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terça-feira, 1 de junho de 2021

"A qualidade do ensino público e o mundo digital"

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"A qualidade do ensino público e o mundo digital"Pelo Público em 1 de Junho de 2021. Publiquei o texto no blogue e partilhei-o no facebook. Este texto é também uma síntese de textos recentes, dos quais incluí pequenas passagens adaptadas, publicados no blogue.


Título:


A qualidade do ensino público e o mundo digital


Lide (lead): 


Por este caminho, só teremos professores em escolas com propinas elevadas onde os conteúdos digitais serão concebidos internamente para evitar os massificados.


Texto:


Antes de mais, é notória a preocupação com a descida paulatina da qualidade do ensino público. E esta inquietação não tem uma resposta política efectiva. A conclusão baseia-se na manutenção dos seguintes domínios críticos da última década e meia: condições de realização do ensino, carreira e avaliação dos profissionais, gestão das escolas e forte tendência para sofisticar exaustivamente a administração de inutilidades. Mas a conclusão também se fundamenta no ideário governativo que, nesta fase, só racionaliza duas visões abordadas mais à frente: exames online — com um Plano de Transição Digital (PTD) que se receia transformável num plano quinquenal que conduzirá o ciberproletariado —; e o regresso às escolas e aos municípios da contratação dos professores.


Ainda como ponto prévio, recorde-se que os rankings provocam uma repetida discussão sobre a qualidade do ensino. E a propósito da qualidade, saudava-se, para lá dos preconceitos e dos dogmas, um debate mais actual, abrangente e virado para o futuro. Partia-se da eliminação (em 2018) de rankings em Singapura, um farol para Nuno Crato enquanto ministro. “Aprender não é uma competição” foi o lema. A mudança radical neste país cimeiro no PISA, e nos alunos top performers, incluiu todas as publicações com a posição de um aluno em relação a um grupo, como pautas de classificações e quadros de mérito académico. E se até a pequena e controversa Singapura se antecipou e reagiu ao bullying, à ansiedade excessiva, à descida do gosto pela escola, à subtracção do espaço gregário lúdico e corporal e à adição tecnológica, a nossa realidade exigiria um debate semelhante que interessaria à saúde e à qualidade dos ensinos público e privado.


E voltando às prioridades do Governo, os exames online e o PTD (que têm sustentação organizacional, embora o parque tecnológico esteja obsoleto) reforçam a ideia de que o mundo digital substituirá professores e disfarçará a inacção para contrariar a sua falta estrutural. Contratar-se-á guardadores precários e reforçar-se-á outra preocupação: a escola que contraria a sua diferenciação histórica, e insubstituível, em relação à família e se transforma num espaço de mais ciberconflitualidade. E se se saúda a redução do abandono escolar, sabe-se que só há elevador social com ensino de qualidade.


Por este caminho, só teremos professores em escolas com propinas elevadas onde os conteúdos digitais serão organizados internamente para evitar os massificados e prevenir a imprevisibilidade do final da história com a Inteligência Artificial (IA) que “será sobre máquinas, mas também sobre humanos”. E repita-se: aí, a dimensão das turmas será pedagógica e o currículo completo, as ciências e as letras estarão a par, a avaliação será contínua, exigente e sustentada na confiança nos professores e as regras disciplinares serão simples e “ancestrais”.


E é imperativa a reflexão sobre o percurso com a IA. Quem passou pelas livrarias, percebeu o súbito interesse por 1984 que George Orwell imaginou em 1949. No livro, e numa sociedade controlada por um partido totalitário, a personagem Winston Smith não seguia devidamente, porque tossia, a sessão matinal obrigatória de exercício físico proveniente do telecrã. Até que:
— Smith! — berrou a voz áspera do telecrã.
— 6079 W. Smith! Sim, você! Curve-se mais, se faz favor! Consegue fazer melhor do que isso. Não se está a esforçar. Mais, por favor! Assim está melhor, camarada! Agora, todos à vontade e olhem para mim.



