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terça-feira, 24 de maio de 2022

De Círculo Vicioso a Círculo Virtuoso


As nações são ricas se conseguiram, diz a história da economia política, desenvolver instituições inclusivas durante três séculos. Ou seja, entram em círculos virtuosos. Mas não basta uma revolução como a Gloriosa de Inglaterra (1688) ou Francesa (1789): em princípio, tudo começa aí: criam-se instituições inclusivas, mas só com muita determinação e altruísmo é que se consegue que a lei de ferro das oligarquias não se imponha aos novos poderes com o objectivo de perpetuar círculos viciosos.


E vem isto a propósito da discussão sobre as sociedades secretas. Algumas, e ao que julgo saber, tiveram ao longo da história um papel importante na defesa da liberdade e da democracia. Contudo, a actualidade é diferente. É voz corrente que essas organizações controlam os poderes central e local e que o secretismo parece que facilita negócios concertados entre partidos políticos que se opõem; digamos que é uma espécie de cartelização.


E repare-se num detalhe histórico fundamental: as organizações extractivas obedecem a uma lei que se denomina por lei de ferro das oligarquias (entre outras variáveis, respeito férreo pelas hierarquias); e a essência dessa lei é conseguir limitar quem toma o poder. A história está cheia de imposições dessa lei de ferro, até nas colónias e nas pós-independências.


Acima de tudo, os círculos viciosos são muito mais poderosos do que o que se podia pensar. Até Abraham Lincoln caiu nesse logro. Os círculos viciosos baseiam-se em fenómenos conhecidos: instituições políticas extractivas criam instituições económicas extractivas que, por sua vez, apoiam as instituições políticas extractivas. Ou seja, é uma simples formulação: a riqueza e o poder económico compram o poder político e as organizações secretas parece que são lugares estratégicos para que se institucionalizem os círculos viciosos.


terça-feira, 13 de julho de 2021

Da Riqueza das Nações

As nações são ricas se conseguiram, diz a história da economia política, desenvolver instituições inclusivas durante três séculos. Ou seja, entram em círculos virtuosos. Mas não basta uma revolução como a Gloriosa de Inglaterra (1688) ou Francesa (1789): em princípio, tudo começa aí: criam-se instituições inclusivas, mas, e depois, só com muita determinação e altruísmo é que se consegue que a lei de ferro das oligarquias não se imponha aos novos poderes com o objectivo de perpetuar círculos viciosos.


E vem isto a propósito da discussão sobre as sociedades secretas. Algumas, e ao que julgo saber mas tenho ideia que estará bem documentado, tiveram ao longo da história um papel importante na defesa da liberdade e da democracia. Contudo, a actualidade parece ser diferente tal a proliferação. Nem sei se é constitucional a obrigação da declaração de pertença a uma sociedade secreta, mas é hoje voz corrente que essas organizações controlam os poderes central e local; e o secretismo parece que facilita negócios concertados entre partidos políticos que se opõem; digamos que é uma espécie de cartelização.


E repare-se num detalhe histórico fundamental: as organizações extractivas obedecem a uma lei que se denomina por lei de ferro das oligarquias (entre outras variáveis, respeito férreo pelas hierarquias); e a essência dessa lei é conseguir que os novos líderes políticos se limitem a "fazer mais do mesmo". A história está cheia de imposições dessa lei de ferro, até nas colónias e nas pós-independências.


Acima de tudo, os círculos viciosos são muito mais poderosos do que o que se podia pensar. Até Abraham Lincoln caiu nesse logro. Os círculos viciosos baseiam-se em fenómenos conhecidos: instituições políticas extractivas criam instituições económicas extractivas que, por sua vez, apoiam as instituições políticas extractivas. Ou seja, é uma simples formulação: a riqueza e o poder económico compram o poder político e as organizações secretas parece que são lugares estratégicos para que se institucionalizem os círculos viciosos.


 


2ª edição deste texto.

domingo, 28 de março de 2021

A fila dos professores é outra

 


 


Post de 9 de Dezembro de 2018. Os professores são sensatos. Nunca exigiram retroactivos (mais de 8 mil milhões de euros) e até a recuperação do tempo de serviço (600 milhões nas contas inflacionadas) admitiu um faseamento. Os professores, e não só, não exigem retroactivos, mas fartam-se de pagar retroactivamente. Explico-me.


O crescimento económico não é a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada, nem redistribuída, e acentua as desigualdades. Os governos não têm força para contrariar o neoliberalismo vigente; e há os que o promovem. A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: "Riqueza das Nações" de Adam Smith e "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. A economia não é independente da filosofia moral e política e tem na actualidade uma agravante: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)".


A história recente inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedman (fora de Keynes, Adam Smith ou Stuart Mill), que derivou para um neoliberalismo branqueador de poderes não eleitos e que não prestam contas. A desregulação dos impostos (década de 90 do século XX), inspirada na visão optimista de que os grandes financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se". O capital em offshores não tem fim e só a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, fez tremer a predação. O que resta aos governos? Taxar, com impostos directos e indirectos, e gerar uma imprevisível revolta. As classes médias fartam-se de pagar a "impagável" dívida e os juros que "consomem" os orçamentos dos estados.


O norte-americano Joseph Stiglitz, Nobel da economia (2001), foi taxativo em 2009: há uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo da pátria do neoliberalismo (a sua). Se a conjugarmos com o sistemático "varrer para debaixo do tapete das pequenas e das grandes corrupções", temos a explicação para a perigosa crise das democracias ocidentais.


