![]()
Os meus textos e os meus vídeos
terça-feira, 7 de outubro de 2025
segunda-feira, 6 de outubro de 2025
domingo, 31 de agosto de 2025
domingo, 18 de setembro de 2022
Infelizmente, A Comunicação Social Chegou Muito Tarde à Falta de Professores
![]()
A comunicação social chegou muito tarde à falta de professores; e infelizmente, porque sabemos da influência do quarto poder. Mas não só se atrasou, como desvalorizou quem antecipava o fenómeno.
Há cerca de década e meia que se projecta no Ocidente a falta estrutural de professores. As "Novas Políticas de Gestão Pública" (iniciadas por Thatcher e Reagan e continuadas por Clinton, Blair, e Schröder), aplicadas vinte anos antes, foram fatais. A OCDE e o Fórum Económico Mundial renovaram-nas, projectando a redução de professores na transição digital em paralelo com a sua "uberização" (precarização). Portugal, atrasado como sempre, chegou tarde, mas acelerou a tragédia em 2006 com nuances únicas na avaliação de professores e na criação autocrática de mega-agrupamentos de escolas.
Como sempre acontece, os EUA e o RU iniciam as "reformas" (já conhecem há muito esta tragédia que ajuda Putin e os seus familiares populistas que invadiram o Capitólio e concretizaram o Brexit) e a Europa absorve-as depois. A França e a Alemanha, e até a Espanha, já desesperam com a falta acentuada de professores.
Os nórdicos resistem melhor porque têm classes médias consistentes. Mas a Suécia vive uma grave crise educativa porque aplicou um desastroso programa de privatização total da rede escolar na década de 1990. Com a Finlândia é diferente. Confessam uma década muito difícil na educação. Enfrentam a desistência em se ser professor porque o Governo conservador (de 2015 a 2019 e coligado com a extrema-direita dos "Verdadeiros Finlandeses") de Juha Sipilä, um milionário das telecomunicações, foi pioneiro na estratégia das "políticas rápidas" e das reformas alicerçadas em múltiplos projectos velozes, descontextualizados e fragmentados. O resultado foi mais privatização, mais instabilidade e menos investimento. Tentam recuperar (colo uma ligação nos comentários do facebook), mas destruir é sempre muito mais veloz do que construir.
sexta-feira, 10 de junho de 2022
40 Anos Depois
E devia ser assim em todo o mundo. As políticas neoliberais de gestão pública, iniciadas por Thatcher e Reagan e continuadas por Blair, Clinton e Schröder, resultaram, entre tantas desgraças, na falta estrutural de professores e no brutal aumento das desigualdades educativas. "ECONOMIA. Biden quer enterrar o neoliberalismo e promover empregos mais bem pagos"
domingo, 5 de janeiro de 2020
Sociedade Plana

Controlamos "a fome, as epidemias e as guerras" (em Homo Deus de Yuval N. Harari), mas enfrentamos desafios igualmente difíceis: migrações em massa, alterações climáticas ou ascensão de forças políticas extremistas. Para além disso, aumentam as desigualdades entre os mais ricos e os restantes porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada nem redistribuída. Não há crescimento económico que provoque a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque os governos não têm meios para contrariar o neoliberalismo em modo global e agrava-se porque a história da distribuição da riqueza é política. Apesar da globalização ter permitido esse inédito controle da fome, das epidemiais e das guerras, há uma ganância em roda livre.
A história contemporânea inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedman, que derivou para um neoliberalismo de poderes não sufragados. A fuga aos impostos, inspirada na visão de que o capital privado exercia melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se" porque a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, abanaram o modelo offshores. Resta aos governos ocidentais taxar, com impostos directos e indirectos, as classes médias que pagam as dívidas e os juros que "aprisionam" os orçamentos dos estados. A prazo, as sociedades terão mais muito ricos (até 5% da população) e aumentarão exponencialmente os precarizados como membros de uma classe média baixa que não terá qualquer capacidade de poupança. Será uma sociedade plana, sem elevadores sociais, e vulnerável ao tal voto de protesto que se torna incontrolável quando toma o poder. É, de certo modo, semelhante às duas décadas que antecederam a segunda-guerra mundial e que registaram o florescimento da extrema-direita na Europa com os resultados que a história regista; e por optimistas que possamos ser com o controle da fome, das epidemias ou das guerras, são imprevisíveis as consequências da ascensão ao poder de forças de extrema-direita com os meios tecnológicos actuais e futuros. É que ainda por cima têm argumentos que deviam pesar a consciência do mainstream: acusam "Washington e Bruxelas de criarem uma sociedade de oligarcas e servos" e prometem estados-nações de cidadãos "com salário digno, propriedade e capital". Poderá ser como projecta Yuval N. Harari: "a história começou quando os homens inventaram deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses".
Nota: os mentores da sociedade plana recordam-me os defensores da terra plana, na imagem, que encontrei na internet: "para os defensores da Terra Plana, todos mentem: os astronautas, os cientistas, os media. São(...)também youtubers. E já ganham muito dinheiro com as suas teorias."
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Grupo Fechado

