sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

do contraditório









Cortesia de Manuela Silveira.






“Os professores sabem que as notas não são fiáveis, que não dariam a mesma nota ao mesmo trabalho se lho apresentassem algumas semanas mais tarde e que os seus colegas dariam notas diferentes a esse mesmo trabalho. Eles sabem que são incapazes de precisar, mesmo para si mesmos, os objectivos e critérios de notação. Eles sabem que não sabem em que consiste o «nível» mínimo que permite «passar». Sabem que escapar à média é absurdo. Conhecem os efeitos da estereotipia e de halo. Sabem mas não querem saber que sabem. Sabem inconscientemente. E é por isso que podem em boa fé falar da sua consciência profissional. Ela é, de facto, inocente: trata-se sim do inconsciente! Mas porquê? O que é que eles defendem com esta resistência? (...) Defendem um prazer. Um prazer de má qualidade mas seguro, garantido, quotidiano. Um prazer que se tem de disfarçar para ser vivido sem culpabilidade (...). Esse prazer, é o prazer do Poder com P maiúsculo. O professor é o mestre absoluto das suas notas. Ninguém, nem o seu director, nem o seu inspector, nem mesmo o seu ministro, podem fazer nada quanto às notas que ele deu. Pois foi de acordo com o seu carácter e a sua consciência que ele as deu. Com o seu diploma, foi-lhe reconhecida a competência de avaliar (o que não deixa de ter graça!). A sua consciência profissional é inatacável. Na sua tarefa de avaliador, ele é omnipotente. E esse domínio significa poder sobre os alunos. A omnipotência de avaliar: um prazer que vem dos infernos e que não podemos olhar de frente...”






Patrice Ranjard, 1984, 93-94


in Philippe Perrenoud, 1992, 169-170

8 comentários:

  1. Gosto do título. Ambivalente e desnecessariamente cauteloso. Já o texto penteia-se com risco ao meio. Mil por cento de acordo com a irremediável incorrecção da avaliação, mil por cento contra a tese do deleite de "poder" sobre os alunos. Sentir-me-ia mais identificado se esse poder, um deleite salvífico, se exercesse, como em meu entender se exerce, sobre a pungência ética, técnica, da medição.

    ResponderEliminar
  2. O seu comentário, para além de certeiro, está muito engraçado: penteia-se para cima, com popa... e, claro está, gel para realçar!

    Subscrevo-o totalmente.

    ResponderEliminar
  3. Este texto corresponde a um estereótipo conhecido: o dos sociólogos que contestam o poder pedagógico do professor como o mesmo afã com que lutavam antes contra a burguesia. Compreende-se que isto apareça numa antologia de Philippe Pernoud, uma espécie de papa desta sociologia.
    Assim colocadas, trata-se evidentemente de afirmações falsas. O professor honesto conhece os critérios das suas notações avaliativas. Consegue explicá-las. Os seus alunos sabem o que têm que fazer para melhorar, assim o consigam.
    A avaliação pedagógica foi uma das áreas que mais se desenvolveu. O que veio complicar a tarefa do professor foi a introdução de critérios sociológicos e psicológicos na avaliação e classificação dos seus alunos, em que se misturam alhos com bugalhos.
    Inspectores e outros funcionários trazem frequentemente outros critérios, que são de ordem política e ficam frustrados por as notas não serem tão boas como eles gostariam. Acusam o professor de segregação social nas notas que dá. É verdade que os alunos de famílias com menores rendimentos tendem a ter resultados escolares inferiores. Como se resolve isso? Pressionando os professores a dar melhores notas! Desvalorizando o saber escolar, propriamente dito, que está comprovado que é a base de tudo o que temos que aprender depois!
    Foi com base nesta escola que nas Novas Oportunidades se interditaram os testes como meio de avaliação em áreas onde eles funcionam lindamente como em língua portuguesa, matemática e ciências.
    Temos lidímos representantes desta sociologia em governantes como a Maria de Lurdes Rodrigues e a Ana Benavente.

