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domingo, 1 de novembro de 2020

"Calam-se As Palmas"

 


Captura de ecrã 2020-11-01, às 11.41.28.png


(recebido por mensagem devidamente identificada com solicitação de publicação)


"Calam-se as palmas.


Calaram-se as palmas e fecharam-se as janelas.


Calaram-se as palmas e a Alice morreu.


Despiu a bata no final do turno, saiu do Hospital, conduziu até casa, mas antes, antes de chegar à meta, interrompeu a viagem.


Suicidou-se.


Eu não sei as razões para a Alice desistir de tudo isto.


Sei que se fartou de um país que a mandou emigrar e a cujo apelo resistiu.


Sei que se cansou excessivamente de palmas sem eco.


Sei que, pelo caminho perdeu a identidade, oculta num escafandro pesado de suor e da dor dos outros.


Sei que existem incontáveis Alices na minha profissão. Que chegam a casa destruídas por um dia de trabalho sem fim, por uma batalha invisível de quem salva vidas (e não apenas as do Covid) ou de quem mediu vezes demais a frequência cardíaca daqueles que não chegaram a ter segunda oportunidade.


Estou certa, porém, por ser esse o nosso superior desígnio, que a Alice se revestiu, como todos os enfermeiros, de infindável compaixão para aguentar ter dois braços apenas. Num cenário de incompreensível amadorismo político, a saúde ficou para trás. A saúde de quem a perde, a saúde de quem a deve salvar.


Provavelmente, todas as famílias portuguesas têm no seu seio, ou conhecem, um enfermeiro. Provavelmente, todas as famílias portuguesas bateram palmas à janela aos profissionais de saúde quando tudo isto começou.


Nós estávamos “na linha da frente”, grandes heróis, estes que se confrontam com o destino determinados a cuspir-lhe na face e prosseguir.


Mas prosseguir a que custo? Quando é que um penso rápido substitui um profissional qualificado, preparado, confiante? Quando é que medidas avulsas com uma estratégia utópica e fictícia na sua ação dão lugar à primazia da saúde num verdadeiro cenário de guerra?


Quando é que as palmas superam a inação política?


Regresso todos os dias a casa com a exaustão no corpo e o medo no peito. Beijo os meus filhos ao de leve porque nem sei bem se vim sozinha para casa. E tenho tanto, tanto receio do que trago no corpo e na mente.


Confesso, há imagens que não me abandonam. O desespero dos outros, de não salvar os outros, que foi o que nos fez abraçar a profissão, o desespero de não saber com o que conto no dia seguinte.


Podemos continuar a fingir que não se passa nada neste país e que os nossos enfermeiros e restantes profissionais de saúde apenas tratam das arrastadeiras. Mas há um peso que todos vamos pagar, mais depressa do que se imagina. Cada vez mais Alices estão entre nós. Exaustas, exauridas, cansadas de prosseguir na estrada. Bizarramente sozinhas no meio de um incompreensível caos.


Esgotámos um tempo precioso e já não podemos fingir que está tudo controlado.


Silêncio, por favor. Baixe-se o pano.


Chega de palmas.


Morreu um enfermeiro, morreu um de nós.


Talvez algum político, daqueles que assinam decretos que fazem lei de verdade, se lembre de nós e nos dê a dignidade de sermos uma profissão de risco, honrando a nossa carreira e o nosso estatuto.


Talvez nesse dia perceba que não é com palmas e fintas infantis que se combatem guerras.


Talvez tudo o que baste seja apoiar verdadeiramente pessoas. Conceder-lhes o valor que têm e não fazer disso uma oportunidade para poupar mais trocos.


Talvez nesse dia perceba que a farda de anjos que caminham e sobrevivem nos escombros de si próprios não tem verdadeiramente preço, mas tem um custo.


E esse custo chama-se, simplesmente, Vida.


