deram corpo à iniciativa: o Ad Duo, o Blog DeAr Lindo e o Profslusos prestam um enorme serviço de utilidade pública que substitui uma função que estaria destinada ao MEC e aos sindicatos do sector; o Correntes e de alguma forma o Educar a Educação são blogues mais vocacionados para a opinião e para a síntese das políticas educativas; e o seu blogue tem tido os dois tipos de funções descritas, embora ultimamente se tenha dedicado mais à segunda.


 


A propósito do tema em debate, recordou Natércio Afonso e a conclusão a que chegou este investigador sobre a autonomia das escolas: surgiu para tirar o poder aos professores, resulta da desconfiança em relação a estes profissionais e concretizou-se com a eufemística entrada da comunidade na escolas. Os resultados parecem indicar que estamos na presença de verdadeiros mini-MECs, dando exemplos que foram das reconfigurações do currículo aos constrangimentos administrativos e financeiros. O Paulo Guinote desconstruiu de forma incisiva a ideia atentatória de medir os horários dos professores ao minuto.


 


O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, não pode estar presente e pediu ao Paulo Guinote para ler um texto com, entre outros assuntos e se bem me recordo, críticas muito incisivas ao estado da educação especial. Enfatizou a sua posição ao interrogar-se a propósito dos programas individuais dos alunos da educação especial serem estabelecidos centralmente.


 


O Paulo Guinote relatou ainda o seguinte pormenor elucidativo dos tempos que temos vivido nos últimos anos: o telefonema de uma jornalista, e a propósito de um post do seu blogue, permitiu que uma escola vazia, e prestes a inaugurar, fosse imediatamente equipada.


 


 


O José Alberto Rodrigues centrou a sua intervenção na extinção da disciplina de educação visual e tecnológica. Historiou com detalhe o desempenho da sua associação e relatou pormenores caricatos da relação estabelecida com o MEC e com o poder político. O processo das metas curriculares atingiu, na sua opinião, o auge do estado de sítio curricular e organizacional. Vincou a ideia de não desistência.


 


 


O Rui Correia pegou "na bandeira do avesso" dos últimos dias e relacionou-a com o desnorte do tempo democrático de curto prazo: a opinião pública e o excesso de simbologia. Fez uma analogia humorada entre o cartaz destes debates (acrescento um obrigado ao autor do cartaz: Maurício Pereira) e a autonomia, uma vez que a mão de uma criança parece impedir uma outra mão, de unhas impecavelmente envernizadas, de usar o rato do computador.


 


O Rui Correia, e a propósito do tema, deixou a seguinte garantia: o próximo Governo vai mudar tudo e o que seguirá também. Fez uma análise aos últimos testes PISA que revelam uma preocupante iliteracia em toda a Europa (e mais do que isso, o que se verifica, na sua opinião, é o abandono escolar dos professores).


 


Foi crítico da generalizada insensibilidade social. Advogou um papel importante dos blogues no combate a essa actualidade, afirmando que podem ajudar a atenuar o flagelo da fome, promover a resistência ao medo e estimular a segurança. Foi mesmo enfático quando considerou que muitos blogues têm feito esse papel. Alertou para o facto da inveja constranger a relação entre estes, e entre os blogues e os poderes formais.


 


Aconselhou a consulta deste texto da rede eurydice, onde se defende que a autonomia justifica uma legislação europeia no sentido de que a qualidade do ensino deve garantir a aproximação entre as pessoas.


 


Terminou a sua intervenção com um breve relato sobre a sua experiência junto de professores dirigentes escolares do resto da Europa. Disse que apenas em quatro países se elegia o director escolar e que os que não o faziam eram muito elogiosos para a legislação portuguesa anterior a 2008 no sentido de legitimar as lideranças escolares. Fez ainda um breve análise sobre os orçamentos participativos ao nível autárquico e sobre a extinção de freguesias. Disse que nunca houve uma reforma administrativa com as pessoas e "recomendou" a pílula do dia seguinte para o tratamento da legislação em Portugal.


 


 


Seguiu-se um debate muito interventivo. Voltou a sublinhar-se que destes debates não nascerá uma qualquer instituição, apesar da opinião contrária de alguns dos presentes.

6 de outubro, pelas caldas - Gestão de Expectativas no Seio da Classe Docente e Da Burocracia à Desinformação na Educação

 


 


 



 


Da equerda para a direita: Ricardo Montes, Nuno Coelho, Luís Braga e Nuno Rolo.


