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terça-feira, 21 de abril de 2020

Tecnologias nas Salas de Aula

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A crise escolar provocada pela Covid-19 acentuou a conhecida prevalência das redes de recursos educativos sobre as de gestão e administração. Nunca se discutiu tanto as tecnologias utilizadas pelos professores e os recursos educativos reforçam-se como um mercado muito competitivo e apelativo, mas com uma expansão, ou retracção, imprevisível.


E antes de mais, importa recordar duas questões óbvias: as tecnologias estão há muito nas salas de aula, desde a ardósia, do lápis e do intemporal papel até aos computadores de diversas portabilidades e passando pelo restante universo de material didáctico; para além disso, há cerca de uma década que se percebeu que o ensino do futuro será feito por humanos e que os professores mais "tecnológicos" reduzem ao "indispensável" o uso da internet no que são acompanhados pela massa crítica de Silicon Valley. Ou seja, a escola do futuro será bem sucedida se for o produto de duas simultaneidades: do processo de conhecer com as emoções no ensino presencial e das duas redes referidas. 


Portugal é um caso, e em grande parte acompanhado pelo ocidente, que evidencia o que falta fazer em termos escolares e é até estranho que assim seja porque é um país com muito boas provas dadas onde a sociedade em rede permite desempenhos organizacionais únicos: rede multibanco, via verde ou critical software. Por exemplo, na origem das declarações do ministro da educação - "é impossível saber quais os alunos que não têm internet e computador" - estão mais de vinte anos em que essas perguntas são repetidamente feitas no acto da matrícula e perdidas na incapacidade de se gerar um sistema de dados que se aproxime sequer dos três citados. E essa "impossibilidade", que gera desorganização, tem duas causas: governantes escolares centrados nas redes de recursos educativos e deslocalização da produção tecnológica para a China com o objectivo neoliberal de exibir o supérfluo, inibir o substancial e gerar ganhos financeiros muito significativos e pouco taxados. E esse desequilíbrio nas aprendizagens essenciais, que se tornou avassalador no ocidente, é a conclusão de que para a produção de lápis em qualidade e quantidade é necessária a simbiose da forma com o conteúdo associada ao valor precioso de muito bons desempenhos organizacionais.


Nota: como se previa, a solução #TvEscola atenuou, por mérito de professores e pela mudança da atenção mediática, algumas das insanidades da #NetEscola à pressa. E por mais que me esforce, não descortino uma justificação sensata para tanta sofreguidão que fez, entre outras terraplanagens, tábua rasa de anos a fio da difícil educação em duas áreas: cibersegurança e saúde mental.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O mercado escolar nivela por baixo

 


 


 


A escola deve estar fora do mercado total. Mas isso não significa uma rejeição ao ensino mesmo privado ou à iniciativa privada em sentido lato. A história da escola assenta na regra, na finalidade, na exigência e em processos de inovação e emancipação social. O eterno confronto entre a pedagogia e o senso comum não deve ser mercantilizado. A sobreposição do segundo secundariza o efeito de elevador social ou de gerador de igualdade de oportunidades.


 


O nivelamento por baixo tomou conta do sistema português. Há concelhos em que a lei do mercado para obter alunos origina um vale tudo, nomeadamente onde as ideias de desregulação adulteram a deontologia dos profissionais em prejuízo de alunos e encarregados de educação.


 


Há quem aponte os nórdicos. Na Finlândia, com um século de independência, os professores não dependem do juízo inspectivo ou avaliativo (nem existem). A acção pedagógica conferida pela sociedade assenta numa "evangelização" dos ideais de unidade nacional depois de séculos de ocupação: sueca durante mais tempo e russa num curto exercício temporal.


 


Os finlandeses optaram pelo primeiro vector no confronto da pedagogia com o senso comum. Já os suecos, e depois de conviverem mais de um século sem analfabetismo, acharam-se em condições de estabelecer um mercado total. O desastre já foi assumido e o processo de "nacionalizações" em curso devia ser bem estudado por quem acena com a liberdade de escolha na contenda actual que rodeia os colégios ditos "privados". Até se devia estranhar o silêncio das forças políticas que usam essa argumentação quando os professores da escola pública se confrontaram com milhares de horários zero, e em muitos casos afastados das suas famílias e impedidos de concorrer aos tais colégios financiados pelo Estado, ou com mais de 20 mil desempregados.


 


 


 Reescrito. 1ª edição em 7 de Julho de 2014


 


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

da subida do insucesso escolar

 


 


 


 


"O insucesso escolar subiu em todos os anos de escolaridade em 2012, 2013 e 2014", conclui o relatório CNE 2015 e a tendência manter-se-á em 2015 e nos anos seguintes se nada de substancial acontecer.


 


São variados os ângulos por onde iniciar uma análise à regressão civilizacional enunciada pelo CNE. Mas olhemos pelo funil do neoliberalismo, que nos invadiu e que os suecos, por exemplo, desesperem por abandonar no domínio escolar.


 


Mesmo que se veja boa fé nas teses de Milton Friedman, a conclusão é óbvia: as ideologias totalitárias, de mercado total neste caso, "esquecem-se" da natureza humana e atingem objectivos contrários aos enunciados. É evidente que a escola devia estar fora dessa lógica. Para além da sua histórica natureza organizacional assentar na regra, na finalidade, na exigência e em processos de inovação e emancipação social, o confronto entre a pedagogia e o senso comum não deve ser mercantilizado. O risco de sobreposição do segundo é elevado e relega o efeito de elevador social ou de gerador de igualdade de oportunidades do primeiro para uma ordem muito secundária. Esse nivelamento por baixo invadiu o sistema escolar português e os números do insucesso escolar são elucidativos.


