quarta-feira, 17 de outubro de 2012

não vamos lá

 


 


 


Estou a ouvir Bernardino Soares na SICN a abespinhar-se ligeiramente com os que advogam cortes no orçamento do parlamento. Para o dirigente comunista esses cortes simbólicos não passam de amendoins e estão colados a um discurso antidemocrático, populista e por aí fora.


 


Era bom que não nos esquecêssemos que estamos num país em que um número cada vez mais significativo de crianças chega à escola com fome. Os encarregados de Educação estão desesperados sem saber o que fazer e vão ouvindo estas coisas dos defensores oficiais dos trabalhadores.

20 comentários:

  1. Confesso que não esperava este comentário teu, Paulo.

    Calhando, é ironia Não?

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  2. Lembro-me sempre da cena lá na escola em que alguém, do mesmo ramo profissional, me admoestava com um "Estás sempre a protestar. Temos muita sorte em ter emprego"

    ou

    "Ganhamos muito bem e temos muita sorte. Olha, em África morrem crianças à fome."

    Puxei o autoclismo, saí do WC e afirmei: "A partir de hoje não se come lá em casa."

    (não sei porquê, mas estas conversas aconteceram sempre no WC. podiam acontecer na cabeleireira ou no mini mercado Amaral, mas não - foi sempre à entrada, durante ou à saída do WC)

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  3. De modo nenhum Fernanda. Fiquei perplexo com a acomodação. Ainda noutro dia publiquei um quadro com o orçamento 2012 do parlamento que inscreve 42.000 euros para uma Associação de ex-Deputados.

    Os tempos não estão para brincadeiras e têm sido cometidos muito erros. Estou a ouvir um ex-deputado, que recebe uma reforma muito superior a 7000 euros (palavras dele), que defende um corte substancial na sua reforma.

    Ora diz-me: estas pessoas precisam duma quantia para um Associação ou devem quotizar-se? Não deveria existir um limite para a compra de automóveis e para os valores respectivos? Isto é populismo e um discurso antidemocrático?

    Assim não vamos lá.

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  4. Pode, perigosamente, confundir-se com populismo e discurso anti democrático.

    Que sei que não é o teu caso. Nem poderia ser.

    O que considero perigoso é que isto vai desaguar certinho nesta ideia de "a política é uma porcaria", os políticos são todos "desonestos" e haja um ser salvítico que nos acuda.

    É que a democracia custa dinheiro. Um aborrecimento.

    Um partido único e /ou uma assembleia só representativa de um certo estrato social e económico sai muito mais barato.

    Mas eu não gosto.

    Mais, sou até a favor de melhorias salariais para deputados para ver se nos saem melhor do que os que temos tido.

    E esta?

    Olha, reduzam/eliminem os grupos de trabalho, as consultadorias, os adjuntos dos secretários e os sub-adjuntos dos sub secretários, os outsourcings, os benchmarkings e mais os empowerments.


    PS: Só para acrescentar que àquelas pessoas do ai não protestes, ai que sorte que nós temos e ai que heresia de reinvindicar apelidámos de "As Carmelitas Descalças".

    Ainda hoje o nome se mantém.

    :)

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  5. Eu francamente nem percebo.
    Vão aumentar o orçamento à AR por causa das autárquicas...Incompreensível,pois se querem mais dinheiro que recolham fundo como faz o PCP com a Festa do Avante!

    Mas uma vez que não têm capacidade para isso façam rifas daquelas em que o prémio sai sempre à casa ou leiloem virgindades...

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  6. É Fernanda. Haverá, decerto, quem diga que o teu discurso é populista com essas eliminações todas.

    Não se pode ter medo de chamar as coisas pelos nomes e de discutir os assuntos. "Tudo o que é sólido se dissolve no ar" :)

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  7. E é bom que me digam que o meu discurso é populista.

    Posso contra argumentar.

    E não tenho medo algum em chamar as coisas pelos nomes. Enquanto mo permitirem. Que eu sou como o Galileu Galilei " Mal do país que precisa de heróis"

    Dois pequenos, mas muito ilustrativos exemplos de populismo pobrezinho:

    1- a redução feita no número de ministros do governo;

    2- aquela ideia, logo de início desta legislatura, dos membros do governo viajarem em classe económica.

    (já me ia esquecendo do Lambretas)

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  8. É uma lista interminável e por isso o post.

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  9. Chego à conclusão que estamos de acordo aqui.

    Mas não é isto que é mencionado no post.