Pois bem: os professores fornecem graciosamente a Google com documentação didáctica pronta a usar. E a Google, ou outra gigante tecnológica, aglutinará o mundo digital escolar e até as editoras de manuais com ligações que inscreverão a pegada digital dos professores e calendarizarão as suas tarefas. Em breve, a IA avaliará os professores ocupando vagas e cotas com Classroom InfluencersYoutubers Ciber Entertainers. Até que chegará o dia em que “berrará a voz áspera do telecrã”.


O outro objectivo é o regresso da contratação local de professores. A memória mais recente desse processo desastroso data do tempo da troika. Foi eliminado de imediato no primeiro Governo de António Costa. Recorde-se: há muito que existem meios digitais para que os concursos por lista graduada sejam um não-assunto de exemplares transparência e eficiência. Só falta vontade política. O poder central quer livrar-se dos concursos de professores, mas ao fazê-lo em simultaneidade com a municipalização agrava o temor de um regime de clientelismo e facilita a precarização. É uma pena. É que os meios serão ainda mais simplificados e velozes no universo 5G e dispensarão os procedimentos de gestão de grande parte das autarquias.


Para além disso, será despesista ter 308 centros de concursos quando um seria moderno e adequado à dimensão do país. E o argumento da selecção do perfil dos professores tem tanto de atávico como de revelador. Por regra, o ensino público não deve excluir alunos, professores e restantes profissionais. Deve elevar as organizações. É a sua natureza. A inclusão é uma pedagogia, e um exemplo, que se destina a todos. É obrigatório organizar as instituições com professores e outros profissionais contratados por concursos públicos confiáveis.


Caminhamos para escolas digitais de massas que certificarão a população, enquanto as de propinas elevadas ensinarão e formarão os que dirigirão a sociedade. Dá ideia que nos conformámos com a descida de qualidade do ensino público e da própria democracia.

domingo, 27 de setembro de 2020

Contratar Mais Professores?!

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(Este texto é de 21 de Junho de 2020). Acentua-se a falta de professores para diversas disciplinas o que dificultará o anunciado reforço de contratação em tempo de pandemia. O problema tornou-se estrutural. Mesmo que se iniciasse uma qualquer urgência formativa, os efeitos chegariam depois de 2030. Para além disso, e é saudável que se pense também para lá da crise, mais de metade dos professores reformar-se-á nesta década e muitos cursos de formação inicial estão há anos a fio "sem alunos". Em cada cem (ou em cada mil) alunos dos cursos "regulares" do ensino secundário, contam-se pelos dedos de uma mão os que escolhem ensinar como profissão e é surpreendente que não se motive os jovens para o ensino.


Para além da falta de atractividade da profissão, dá ideia que se esgotou o modelo de formação inicial. Um caminho mais flexível e apelativo seria a criação de licenciaturas exclusivamente para as componentes científicas. Ajudaria numa mudança futura de profissão. Só nos mestrados se estudaria a pedagogia para leccionar. Apenas depois de um estágio (internato ou profissionalização) plurianual, realizado em exercício, se acederia ao quadro e a uma carreira. Mas nada disso se discute e a especificidade científica perdeu peso na profissionalidade. Aliás, até a formação para professores no activo se centra na preparação da sua irrelevância. Parece um paradoxo, mas é só parecença.


Repare-se na ligação de três factos e tendências:


1. as gigantes tecnológicas de serviços - google, amazon, uber, booking ou airbnb - não produzem conteúdos para os motores de pesquisa nem objectos, carros, hotéis ou imóveis de aluguer, mas cobram pela sua utilização na generalidade do planeta com trabalhadores independentes não regulamentados que estão na nuvem;


2. os professores no activo alimentam gratuitamente os servidores da google (por exemplo, nas plataformas drive, doc´s, classroom, gmail ou youtube) com conteúdos de ensino planificados ao detalhe e com os receptivos testes de avaliação de alunos prontos a utilizar pela IA; e a exemplo doutros domínios, a google (que ganhou mais esta disputa à microsoft) absorverá com facilidade as editoras com escolas virtuais;


3. há uma revolução do trabalho que pede como competência a ligação à internet; como escreve Klaus Schwab (2017:46), na "A Quarta Revolução Industrial", "parte da força de trabalho desenvolve diferentes tarefas para assegurar o seu rendimento - pode-se ser um motorista da Uber, um shopper do Instacart, um anfitrião do Airbnb e um Taskrabbit".  