 


 


 


Este debate foi moderado pelos editores de outros dois blogues que prestam um enorme serviço de utilidade pública (Ad Duo de Nuno Rolo e Abel Martins e o Profslusos do Ricardo Montes e do Nuno Coelho) e teve como convidado o Luís Braga do blogue "Visto da Província".


 


O Luís Braga, que é director do Agrupamento de escolas de Darque (TEIP), começou por descrever o quotidiano das tarefas de gestão em comunidades com grupos culturais minoritários. Desconstruiu o conceito de burocracia, pegou na origem etimológica da palavra e argumentou no sentido de que antes de se discutir a validade dos instrumentos científicos, importa saber o uso que lhes damos. Relacionou esta asserção com o tratamento burocrático através das tecnologias da informação. O Luís Braga gosta da expressão administração e aconselhou a leitura do texto de Vitorino Magalhães Godinho "Um rumo para a educação".



Ricardo Montes e o Nuno Coelho incidiram as suas intervenções na gestão de expectativas no seio da classe docente, onde encontram divergências. Salientaram a existência de interesses não convergentes em matérias que vão da distribuição de serviço docente à vinculação de professores contratados e passando pela progressão na carreira. Analisaram também alguns dos aspectos da vinculação extraordinária de professores debatidos durante o período da manhã e o Ricardo Montes considerou inadmissível que prevaleça o denominado factor C (cunha).


Nuno Rolo (também em nome do Abel Martins) evidenciou o espaço que o seu blogue preenche tendo em consideração a incompetência legislativa dos serviços do Ministério da Educação e Ciência. Demonstrou o que acabei de referir através da projecção de quadros e documentos que operacionalizam a legislação do sistema escolar e que o seu blogue publica com frequência. Ficou patente para quem assistiu à conferência o que há muito se tinha percebido: os bloggers têm que desconstruir a legislação produzida para se torne minimamente inteligível. 

domingo, 7 de outubro de 2012

6 de outubro, pelas caldas - vinculação extraordinária ou ordinária?

 


 


 


 


 



 


 Da esquerda para a direita: Helena Mendes, Arlindo Ferreira, César israel Paulo e Jorge Costa.


 


 


 


Este debate decorreu após o que moderei. Houve um pequeno intervalo que me obrigou a acertar alguns detalhes logísticos com os simpatiquíssimos e muito profissionais elementos do CCC, mas fez-me chegar atrasado.


 


Apanhei a intervenção do moderador, o Arlindo Ferreira (do blogue DeAr Lindo que presta um enorme serviço público), já adiantado, mas constatei que estava a apresentar uma séria de quadros bem fundamentados sobre a matéria em apreço e que se encontram no seu blogue.


 


César Israel Paulo (da ANVPC, entidade recentemente criada) historiou a criação da associação e evidenciou as intenções. Ficou patente o empenhamento e a oportunidade democrática da sua actuação.


 


Jorge Costa (Petição ao Parlamento europeu) foi muito detalhado e deixou claro o esforço em nome da vinculação dos professores contratados junto dos Parlamentos nacional e europeu. Percebeu-se melhor que a decisão inesperada de Nuno Crato ao anunciar a vinculação de professores contratados foi um exigência europeia e não um achamento ou epifania. O Jorge Costa evidenciou a persistência a que se obrigou num processo em que contrastaram os procedimentos europeus e a morosidade e tortuosidade, e isto para ser brando, do nosso MEC.


 


Fiquei impressionado com os testemunhos destes dois convidados e com o elevado grau de cidadania que demonstraram.




Ausentei-me novamente para tratar de assuntos logísticos e quando regressei a Helena Mendes já ia em fase adiantada. Percebi que a preocupa, e de acordo com a possibilidade da vinculação de professores contratados com base no decreto-lei nº132 de 2012, o facto do procedimento originar a ultrapassagem de muitos professores que têm leccionado nas escolas do Estado por professores das instituições privadas.


 


Esta e outras matérias originaram um interessante debate. Apenas o natural prolongamento das intervenções iniciais, e a necessidade de se parar para o almoço, obrigaram à interrupção da troca de opiniões.

6 de outubro, pelas caldas - modelo de gestão

 


 



 


 


 


 


Os debates tiveram um formato sensivelmente comum. Os moderadores faziam uma primeira introdução ao tema de cerca de 15 minutos, os convidados tinham um tempo semelhante para as primeiras intervenções e estavam previstos 30 minutos para debate.