    Esta comunicação online é deveras frustrante. as limitações são grandes.

    Boa noite e até amanhã.

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  10. É o que é mencionado no post, se me permites. São dois parágrafos factuais. Sei que ao escrever representantes oficiais dos trabalhadores crio alguma incomodidade, mas é normalmente assim que se (auto) consideram algumas organizações. Devem, a exemplo das restantes, dar o exemplo.

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  11. Desculpa, Paulo, mas parece-me que estás a confundir o fundilho das calças com o fim das costas.

    Se o "argumento" da "ben"dita associação ainda pode colher, a ideia de que um parlamento mais pequeno, com menos deputados e menos salários para os ditos, poderia ser a solução é um disparate com grave prejuízo para a democracia e a representação das várias correntes políticas que existem na sociedade.

    Se é verdade que alguns deputados não são dignos de estar no parlamento e do salário que auferem, não é diminuindo o número deles que eliminas esses parasitas. Porque os yesman continuarão a ficar nos lugares elegíveis de PS e PSD.
    Quem tem que os tirar do parlamento são os eleitores, através da mudança do voto.

    Quem escolhe Seguro leva com os Lellos, os Varas e quejandos. Haja coragem e troquem-se esses cromos por gente que sirva a política e não se sirva da política.
    Abraço,
    F.

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  12. Poderá parecer, mas, sejamos francos, não é isso o que está mencionado no post.

    Continuo a afirmar que o 2º parágrafo pode desaguar em populismo e em nivelação por baixo.

    O meu marido está desempregado e tenho 2 filhos a estudar. A minha visão das coisas diz-me que o aumento do orçamento da AR não me preocupa tanto como quem realmente manda no país- muito mal - com hipocrisia, má fé e uma falta total de patriotismo e solidariedade.

    A questão da incomodidade levantada por ti não me atinge de modo algum.

    Apenas registo que é uma forma de fechar esta troca de pontos de vista. Catalogando e rotulando.

    Nessa não entro. Como dizia a minha avó velhinha, "Olha filha, isto já são muitos anos a fio a virar febras".

    :)

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  13. Aumentem o orçamento da AR, andem de Audi, viajem em executiva e levem pensões de 7 mil euros.

    Mas façam bem o seu papel. Se o fizerem, o meu marido e os outros desempregados todos arranjam trabalho, os meus filhos não têm de emigrar caso não o queiram fazer, o meu salário deixará de estar congelado, o meu 13º e 14º mês regressam e terei confiança que, ao fim de um longo percurso de trabalho, terei a reforma para a qual descontei ao longo da minha vida útil.

    Claro, que o voto nas legislativas é essencial. Começa tudo por aí.

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  14. Paulo G. T. Prudêncio18 de outubro de 2012 às 18:30

    Discordo. Esse discurso podia ser feito por alguém da Goldman Sachs :)

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  15. Paulo G. T. Prudêncio18 de outubro de 2012 às 18:32

    Nada do que escrevi, uma linha sequer, tem uma qualquer relação com a tua argumentação.

    Abraço.

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  16. Achas mesmo que Goldman Sachs teria/tem este discurso?

    O de políticas de emprego, a de não taxar o trabalho do modo a que estamos a assistir, a de lutar contra a precariedade do trabalho e por um estado social necessário às condições reais do nosso país, ao reconhecimento do factor trabalho e sua dignidade, à segurança de uma pensão de reforma ou subsídio de desemprego para o qual a maioria tem descontado?

    Eu sei, também estou a tentar levar isto com algum humor. Mas só me sai humor negro.

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  17. "Aumentem o orçamento da AR, andem de Audi, viajem em executiva e levem pensões de 7 mil euros". Este tipo de discurso foi muitas vezes repetido durante o auge do subprime para os administradores dessas empresas que ainda recebiam prémios "impensáveis".

    Quando Obama tomou posse em 2008, teve que cancelar uma ajuda financeira astronómica porque 90% ou mais era para pagar os prémios dos administradores. Uma coisa muito lamentável.

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  18. "Este tipo de discurso foi muitas vezes repetido durante o auge do subprime para os administradores dessas empresas que ainda recebiam prémios "impensáveis"."

    Estás a comparar o quê e quem e em que país?

    Agora, tal como afirma o donatien no fim deste post, é que não estou a entender nada.

    Paulo, repara no "alinhamento" desta conversa online e diz lá se a 1ª frase do último comentarista não está fantástica.

    -:)

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