Ou seja, criam-se condições para acrescentar os tarefeiros das salas de aula (que podem acompanhar qualquer disciplina) a pensar na civilidade presencial da escola automatizada massificada. E se os professores continuam numa zona de incerteza porque ainda não são incluídos nas profissões mais e menos propensas à automatização, dá ideia que a passividade dos sucessivos governos na formação inicial é "articulada" com as gigantes tecnológicas que prestariam, através dos cortes na educação, um "relevante" serviço aos orçamentos dos países. Dir-se-á que são as regras do jogo. Mas como dizem os investigadores da quarta indústria, o futuro pode ser muito bom ou caótico. Aliás, já se iniciou uma corrida imparável ao trabalho virtual não regulamentado que se pode transformar em forte instabilidade social e política e difícil de reverter num ensino "sem" formação de professores.


Nota: Klaus Schwab (2017), na "A Quarta Revolução Industrial", apresenta uma lista das profissões mais e menos propensas à automatização: mais propensas: operadores de marketing, contabilistas, avaliadores de seguros, árbitros e juízes desportivos, secretários e assistentes administrativos, recepcionistas, consultores imobiliários, agricultores, estafetas; menos propensas: assistentes sociais, coreógrafos, médicos e cirurgiões, psicólogos, analistas de sistemas, antropólogos e arqueólogos, engenheiros e arquitectos navais, gerentes de vendas. 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

terça-feira, 21 de abril de 2020

Tecnologias nas Salas de Aula

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A crise escolar provocada pela Covid-19 acentuou a conhecida prevalência das redes de recursos educativos sobre as de gestão e administração. Nunca se discutiu tanto as tecnologias utilizadas pelos professores e os recursos educativos reforçam-se como um mercado muito competitivo e apelativo, mas com uma expansão, ou retracção, imprevisível.


E antes de mais, importa recordar duas questões óbvias: as tecnologias estão há muito nas salas de aula, desde a ardósia, do lápis e do intemporal papel até aos computadores de diversas portabilidades e passando pelo restante universo de material didáctico; para além disso, há cerca de uma década que se percebeu que o ensino do futuro será feito por humanos e que os professores mais "tecnológicos" reduzem ao "indispensável" o uso da internet no que são acompanhados pela massa crítica de Silicon Valley. Ou seja, a escola do futuro será bem sucedida se for o produto de duas simultaneidades: do processo de conhecer com as emoções no ensino presencial e das duas redes referidas. 


Portugal é um caso, e em grande parte acompanhado pelo ocidente, que evidencia o que falta fazer em termos escolares e é até estranho que assim seja porque é um país com muito boas provas dadas onde a sociedade em rede permite desempenhos organizacionais únicos: rede multibanco, via verde ou critical software. Por exemplo, na origem das declarações do ministro da educação - "é impossível saber quais os alunos que não têm internet e computador" - estão mais de vinte anos em que essas perguntas são repetidamente feitas no acto da matrícula e perdidas na incapacidade de se gerar um sistema de dados que se aproxime sequer dos três citados. E essa "impossibilidade", que gera desorganização, tem duas causas: governantes escolares centrados nas redes de recursos educativos e deslocalização da produção tecnológica para a China com o objectivo neoliberal de exibir o supérfluo, inibir o substancial e gerar ganhos financeiros muito significativos e pouco taxados. E esse desequilíbrio nas aprendizagens essenciais, que se tornou avassalador no ocidente, é a conclusão de que para a produção de lápis em qualidade e quantidade é necessária a simbiose da forma com o conteúdo associada ao valor precioso de muito bons desempenhos organizacionais.