    ResponderEliminar
  4. Este texto corresponde a um estereótipo conhecido: o dos sociólogos que contestam o poder pedagógico do professor como o mesmo afã com que lutavam antes contra a burguesia. Compreende-se que isto apareça numa antologia de Philippe Pernoud, uma espécie de papa desta sociologia.
    Assim colocadas, trata-se evidentemente de afirmações falsas. O professor honesto conhece os critérios das suas notações avaliativas. Consegue explicá-las. Os seus alunos sabem o que têm que fazer para melhorar, assim o consigam.
    A avaliação pedagógica foi uma das áreas que mais se desenvolveu. O que veio complicar a tarefa do professor foi a introdução de critérios sociológicos e psicológicos na avaliação e classificação dos seus alunos, em que se misturam alhos com bugalhos.
    Inspectores e outros funcionários trazem frequentemente outros critérios, que são de ordem política e ficam frustrados por as notas não serem tão boas como eles gostariam. Acusam o professor de segregação social nas notas que dá. É verdade que os alunos de famílias com menores rendimentos tendem a ter resultados escolares inferiores. Como se resolve isso? Pressionando os professores a dar melhores notas! Desvalorizando o saber escolar, propriamente dito, que está comprovado que é a base de tudo o que temos que aprender depois!
    Foi com base nesta escola que nas Novas Oportunidades se interditaram os testes como meio de avaliação em áreas onde eles funcionam lindamente como em língua portuguesa, matemática e ciências.
    Temos lidímos representantes desta sociologia em governantes como a Maria de Lurdes Rodrigues e a Ana Benavente.

    ResponderEliminar
  5. Este texto corresponde a um estereótipo conhecido: o dos sociólogos que contestam o poder pedagógico do professor como o mesmo afã com que lutavam antes contra a burguesia. Compreende-se que isto apareça numa antologia de Philippe Pernoud, uma espécie de papa desta sociologia.
    Assim colocadas, trata-se evidentemente de afirmações falsas. O professor honesto conhece os critérios das suas notações avaliativas. Consegue explicá-las. Os seus alunos sabem o que têm que fazer para melhorar, assim o consigam.
    A avaliação pedagógica foi uma das áreas que mais se desenvolveu. O que veio complicar a tarefa do professor foi a introdução de critérios sociológicos e psicológicos na avaliação e classificação dos seus alunos, em que se misturam alhos com bugalhos.
    Inspectores e outros funcionários trazem frequentemente outros critérios, que são de ordem política e ficam frustrados por as notas não serem tão boas como eles gostariam. Acusam o professor de segregação social nas notas que dá. É verdade que os alunos de famílias com menores rendimentos tendem a ter resultados escolares inferiores. Como se resolve isso? Pressionando os professores a dar melhores notas! Desvalorizando o saber escolar, propriamente dito, que está comprovado que é a base de tudo o que temos que aprender depois!
    Foi com base nesta escola que nas Novas Oportunidades se interditaram os testes como meio de avaliação em áreas onde eles funcionam lindamente como em língua portuguesa, matemática e ciências.
    Temos lidímos representantes desta sociologia em governantes como a Maria de Lurdes Rodrigues e a Ana Benavente.

    ResponderEliminar
  6. Este texto corresponde a um estereótipo conhecido: o dos sociólogos que contestam o poder pedagógico do professor como o mesmo afã com que lutavam antes contra a burguesia. Compreende-se que isto apareça numa antologia de Philippe Pernoud, uma espécie de papa desta sociologia.
    Assim colocadas, trata-se evidentemente de afirmações falsas. O professor honesto conhece os critérios das suas notações avaliativas. Consegue explicá-las. Os seus alunos sabem o que têm que fazer para melhorar, assim o consigam.
    A avaliação pedagógica foi uma das áreas que mais se desenvolveu. O que veio complicar a tarefa do professor foi a introdução de critérios sociológicos e psicológicos na avaliação e classificação dos seus alunos, em que se misturam alhos com bugalhos.
    Inspectores e outros funcionários trazem frequentemente outros critérios, que são de ordem política e ficam frustrados por as notas não serem tão boas como eles gostariam. Acusam o professor de segregação social nas notas que dá. É verdade que os alunos de famílias com menores rendimentos tendem a ter resultados escolares inferiores. Como se resolve isso? Pressionando os professores a dar melhores notas! Desvalorizando o saber escolar, propriamente dito, que está comprovado que é a base de tudo o que temos que aprender depois!
    Foi com base nesta escola que nas Novas Oportunidades se interditaram os testes como meio de avaliação em áreas onde eles funcionam lindamente como em língua portuguesa, matemática e ciências.
    Temos lidímos representantes desta sociologia em governantes como a Maria de Lurdes Rodrigues e a Ana Benavente.

    ResponderEliminar