Os meus textos e os meus vídeos
terça-feira, 15 de julho de 2025
quinta-feira, 18 de julho de 2024
"Alunos do 4.º e 6.º anos vão passar a fazer provas de “monitorização da aprendizagem”"
Os sucessivos governos nomeiam governantes para a Educação que se entretêm a mudar o calendário das provas dos alunos. O essencial é imutável. É o pacto de regime que vigora para a Educação desde o início do milénio. À esquerda as provas são a meio do ano lectivo e à direita no final. Ou seja, foi fatal desconfiar dos professores na sociedade da informação e do conhecimento; mas, sem isso, não seriam proletarizados.
"Alunos do 4.º e 6.º anos vão passar a fazer provas de “monitorização da aprendizagem”. Provas de aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos vão ser substituídas por provas de “monitorização de aprendizagem” no 4.º e 6.º anos. Provas serão feitas em formato digital, incluindo as do 9.º ano."
quinta-feira, 6 de julho de 2023
Avaliar e Classificar
Não raramente, atribui-se ao verbo "avaliar" um conceito mais abrangente do que ao uso do verbo "classificar". O segundo é visto como mais métrico. Essa dicotomia não é verdadeira em termos etimológicos e docimológicos e tem, quando muito, um uso de senso comum ligado muitas vezes à ciência política. Ou seja, avaliar, que significa "determinar a valia ou o valor de" é sinónimo de classificar, que significa "distribuir em classes ou grupos com características semelhantes; determinar a classe de algo dentro de um conjunto; colocar numa dada ordem; ordenar; atribuir uma nota a; qualificar".
Quem avalia ou classifica fá-lo com finalidades diferentes: diagnósticas, formativas ou sumativas. Por outro lado, há domínios subjectivos ou objectivos em universos escolares mais cognitivos, motores ou afectivos. Em todos os casos usam-se instrumentos qualitativos ou quantitativos diversos, desde tabelas de observação aos mais variados modelos de testes. Portanto, os sinónimos avaliar e classificar devem procurar o rigor científico nas mais variadas finalidades, domínios e modelos taxonómicos e com instrumentos que recolham dados de todos os avaliados de determinado grupo em igualdade de circunstâncias.
Nota: desde as décadas de 50 e 60 do século passado que investigadores como Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros realizaram estudos concludentes sobre o assunto.
1ª edição em 28.04.2020.
terça-feira, 2 de agosto de 2022
terça-feira, 12 de julho de 2022
Avaliar Apertos de Mão
Entrei na sala para uma acção de formação sobre avaliação. Vi uma fotografia repetida em cima de cada mesa, com a seguinte imagem: um rapaz a abraçar uma árvore.
O formador solicitou a um porta-voz por grupo que enunciasse as conclusões após uns minutos de análise. Desde o amor pela natureza a uma genética abençoada, foi um rol de virtudes. O formador sentenciou: um rapaz a abraçar uma árvore e ponto final. Não voltei a encontrar um modo tão significativo de começar uma acção de avaliação.
E o que é que me levou a este post trinta anos depois da referida acção? As fotografias com sorrisos, ou cara séria, das personagens mais variadas que envolvem análises políticas que são de imediato contraditadas com mais imagens. E nem os OCS de referência escapam, como se comprova na imagem seguinte que acompanhou um tratado sobre um aperto de mão entre Macron e Trump:

domingo, 3 de julho de 2022
Classificar e Avaliar
Não raramente, atribui-se ao verbo "avaliar" um conceito mais abrangente do que ao uso do verbo "classificar". O segundo é visto como mais métrico. Essa dicotomia não é verdadeira em termos etimológicos e docimológicos e tem, quando muito, um uso de senso comum ligado muitas vezes à ciência política. Ou seja, avaliar, que significa "determinar a valia ou o valor de" é sinónimo de classificar, que significa "distribuir em classes ou grupos com características semelhantes; determinar a classe de algo dentro de um conjunto; colocar numa dada ordem; ordenar; atribuir uma nota a; qualificar".
Quem avalia ou classifica fá-lo com finalidades diferentes: diagnósticas, formativas ou sumativas. Por outro lado, há domínios subjectivos ou objectivos em universos escolares mais cognitivos, motores ou afectivos. Em todos os casos usam-se instrumentos qualitativos ou quantitativos diversos, desde tabelas de observação aos mais variados modelos de testes. Portanto, os sinónimos avaliar e classificar devem procurar o rigor científico nas mais variadas finalidades, domínios e modelos taxonómicos e com instrumentos que recolham dados de todos os avaliados de determinado grupo em igualdade de circunstâncias.
Nota: desde as décadas de 50 e 60 do século passado que investigadores como Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros realizaram estudos concludentes sobre o assunto.