Nota: como se previa, a solução #TvEscola atenuou, por mérito de professores e pela mudança da atenção mediática, algumas das insanidades da #NetEscola à pressa. E por mais que me esforce, não descortino uma justificação sensata para tanta sofreguidão que fez, entre outras terraplanagens, tábua rasa de anos a fio da difícil educação em duas áreas: cibersegurança e saúde mental.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Recomendações No Uso Da Zoom

Recomendações tardias, mas mais vale tarde do que continuar a terraplanar precipitadamente. Mas não basta recomendar: é preciso agir. Para além de tudo, há uma discussão interessante: a Google e a Microsoft tentaram adquirir a Zoom, mas como esta se aguentou as "retaliações do mercado" foram severas. É bom sublinhar que a cibersegurança não é apenas para a Zoom.



Zoom.pdf



 

#TvEscola de Largo Espectro

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Antes de mais: espera-se que a solução #TvEscola atenue as insanidades da #NetEscola à pressa. E por mais que me esforce, não descortino a necessidade da tanta sofreguidão que fez, entre outras terraplanagens, tábua rasa de anos a fio da difícil educação para a cibersegurança. E há uma alternativa para remediar o erro com uma #TvEscola que deve incluir o seguinte aviso: é pouco eficaz com os alunos em casa.


Dito isto, há já algum humor - que, e apesar de tudo, também é necessário - na apresentação a cargo do ministro em funções: na falta da vacina ou medicamento para a covid-19, avançamos com uma #TvEscola por blocos de largo espectro.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Onde Está o Link?




A mensagem "Onde está o link?" é o novo problema escolar; e não só escolar, obviamente. Aliás, o Observatório para as mensagens encriptadas da Sociedade Europeia de IA (SEIA), regista, para esta mensagem, uma subida exponencialmente única nas curvas de mensagens.



Nota: aconteceu o mesmo na China, o que permitiu, através da tecnologia 5G, contornar de vez o isolamento geolocalizável das pessoas.

 




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sábado, 11 de abril de 2020

CN de Protecção de Dados Alerta para Riscos no Ensino a Distância


Orientações para utilização de tecnologias de suporte ao ensino à distância.pdf


"(...)E tal é especialmente evidente nas plataformas que disponibilizam conteúdos pedagógicos especificamente adequados para cada utilizador, que se traduzem na tomada de decisões automatizadas assentes em sistemas de inteligência artificial que analisam o comportamento e desempenho dos alunos (learning analytics).(...)Objeto destas orientações são os tratamentos de dados pessoais realizados através de plataformas de ensino não presencial apoiadas em tecnologias de informação e comunicação (e-Learning) (e.g., Moodle, Edmodo), «cursos online abertos e massivos»8 (e.g., Coursera, Udemy), áreas de trabalho contributivas para partilha de conteúdos (e.g., Padlet, Google Drive), sistemas de videoconferência e partilha de ficheiros (e.g., Zoom, Microsoft Teams), sistemas de messaging e partilha de ficheiros (e.g., WhatsApp).(...)"



 

domingo, 5 de abril de 2020

A Escola por TV

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Encontrei na Internet as frases da imagem e concordo com a perplexidade humorada com a manutenção de políticos tão impreparados, embora em escalas tão diferentes. E lembrei-me do que escrevi há dias: O que aconteceu quase que se circunscreveu à ideia de estar ligado considerando a panóplia de recursos digitais, simples e intuitivos, disponíveis. Para além de tudo, só se combaterá ainda melhor uma próxima pandemia se um mundo cada vez mais autoritário for contrariado com sólido conhecimento da história e da cultura assente em relações presenciais.


E antes, tinha escrito assim: Para além disso, sucederam-se os testemunhos desesperados de professores e pais inexperientes nesta "novidade" que é um complemento aconselhado com adultos ou jovens adultos mas "impróprio" para crianças e jovens (acima de tudo, e como diz a UNESCO, "garanta que o uso destas plataformas e aplicações não violam a privacidade dos alunos"). Há muito que se sabe tudo isto, conhecendo-se vários processos descontrolados, e em muitos casos geradores de mais desigualdades, quando aplicados a turmas numerosas (para o momento, a UESCO sublinha: "dê prioridade a desafios psicossociais, antes de problemas educacionais"). William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983, professor no não superior durante 30 anos e com opiniões interessantes sobre estilos de ensino, diria qualquer coisa assim: experimente-se com 1 aluno, imagine-se com 10, nem se fale nisso a 20 e com 30 ou mais em várias disciplinas será uma "pandemia" emocional e informacional.