Natércia Lima (Enfermeira, mãe, filha)"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

do caso do presidente do INEM

 


 


 


As notícias sobre casos de corrupção são diárias. Há casos que chocam mais. É o caso do INEM e da corrupção através da comercialização de produtos sanguíneos. Há instituições que pareciam a salvo da selvajaria. Imagino o estado de alma das pessoas que dão tanto de si ao INEM. Parece que a teia chegava à informática, mas o mote inicial arrepia. É muita falta de tudo, realmente.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

berço

 


 


 


 



 


Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.


 


Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.


 


Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas.


 


1ª edição em 25 de Julho de 2012.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

uma vergonha (não me sai outro título)

 


 


 


Em 4 de Novembro de 2013 escrevia assim (o título do post é desse dia):


 



A excelente reportagem, "Verdade inconveniente", conduzida pela jornalista Ana Leal da TVI é uma valente defesa de um valor primeiro das democracias: a escola pública.


 


Sabemos há muito a vergonha que se estabeleceu com os negócios da Educação, mas visto assim, de enfiada e em cerca de meia-hora, deixa-nos com uma mistura de tristeza e de raiva.


 


Será possível que, depois de mais este documento passado em horário nobre e na televisão com mais audiência, tudo fique na mesma?


 


Há crianças com a igualdade de oportunidades posta em causa de forma "impensável", há professores com horários zero e com a dignidade profissional severamente abalada e há um desperdício escandaloso de dinheiros públicos agravado pelo estado do país. Gostava que este não fosse o meu país.


 


Tem o vídeo completo aqui.


sábado, 1 de novembro de 2014

"Vê lá que a filha da minha empregada senta-se ao meu lado na faculdade"

 


 


"Vê lá que a filha da minha empregada senta-se ao meu lado na faculdade", é um espanto misturado com indignação que pode ser escutado aos filhos da geração ainda adolescente no 25 de Abril e nas que se seguiram.


 


E nesse grupo encontramos, para além dos óbvios e imutáveis conservadores, MRPP´s, esquerdas minoritárias diversas, socialistas e sociais-democratas de vias avançadas e até os freaks da altura.


 


Não direi que é uma desilusão, pois para isso tínhamos de estar iludidos e não era caso para tal. É uma espécie de tristeza, de ligeiro choque e de surpresa com o estado em que ainda estamos com quase quarenta anos de democracia. Às vezes até parece que regredimos e que eliminámos a memória.


 


 


 

segunda-feira, 24 de março de 2014

a banca sempre em festa

 


 


 


A nova Instituição Financeira de Desenvolvimento, mais conhecida por Banco de Fomento, será um Banco Público sem balcões destinado a agilizar o acesso ao próximo quadro comunitário. Para além de ser questionável se esta função não podia ser exercida pela CGD, o que choca mais são os salários dos membros da Comissão Instaladora num período de cortes a eito. Tenho ideia que o contrato, que será considerado complexo e redigido por um grande escritório de advogados, terá uma cláusula, em letra "tamanho quatro", que garanta a marginalização em qualquer corte como consequência da atenção ao aparelho partidário respectivo.


 



 



 


 


 


 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

nem dá para acreditar

 


 


 


 


O membro de Governo Pedro Lomba quer aliciar imigrantes de "elevado potencial" quando o país vê saírem todos os dias os seus jovens adultos da geração mais formada de sempre. Estes governantes parece que gozam com a desgraça alheia para além de usarem uma linguagem que irrita um bocado.


 


 



 


 


 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

a lição de filosofia de manuel maria carrilho

 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


A lição de Filosofia de Manuel Maria Carrilho






 


Várias gerações, sobretudo depois de o positivismo do séc. XIX se ter afirmado no campo do pensamento, entenderam que a educação, a ciência, a cultura e o conhecimento em geral tornariam as pessoas e as sociedades melhores. A cada conquista educacional, mais uma luz brilharia sobre as trevas. O mal não era algo em si mesmo, como de certa forma defendera Santo Agostinho, mas a consequência da rarefação do bem.


