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domingo, 15 de março de 2020

Covid-19 e os Problemas Alimentares das Crianças

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Os grandes supermercados podem organizar uma ajuda alimentar às famílias das crianças subsidiadas do universo escolar. Seria uma medida que não quebraria o fundamental isolamento social das crianças. Já se percebem as dramáticas situações de pequenos e médios comerciantes, mas, e pelo contrário, os grandes supermercados estão a facturar muito acima da média e nem sequer promovem aquelas históricas campanhas especiais de saldos. Por isso, as margens de lucro suportarão com toda a certeza uma medida destas. Podem até nem oferecer alimentos; seria suficiente, e até mais digno, um conjunto de bens alimentares a preços reduzidos. Aliás, importa sublinhar que nas últimas semanas se argumentou repetidamente que o não encerramento das escolas se devia ao facto de muitas crianças terem na escola a única possibilidade de uma refeição diária. Esta constatação chocante que inscreve a falência de toda a sociedade na eliminação do flagelo da fome, uma vez que há fins-de-semana, férias e interrupções lectivas, é também uma oportunidade para convocar um ideário de soluções alternativas.

terça-feira, 19 de março de 2013

a vez do luxemburgo

 


 


 


 


 


 



 


 


 


Diz a RTP que dos 500 mil habitantes do Luxemburgo 100 mil são portugueses e que a actualidade de muitos emigrantes é catastrófica. Há pessoas com filhos pequenos que nem a escola frequentam e a total "ilegalidade" impede qualquer rendimento. É já numeroso o regresso promovido pelo consulado português, a exemplo do que acontecia nos tempos que pensávamos irrepetíveis.


 


A partir de 9 de Janeiro de 2013 é preciso visto para entrar em Moçambique, disse-me alguém da TAP. A embaixada de Moçambique em Lisboa só emite 30 vistos por dia e as filas de espera formam-se às 04h00 da madrugada, acrescentou. O visto só é concedido com uma série de garantias, tal a degradação da vida em Maputo para muitos dos portugueses, complementou.


 


Ainda está na nossa memória o que se fazia no aeroporto da Portela com a proibição de entrada a moçambicanos e angolanos que nos imploravam refúgio. Mas que grande lição da história. Muitos, como os que estão na imagem, advogavam a proibição e agora estimulam os seus compatriotas a passarem por esta humilhação como se fosse uma oportunidade. Aos oportunistas nunca escapa o conceito de oportunidade.


 

sexta-feira, 1 de março de 2013

do retrocesso

 


 


 


 


 


Nos últimos dias surgiram os primeiros ecos do retrocesso no sucesso escolar com o aumento de classificações negativas no 12º ano. Se é evidente que estes dados são insuficientes para uma conclusão, é natural que os números do insucesso e abandono escolares comecem a subir; desgraçadamente, acompanharão os do desemprego e da fome e contrariarão os que advogavam que tudo se resolvia com mais escola e com uma sociedade ausente.


 


No universo escolar também existem causas fortes e prontas a cobrar o fatalismo. Supressão de disciplinas, horas curriculares atribuídas no espírito de mais do mesmo, aumento do número de alunos por turma e quebra da proximidade relacional através de um modelo de gestão escolar único no mundo conhecido, são alguns exemplos do desmiolo que assolou o sistema escolar.


 


Para além disso, temos uma legião de professores em aguda instabilidade profissional, desesperançados e com anos de desconsideração social. Há cerca de meia dúzia de anos que a agenda mediática é preenchida por professores em protesto ou governantes e comentadores a zurzirem na sua profissionalidade. Os alunos intuem a desfaçatez, mesmo que não o verbalizem, e os que não querem aprender aumentam em número.