Afinal, a verdade é como no desenho do Quino: os professores, e não só, não estão na fila para receber retroactivos e reconhecem a fila a quem se fartam de pagar retroactivamente.


 


Desenho do Quino,


em "Não me grite" da série "Humor com humor se paga".


 


Nota: é evidente que há dois fenómenos paralelos: a globalização (e a mudança do eixo da riqueza do Atlântico para o Pacífico) e a quarta indústria (automatização e robotização).


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segunda-feira, 22 de março de 2021

Passar De Círculo Vicioso a Círculo Virtuoso

As nações são ricas se conseguiram, diz a história da economia política, desenvolver instituições inclusivas durante três séculos. Ou seja, entram em círculos virtuosos. Mas não basta uma revolução como a Gloriosa de Inglaterra (1688) ou Francesa (1789): em princípio, tudo começa aí: criam-se instituições inclusivas, mas, e depois, só com muita determinação e altruísmo é que se consegue que a lei de ferro das oligarquias não se imponha aos novos poderes com o objectivo de perpetuar círculos viciosos.


E vem isto a propósito da discussão sobre as sociedades secretas. Algumas, e ao que julgo saber mas tenho ideia que estará bem documentado, tiveram ao longo da história um papel importante na defesa da liberdade e da democracia. Contudo, a actualidade parece ser diferente tal a proliferação. Nem sei se é constitucional a obrigação da declaração de pertença a uma sociedade secreta, mas é hoje voz corrente que essas organizações controlam os poderes central e local; e o secretismo parece que facilita negócios concertados entre partidos políticos que se opõem; digamos que é uma espécie de cartelização.


E repare-se num detalhe histórico fundamental: as organizações extractivas obedecem a uma lei que se denomina por lei de ferro das oligarquias (entre outras variáveis, respeito férreo pelas hierarquias); e a essência dessa lei é conseguir que os novos líderes políticos se limitem a "fazer mais do mesmo". A história está cheia de imposições dessa lei de ferro, até nas colónias e nas pós-independências.


Acima de tudo, os círculos viciosos são muito mais poderosos do que o que se podia pensar. Até Abraham Lincoln caiu nesse logro. Os círculos viciosos baseiam-se em fenómenos conhecidos: instituições políticas extractivas criam instituições económicas extractivas que, por sua vez, apoiam as instituições políticas extractivas. Ou seja, é uma simples formulação: a riqueza e o poder económico compram o poder político e as organizações secretas parece que são lugares estratégicos para que se institucionalizem os círculos viciosos.

sábado, 8 de junho de 2019

É Outra, a Fila dos Professores

 


 


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Texto de 09 de Dezembro de 2018.


 


Os professores são sensatos. Nunca exigiram retroactivos (mais de 8 mil milhões de euros) e até a recuperação do tempo de serviço (600 milhões nas contas inflacionadas) admitiu um faseamento. Os professores, e não só, não exigem retroactivos, mas fartam-se de pagar retroactivamente. Explico-me.


O crescimento económico não é a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada, nem redistribuída, e acentua as desigualdades. Os governos não têm força para contrariar o neoliberalismo vigente; e há os que o promovem. A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: "Riqueza das Nações" de Adam Smith e "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. A economia não é independente da filosofia moral e política e tem na actualidade uma agravante: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)".


A história recente inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedman (fora de Keynes, Adam Smith ou Stuart Mill), que derivou para um neoliberalismo branqueador de poderes não eleitos e que não prestam contas. A desregulação dos impostos (década de 90 do século XX), inspirada na visão optimista de que os grandes financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se". O capital em offshores não tem fim e só a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, fez tremer a predação. O que resta aos governos? Taxar, com impostos directos e indirectos, e gerar uma imprevisível revolta. As classes médias fartam-se de pagar a "impagável" dívida e os juros que "consomem" os orçamentos dos estados.


O norte-americano Joseph Stiglitz, Nobel da economia (2001), foi taxativo em 2009: há uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo da pátria do neoliberalismo (a sua). Se a conjugarmos com o sistemático "varrer para debaixo do tapete das pequenas e das grandes corrupções", temos a explicação para a perigosa crise das democracias ocidentais.


Afinal, a verdade é como no desenho do Quino: os professores, e não só, não estão na fila para receber retroactivos e reconhecem a fila a quem se fartam de pagar retroactivamente.


 


Desenho do Quino,


em "Não me grite" da série "Humor com humor se paga".


 


Nota: é evidente que há dois fenómenos paralelos: a globalização (e a mudança do eixo da riqueza do Atlântico para o Pacífico) e a quarta indústria (automatização e robotização).


 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Da História e dos Direitos

 


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Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim:



"Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"



Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar. Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".

terça-feira, 9 de outubro de 2018

dos direitos e da história

 


 


 


A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim:



"Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"


 



Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.


 


Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".


 


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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

da história dos direitos

 


 


 


A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)" Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.


 


Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".


 


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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Da crise dos elevadores

 


 


 


O elevador social é um oxigénio da democracia. A insistência no "1% de ricos" ("que acabam sempre a destruírem-se uns aos outros"), que elimina a ideia de que o "crescimento é uma maré enchente que faz subir todos os barcos", suprime a possibilidade de ascensão e torna-se fatal para a democracia. Já temos história de economia política para comprovar o erro, expressão do próprio FMI, dos últimos trinta anos de neoliberalismo. Nesse sentido, as políticas de austeridade foram uma tragédia em qualquer ponto de vista. E era bom que se percebesse porque é que Marx inauguraria a análise científica do capitalismo, e da sua derrocada, em período de grande exaltação política.


 


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