Mais tarde, sobretudo com a II Guerra Mundial, os trabalhos de Hannah Arendt e romances como o de Primo Levi ('Se Isto é um homem') colocaram o mal noutro domínio. Haveria nele uma banalidade, uma possibilidade aberta a qualquer homem. Recentemente, as teorias sobre a convicção, em que trabalhou afincadamente talvez o melhor filósofo português dos últimos 50 anos e precocemente falecido Fernando Gil (irmão do também filósofo José Gil), voltaram a recentrar a questão: por que motivo duas pessoas com a mesma formação e a mesma vivência geram convicções e comportamentos diferentes? Fernando Gil, com quem tive o privilégio de privar, por via do também já falecido comum amigo José Gabriel Viegas (que foi crítico literário no Expresso), fazia-nos e fazia-se várias vezes esta pergunta. O seu livro a 'A Convicção' (de 2000, infelizmente mais conhecido em França) ensaia também respostas a esta pergunta.


Ora Manuel Maria Carrilho é filósofo, tendo sido aliás colega de Fernando Gil como professor na Universidade Nova e ultimamente adversários no campo das ideias. Carrilho também é doutorado em Filosofia, e como Gil também está traduzido em francês. Vem de famílias com conhecimentos e rendimentos elevados (o seu pai foi Governador Civil de Viseu e Presidente da Câmara da cidade). É um favorecido. Conhece o bem e o mal, há muito que deveria estar num estado civilizacional avançado. E, no entanto, as coisas que vai dizendo da sua ex-mulher Bárbara Guimarães (independentemente das razões que possam assistir a qualquer dos lados) são próprias de um primitivo ignaro. São lamentáveis.


Qualquer casal desavindo tem os seus exageros, mas ninguém tem o direito de arrastar publicamente o nome do outro (dos pais do outro - avós de seus próprios filhos) pela lama. Ninguém tem o direito de dizer o que ele disse sobre a vida íntima da ex-mulher. E ele, filósofo, ex-deputado, ex-ministro da Cultura, ex-embaixador, sabe bem a distinção entre o bem e o mal. Opta pelo mal, provando que este também é banal, demonstrando que existe a possibilidade de ele se inscrever em pessoas por mais demãos de camadas de verniz tenham em cima. A lição de Filosofia de Carrilho é que os nossos antepassados podem estar errados. Podem não bastar a civilização e o conhecimento para um homem (ou uma sociedade) praticar o bem.


Cada ser tem as suas possibilidades abertas e o livre arbítrio de escolher um caminho. O caminho de Carrilho, mais do que condenável é lastimoso. Apenas merece aquela compaixão devida aos que já estão condenados por crimes graves.







quinta-feira, 18 de julho de 2013

uma espécie de estado de sítio

 


 


 


 


A rede escolar das Caldas da Rainha, e a exemplo de outros concelhos do país, está num estado de sítio que nos devia envergonhar como país. As ideias de negócio na Educação, lógica de mercado, privatização de lucros no universo escolar, "liberdade" de escolha da escola e rankings escolares com base em resultados de exames numa sociedade imatura, ausente e viciada no faz de conta, fizeram estalar os vernizes quando os cortes a eito provocaram a vaga impressionante de injustos e brutais horários zero entre os professores das escolas públicas. O chico-espertismo associado à ideia de promoção social-dê-lá-por-onde-der, transformou a caça aos alunos, desde logo pelos que evidenciam melhores resultados, numa guerra com detalhes chocantes.


 


Os contornos destas disputas são antigos, mas emergiram quando a privatização de lucros se tornou obscena. Há uns anos, e sobre este concelho, escrevi assim: "(...)edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim(...)."





















quarta-feira, 17 de outubro de 2012

não vamos lá

 


 


 


Estou a ouvir Bernardino Soares na SICN a abespinhar-se ligeiramente com os que advogam cortes no orçamento do parlamento. Para o dirigente comunista esses cortes simbólicos não passam de amendoins e estão colados a um discurso antidemocrático, populista e por aí fora.