 


É evidente que as escolas do Estado estão mais expostas a este flagelo e os rankings, acompanhados da segregação social que sempre se acentua nos tempos de salve-se quem puder, farão o serviço que interessa a quem teima na privatização de lucros. Falta saber se tudo isto se desenvolverá como até aqui ou se a bancarrota nos fará arrepiar caminho por uns tempos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

das memórias

 


 


 


 


 



 


 


 



(da ontogénese da humilhação à filogénese da implosão)


 


 


 


 


 


Tinha uns 12 anos e viajava com o meu pai numa estrada moçambicana fora dos centros urbanos. Estava um dia muito quente. Parámos numa "cantina" - áreas de serviço que eram propriedade de comerciantes portugueses (os metrôpoles) imbuídos do espírito colonial - e deparámos com uma dezena de homens de pele negra, nua e bem suada, à volta de uma mesa com uma bazuca - cerveja de litro e meio - no centro. Enquanto esperavam por uma qualquer refeição, o filho do comerciante, com uma idade igual à minha, atirava-lhes pão e repetia: "hoje é dia de festa".


 


O meu pai esteve em silêncio e à saída não se conteve: "serão os primeiros". Lá me explicou o que é que queria dizer com o desabafo. Anos depois, a revolta "legitimou" a tragédia e as áreas de serviço arderam, e em muitos casos, com os comerciantes lá dentro. Foi também assim noutros capítulos dessa revolução. A cor da pele era o primeiro critério implosivo para humilhações acumuladas durante séculos.


 


As sociedades actuais não se devem considerar livres da ontogénese da humilhação. O bodo aos pobres deixa marcas. Os pobres não têm vergonha (a condição não o permite, sequer) de se socorrem do que existe para afagarem a fomeÉ certo que o fazem, como também é de saber filogenético que um dia manifestarão em implosão social as sucessivas humilhações.


 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

não vamos lá

 


 


 


Estou a ouvir Bernardino Soares na SICN a abespinhar-se ligeiramente com os que advogam cortes no orçamento do parlamento. Para o dirigente comunista esses cortes simbólicos não passam de amendoins e estão colados a um discurso antidemocrático, populista e por aí fora.


 


Era bom que não nos esquecêssemos que estamos num país em que um número cada vez mais significativo de crianças chega à escola com fome. Os encarregados de Educação estão desesperados sem saber o que fazer e vão ouvindo estas coisas dos defensores oficiais dos trabalhadores.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

fome

 


 


O bloco de esquerda tem como objectivo, nesta iniciativa legislativa, que seja servido nas escolas o pequeno-almoço às crianças neste período de crise. A reunião de esforços no combate ao maior dos flagelos é imperativa e muitas escolas já prestam esse serviço sem qualquer determinação legislativa.


 


Tenho lido várias críticas à iniciativa. O argumento mais apresentado prende-se com o já insuportável caderno de encargos da escola e é verdade que a esquerda tem uma fatia importante na criação da má burocracia que se julga combater as desigualdades, ficando a tradiconal a AD em ex aequo no ranking. Também se sabe que os resultados são opostos dos pretendidos, uma vez que o excesso de burocracia diminui a capacidade de acção no essencial.


 


A escola como organização tem estado sempre mais à mão para variadas iniciativas. Se há, por exemplo, um problema de nutrição ou rodoviário, exige-se uma resposta imediata e exclusiva das escolas. A sociedade ausente é o principal problema da Educação. Compreende-se o mérito da iniciativa do bloco de esquerda, mas a organização escolar não deixa de se entristecer com a falência das outras respostas. E custa ainda mais observar discursos demagógicos à volta da fome das nossas crianças.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

notícias

 


 



 


 


Trago notícias da fome
que corre nos campos tristes:
soltou-se a fúria do vento
e tu, miséria persistes.
Tristes notícias vos dou:
caíram espigas da haste,
foi-se o galope do vento
e tu miséria, ficaste.
Foi-se a noite, foi-se o dia,
fugiu a cor às estrelas:
e, estrela nos campos tristes,
só tu miséria nos velas.


 


Carlos de Oliveira - "O Viandante"


 


Cortesia de Idalino Moura.