Numa época em que tanto se fala de partilha e comunicação, as decisões fundamentais são tomadas no registo Grupo Fechado que resulta das políticas individualistas que "triunfaram" em toda a linha. O Grupo Fechado é uma espécie de eucalipto comunicacional e organizacional. Serão poucos os que não reconhecem a generalização do "salve-se quem puder" como a principal consequência do modelo. É de tal forma vigente na sociedade, que fica a ideia que absorveu governantes, deputados, magistrados e por aí fora. Como alguém disse, "é a hegemonia do império da ganância". A lógica de Grupo Fechado é também o modelo decisório do sistema escolar. Percorre todos os patamares e bloqueia os canais participativos e, por consequência, os mecanismos mobilizadores. A contenda entre instituições, ou entidades, é o lema identitário e a audição uma simulação. Dos exames e provas de aferição até aos currículos (e à sua flexibilidade) e restantes variáveis organizacionais e passando pela inclusão, avaliação de alunos e professores ou carreiras, a lógica Grupo Fechado não só determina como considera o contraditório um péssimo hábito e uma perda de tempo. E um sinal evidente do fenómeno, e, já agora, um péssimo serviço à escola pública, é a publicidade insensata de quem diz visitar muitas escolas recomendando o modo organizacional, como exemplo de cooperação, sem sequer vislumbrar a contradição (e contrariando todos os estudos conhecidos).
domingo, 28 de janeiro de 2018
Leia devagar e convoque a memória
Leia devagar, sff, e adivinhe quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no último parágrafo.
“Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média já que todos beneficiarão. São políticas essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Portanto, um crescimento duradouro exige que seja mais equitativo."
"Novos estudos demonstram que a subida em 1% da renda dos pobres e da classe média aumenta até 0,38% o crescimento do PIB em 5 anos. Em contrapartida, elevar em 1% a renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08%. As nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta "espalham" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, os ricos gastam uma fracção menor da renda e isso reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Também se demonstra que a desigualdade excessiva de renda reduz o crescimento económico e torna-o menos sustentável."
São declarações de Christine Lagarde, em Junho de 2015 (Bruxelas), baseadas no boletim oficial do FMI de 17.06.2015 que integra o estudo (FMI) "Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, explicaria: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; afirma-te neoliberal no início e social-democrata para sempre no fim; confia na sabedoria popular."
Notas:
A 1ª edição deste post foi em 04.02.2016. Esta 2ª edição deveu-se ao acontecimento em imagem (@Luís Reis Ribeiro do dinheiro vivo). Em Davos, no recente 24.01.2018, "Lagarde diz a Costa e Centeno que Portugal é um excelente exemplo". Convenhamos que é preciso descaramento. É claro que não se deve desprezar o pagamento antecipado da parte mais onerosa da dívida.
Repeti este post com alguns ajustamentos para o partilhar noutras redes sociais.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Para ler devagar
Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final.
“Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão. Essas políticas são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
"Novos estudos demonstram que elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB dum país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta "espalham" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, na verdade, a taxa de crescimento económico e torna-o menos sustentável com o tempo."
São declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI, "Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."
2ª edição.
1ª edição em 04 de Fevereiro de 2016.
Nota: Davos (24.01.2018): "Lagarde diz a Costa e Centeno que Portugal é um excelente exemplo".

