Estou a ouvir Bernardino Soares na SICN a abespinhar-se ligeiramente com os que advogam cortes no orçamento do parlamento. Para o dirigente comunista esses cortes simbólicos não passam de amendoins e estão colados a um discurso antidemocrático, populista e por aí fora.
Era bom que não nos esquecêssemos que estamos num país em que um número cada vez mais significativo de crianças chega à escola com fome. Os encarregados de Educação estão desesperados sem saber o que fazer e vão ouvindo estas coisas dos defensores oficiais dos trabalhadores.
Confesso que não esperava este comentário teu, Paulo.
ResponderEliminarCalhando, é ironia Não?
Lembro-me sempre da cena lá na escola em que alguém, do mesmo ramo profissional, me admoestava com um "Estás sempre a protestar. Temos muita sorte em ter emprego"
ResponderEliminarou
"Ganhamos muito bem e temos muita sorte. Olha, em África morrem crianças à fome."
Puxei o autoclismo, saí do WC e afirmei: "A partir de hoje não se come lá em casa."
(não sei porquê, mas estas conversas aconteceram sempre no WC. podiam acontecer na cabeleireira ou no mini mercado Amaral, mas não - foi sempre à entrada, durante ou à saída do WC)
De modo nenhum Fernanda. Fiquei perplexo com a acomodação. Ainda noutro dia publiquei um quadro com o orçamento 2012 do parlamento que inscreve 42.000 euros para uma Associação de ex-Deputados.
ResponderEliminarOs tempos não estão para brincadeiras e têm sido cometidos muito erros. Estou a ouvir um ex-deputado, que recebe uma reforma muito superior a 7000 euros (palavras dele), que defende um corte substancial na sua reforma.
Ora diz-me: estas pessoas precisam duma quantia para um Associação ou devem quotizar-se? Não deveria existir um limite para a compra de automóveis e para os valores respectivos? Isto é populismo e um discurso antidemocrático?
Assim não vamos lá.
Pode, perigosamente, confundir-se com populismo e discurso anti democrático.
ResponderEliminarQue sei que não é o teu caso. Nem poderia ser.
O que considero perigoso é que isto vai desaguar certinho nesta ideia de "a política é uma porcaria", os políticos são todos "desonestos" e haja um ser salvítico que nos acuda.
É que a democracia custa dinheiro. Um aborrecimento.
Um partido único e /ou uma assembleia só representativa de um certo estrato social e económico sai muito mais barato.
Mas eu não gosto.
Mais, sou até a favor de melhorias salariais para deputados para ver se nos saem melhor do que os que temos tido.
E esta?
Olha, reduzam/eliminem os grupos de trabalho, as consultadorias, os adjuntos dos secretários e os sub-adjuntos dos sub secretários, os outsourcings, os benchmarkings e mais os empowerments.
PS: Só para acrescentar que àquelas pessoas do ai não protestes, ai que sorte que nós temos e ai que heresia de reinvindicar apelidámos de "As Carmelitas Descalças".
Ainda hoje o nome se mantém.
:)
Eu francamente nem percebo.
ResponderEliminarVão aumentar o orçamento à AR por causa das autárquicas...Incompreensível,pois se querem mais dinheiro que recolham fundo como faz o PCP com a Festa do Avante!
Mas uma vez que não têm capacidade para isso façam rifas daquelas em que o prémio sai sempre à casa ou leiloem virgindades...
É Fernanda. Haverá, decerto, quem diga que o teu discurso é populista com essas eliminações todas.
ResponderEliminarNão se pode ter medo de chamar as coisas pelos nomes e de discutir os assuntos. "Tudo o que é sólido se dissolve no ar" :)
É Donatein :)
ResponderEliminarE é bom que me digam que o meu discurso é populista.
ResponderEliminarPosso contra argumentar.
E não tenho medo algum em chamar as coisas pelos nomes. Enquanto mo permitirem. Que eu sou como o Galileu Galilei " Mal do país que precisa de heróis"
Dois pequenos, mas muito ilustrativos exemplos de populismo pobrezinho:
1- a redução feita no número de ministros do governo;
2- aquela ideia, logo de início desta legislatura, dos membros do governo viajarem em classe económica.
(já me ia esquecendo do Lambretas)
É uma lista interminável e por isso o post.
ResponderEliminarChego à conclusão que estamos de acordo aqui.
