sábado, 23 de julho de 2016

Uma breve radiografia de um grupo profissional?

 


 


 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.


 


 


Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

8 comentários:

  1. mas este cenário foi escrito no guião que começou a ser redigido nos tempos idos de 2005 e que deu à estampa em 2008...

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  2. Mas isso é uma consequência natural da especial competência dos portugueses em todas as áreas. Se é verdade que qualquer português se revela perito quando confrontado com um problema colectivo (das taxas de juro às inundações; das mudanças climáticas e das derrotas do Benfica à baixa natalidade), isso é particularmente evidente quando o assunto é "Educação": não há portuga que não tenha a solução para essa causa única do nosso atraso que é a "escola pública"...

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  3. Exacto. Talvez até, talvez não, foi mesmo, antes disso: 2003.

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  4. Exactamente; ao mesmo nível das tácticas futebolísticas.

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  5. os professores do quadro? Qual quadro?! Esse suposto quadro assumiu o estatuto de contratado. Existe uma legião de profs, com mais de duas décadas de serviço, perto do 50 anos, que todos os anos em julho estão sempre na contingência de serem obrigados a passarem a DACL e terem de ir trabalhar para 'os confins do mundo'...

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  6. Ah sim, claro. Agradeço. Não se pode escrever tudo nos posts todos, mas essa questão é crucial.

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  7. Se me é permitido comentar um tema tão específico talvez parte dos problemas dos professores seja precisamente o enquadramento que os próprios fazem da questão... nada existe num vácuo. Todas as mudanças que foram ocorrendo no sistema de ensino são fruto de um conjunto de ideias mais abrangente (privatização, descentralização, precarização, "industrialização" da educação...) que afectam mais que um grupo, e vão (de)formando toda uma sociedade. É nesse nível macro (uma abordagem política e não técnica) que talvez devessem trabalhar, quanto mais não seja porque a empatia do público para questões de grupos profissionais é zero é Portugal. Senão parece-me que estão tratar sintomas e não a doença em si.

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  8. Penso que os professores que mais escrevem têm consciência disso. Não é, obviamente, uma equação simples intervir politicamente ao nível macro mantendo um registo como o que se observa em boa parte dos blogues. Daí que talvez transpareça uma componente maus técnica. Obviamente que se pretende influenciar uma agenda mais macro com os meios decorrentes das circunstâncias, digamos assim.

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