domingo, 4 de novembro de 2012

a verdade nua e crua

 


 


 


O programa que acabo de ver na SIC generalista sobre os 10000 professores desempregados, o maior despedimento colectivo da história, responsabiliza um Governo que decidiu esmagar as escolas públicas portuguesas e que o fez com base numa série de achamentos de Nuno Crato. O aumento do número de alunos por turma, a nova estrutura curricular, o aumento dos horários dos professores, a gestão escolar e por aí fora empurraram milhares de jovens adultos para este flagelo, que demonstraram nesta reportagem uma elevada profissionalidade e um comovente amor ao país.


 


É importante que os canais generalistas passem programas destes no horário nobre e que façam o serviço público que parece estranho à administração da RTP1. Veremos o que o futuro nos reserva, acreditemos que programas destes tenham consequências e que a opinião pública vá percebendo que os professores portugueses não são apenas a tal corporação que atrapalha os descomplexados competitivos.


 


A referência ao tempo, e à sua supressão, foi bem tratada. Se se disser a alguém que um professor português tem um horário de mil minutos (é tudo em milhares) por semana com uma sobra de vinte que deverá ser somada ao longo de várias semanas para que se possa operacionalizar mais tarde, recomendará aos mentores um qualquer internamento e que encontrem rapidamente a mesma porta por onde entraram.

6 comentários:

  1. Acabei por chorar. Também tenho um filho desempregado.

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  2. Gostei e acho que merece também tratamento por parte do canal do estado. Afinal é a escola pública! Talvez por isso mesmo não queiram saber. Com um estado que apaparica tudo quanto é privado, não se pode esperar muito mais.
    Também quero acreditar que estes programas trarão consequências. mas tenho dúvidas. Os nossos governantes perderam a vergonha porque sabem que nada acontece!

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  3. Uma das entrevistadas colocou uma questão pertinente: por que se mantêm cursos de formação de professores (mesmos pós graduações e mestrados) em grupos de recrutamento já liquidados? "Para cobrarem mais propinas", avançou mal; trata-se de manter politécnicos e escolas superiores, e respectivas legiões de académicos, sem qualquer justificação.
    Já agora, é preocupante constatar que, até em professores, se assiste à má conjugação do verbo "gostar": já ninguém "gosta de"; todos os entrevistados "gostam qualquer coisa" ou "gostariam qualquer coisa"- como se fosse um verbo transitivo.

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  4. É Lúcio. A questão a formação já é antiga e com as guloseimas habituais.

    Dá mesmo ideia que está difícil "gosta de". Talvez por isso se implore por qualquer coisa que seja.

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