domingo, 7 de abril de 2013

mudar de inimigo

 


 


 



 


 


Mudar de inimigo


 


 


"Enquanto se discutia a moção de censura do PS ao Governo, a banca portuguesa perdia em bolsa quase 2 mil milhões de euros (bem mais do que o valor dos artigos do OE anulados pelo Tribunal Constitucional). Contudo a responsabilidade por essas perdas brutais não tem relação nem com a instabilidade política nem com o comportamento da banca, que, apesar dos erros e dificuldades, tem equilibrado, talvez até demasiado depressa, a relação entre depósitos e créditos. A causa reside no pânico provocado pela decisão do diretório em relação a Chipre, que lançou para os mercados a mensagem de que os grandes investidores não têm o seu dinheiro seguro nos bancos de países como Espanha, Itália ou Portugal. A impunidade do presidente do Eurogrupo fez inclusive os mercados começarem a desconfiar da autenticidade do BCE em "fazer tudo o que seja necessário" para salvar o euro. A confusão das últimas horas entre Belém e São Bento, incluindo os ataques inusitados do Governo ao TC revelam que há muito Portugal deixou de ter Governo. Um verdadeiro Governo coloca a salvação pública em primeiro lugar, e não troca os amigos pelos inimigos.


Se Portugal quiser ser um país viável, dentro da Zona Euro (ZE), cumprindo as suas obrigações internacionais para com os credores, então é preciso renegociar não só o resgate, mas as iníquas regras do jogo dentro da ZE. Ao fazê-lo, Portugal falará em nome do interesse europeu, e não apenas por si próprio. A pusilanimidade falhou. Chegou a hora de tentar, serenamente, a coragem."

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