Ouvi um comentador, do grupo de Lurdes Rodrigues que teoriza as Novas Políticas de Gestão Pública (as New Public Management que originaram quatro pesadelos para o sistema escolar: concurso de titulares, avaliação dos professores, modelo de gestão e estatuto do aluno na lógica do cliente), declarar, numa linguagem bem pensante e sedutora, a propósito dos testes PISA: são instrumentos fundamentais para monitorizar políticas públicas, constituídos por inúmeras bases de dados que tratam uma imensidão de informação, precisamos de tempo para as analisar, não devem concluir precipitadamente, no caso presente foram testados alunos que nasceram em 2000 e que estão há quinze anos no sistema. É, de alguma forma, esta conversa sensata na estratosfera que foi completamente surpreendida com a conclusão: as salas de aula portuguesas sobreviveram às "reformas" radicais de sinal contrário, o que que deita por terra os delírios. Se compararmos com o subprime bancário, e considerarmos, obviamente, as diferenças, recordemos que nem os mais sofisticados consultores conseguiam contestar a complexidade desse produto de excelência da indústria financeira, constituído por "instrumentos fundamentais para monitorizar políticas bancárias, constituídos por inúmeras bases de dados que tratavam uma imensidão de informação que requeriam uma não menor quantidade de tempo para as decifrar (o que nunca acontecia)". Deu no que deu. Tanta informação e uma percepção errada do real. Se todo o "instrumento científico é válido mas depende da cabeça que o utiliza" (como acontece com o PISA e com o TIMMS), neste caso podemos concluir que na estratosfera existe uma continuada, e errada, percepção do real.
Nota: há delírios insensatos na estratosfera, realmente. Parece que Crato e Passos reivindicam os resultados PISA 2015 com os exames dos 4º e 6º anos. Os alunos testados de 2000 a 2015 nunca realizaram esses exames.

Paulo,
ResponderEliminar"Os alunos testados de 2000 a 2015 nunca realizaram esses exames."
Os testados em 2015 (nascidos em 2000 e sem retenções), fizeram os exames do 6º ano em 2012, (estrearam-nos, até aí faziam as provas de aferição).
Mas analisar os resultados do PISA excluindo a variável famílias (cuja escolaridade tem subido) não faz grande sentido.
Pior, mesmo, é relacioná-los com os mandatos dos diferentes ministros. É que os nascidos em 2000, também estrearam (em 2006) a escola de sol a sol do governo socrático.
A sintaxe do meu comentário está horrível. O teu espaço não o merecia. Mas entre a organização do comentário e a publicação, escapou-me.
ResponderEliminarFracamente. Percebeu-se perfeitamente.
ResponderEliminarDesculpa não te ter tratado por tu. Foi ao correr das teclas.Prefiro a sociedade à família; é mais rigoroso assim.Errata: é relacioná-lo; ai a escrita inteligente :)