segunda-feira, 25 de junho de 2018

gorongosa, para uma teoria da paz restaurada




 

 

 


Reedição no dia da comemoração

do 43º aniversário da independência

da República Popular de Moçambique.

 

 



 


(1ª edição em 20 de Fevereiro de 2008)



 

 

Aproximava-se a independência de Moçambique quando fiz uma visita que guardo em lugar seguro.

 

Integrei uma selecção que representava a futura nação. Percorremos as principais cidades e realizámos jogos de basquetebol integrados nos festejos. O dia 25 de Junho de 1975 foi eleito para o momento mais esperado: descerrar a bandeira portuguesa e substitui-la pela moçambicana. A delegação era chefiada por um guerrilheiro da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), o generoso Cariquirique.

 

O 25 de Junho coincidiu com o intervalo da digressão. Três dias de descanso e contemplação na Gorongosa, no centro do país: uma extensa e deslumbrante savana, onde se convivia com animais que povoavam os nossos imaginários.

 

Cariquirique estava preparado.

 

À meia-noite em ponto trocou os galhardetes, discursou - falou-nos num Moçambique livre e multirracial, usando como metáfora uma sopa de legumes -, e deu-nos a ouvir pela rádio, apenas a letra teve direito a conhecimento prévio, o hino da Nação. Cantámos e festejámos com habitantes da região, tocadores de tambor ao melhor ritmo moçambicano, numa cerimónia libertadora e em que fomos voluntários e felizes convidados. Estávamos ali de alma e coração. O sol nasceu e para todos: nós vimos.

 

Em virtude da guerra civil que estalou no país, a Gorongosa foi palco dos desmandos guerreiros dos humanos. Foi flagelada pela cobiça dos traficantes de peles e marfins, e de toda a espécie de adereços de animais selvagens que deliciavam alguns consumidores dos lados mais requintados que a inteligência humana conseguiu arquitectar.


A Gorongosa foi dizimada.

 

Recupera, agora, os seus habitantes naturais. Na savana também se combate para viver. Os animais são destituídos dos melhores atributos da nobre ciência humana, mas revelam uma qualidade nada desprezível: têm muita paciência.

 

Encontrei um vídeo espantoso que até nem é muito do meu género e apetite. Mas merece que o veja; suposição minha, claro. São quase oito minutos e só no final é que deve tirar conclusões. Pode dizer-se assim: 

 


Gorongosa, para uma teoria da paz restaurada.


 

Ora clique (dez anos depois, perdeu-se a ligação ao vídeo no youtube).


 


13 comentários:

  1. Não é do teu género e apetite mas é do meu! Não só por gostar de animais mas sobretudo por me surpreenderem sempre. Têm de facto muito mais paciência e sabem funcionar em grupo, em equipa, o que nem sempre sucede com os dotados de inteligência humana.
    Obrigada por este momento que de facto dá que pensar...
    Bjo

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  2. És uma daquelas pessoas que imaginei que gostariam deste vídeo. Também sabia que entendias a bela mensagem. Beijo.

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  3. Como sabes tive oportunidade de ver esta "malta" em acção "in loco"... Mas nunca tinha tido a oportunidade de me emocionar e de "torcer" por uma das partes como aqui aconteceu... Nós (human be) é que inventámos o aforismo de que " a união faz a força", mas não sabemos usar essa sabedoria (quase pleonasmo), pelo menos, não quando tal se justificaria... Thanks por esta oportunidade... Cada vez mais acredito nos ditos baixos níveis da natureza, e cada vez menos nos pressupostos altos níveis...
    []

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  4. É um vídeo fantástico. Foi um surpresa. Obrigado pelo conselho :)
    Abraço.

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  5. Sempre actual, está visto!
    Nisto de união temos muito que aprender. Será que somos seres superiores?
    E nós? Juntos venceríamos, era verdade.
    Temos muito a aprender com os animais.







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  6. Sempre que o colocas eu vejo-o na íntegra.
    É fantástico. São fantásticos os animais. Nós é que não aprendemos com eles. Não queremos aprender. Somos mesmo uns seres..... inferiores.


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  7. Este post é uma lição. O vídeo do Chile é OBRIGATÓRIO ver...

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  8. Professora contratada1 de dezembro de 2010 às 18:33

    Não me farto de repetir que este blog lava-me a alma...

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  9. O vídeo do Chile é maravilhoso e comovente. Quem já teve ou tem um canino (não o dente, claro) consegue mesmo comover-se ao ver este vídeo. Eu, nem se fala. A minha cadela é como se fosse da família e tem por todos cá de casa um amor incondicional. E é leal. E é amiga. Cada vez gosto mais dela. Digo-o muita vez, sobretudo quando as pessoas me desiludem. E há cerca de um ano disse-o por mensagem a alguém que me tentava enganar. Assim: "Cada vez gosto mais da minha cadela".

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  10. É espantoso o vídeo do Chile ; o detalhe do cãozito a retirar a vítima antes que mais um atropelo se verificasse é elucidativo; só há uns 20 anos, quando comecei a fazer longas caminhadas, é que me apercebi mesmo da violência que os automóveis exercem sobre os animais ; para além de andarmos com uma bomba (os depósitos de gasolina) dentro dos carros e volta e meia morrermos queimados lá dentro, assustamos tudo o que nos rodeia; daqui por uns séculos, se tanto, lá nos riremos dos bárbaros

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  11. Já tinha visto o vídeo, mas só por ser da Gorongosa, vale a pena rever e recordar Moçambique. Vivi perto. E porque este vídeo é uma lição.

    Abraço, Paulo.

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