 


Moderei o debate que teve a participação na mesa dos convidados Mário Carneiro e Ricardo Silva.


 


É, obviamente, mais fácil sintetizar a minha intervenção.


 


Podia pegar numa das variáveis do modelo e detalhá-la ou optar por percorrer várias. Escolhi a segunda opção e pedi desculpa pela abordagem algo selvagem que iria ocorrer. 


 


Apesar de sabermos que a escola é a instituição mais estudada, é correcto afirmarmos que a investigação sobre a gestão escolar propriamente dita está nos primeiros passos, mais ainda se a associarmos aos sistemas de informação que desenham os organigramas, os órgãos e as suas agendas, e numa relação estreita com os privilégios informacionais e com a tomada de decisões.


A gestão escolar tem estado emparedada entre as ciências da educação e as ciências da administração e gestão. Este fenómeno tem dado à formação nesta área um carácter generalista, pouco incisivo e objectivo, e que impede a identificação de "escolas" de gestão escolar.


 


Impuseram-se, naturalmente, as ideias das ciências da administração e gestão com predominância para as empresariais e para o taylorismo (esta corrente afirmou-se no Japão e inspirou outros cantos do mundo desde os países capitalistas à União Soviética de Lenine) que se pode resumir na seguinte asserção: poucos pensam e muito fazem e a pirâmide é rígida e com muitos patamares.


Como se foi percebendo que a primeira linha das organizações estava distante do topo da pirâmide, surgiram mais recentemente duas nuances: o empowerment (delegação de poderes de decisão e aumento dos níveis de participação) e o downsizing (achatamento dos patamares). 


Identificam-se sucessivos paradoxos que têm constituído a veia "reformista" do MEC nas ultimas décadas. Eliminação de centros de área educativa ou de direcções regionais por um lado e modelo de gestão escolar com cada vez mais órgãos e patamares por outro. 


 


Temos tendência para defender este ou aquele modelo de acordo com a nossa experiência. É vulgar a afirmação de que há que dirija bem em qualquer modelo e o contrário também é verdadeiro. Há investigadores que conseguem identificar seis imagens da escola para o que se tem passado: empresa, burocracia, democracia, anarquia, arena política e cultura. 


Contudo, nos estados de direito democrático a lei é fundamental. Podemos comparar sistemas escolares de países diferentes, mas não devemos copiar para respeitar as idiossincrasias (em Portugal as escolas são uma imposição do estado central). Este conhecimento é determinante. 


Qualquer professor de direito nos dirá que direito só há um o vigente e mais nenhum. A vigência é o seu modo de ser e tem duas categorias: validade (valores) e eficácia (verifica-se na prática). Esta divisão de Kant pode resumir-se assim: a validade sem eficácia é inoperante e eficácia sem validade é cega. É, portanto, importante sublinhar que a lei tem letra e espírito e que o direito navega entre a norma e o caso. Estamos cansados de ouvir que se legisla muito e mal e temos a obrigação de alertar que a "impossibilidade" do cumprimento das leis é sempre um primeiro passo para o totalitarismo. 


 


Em 2009 abriu-se uma caixa de Pandora. Ouvi alguém, defensor acérrimo do modelo de Maria de Lurdes Rodrigues, defender-se do seguinte modo ao ser confrontado com casos de abuso do poder e por aí fora: somos uma sociedade civil fraca e estamos a levar para dentro das escolas o pior da política partidária local


A obrigatoriedade do unipessoal associado à lógica da nomeação parece ter criado um espírito propício à falta de transparência, ao caciquismo, à má despesa pública, à não participação dos profissionais e à ausência de prestação de contas. O modelo de 2009, e em curso, só em 2013 seria posto verdadeiramente à prova. Já não se conhecerão os resultados integralmente, uma vez que sofreu umas ténues alterações.


 


 


O Mário Carneiro, professor de filosofia e editor do blogue o estado da educação e do resto (de leitura obrigatória), introduziu uma das famosas tiras da Mafalda de Quino em que associou a liberdade ao lado em que nasce o sol. Foi também assim que terminou o seu contributo.


 


O ponto de vista de onde partimos é para o Mário Carneiro insuperável. Do ponto de vista conceptual, a ideia de escola é determinante e o olhar de um professor decisivo. A escola como organização tem especificidades que não são "compreendidas" pela lógica empresarial. A organização escolar é suigeneris e necessita de ser estudada e compreendida como tal. 