 


Era bom que não nos esquecêssemos que estamos num país em que um número cada vez mais significativo de crianças chega à escola com fome. Os encarregados de Educação estão desesperados sem saber o que fazer e vão ouvindo estas coisas dos defensores oficiais dos trabalhadores.

domingo, 23 de setembro de 2012

obviamente que não íamos ficar cá com os mais fracos

 


 


O título que escolhi é de um texto que uma encarregada de Educação de um ex-aluno de um colégio da cooperativa GPS, nas Caldas da Rainha, escreveu para a Gazeta das Caldas e que merece ser lido com toda a atenção.


 


 


"Sou mãe de um aluno que até há poucos dias pertencia ao Colégio Rainha D. Leonor, onde estudava desde o 5º ano.
O meu filho tem problemas de saúde, tendo acompanhamento médico e medicação diária. A escola sempre esteve informada desta situação, através do director de turma e de relatórios médicos apresentados no colégio. Estes problemas de saúde, inevitavelmente, reflectem-se nas suas aprendizagens e nos resultados que, através do seu esforço e empenho e da dedicação dos pais, vai conseguindo, nunca tendo reprovado. No Colégio Rainha D. Leonor tem o seu grupo de colegas e amigos que, desde o 5º ano, têm sido o seu apoio e incentivo para não desistir de estudar, amigos que o têm ajudado a ultrapassar dificuldades.
Quando o ano lectivo chegou ao fim, matriculou-se no 10º ano em Ciências e Tecnologias, ficando na turma C. Deixámos o sinal para os manuais adoptados e fomos de férias descansados.
Para meu grande espanto, em 3 de Setembro, fui contactada por um professor do Colégio que me disse que o meu filho, afinal, não podia ficar naquela escola e que já não havia vaga nas outras escolas. O meu filho fazia parte de uma lista de 8 alunos que já não podiam ficar na escola e que tinha sido enviada para a Rafael Bordalo Pinheiro.
Inconformada e angustiada com esta decisão, tomada à revelia dos encarregados de educação, e na qual não via nenhum fundamento, fui falar com a coordenadora Dra. Tânia Galeão, que me disse que o Ministério da Educação não autorizava as três turmas daquela área de estudos e que era esse o motivo pelo qual oito alunos teriam de ir para outra escola.
Ora acontece que esses alunos foram “escolhidos a dedo” pela direcção do colégio pois são jovens que não têm das melhores notas e que, portanto, tal como o meu filho, não são alunos de contribuir para os rankings daquele estabelecimento de ensino. A própria directora do Colégio, Dra. Paula Rente, quando lhe perguntei qual o critério para “despachar” estes alunos para outra escola, respondeu-me que “obviamente que não íamos mandar embora os melhores e ficarmos cá com os mais fracos”. Mais ainda: afirmou que o meu filho não iria fazer nenhuma disciplina do 10º ano!
Devo acrescentar que a forma como a directora se dirigiu a mim e ao meu marido quando lhe pedimos explicações sobre o caso do nosso filho, foi de todo inadequada, tendo sido agressiva e gritado connosco.
Decidida a lutar pelo direito do meu filho de ficar naquela que era a sua escola, no curso que escolheu e com os colegas e amigos que sempre o acompanharam, fui à DRELVT. Aqui disseram-me que era o colégio que tinha que resolver, mas que no caso de haver alunos a mais teriam de ser os novos a sair. Contudo, vim a saber que há novos alunos no Colégio, o que significa que essa regra não foi respeitada porque, mais uma vez, o que lhes interessa são os rankings para poderem dizer que são melhores do que as outras escolas da cidade.
Desde o dia 3 de Setembro desdobrei-me em contactos entre o Colégio, a Rafael Bordalo Pinheiro e a Raul Proença, tentando resolver a situação.
Vi o meu filho chorar, quando soube que não podia ficar naquela que era a sua escola e onde estão os seus amigos e colegas, e passar os dias deprimido e angustiado, o que perturba o seu equilíbrio emocional e prejudica o começo do novo ano lectivo.
Ficámos, assim, esclarecidos sobre os critérios e prioridades do Colégio Rainha D. Leonor. Aqueles alunos tinham feito o seu percurso escolar desde o 5º ano no colégio e a própria lei diz que eles têm direito a nele continuar.
É curioso como há dois anos o Colégio chamou os encarregados de educação para, numa demorada reunião, nos pedir todo o apoio contra os cortes no financiamento público das escolas privadas, dizendo-nos que eles também eram uma escola pública. Ficámos assim a saber que o apoio dos encarregados de educação ao colégio só lhes interessa para obterem financiamento do Estado e não para assegurarem um serviço público de educação aos nossos filhos. É que, tal como nos foi dito numa das escolas públicas da cidade, “na escola pública há lugar para todos” e a prioridade são os alunos e não os interesses privados.
No meio disto tudo, o meu filho acabou por ficar na Escola Raul Proença. Cansada, acabei por aceitar porque não tenho forças para protestar mais, embora não consiga calar a minha revolta como mãe (que vê o seu filho ser empurrado para fora da escola que era a sua) e como cidadã e contribuinte por ver que dinheiros públicos pagam a instituições que têm este tipo de atitudes e que usam a bandeira da escola pública quando lhes convém.
Como julgo que este assunto deve ser do conhecimento da Gazeta das Caldas, resolvi escrever esta carta para que outros pais estejam atentos a estes procedimentos e consigam proteger os seus filhos de interesses que não são, com certeza, os da verdadeira formação dos seus filhos.