ResponderEliminarMas não é isto que é mencionado no post.
Esta comunicação online é deveras frustrante. as limitações são grandes.
Boa noite e até amanhã.
É o que é mencionado no post, se me permites. São dois parágrafos factuais. Sei que ao escrever representantes oficiais dos trabalhadores crio alguma incomodidade, mas é normalmente assim que se (auto) consideram algumas organizações. Devem, a exemplo das restantes, dar o exemplo.
ResponderEliminarDesculpa, Paulo, mas parece-me que estás a confundir o fundilho das calças com o fim das costas.
ResponderEliminarSe o "argumento" da "ben"dita associação ainda pode colher, a ideia de que um parlamento mais pequeno, com menos deputados e menos salários para os ditos, poderia ser a solução é um disparate com grave prejuízo para a democracia e a representação das várias correntes políticas que existem na sociedade.
Se é verdade que alguns deputados não são dignos de estar no parlamento e do salário que auferem, não é diminuindo o número deles que eliminas esses parasitas. Porque os yesman continuarão a ficar nos lugares elegíveis de PS e PSD.
Quem tem que os tirar do parlamento são os eleitores, através da mudança do voto.
Quem escolhe Seguro leva com os Lellos, os Varas e quejandos. Haja coragem e troquem-se esses cromos por gente que sirva a política e não se sirva da política.
Abraço,
F.
Poderá parecer, mas, sejamos francos, não é isso o que está mencionado no post.
ResponderEliminarContinuo a afirmar que o 2º parágrafo pode desaguar em populismo e em nivelação por baixo.
O meu marido está desempregado e tenho 2 filhos a estudar. A minha visão das coisas diz-me que o aumento do orçamento da AR não me preocupa tanto como quem realmente manda no país- muito mal - com hipocrisia, má fé e uma falta total de patriotismo e solidariedade.
A questão da incomodidade levantada por ti não me atinge de modo algum.
Apenas registo que é uma forma de fechar esta troca de pontos de vista. Catalogando e rotulando.
Nessa não entro. Como dizia a minha avó velhinha, "Olha filha, isto já são muitos anos a fio a virar febras".
:)
Aumentem o orçamento da AR, andem de Audi, viajem em executiva e levem pensões de 7 mil euros.
ResponderEliminarMas façam bem o seu papel. Se o fizerem, o meu marido e os outros desempregados todos arranjam trabalho, os meus filhos não têm de emigrar caso não o queiram fazer, o meu salário deixará de estar congelado, o meu 13º e 14º mês regressam e terei confiança que, ao fim de um longo percurso de trabalho, terei a reforma para a qual descontei ao longo da minha vida útil.
Claro, que o voto nas legislativas é essencial. Começa tudo por aí.
Discordo. Esse discurso podia ser feito por alguém da Goldman Sachs :)
ResponderEliminarNada do que escrevi, uma linha sequer, tem uma qualquer relação com a tua argumentação.
ResponderEliminarAbraço.
Achas mesmo que Goldman Sachs teria/tem este discurso?
ResponderEliminarO de políticas de emprego, a de não taxar o trabalho do modo a que estamos a assistir, a de lutar contra a precariedade do trabalho e por um estado social necessário às condições reais do nosso país, ao reconhecimento do factor trabalho e sua dignidade, à segurança de uma pensão de reforma ou subsídio de desemprego para o qual a maioria tem descontado?
Eu sei, também estou a tentar levar isto com algum humor. Mas só me sai humor negro.
"Aumentem o orçamento da AR, andem de Audi, viajem em executiva e levem pensões de 7 mil euros". Este tipo de discurso foi muitas vezes repetido durante o auge do subprime para os administradores dessas empresas que ainda recebiam prémios "impensáveis".
ResponderEliminarQuando Obama tomou posse em 2008, teve que cancelar uma ajuda financeira astronómica porque 90% ou mais era para pagar os prémios dos administradores. Uma coisa muito lamentável.
"Este tipo de discurso foi muitas vezes repetido durante o auge do subprime para os administradores dessas empresas que ainda recebiam prémios "impensáveis"."
ResponderEliminarEstás a comparar o quê e quem e em que país?
Agora, tal como afirma o donatien no fim deste post, é que não estou a entender nada.
Paulo, repara no "alinhamento" desta conversa online e diz lá se a 1ª frase do último comentarista não está fantástica.
-:)
Exacto :)
ResponderEliminar