 


Deu um enfoque especial à natureza relacional dos modelos que, na sua opinião, devem obedecer inequivocamente ao modelo democrático. Invocou um aspecto determinante: o ambiente relacional democrático deve ser intuído e vivido pelos alunos. 


 


Desconstruiu alguns tópicos usados pelo poder político mainstream para que tornem populares as suas decisões, nomeadamente a liderança forte associada à figura do director. Afirmou que no modelo em curso a liderança é imposta e advogou o regresso a um corpo eleitoral alargado.


 


Disse que "a nomeação versus eleição" não tem um balanço positivo. 


 


Falou da sua experiência como membro de um Conselho Geral. Na sua opinião, os membros deste órgão máximo das escolas não estão preparados, não têm formação especializada e existem para garantirem uma aparência democrática. Foi crítico em relação à importação de modelos e à inexistência de apoio administrativo aos Conselhos Gerais. 


 


Salientou ainda alguns fenómenos negativos que caracterizam os Conselhos Gerais, nomeadamente os paradoxos provocados pelas dependências hierárquicas e pelas formas de avaliação. 


 


Terminou a sua intrevenção com uma breve análise à enormidade dos Departamentos Curriculares. 


 


 


O Ricardo Silva, professor de história, presidente da APEDE e um dos editores do respectivo blogue, começou por referir a sua condição de presidente de um Conselho de Escola que lhe permite ter também uma visão por dentro


 


Considerou que o conceito de accountability esteve na origem da criação do modelo em curso e que o Conselho Geral, desde que os seus membros sejam pró-activos e exerçam as competências fiscalizadoras, até pode ter uma contribuição positiva. Contudo, sente que o desenvolvimento do modelo está a acentuar fenómenos de desresponsabilização e de descaracterização. 


 


Ainda no âmbito da origem do modelo em curso, acentuou a necessidade do MEC negociar com uma pessoa. Nesse sentido, interrogou-se sobre a representatividade dos directores. Representam os professores junto do MEC ou este junto dos professores? Na sua opinião, os directores devem representar a comunidade educativa. 


 


Evidenciou a preocupação com os reconhecimentos das lideranças, uma vez que o modelo permite o exercício de director por parte de um elemento que "venha de fora". Esta variável foi agravada por Nuno Crato, ao dar prevalência a candidatos que possuem formação especializada. 


 


Foi muito crítico do sistema de avaliação dos membros do Conselho Geral que avaliam os directores e que são avaliados por estes. Estes paradoxos foram bem detalhados. 


 


Foi crítico da postura dos professores e advogou a participação no modelo. Considerou como grave o facto dos Conselhos Pedagógicos não existirem. Advogou a escolha do tipo de órgão de gestão por parte de cada escola ou agrupamento. 


 


De seguida, e para terminar, fez um resumo de histórias surrealistas compostas por ilegalidades e atropelos à lei, não se coibindo de apontar factos, nomes de pessoas e de instituições. Considerou que o novo modelo de gestão abriu portas a uma série de arbitrariedades que têm ficado patentes nos últimos tempos e nos processos de contratação de escola.


 


 


O debate que se seguiu foi animado e produtivo. Andou à volta das ilegalidades, da falta de transparência e centrou-se na contratação de escola e na condição dos professores contratados.




6 de outubro, pelas caldas - abertura do debate

 


 


 


 


 


 


A relativa centralidade das Caldas da Rainha fez com que os debates denominados "A blogosfera e as políticas educativas em Portugal" se realizassem por aqui. Foi um dia cheio de interesse e ficam de parabéns os que marcaram presença. Os debates tiverem muito conteúdo e decorreram de forma tranquila e agradável. Coube-me a moderação do primeiro, por ser o único a quem não se exigia uma deslocação, o que me fez chegar ao fim do dia algo cansado e sem muita vontade para relatar o que se passou.


 


Entre hoje e amanhã procurarei fazer um balanço a partir das notas que tomei (de forma mais exaustiva o que moderei) e que estará longe de ser uma qualquer espécie de acta do acontecimento. Procurarei sintetizar as intervenções dos moderadores e dos convidados, a quem se agradece especialmente.




