segunda-feira, 25 de junho de 2018

Opinião de Mário Silva sobre os exames

 


 


 


Contributo de Mário Silva.


 



"O próximo ataque do ME à reputação dos docentes.


 


Através do ‘Iavé’, o ME vai atacar a reputação dos professores no próximo mês de julho. Como? Quem acompanha os exames nacionais, detetou que houve alterações na estrutura deles e nas cotações (aumentaram nas questões de escolha múltipla). Estas alterações têm potencial para piorar as classificações dos exames e obviamente que isso será usado para atacar os professores com a falácia ‘estão-a-ver-esta-gente-a-reivindicar-que-lhes-paguem-as-progressões-e-afinal-os resultados-foram-piores’.


O ME que se arvora o protetor dos ‘coitadinhos-dos-estudantes-que-são-prejudicados-pelos-professores’, depois insidiosamente promove ações que prejudicam os mesmos estudantes nas suas médias de classificação final, usando subrepticiamente como ‘bode expiatório’ a classe docente; nem Maquiavel conseguia ser mais ignóbil…


“Os alunos concordaram que a derradeira questão da prova era a mais complicada e estavam também alinhados no principal assunto de quase todas as conversas: a estrutura do exame deste ano. Ao contrário do que vinha sendo habitual nos anos anteriores, o exame nacional de Matemática A foi dividido em dois cadernos.


«Nós somos sempre as cobaias do Iave», queixa-se Ana, já fora da escola. «Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia», explica.


 


Jornal Público (25/06/2018)


13 comentários:

  1. Não antevejo nenhum motivo técnico-pedagógico que explique a impossibilidade dos estudantes poderem alterar respostas no 1º caderno, caso durante o tempo regulamentar chegassem a essa conclusão.

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  2. Não sei se percebi bem a sua dúvida, mas relativamente ao que diz a aluna: «Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia»

    Claro que não podia, pois a 1ª parte é resolvida com calculadora que lhes é retirada (e não voltam a poder usá-la) antes de começarem a 2ª parte.

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  3. Claro. A Calculadora é retirada antes da 2ª parte. É uma questão estranha. O Mário Silva dirá. Aliás, uma aluna pode voltar ao 1º caderno sem calculadora. Um vigilante não consegue controlar um procedimento desses.

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  4. O sistema carece mesmo de um reset depois de tanta sucessão de "reformas". A começar pelo sacrossanto acesso ao superior que condiciona todo o sistema.

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  5. Sim, claro que pode voltar, não é proibido; a questão é que, como a resolução desses exercícios depende da calculadora e dos elementos (gráficos, tabelas, etc.) que só podem mesmo ser resolvidos com calculadora, como é que os poderão corrigir/fazer de novo (se entretanto se lembrarem como se faz, etc.) se já não têm a calculadora?

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  6. Claro. Em princípio, e sem a calculadora, não adianta voltar ao 1º caderno. Esperemos então pelo Mário Silva.

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  7. A minha discordância é esse impedimento técnico de poder corrigir o que entender. Desde que o processo apareceu, considerei lesivo e anti-pedagógico. A análise critica que se estimula no estudante é exatamente para aprender a detetar o erro, a incorreção, e impedi-lo de exercer a correção é um paradoxo pedagógico.
    Esse procedimento de numa parte usar a calculadora e noutra parte não usar, é mais desvantajoso pedagogicamente.

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  8. lamento informar que, enquanto muitos dos governantes forem profs universitários ou potenciais profs universitários convidados com estatuto de catedrático, o ensino superior é intocável.

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  9. Percebi.
    Aliás, a recolha da calculadora justifica-se?

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  10. É espantoso tudo isto. O sistema parece um frenocómio e não é de agora.

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