Se há cinco anos foram mais de 120 mil, ontem estiveram cerca de 80 mil a descer a Avenida com o nome mais adequado ao que está em causa: Liberdade. E se trago os números é apenas para evidenciar uma constatação: em 2008 eram cerca de 140 mil professores e hoje são pouco mais de 100 mil.
O que mais cansa ouvir é o argumento da instrumentalização dos professores. A essa diabolização, os professores deram uma resposta em defesa dos seus alunos, da qualidade do ensino e da igualdade de oportunidades e com o olhar nos alunos "que não querem aprender" e no abandono escolar. Se a discussão política insistir no jogo argumentativo descrito, a breve prazo não ficará "pedra sobre pedra" nos importantes avanços do nosso sistema escolar nas últimas décadas.
É exactamente este o discurso que o cinismo das nossas "elites" não suporta ouvir. O objectivo "reformista" quer a todo o custo ocultar os progressos para abrir espaço à educação como um negócio.
A manifestação de ontem foi impressionante. O grito de saturação dos professores exige soluções de curto e médio prazos. Os professores não ignoram o milhão de desempregados do país, já que convivem diariamente com os educandos das pessoas atingidas pelo flagelo neoliberal que só protege outro tormento: a corrupção. Mas os professores também sabem que são o grupo profissional da administração pública que é, há anos a fio, mais devastado pelo desemprego.
Os professores estão saturados por serem usados como uma espécie de "carne para canhão" que serve para uns estratosféricos andaram pelo mundo a exibirem os seus modelos excel. Estão saturados, mas firmes; e continuam a dar lições de cidadania.
A meio da avenida fiz umas fotos. Quer olhasse na direcção do marquês ou dos restauradores, o registo de um mar de indignação enchia-me de orgulho por ser professor em Portugal.
Um vídeo com reportagens nos três canais generalistas.
Lá ao fundo vejo as minhas costas. Eh eh eh!
ResponderEliminarEstamos de parabéns porque nunca desistimos de lutar pela dignidade da Educação em Portugal, contra ventos e marés de adversidade.
Foi, sem dúvida, uma boa jornada. Uma clara demonstração de enorme sentido cívico.
ResponderEliminarOs professores presentes e manifestantes foram, mais uma vez, verdadeiros cidadãos que clam(ar)am por justiça.
Não apenas para si.
Para todos.
Para o País.
Mesmo assim, o que mais me impressionou foi o notório envelhecimento da nossa classe profissional. É que os docentes com menos de 40 anos não deveriam chegar a 10% dos presentes...
ResponderEliminarImpressionante - devem agradecer aos professores.
ResponderEliminarFiz esse mesmo comentário no regresso, usando até essa bitola dos 40 anos. Poucas caras vi que aparentassem menos de 40 anos.
ResponderEliminarSerá que os mais novos se renderam à fatalidade?!?
A sério mesmo Ana?
ResponderEliminarFoi com uma enorme alegria que te conheci sem ser por estes meios, Carlos. Foi muito agradável mesmo. Obrigado e aquele abraço.
ResponderEliminarEra notório. Os professores jovens são cada vez menos. Se o "thatcherismo" português se prolongar, dentro de 10 ou 15 anos não haverá professores e os que existirem são alunos que não conseguiram frequentar os cursos que escolheram como primeira opção.
ResponderEliminarConcordo Fernando.
ResponderEliminarOs mais jovens foram quase todos «dispensados» nos últimos anos, os mais velhos reformaram-se. Resta a faixa entre os 35 e os 60 ou 60 e poucos. Achei as pessoas tristes, cansadas e revoltadas. Vi sorrisos quando se reencontravam amigos de há muitos anos, antigos colegas de faculdade... mas depois as pessoas voltavam ao silêncio. Foi uma manifestação quase sem barulho: os discursos ouviam-se a meio da avenida.
ResponderEliminarTambém senti isso Catarina.
ResponderEliminarO prazer foi todo meu, Paulo.
ResponderEliminarJá te conhecia doutros momentos e, como sabes, tenho o maior respeito e admiração por este teu fantástico espaço que visito com regularidade. Presumo que, como pessoa, és seguramente alguém com fortíssimas qualidades.
Um dia combinaremos um encontro por aí...
Um abraço!
Obrigado Carlos. Retribuo. Fica combinado. Aquele abraço.
ResponderEliminarÉ a sério, sim! Reconheço o meu "cucuruto". :)
ResponderEliminarSe eu tivesse faróis na rectaguarda tinha abrandado para te cumprimentar, com enorme prazer!
Quando estive lado a lado com a maltinha do Movimento Em Defesa da Escola Pública no Oeste ainda olhei para ver se te reconheceria por perto, mas não me pareceu.