Fátima Jacinto




NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta ao Colégio Rainha D. Leonor e à DRELVT, mas não obteve qualquer resposta."

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

na mesma edição

 


 


Gosto de jornais, mas é frequente chegar ao fim do dia com a edição impressa por ler. Sinais dos tempos. Apesar de resistente, confesso que as Sextas-feiras e os fins-de-semana passaram a ser os únicos dias obrigatórios.


 


A edição do Público de hoje ia escapando. Dei com uma entrevista a João Semedo do bloco de esquerda com o seguinte lead:


 


 



 


 


Com a menção ao marialvismo, terá sido natural, e nesta fase em que passamos a vida em comparações, que muito leitores tenham pensado: Portugal é o que é e no norte da Europa não será decerto assim.


 


Nas últimas páginas da mesma edição, Naomi Wolf, uma activista política sueca do Project Syndicate, assina uma página arrepiante. Tirei dois parágrafos que valem a pena.


 



 


 


 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

digam-me que isto não está a acontecer

 


 


 


 


Este email vem identificado e só não escrevo o nome da autora para não a expor mais.


 


Olá Paulo!

Espero não o incomodar com este mail, mas é do género "é agora ou nunca". Estava eu há pouco nos profslusos e espreitei outros blogs sobre educação e novidades e desgraças para os contratados e até que vi a sua página sobre avaliação do desempenho docente. Este tema desde julho passado que me faz arrepiar!

Sou professora contratada numa escola TEIP no grupo 400- História e tive no ano passado como avaliador um prof. de Geografia que é o Coordenador de Departamento. Eu e mais duas colegas do meu grupo.

Como nos 2 anos anteriores estive a dar aulas na Madeira, a avaliação era algo quase desconhecido para mim. Lá fiz o meu relatoriozinho com todas as evidências a que tive direito e, como não tive um ano nada fácil, por motivos de saúde fui operada e tive um irmão com cancro em estado terminal que como sabe quem por lá passa não é fácil... com os antidepressivos para aguentar os filhos, os alunos PIEF, e a dor de ver alguém tão amado a sofrer e apoiar os meus pais que perdiam o seu 2º filho, etc...

