terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Europa com falta de professores

 


 


 


 



A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal e no regresso dos professores titulares. Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.

7 comentários:

  1. vão existir os alunos que "recorrem ao ensino 'apenas' para terem um salário"...

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  2. No panorama atual, é inevitável começar a falar nos assuntos tabu educativos, sendo um deles a carreira remuneratória. Um dos argumentos principais usados no período 2005-2009 para contestar a criação da figura do ‘prof.titular’, é que não tinha justificação separar pessoas em categorias profissionais diferentes que executavam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL. Este argumento é válido para estabelecer o valor remuneratório, pois um prof. de uma área disciplinar do 2º/3 ciclo/secundário no 3º escalão executa o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL do seu colega no 7º escalão, mas a diferença salarial é de algumas centenas de euros. Portanto, a carreira remuneratória vertical estabelecida para pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, promove injustiça salarial. Por isso, usando o mesmo principio argumentativo para rejeitar a figura do ‘prof.titular’, a carreira devia ter só um índice remuneratório para todos (respeitando o principio de MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL equivale a salário igual) e diferenciava-se com a idade através da redução da componente letiva e/ou de suplementos remuneratórios consoante os cargos que fossem exercidos (coordenação pedagógica, apoio educativo, etc.). De certa forma, regressar a um modelo que já existiu, em que existia compensação com redução letiva a quem, para além de lecionar, exercia coordenação pedagógica (coordenador de área disciplinar, coordenador de departamento, direção de instalações, coordenador secretariado de exames/elemento do secretariado, elemento da comissão de horários, elemento de comissões pedagógicas, etc.) e/ou apoios pedagógicos (tutoria, apoio individual, sala de estudo, estudo acompanhado,
    clubes/núcleos temáticos, etc.).
    Verifica-se a existência de profs colocados em escalões superiores (7º a 9º) que não estão nomeados para nenhum cargo de coordenação ou apoio pedagógico, apenas exercendo a atividade principal de lecionar, enquanto outros colegas em escalões inferiores, além de assegurarem a mesma atividade principal ainda asseguram coordenação pedagógica e/ou apoio pedagógico, o que significa que estes têm uma maior carga de trabalho sem a respetiva compensação salarial.
    Com este modelo utilizado há décadas, não falando nem debatendo este assunto tabu (e consequentemente controverso), está sempre latente uma evidente discriminação negativa entre pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, o que promove um ambiente de crispação profissional pouco saudável para todos (professoras/es e alunos).

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  3. Enfim. Lá voltaríamos. Não era difícil de prever.

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  4. 10 anos depois, foi reeditada a estratégia de 'dividir para reinar': na época foi com a criação de categorias (prof.titular/'prof.zeco') e atualmente com a discriminação na progressão remuneratória (que ainda é mais contundente...).
    E com a agravante de ter a complacência implícita dos partidos de esquerda, que jamais ficariam impávidos se fosse uma PaF a fazê-lo...

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  5. Dividir para reinar: concordo. Já se nota: há "esqueletos" a saírem dos armários, digamos assim.

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  6. E, claro, temos a questão orçamental. A dívida e as imparidades bancárias não nos largam. Os credores não se comovem. Enfim. Anos a fio de desvario e pagam os do costume.

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