Imagem da abertura do debate (cortesia do Arlindo Ferreira). Da esquerda para a direita: Paulo Guinote, Mário Carneiro, Paulo Prudêncio e Ricardo Silva.









obrigado olinda gil (2)

 


 


 


 


 


 


 


 


As relações pessoais que se estabelecem à volta das várias acções de professores em que participei nos últimos anos, têm peripécias engraçadas. A pintora Olinda Gil, também professora, teve a gentileza de pintar o quadro que pode ver na imagem como registo de um dos meus aniversários. Fez questão de só mo entregar num dos jantares que periodicamente acontecem. Por um motivo ou por outro, só ontem nos encontrámos no CCC das Caldas da Rainha e fiquei sensibilizado com a oferta. Obrigado.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

caldas da rainha, 6 de outubro

 


 


 


 


 


 


 


 


É evidente que a acção é aberta a quem queira assistir, professor ou não. Por razões logísticas de reserva do espaço mais adequado e de modo a evitarem-se constrangimentos de última hora, a inscrição deve ser feita directamente aqui.


 

domingo, 23 de setembro de 2012

programa do debate "a blogosfera e a Discussão das Políticas Educativas em Portugal" (3)

 


 


Dia 6 de Outubro de 2012 no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.


 




9.45 - Abertura


10:00 - 11:15 - O Modelo de Gestão


Moderador: Paulo Prudêncio (Correntes)


Participantes confirmados: Mário Carneiro (O Estado da Educação e do Resto); Ricardo Silva (APEDE)


 


11:15 - 11:30 - Intervalo


 


11:30 - 12:45 - Vinculação: Ordinária ou Extraordinária?


 


Moderador: Arlindo Ferreira (Blog DeAr Lindo)


 


Participantes confirmados: César Israel Paulo - Associação Nacional dos Professores Contratados (ANVPC), Jorge Costa (Peticionário ao Parlamento Europeu) e Miguel Reis do MEP, Grupo de Protesto dos Professores Contratados e Desempregados.


 


Intervalo para Almoço


 


14:30 - 15:45 - Mal estar docente e a Burocracia na Educação


 


Moderadores/Participantes confirmados: Nuno Rolo/Abel Martins (Ad Duo) e Ricardo Montes/Nuno Coelho (Professores Lusos) e Luís Braga (Visto da Província)


 


15:45 - 16:00 - Intervalo


 


16:00 - 17:15 – Autonomia/Centralismo


 


Moderador: Paulo Guinote (A Educação do meu Umbigo)


Participantes confirmados: José Alberto Rodrigues (APEVT), José Morgado (Atenta Inquietude) Rui Correia (Postal – Um Verbário)


 


17.30 - Encerramento






É evidente que a acção é aberta a quem queira assistir, professor ou não. A inscrição deve ser feita até ao dia 30 de Setembro por razões logísticas de reserva do espaço mais adequado e assim evitarem-se constrangimentos de última hora.




A inscrição deve ser feita directamente aqui com os seguintes elementos:



  • Nome, Escola de colocação, Nível de ensino, Situação profissional, Mail/Tmóvel, Blogue/url.


As incrições para comunicações devem ser feitas para o email iniciativablogger@gmail.com .



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

prevenindo o futuro

 


 


Diz-se que a melhor forma de prevenir o futuro é conhecer bem a história. Nesse sentido, não vou perder esta noite a auto-biografia de Nicolae Ceuasescu. O filme é realizado por Andrei Ujica e vai estar em exibição no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.


 


sábado, 23 de outubro de 2010

dança, cinema e lagosta

 


 



 


 


Perdi, e tive pena, o filme "A dança - le ballet de l´opera de paris" na última segunda-feira no CCC das Caldas da Rainha. Frederick Wiseman mostra o quotidiano da exigente escola de dança parisiense.


 


Um amigo de longa data contou-me um detalhe delicioso do filme. Em 2007 (em período mesmo pré-pré-hecatombe financeira), uns americanos contactaram a direcção da Opéra National de Paris para um percurso cultural pela cidade que incluía a dança. Entre muitas peripécias, escolhia-se o menu para os jantares dos excursionistas americanos. E a coisa não ficava por menos: lagosta era uma das constantes. Surpresos, os franceses lá questionaram quem eram os tais americanos endinheirados. Nada mais, nada menos, do que assalariados da famosa Lehman Brothers, a empresa que faliu e que foi uma das mais activas na fraude incomensurável que abalou o mundo ocidental e que atestou os piores receios de Joseph Stiglitz, por exemplo.


 


O meu amigo sentiu-se como o homem da bifana que o Antero tão bem retratou.