No dia da fatídica entrevista com o colega, este começou por me saudar dizendo, e estas são frases que no meio da incredulidade e humilhação consegui reter na minha memória: " Olha ...a minha impressão é a de que te andaste a arrastar o ano todo, Penso que não deste o teu melhor...Queixavas-te imenso dos teus alunos PIEF...Vi-te muitas vezes sentada no sofá enquanto as tuas colegas estavam no computador... Durante os conselhos de turma achei que alteraste algumas notas de forma um tanto ao quanto leviana e sem mostrares o rigor necessário... Não realizaste nenhuma visita de estudo nem fazes parte de nenhum clube...foste a única que ao longo do ano me pediste para sair mais cedo de uma reunião de departamento (para ir a um velório,  reunião pós-laboral que já durava há mais de 2 horas na qual pedi logo no início), ...E, também, no dia da entrega do relatório de auto avaliação foste a última a entregar!" (bom...alguém tinha de ser o último!!)  A conversa seguia nestes moldes quando eu finalmente consegui balbuciar " Olha para que estás com esses ataques eu nem sequer pedi aulas assistidas...não está em causa a minha  nota devido às cotas aqui da escola !" Ao que ele me respondeu:" Olha, não vás por aí porque pelo que eu me andei a informar sobre as tuas aulas, elas até nem eram grande coisa!" ......As acusações continuaram com argumentações mesquinhas que nunca imaginei um colega de trabalho ser capaz. Ainda me "compensou" dizendo que estava a ter em conta a minha situação e a morte do meu irmão!

A sensação que tive foi de uma grande humilhação. Chorei por desespero e por pena de mim. Apresentou-me a pontuação de 7.1 valores. Mas não foi a pontuação, mas a forma que ele encontrou de me descartar. O facto é o seguinte: éramos 3 professoras e neste ano só haveria lugar para duas, sendo que a outra era novinha e disponível...e mais não digo! Meses antes uma colega veterana da escola perguntou-me quem era o meu avaliador ao que me respondeu "estás f.....porque ele só gosta de colegas novinhas..." Passei um mau bocado e sabe o pior? amanhã volto a ter entrevista com ele... é de novo o meu avaliador. Arrependo-me amargamente de não ter reclamado, fica comigo até ao juízo final! Desta vez vou reclamar e pedir todas as argumentações por escrito.

Desculpe o desabafo, pois já me sinto mais aliviada para encontrar a fera!

Um abraço!

segunda-feira, 26 de março de 2012

desvaforecidos, até no futebol?

 


 


 


 


Gosto de jogar futebol, fui um efectivo jogador de rua, mas as bancadas dos estádios não me seduziram. Aquilo tem dois demasiados que não são meus: "electricidade" e especialistas fora de si.


 


Reservei um lugar nas bancadas dos recreios das escolas. Uma vez por ano ou coisa assim, observo, discretamente, os alunos que se dedicam ao esforço de superar um adversário com uma bola como interlocutora. Era, por norma, o reino dos desfavorecidos. Por passarem mais tempo na rua, os ases daquele futebol eram mais fortes, mais rápidos, mais resistentes e mais habilidosos. Era um regalo vê-los jogar.


 


Cada vez é menos assim. Os nossos desfavorecidos já não se distinguem. Começam cansados e tratam a bola com a inépcia de um desajeitado principiante. O futebol academizou-se de tal modo, que parece perder na competição com o virtual e com a fome.

domingo, 18 de março de 2012

como foi isto possível?

 


 


Recebido por email.


 


 


"Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.


 


As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos. Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero. Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março. Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci,  o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem. A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça. Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos. De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver. E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda. Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor. Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.


 


Sara Fidalgo


 


P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"