E uns dias mais atrás, escrevi o seguinte: Foi assim, por exemplo, "na segunda metade do século XX" com Freinet, Montessori e Summerhill e mais recentemente com as plataformas de comunicação como o Moodle. No último caso, e mais uma vez, o que pode ser uma solução prometedora com adultos ou jovens adultos, torna-se num processo descontrolado se generalizado com crianças e mais ainda em turmas numerosas.(...)"


E vem tudo isto a propósito das críticas à escola por TV por ser uma solução antiga. É, desde logo, uma alternativa ocupacional segura adaptada às circunstâncias. Aliás, quando percebi a corrida a plataformas já proibidas em muitos países até da Europa, lembrei-me das vantagens do antigo Moodle que, como todas as soluções à distância, deve ser usada, de preferência, em adultos e jovens adultos como complemento e com uma boa estratégia, e da Jitsi. Ora leia as ligações seguintes e depois clique e vá à origem ler o texto completo.



"– Moodle


Trata-se de um sistemas de gestão de aprendizagem, em contexto de ensino à distância. É auto–hospedado, podendo e devendo sê-lo em servidor da escola, assim se garantindo protecção máxima da privacidade. Permite: gestão de salas de aula, cursos e conteúdos; ministrar lições, atribuir tarefas, gerar e gerir bases de dados; criar e gerir grupos, fóruns e wikis; criar e gerir salas de conversação; efectuar avaliações; etc.
https://moodle.org/


– Jitsi:


Plataforma e aplicações de vídeo-conferência, de código aberto.


Embora tenha a sua própria instância online, como o Zoom, cada escola pode, e deve, instalar o seu próprio servidor jitsi, assim maximizando a protecção dos dados e da privacidade dos seus alunos, pois as próprias vídeos-conferências ficarão alojadas no servidor da escola.


Não requer, por parte de alunos ou professores, o fornecimento de quaisquer dados (nem números de telefone ou contactos de email… enfim, absolutamente nada). Não exige sequer qualquer registo ou criação de conta.


As videoconferências são encriptadas e de acesso por password.


O acesso às aulas por videoconferência é possível através do simples uso de um web browser, embora também possa ser feito através de um aplicação (também ela livre e de código aberto) para telemóvel (disponível tanto para os sistemas Android como IOS).


Os alunos podem conversar em várias plataformas sem que os seus rostos sejam digitalizados por algoritmos de reconhecimento facial e a sua voz e texto sejam gravados.
https://jitsi.org/"


quinta-feira, 2 de abril de 2020

Interacções

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Embora quem decide sobre orçamentos dos estados pretenda a redução no investimento em profissionais da educação, as lições Covid-19 concluem que está muito distante a substituição das aulas presenciais por fórmulas de "uberização" através de "ensino" à distância (ou sequer de IA) até como panaceia para a falta de professores. O que temos assistido é àquilo que até a alinhada OCDE concluiu: "Portugal é dos países onde os alunos e encarregados de educação têm a melhor opinião sobre os professores". Voluntarismo, iniciativas para estar na primeira linha da ajuda, forte sentido de solidariedade e medo de perder o vínculo contratual, terão levado os menos avisados a confundir sentido profissional, e moral, com generalização de um qualquer "ensino" à distância. O que aconteceu quase que se circunscreveu à ideia de estar ligado considerando a panóplia de recursos digitais, simples e intuitivos, disponíveis. Para além de tudo, só se combaterá ainda melhor uma próxima pandemia se um mundo cada vez mais autoritário for contrariado com sólido conhecimento da história e da cultura assente em relações presenciais.


