Apaguei inadvertidamente um comentário nest post assinado por Figueiredo que protestou para o email. Prometi voltar ao assunto. O erro é aceitável: ia apagar um comentário de publicidade oriunda da China e eliminei o anterior de forma irreversível.
O comentador discordava da associação entre os agrupamentos de escolas e o abandono escolar no seguinte parágrafo: "(...)Temos muito mais a fazer, mas com a carga curricular desenhada nos achamentos do actual ministro, com menos condições para a profissionalidade dos professores, com mais alunos por turma e com um modelo de gestão escolar que dificulta o apoio aos alunos com mais dificuldades e que lança menos condições organizacionais, os resultados piorarão e corre-se o risco de se perderem os avanços das últimas décadas. E tudo se agravará com uma sociedade mais pobre.(...)".
É simples.
A abrupta redução de professores deve-se mais à revisão curricular, ao aumento da componente lectiva dos professores e ao aumento do número de alunos por turma. A variável mega-agrupamentos também contribui, mas menos significativamente.
A relação de proximidade entre os membros da gestão das escolas e os alunos em risco de abandono ou insucesso escolares é decisiva e fica comprometida neste modelo, por muito boas vontades que existam. Os professores que leccionam as turmas, e mesmo os directores de turma, não têm condições para esse apoio.
Só quem não anda pelas escolas é que desconhece esta realidade num país com quase três milhões de pessoas no limiar da pobreza. Por outro lado, o modelo em curso também desenha serviços administrativos apenas na escola sede o que vem acentuar as dificuldades na relação entre as escolas e as famílias mais pobres e na detecção de pequenos detalhes que são muitas vezes decisivos.
"A abrupta redução de professores deve-se mais à revisão curricular, ao aumento da componente lectiva dos professores e ao aumento do número de alunos por turma. A variável mega-agrupamentos também contribui, mas menos significativamente."
ResponderEliminarNão é bem assim, Paulo, se me permites.
A variável mega-agrupamentos fez com que em cada uma dessas novas unidades orgânicas houvesse apenas um grupo de recrutamento de cada espécie, ou seja, um só grupo 200, 300, 500... e por aí fora. Como sempre foi possível existir um horário docente incompleto em cada grupo de recrutamento, para suprir as necessidades, a junção de duas ou mais escolas com os mesmos níveis de ensino num novo (mega) agrupamento reduziu essa possibilidade para metade ou menos de metade.
Por exemplo, no meu grupo de recrutamento (300), agora com 25 pessoas, só há um horário incompleto e no ano lectivo anterior (antes da agregação) havia dois, um em cada escola que integra a nova unidade orgânica. Esta realidade, acrescida das outras acima enumeradas, determinou que os horários zero no meu grupo de recrutamento e neste novo (mega) agrupamento a que pertenço triplicassem.
Quanto ao abandono escolar que de facto aumentou, no contexto que me rodeia ele resulta mais de factores económicos, da desestruturação das famílias como consequência do desemprego crescente, do que propriamente da mega-agregação constituída.
O prejuízo da mega-agregação faz-se sentir diariamente sobretudo na perda de identidade das escolas e do sentimento de pertença de cada membro da comunidade escolar (em especial dos professores e dos funcionários), na desorganização principalmente burocrática, no ruído de comunicação, no boicote silencioso, na falta de motivação, enfim, em tudo o que devia estar subjacente a um projecto educativo comum que não existe e dificilmente voltará a existir com uma expressão/dimensão verdadeiramente gregária e exequível.
Claro Ana. Concordo. Foi apenas uma hierarquia, embora os dados exactos nunca se venham a conhecer.
ResponderEliminarO comentador pedia a relação entre a proximidade da gestão e o abandono e foi sobre isso que escrevi. É evidente que há mais causas e consequências como bem referes.
Repara que tenho escrito muito sobre a gestão escolar e tenho sublinhado os aspectos que referes. Neste post estava apenas a dirigir-me ao abandono escolar.
Nesse dia o CNE também tinha anunciado o aumento do abandono escolar. A pobreza, como referes e eu também o faço, é determinante. Sem proximidade agudiza-se. Só isso.
Obrigado Ana.
Eu ainda tive oportunidade de ler o comentário de Figueiredo e retive que o mesmo achava uma extrapolação associar-se o aumento do abandono escolar à formação dos mega-agrupamentos e às consequentes dificuldades de gestão escolar de proximidade.
ResponderEliminarEstranhei a sua discordância, apesar do que acima aleguei, por saber que, apesar de todo os prejuízos sentidos, o mega-agrupamento a que agora pertenço é quase uma excepção, uma vez que as maiores escolas agregadas (EB 2,3 e Secundária) distam 500 metros entre si e a totalidade dos alunos do novo (mega) agrupamento é pouco superior a dois mil (2200 e picos).
Mas esta não é a realidade dos mega-agrupamentos constituídos no país, nem de longe, nem de perto e não me faltam histórias rocambolescas de deslocações e andamentos de vários quilómetros, de ausência de autoridade na escola, de expedientes mais ou menos inventivos e improvisados para resolver os problemas que fogem de qualquer previsão. Imaginar que, nestas circunstâncias, os órgãos de gestão das novas unidades orgânicas conseguem resolver problemas pontuais de abandono escolar, por exemplo, é o mesmo que acreditar que os membros desses órgãos de gestão têm a propriedade de ser ubíquos. Pura fantasia!
Exacto Ana.
ResponderEliminarObrigado (extensivo á comentadora Ana).
ResponderEliminarDe nada.
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