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Ter, ou não ter, uma carreira
"Ter uma carreira" tornou-se politicamente incorrecto na década de oitenta do século passado e as "novas políticas de gestão pública" aplicaram a precarização. "Ter uma carreira" foi menorizado através do "não há empregos para a vida". Há uma geração, hoje nos quarenta, que já duvida da bondade do conceito. Os da geração seguinte ainda aceitam e assumem a ideia até que a idade avance. E por que é que inscrevo gerações? Porque os que iniciaram a dúvida já intuíram que são descartáveis e substituíveis pelos mais jovens com argumentos financeiros ou de imagem. A precarização retira rede quando ela se torna imperativa. Para além do que foi dito, será grave que as administrações públicas continuem a perder carreiras que exigem histórico de saberes e maturidade nas decisões.
(Já usei esta argumentação noutros posts)
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
das agências de raiting (as AR)
Quando as AR baixaram as classificações de Portugal, muitos consideraram-nas, e bem, instrumentos da ideologia política responsável pelo aumento das desigualdades. Ou seja, enquanto uns viam as AR ao serviço dos 1%, das multinacionais e dos offshores, outros defendiam a sua existência. Nesta fase, os primeiros elogiam as contas do país e os segundos perderam voz.
Na selva financeira vigente, Portugal recuperará alguma soberania se reduzir a dívida e melhorar a opinião das AR.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
da desconsideração dos professores
É imparável a desconsideração associada à devassa mediática. Esperava-se este regresso da época oficial de arremesso ao professor. Para os saudosos das grandes caçadas sob alçada dos ddt's, é mesmo uma dependência. À vez, os defensores dessa década e meia apontam "privilégios" na comparação entre carreiras. Nunca vi um jornalista perguntar: quais exactamente? Que avaliação? Que progressão? E por aí fora. Nada. Só esmiúçam a dos professores. A avaliação do desempenho é "olhos-nos-olhos" ou entra em regime "faz de conta" (kafkiano se incluir quotas). O SIADAP (avaliações no estado) está assim. Até 2015, era comum arremessarem com privados e empresas. Também aí se decretou o silêncio com os estudos publicados: em 95% não existe e o propalado rigor tem um objectivo: precarização.
Nota: ouvi, há pouco, um "especialista" afirmar que a carreira dos professores deve exigir dez anos, e não quatro, em cada escalão. Diz que deve ser como nas outras carreiras; sem dizer quais exactamente, quais os requisitos de entrada e de progressão, em quantos escalões se desenvolvem e com que índices remuneratórios. Dá vontade de contraditar assim: na dos professores, como tem dez escalões, seriam 100 anos de carreira: os primeiros 40 em índices probatórios e os restantes 60 em progressões automáticas sem quotas nos últimos 20.
Faces
Picasso
domingo, 12 de novembro de 2017
do contra-ciclo escolar com a Europa
Reduzimos o abandono escolar em contra-ciclo com a (reconfigurada; e decadente?) Europa e confirmamos que o aumento da escolarização das sociedades influencia em quase 70% as taxas de frequência e os resultados das aprendizagens. Portugal reforça as conclusões ao atenuar, neste indicador, a influência da delapidação dos determinantes 30% da organização escolar por razões financeiras. "Não há vida escolar para além do défice", explica parte da imobilidade governativa. Há tantas epifanias - que a conjuntura simulou como estruturais - que tardam a mudar, que cresce a apreensão: o Governo revê-se nas políticas escolares do primeiro governo de Sócrates?
"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e quotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi (não excessivamente técnica), dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetizou um conjunto neoliberal de "Novas Políticas de Gestão Pública" que degradaram a organização escolar.
A desconstrução da frase encontra a desresponsabilização da sociedade, as crianças-agenda, os jovens-vigiados, o "aluno-rei", os professores "agentes recreativos e multi-profissão" e o modelo taylorista de escola com primazia da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".
Insatisfeita, a PàF acrescentou: alunos por turma, turmas por professor, indústria da medição alargada aos mais pequenos e disciplinas hierarquizadas (dito assim como eufemismo).
Com uma década assim, não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar se o Governo recusar a interrogação do primeiro parágrafo e olhar para o futuro.
Algures no Oeste de Portugal.
Novembro de 2017.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
da ideia de carreira
"Ter uma carreira" passou a politicamente incorrecto no final do século passado e as "novas políticas de gestão pública" corporizaram a precarização. Há uma geração, hoje na casa dos quarenta, que começa a duvidar da bondade do conceito. Os jovens adultos aceitam e assumem a ideia até que a idade avance. E por que é que falo de gerações? Exactamente porque os que iniciaram a dúvida perceberam que são descartáveis e substituíveis pelos mais jovens com argumentos financeiros ou de imagem. A precarização retira rede quando ela se torna imperativa. Para além do que foi dito, será grave que as administrações públicas continuem a perder pessoas integradas em carreiras que exigem histórico de saberes e maturidade nas decisões.
sábado, 2 de setembro de 2017
das agências de raiting e do espaço para a demagogia
"Moody´s melhora perspectiva da dívida portuguesa". O gabinete de Centeno considera que "esta decisão da Moody's vem juntar-se a um crescente reconhecimento por parte de vários actores institucionais e privados quanto à solidez da economia portuguesa". A Moody´s passou Portugal de "estável para positivo, ainda dentro do "lixo"". É uma escala de avaliação risível.
Mudou o discurso mediático à volta das agências de raiting (AR). Os neoliberais, sempre muito pró-AR para justificarem cortes nos do costume, empalideceram e ajustarão o discurso: culpavam os dos costume pela descida da nota e continuarão a culpá-los pela fraca subida. Enfim. Nada do novo. Quem defende uma Europa mais plural, e deseja que Portugal seja bem sucedido, gosta da notícia. Sorri com o silêncio dos ideólogos do "Compromisso Portugal" e não aprecia qualquer viragem posicional em relação às AR. As AR já não são instrumentos do neoliberalismo? Na minha modesta opinião, são. A existirem, não devem ficar "isoladas" nem ser endeusadas. Por outro lado, as oscilações de partidos parlamentares abrem espaço à demagogia. As AR representam uma ideia de mercado que aplica coletes de forças ao financiamento dos países. Continua por construir, nas democracias ocidentais, uma alternativa sustentável que passará pela autonomia energética associada ao ambiente, pela compatibilização da robotização com o financiamento das políticas sociais e pela solidez da banca, pública e privada, e do crescimento económico.

