sábado, 18 de março de 2017

do adiamento curricular

 


 


 


A "Geringonça escolar" tomou duas decisões quase consensuais: repor decência na rede escolar e corrigir a "medição em modo industrial" que o radicalismo de Crato alastrou aos alunos mais jovens. É um caminho a prosseguir, sem que isto signifique concordância com o modelo vigente de provas de aferição. Há muito a fazer.


Dá ideia que o Governo adiou as mudanças curriculares que implicavam (é o que consta) a flexibilização de 25% do currículo. É moderado. Parece que não generaliza sem testar. É sensato. Para desnorte, já temos década e meia que chegue. Contudo, isso não implica que não se reequilibre a carga horária com pequenos ajustamentos aos devaneios anteriores e que não "aumentem o ruído" nos concursos nem na distribuição de serviço dos professores.


Por outro lado, o sistema está - há muito e com baixas médicas em catadupa - à beira de um ataque de nervos com a hiperburocracia digital a conviver com legislação do tempo analógico e com outras componentes críticas identificadas. Se juntarmos a isto as prioritárias, e imperativas, mudanças no modelo de gestão e a apreensão com a municipalização, temos de olhar para o adiamento curricular com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e a pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas".


 


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Pablo Picasso.


"Still life with guitar".


Albertina museum. Viena.


 

2 comentários:

  1. não há cultura de serviço público na tugalândia para permitir 25% do curriculo ser decidido a nivel local... mas vai dar muita tinta para o Correio da Manhã, isso vai...

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