E é nesse sentido, e numa fase em que a Covid-19 provoca situações dolorosas e impensáveis, que me recordei do que mais interessa (salvar vidas) e do texto na imagem que Ernest Hemingway escolheu para começar "Por quem os sinos dobram". Percebe-se que a (re)construção da Europa não se fará com sistemas escolares que inscrevam desde cedo "ilhas isoladas" em relações à distância.

domingo, 29 de março de 2020

Ensino e Horários Escolares à Distância

A disciplina imposta pelo euro norteou os Governos. Apesar do positivo ímpeto inicial, as políticas da educação foram objecto de cortes que se efectivaram a eito após a crise de 2008. Espera-se que não se repita depois da Convid-19, com governantes a imaginarem o "ensino" remoto à distância como panaceia para a falta de professores. Digamos que o estado do ensino é explicado, como na imagem, por uma lei da física (força da gravidade): nem um salto inspirado na obra maior de Gaudi resiste à queda para o lugar comum. E lembrei-me de um texto que escrevi (e a propósito dos horários escolares à distância que seriam uma espécie de insanidade na actualidade), algures em 2000 ou 2001, para uma revista sobre educação, a propósito de uma mudança curricular. Para também respeitar o verificado espartilho do euro que pode, desta vez, crescer em forma de paz duradoura com a mutualidade das dívidas futuras, mas sem esquecer as dívidas bancárias, as ideias de escola, o ensino à distância, as carreiras e os currículos, ajustei-o.



Horas escolares.

 

Primeiro que tudo – e convém esclarecer – horas escolares é uma questão pessoal. Não consigo resumos para tão pouco tempo. Sou pouco dado a coisas rápidas. Sonhei viver uma eternidade acompanhado das pessoas que mais amo. A angústia da luta contra o tempo desgosta-me. Feitios. Acima de tudo, confesso, gosto da solidão do meu pensamento. Aprecio a elaboração de ideias. É um prazer indizível. É francamente o meu jogo predilecto.

Falar das horas escolares, engloba a minha, já confessada, sedução pelo tempo. Pela sua inexorável voracidade. Mais do que a impossibilidade do eterno retorno, as aulas escolares sempre me pareceram um saltitar de jaula em jaula. Ensinámos, ensinamos e ensinaremos de acordo com os tempos que correm. Com tanta pressa, pela superficialidade ficaremos. Escolarizados e condenados, mas não sages.

Todos querem ter um lugar ao sol na composição dos programas escolares. Tanto há para ensinar. Incontestável e legítima ambição. Da intuição à retórica, tudo justifica a necessidade de tempos escolares.


Das associações científicas de professores aos sindicatos, e passando pelos membros dos governos ou das oposições, todos advogaram a favor da redução do número de aulas escolares. Fez escola e foi consensual. O resultado de todas essas consultas e discussões teve, quase sempre, como resultado a manutenção de quase tudo ou o regresso a fórmulas determinadas pelos picos económicos ou ideológicos. Os argumentos repetiram-se.(...)

Por tudo isto, ser criança em tempo escolar implicará uma percepção alargada e cheia de inúmeras imagens. A sua relação com os mestres será efémera. Curtos – muitos e intermitentes - períodos de concentração serão os segredos de uma boa aprendizagem: entretanto, pouco ou nada se sabe sobre a forma como cada um aprende. A figura do mestre perder-se-á na razão da sua multiplicidade.
A criança necessitará de recorrer a fontes mais velozes, associará ao desperdício de tempo a ideia do pecado original. Terá saudades do futuro?

Na ânsia do minimalismo economicista, projectado desde as nanoteconologias à magreza corporal, nada escapa a esse círculo estonteante. O “zapismo” da vida leva-nos a esta angústia. Andamos tanto para não sairmos do mesmo sítio (e, no entanto, a ciência avança, todos os dias).

É tudo curto, rápido e impreciso. Devorar o “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust, sete volumes, cerca de 4000 páginas em “times new roman” 09, ficará fora de qualquer programa escolar. É pena. A eternidade toda, paradoxalmente, em sete volumosos volumes.

Volta a ser, novamente, uma questão do universo pessoal. A única revisão curricular – e com as mais variadas posições horárias - está dentro de cada um de nós: um postulado para a eternidade, digo eu.


O texto original, não ajustado, está aqui. 


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Imagem:


William Snyder


Barcelona; 1992;


Jogos Olímpicos.