domingo, 9 de julho de 2017
do Estado e das responsabilidades
"(...)É preciso ter topete, falta de vergonha, descaramento. Depois de 5 anos (2011-15) em que o investimento público foi reduzido em 40%(...)a direita, melhor, esta direita encabeçada pela actual direcção do PSD, que utilizou o Estado como saco de boxe(...)venha clamar contra o enfraquecimento do Estado(...)" Esta justa opinião de Nicolau Santos (Expresso) tem subscritores com falta de memória. Nos detalhes do texto não há referências à educação; apenas, e por inerência, nos cortes de ordem geral. É uma omissão. Num texto destes não cabe a totalidade. Compreende-se. Mas olhar para a educação pode servir de modelo.
Se usarmos o período 2005-15, e não apenas 2011-15, registaremos o encerramento de metade (4000) das escolas públicas (e o aumento de "privadas", com um pico em 2005/10 e uma quebra apenas em 2016) e o corte de mais de 40 mil professores (mais de 30%; 70% eliminados por Crato). Se a PàF não se pode desculpar com a troika porque subscreveu um-além-programa e porque é essa a sua ideologia, o PS-absoluto iniciou os cortes antes da crise de 2007. Se foi também por causa das metas europeias, então as forças que têm governado que assumam o que assinaram e o que não está escrito em lado algum. Houve escolhas "não inscritas" que PàF e PS-absoluto partilharam: PPP´s ruinosas, participação em desvarios financeiros - para ser brando e sem convocar corrupção comprovada -, falhas exclusivas no software que regista saídas para offshores e maior transferência da história de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta através do encerramento a eito de serviços públicos para fazer face a imparidades, crédito malparado e juros de dívida de toda a espécie.
Nota: Tancos é outro assunto. As forças armadas têm que garantir a segurança do armamento.
domingo, 28 de maio de 2017
dos neoliberais e dos pingos da chuva

Os neoliberais entraram em "revisionismo". É espantoso. Schäuble, com eleições à porta, "elogiou" Centeno enquanto ironizava com a antecipação de 10 mil milhões ao FMI. É uma maldade mais sofisticada que a de Moedas. Há, desde logo, uma evidência: Schäuble não pode impor a Portugal uma tragédia semelhante à grega através doutro duelo com o FMI; isto não apaga a responsabilidade histórica das "elites" gregas; nem das portuguesas. Esperemos que a história o evidencie, já que as principais figuras do FMI fazem o seu papel assumindo responsabilidades em tanto mal irreparável: "Olivier Blanchard (2017): Portugal não deve apressar decida do défice" ou "Christine Lagarde (2015): elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta "espalham" para cima e não para baixo."
sábado, 27 de maio de 2017
década e meia de revolução neoliberal (da série: repetir coisas óbvias)
A propósito da revolução que a presença da troika destapou, recorda-se os teóricos da simcult: a revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais; até existiram alguns, mas não sobreviveram. Nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens carregadas de ideologia neoliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

quarta-feira, 24 de maio de 2017
Ler devagar; mas sentado
Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final.
“Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
"Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."
São declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI, "Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

quinta-feira, 20 de abril de 2017
42.000 professores numa década
Os números do "desaparecimento" de professores até arrepiam. Desde 2004/2005, "desapareceram" das escolas públicas 42.000 professores; cerca de 25% dos 167.000 que existiam e cerca do dobro da percentagem da redução de alunos (14%). É fazer as contas. Para além disso, o número de professores com menos de 30 anos já ia, em 2016, em 451; 1,4%. Ou seja: os professores, os causadores do défice por serem muitos, "desapareciam" na inversa proporcionalidade da aproximação à bancarrota. O tal financiamento despesista foi afinal para a banca - alguém tem dúvidas? - que prossegue alegremente em registo de perdão de dívida, enquanto os professores congelam, precarizam, imergem em burocracia e inutilidades e "aposentam-se" em "estado crítico para a saúde pública".
-
O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
-
O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
-
O Correntes mudou de casa. A nova morada é em https://correntesprudencio.blogspot.com/ A mudança da SAPO para o Blogspot deve-se ao encerr...