1ª edição em 28.04.2020.
domingo, 2 de maio de 2021
Avaliar
Entrei na sala para uma acção de formação sobre avaliação. Vi uma fotografia repetida em cima de cada mesa com a seguinte imagem: um rapaz a abraçar uma árvore.
O formador solicitou a um porta-voz por grupo que enunciasse as conclusões após uns minutos de análise. Desde o amor pela natureza a uma genética abençoada, foi um rol de virtudes. O formador sentenciou: um rapaz a abraçar uma árvore e ponto final. Não voltei a encontrar um modo tão significativo de começar uma acção de avaliação.
E o que é que me levou a este post trinta anos depois da referida acção? As fotografias com sorrisos, ou cara séria, das personagens mais variadas que envolvem análises políticas que são de imediato contraditadas com mais imagens. E nem os OCS de referência escapam, como se comprova na imagem seguinte que acompanhou um tratado sobre um aperto de mão entre Macron e Trump:

terça-feira, 28 de abril de 2020
Avaliar É Classificar
Não raramente, atribui-se ao verbo "avaliar" um conceito mais abrangente do que ao uso do verbo "classificar". O segundo é visto como mais métrico. Essa dicotomia não é verdadeira em termos etimológicos e docimológicos e tem, quando muito, um uso de senso comum ligado muitas vezes à ciência política. Ou seja, avaliar, que significa "determinar a valia ou o valor de" é sinónimo de classificar, que significa "distribuir em classes ou grupos com características semelhantes; determinar a classe de algo dentro de um conjunto; colocar numa dada ordem; ordenar; atribuir uma nota a; qualificar".
Quem avalia ou classifica fá-lo com finalidades diferentes: diagnósticas, formativas ou sumativas. Por outro lado, há domínios subjectivos ou objectivos em universos escolares mais cognitivos, motores ou afectivos. Em todos os casos usam-se instrumentos qualitativos ou quantitativos diversos, desde tabelas de observação aos mais variados modelos de testes. Portanto, os sinónimos avaliar e classificar devem procurar o rigor científico nas mais variadas finalidades, domínios e modelos taxonómicos e com instrumentos que recolham dados de todos os avaliados de determinado grupo em igualdade de circunstâncias.
Nota: desde as décadas de 50 e 60 do século passado que investigadores como Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros realizaram estudos concludentes sobre o assunto.
terça-feira, 14 de abril de 2020
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Os Melhores como no Futebol
"O sistema escolar tem que ser competitivo como o futebol, em que somos dos melhores", disse o "especialista" na TSF. Defendeu que os mecanismos de selecção usados no 12º ano (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações e quadros de mérito) devem ser plasmados nos anos anteriores. Dá ideia que a preparação de "top performers" só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" se atrasaram a determinar a parafernália. Ainda bem que se reverteu o inferno da medição que Crato impôs de supetão aos mais pequenos. E falta muito desvario para reverter; e não só de Crato.
O que se pratica nos modelos de formação desportiva bem sucedidos é o contrário do que disse o "especialista". A sensatez exige alargar a base da pirâmide e tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes desta idade, há jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começa um jogo, estão todos em "igualdade de circunstâncias" e sem sobrecargas competitivas. Há um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chega-se a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implica a substituição do jogador.
E podíamos estar o dia todo a elencar os domínios da formação. As vantagens do gradualismo, para além das óbvias, incluem os factores de ordem psicológica (da sua saturação: a vontade esgota-se), de aprendizagem técnica e táctica, de superação numa possível alta competição e de aprendizagens emocionais.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
Sublinhados
Quem analisa criticamente a lei da inclusão ou o fim das reprovações é, desde logo, objecto de uma acusação: não é progressista e discorda da igualdade de oportunidades. Esse risco é subalterno se a intolerância vier duma ala mais clubista. Mas o assunto será diferente se tem origem no legislador ou em quem o influencia directamente. É precisamente por isso que se temem maiorias absolutas de um partido. Como sugeriu o PM, as máquinas partidárias são imprevisíveis e muitas vezes incapazes de ouvir e aceitar o contraditório.
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
A confiança nos professores e o que diz a lei
O artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções burocráticas (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas estimulada, em grande parte, pelos serviços centrais do respectivo ministério.

sexta-feira, 16 de março de 2018
dos sinais e dos extremos escolares
Por vezes, é necessário um caso dramático para que as consciências acordem. Recordo-me muitas vezes do caso France Telecom: só ao 35º suicídio é que se decretou o fim do modelo kafkiano de avaliação do desempenho.
