sábado, 18 de abril de 2015

Viveu Mariano Gago

 


 


 


 



Texto de Miguel Esteves Cardoso. Hoje no Público.


 


Viveu Mariano Gago.


 


"José Mariano Gago foi o cientista de que mais gostei na minha vida. Não: foi muito mais. Foi o ser humano que mais me ensinou.


Conhecemo-nos antes de ele se ter dedicado à política para defender - com um êxito tremendo - não só os cientistas como os filósofos e outros investigadores infalsificáveis.


José Mariano Gago nas ciências, tal como Adérito Sedas Nunes nos estudos socias, sacrificou-se para ajudar a comunidade inteira de investigadores.


Foi um herói. Era não só ousado como inteligentíssimo: sabia que as coisas eram difíceis. Sabia que a tradicional divisão (eternamente estúpida) entre artes, letras e filosofia, por um lado platonicamente arrogante e as ciências pragmáticas e prováveis, por outro lado aristotelicamente convincente, era não só escusada como prejudicial para os dois apenas aparentes adversários.


Chorei quando soube que José Mariano Gago tinha morrido. Não gostei nada do cabeçalho, impensado, da Visão: "Morreu o ex-ministro Mariano Gago".


Antes e depois de ser ministro (que só foi para beneficiar a comunidade científica e a - menos cientificamente - intelectual), José Mariano Gago foi um espírito livre e uma mão libertadora.


Era um inocente, um revolucionário e um génio. Como é que chegou a ser ministro? Para ajudar a ciência, a sabedoria e a asneira; o erro e a teimosia; as hipóteses sem qualquer hipótese de virem a ser teoria.


Morreu um benfeitor. Morreu uma cabeça acima de todas as nossas.


Pobres de nós."


9 comentários:

  1. Quem conviveu com estas coisas da Ciência e investigação de perto, sempre disse e continua a dizer que tinha sido o melhor ministro da área.

    Compare-se com Nuno Crato, o do livro do anti-eduquês e dos planos inclinados, o dos "interviu" e das caixas de "Pandórra" e ....seria uma injustiça demasiadamente má de se fazer.

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  2. Esse, talvez pela sua pequenez (ou tacanhez), ainda não apareceu publicamente a referir-se à enorme perda que foi a morte de Mariano Gago...

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  3. Ainda não tens facebook Carlos? :)


    O Paulo Fazenda (penso que comenta nos blogues com esse nome) meteu um comentário neste post a referir uma notícia do sol que tem uma declaração de Crato a dizer que Mariano gago era brilhante.

    Comentei assim:"É natural que Crato faça esses destaques; é a obrigação institucional. Se ouvisse o discurso que referi, de Mariano Gago, perceberia o quão nefastas têm sido as acções dos institucionalistas".

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  4. Continuo a resistir, Paulo. Até quando me manterei antiquado? O problema é que, vou percebendo, estou a perder algumas coisas interessantes...

    Quanto ao teu comentário, não poderia estar mais de acordo: as acções destes institucionalistas têm sido verdadeiramente nefastas. Desde logo, para muitas instituições que deveriam ser amplamente apoiadas!

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  5. Acreditas, Paulo, se te disser que ainda oiço mais telefonia do que vejo tv?

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  6. As redes sociais são o que se sabe. Podem ser úteis, mas, e se me permites, é necessária alguma disciplina. As pessoas que andavam pelo blogue do Paulo Guinote estão por lá. O Paulo Guinote vai postando, embora o formato seja outro e com mesmo caracteres.

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  7. Acredito Carlos. É interessante perceber que há uma geração (mais nova, entre os 20 e os 40) com muitas pessoas que nem ligam a televisão, embora também ouçam pouca rádio. Ouvem música no youtube e nessa explosão que é o streaming. Há canais de música, que são pagos a uns 5 a 10 euros por mês, com toda a música produzida. Impressionante a velocidade destes tempos.

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  8. "menos caracteres" e não "mesmo caracteres"

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