Com as devidas distâncias, há sinais preocupantes no sistema escolar português e não apenas na avaliação dos professores ou doutros profissionais. Dá ideia que apenas um caso extremo parará os "teóricos da selva". O drama não é apenas para quem teme "não chegar ao topo", é também para quem se aterroriza com a ideia de "sair de lá".
sexta-feira, 26 de maio de 2017
E é isto
Entrei na sala, para uma acção de formação sobre avaliação, e vi uma fotografia repetida em cima de cada mesa com a seguinte imagem: um rapaz a abraçar uma árvore. O formador solicitou a um porta-voz por grupo que enunciasse as conclusões após uns minutos de análise. Desde o amor pela natureza a uma genética abençoada, foi um rol de virtudes. O formador sentenciou: um rapaz a abraçar uma árvore e ponto final. Não voltei a encontrar um modo tão significativo de começar uma acção de avaliação. E o que é que me levou a este post trinta anos depois da referida acção? As fotografias com sorrisos, ou cara séria, que envolvem Obama, o Papa Francisco, o Trump e por aí fora, e com análises políticas que são de imediato contraditadas com mais imagens. E nem os OCS de referência escapam, como se comprova na imagem seguinte que acompanha um tratado sobre um aperto de mão entre Macron e Trump:
quinta-feira, 6 de abril de 2017
da blogosfera - O Meu Quintal
"Educação: Por uma Flexibilização Coerente
(...)Ao longo dos últimos 25 anos tivemos vagas sucessivas de retórica e legislação anti-insucesso com as mais variadas legitimações: ou porque é pedagogicamente infrutífero reter os alunos, ou porque isso lhes abala a auto-estima, ou porque é uma “chaga social” ou, de forma mais pragmática, porque “é caro”. Sejam coerentes de uma vez por todas e restrinjam a possibilidade de reter os alunos a casos ultra-excepcionais de falta de assiduidade, assumindo que todos (ou quase) devem passar de forma independente do seu desempenho, recebendo no final do Ensino Básico um certificado com as suas classificações, sejam quais forem. Abandonem de vez a noção de “positiva” e “negativa”, até porque a escala de 1 a 5 é toda positiva do ponto de vista matemático. E assim deixaríamos de comentar a transição de alunos com seis ou oito “negativas”. O aluno passou de ano com média de 1,5 ou 3,7 ou 4,8. E acaba-se de vez com o insucesso. Isso, sim, consideraria coerente e pouparia imenso em “formação” e conversa fiada por todo esse país, a massacrar pela enésima vez os professores, tentando fazê-los sentir-se “inflexíveis” e culpados pelos males alheios."
quarta-feira, 15 de junho de 2016
a lei e a confiança nos professores
Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.
domingo, 12 de junho de 2016
da avaliação das escolas
Uma reportagem sobre avaliação de escolas. É evidente que se estão a dar os primeiros passos na gestão escolar propriamente dita, mas compreende-se a limitação da reportagem centrada nos exames que ocorrerão em breve.
quarta-feira, 8 de junho de 2016
da vida para além dos "privados"
Os problemas da escola pública não se esgotam, obviamente, na importante questão dos "privados" e uma qualquer manifestação em sua defesa tem que ter mais pontos de agenda. É que há vida para além das finanças. Há, por exemplo, a democracia.
"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e cotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi, dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetiza um conjunto de "Novas Políticas de Gestão Pública" que se tornou fatal para a escola pública.
Se desconstruirmos a frase, encontramos: desresponsabilização da sociedade, escola a tempo inteiro, crianças-agenda e jovens-vigiados em simultâneo com o estatuto do "aluno-rei", transformação da carreira de professores em "agentes recreativos" e modelo taylorista de gestão escolar com sobreposição da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".
Não satisfeitos, novos governantes acrescentaram: mais alunos por turma, mais turmas por professor, indústria de exames, divisão curricular em disciplinas estruturantes e outras, degradação da imagem do professor e da organização da escola pública. Com uma década assim, que resultados se esperariam? Não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
concordo com o CNE
Concordo com a ideia do CNE de eliminar a obrigação de tornar públicas as pautas de avaliação antes do sétimo ano de escolaridade, substituindo-a por informação individual a cada aluno e respectiva família. E não se deve circunscrever às pautas: deve aplicar-se a todas as avaliações e a quadros de valor e de mérito.
Ia a escrever que há muito que escrevo a defender estas ideias, mas não é verdade. Não é há muito porque os descomplexados competitivos criaram estes processos há pouco tempo e até julguei que esta espécie de "nova teoria do homúnculo" era impossível no século XXI.
Pode conhecer aqui e aqui alguns dos textos que escrevi sobre o assunto.
Reavaliar provas do 4.º e 6.º ano.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
à volta da cultura da nota
A "cultura da nota" em Portugal está num pico mediático e os argumentos prós e contra são ancestrais. Mas há uma evidência: a "cultura da nota" em Portugal já chegou ao primeiro ciclo e o pré-escolar deve ser a próxima etapa. Até o importante senso comum concordará com a seguinte asserção: crianças de 10 anos não podem ser tratadas como jovens de 17 ou 18 anos. Há tempos distantes escrevi o que vai ler a seguir e acrescento: quadros de mérito e avaliação sumativa pública só a partir do 7º ano de escolaridade.
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