 


São muitos os que apontam os exemplos nórdicos. Na Finlândia, com cerca de um século de independência, os professores são independentes de qualquer tutela, mesmo que inspectiva ou avaliativa, uma vez que a acção pedagógica lhes foi conferida pela sociedade para uma espécie de "evangelização" dos ideais de unidade nacional depois de séculos de ocupação: sueca durante mais tempo e russa num exercício temporal muito inferior. Os finlandeses optaram pelo primeiro vector no confronto da pedagogia com o senso comum. Já os seus invasores suecos, e depois de conviverem mais de um século sem analfabetismo, acharam-se em condições de estabelecer um mercado total. O desastre já foi assumido e as causas do processo de "nacionalizações" em curso deviam ser muito divulgadas.


 


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segunda-feira, 4 de maio de 2015

o mercado escolar está a nivelar muito por baixo

 


 


  


 


Mesmo que se veja boa fé nas teses de mercado total de Milton Friedman, a conclusão é óbvia: as ideologias totalitárias, do capitalismo selvagem ao comunismo, "esquecem-se" da natureza humana e originam desastres humanitários ou atingem objectivos contrários aos enunciados.


 


É evidente que a escola devia estar fora do mercado total. Para além da sua histórica natureza organizacional assentar na regra, na finalidade, na exigência e em processos de inovação e de emancipação social, o também eterno confronto entre a pedagogia e o senso comum não deve ser mercantilizado, porque o risco de sobreposição do segundo é elevado e relega o efeito de elevador social ou de gerador de igualdade de oportunidades do primeiro para uma ordem muito secundária.


 


É exactamente esse nivelamento por baixo que está a tomar conta do sistema escolar português, existindo concelhos em que a lei do mercado para obter alunos origina um vale tudo. É só dar asas à imaginação e ao conhecimento para presenciar comportamentos impensáveis, nomeadamente onde as ideias de desregulação originam desvios inclassificáveis que adulteram a deontologia dos profissionais da Educação em prejuízo de alunos e encarregados de educação.


 


São muitos os que apontam os exemplos nórdicos. Na Finlândia, com cerca de um século de independência, os professores são independentes de qualquer tutela, mesmo que inspectiva ou avaliativa, uma vez que a acção pedagógica lhes foi conferida pela sociedade para uma espécie de "evangelização" nos ideais de unidade nacional depois de séculos de ocupação: sueca durante mais tempo e russa num exercício temporal muito inferior.


 


Os finlandeses optaram claramente pelo primeiro vector no confronto da pedagogia com o senso comum. Já os seus invasores suecos, e depois de conviverem mais de um século sem analfabetismo, acharam-se em condições de estabelecer um mercado total. O desastre já foi assumido e o processo de "nacionalizações" em curso devia ser bem estudado.


 


 


 1ª edição em 7 de Julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

dos ratos e dos navios

 


 


 


 


A falta de prestação de contas tem sempre um efeito de retorno; mesmo que simulado.


 


Há uma constante no que levamos de milénio: os políticos sociais-democratas, socialistas de terceira via e neoliberais associados aos colunistas económicos seguiram os ultraliberais do poder económico, acusaram os grupos profissionais a abater de não prestarem contas e de serem grandes despesistas. Como panaceia, os políticos em exercício ou em estado de campanha eleitoral montaram ardilosos monstros burocráticos para avaliar o desempenho e exigir accountability (como gostavam de repetir).


 


Perante a hecatombe de 2007 e uma vez escancarada a corrupção que perpetravam ou apoiavam como ideologia liberal (santa ingenuidade ou serventia oportunista), situaram-se longe da responsabilidade.


 


Há tempos foi Durão Barroso a abandonar o barco para ver se continua a navegar; numa aparente contradição, não se coibiu de culpar o BPN, o BPP e as PPP's como quem não tem qualquer conta a prestar; nem política. É uma festa.


 


Mas o mais risível já tem três dias: César das Neves, esse economista mais friedmaniano do que qualquer habitante de Chicago, profetiza o "BES como o maior escândalo financeiro da história de Portugal". Talvez fosse bom que alguém lhe explicasse que os "salgados-lusitanos" são uns meninos de coro ao pé dos congéneres norte-americanos, alemães (sim, alemães) e franceses para que C. Neves não entre em depressão. Claro que neste caso há sempre que considerar a humana história dos ratos e dos navios.


 


 



 


 



 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

mercado da educação acelera o abaixamento do nível

 


 


 


 


 


Neste debate sobre a rede escolar das Caldas da Rainha, um dos representantes dos partidos políticos com acesso aos dados do concelho (isto é para elevar um pouco a coisa, que dados fiáveis por aqui são coisa de outro mundo) foi peremptório: só cerca de 40% dos alunos que frequentam o ensino secundário ou equivalente o fazem nas escolas com responsabilidade directa do MEC. Alguém acrescentou: essas escolas estão sublotadíssimas e dispõem de instalações com excelentes equipamentos e capazes de preencher todas as ofertas. Por outro lado, os tais 60% de oferta que estão entregues a outras entidades funcionam em instituições que durante anos retiraram alunos das escolas secundárias e que usaram os professores dessas mesmas escolas em regime de acumulação. Alguma da oferta nesta área recorre mesmo aos lamentáveis cursos de "vão de escada".




A ideia de desregulação do mercado é, hoje não restam dúvidas, desastrosa. Milton Friedman seria o primeiro a reconhecer. Os totalitarismos ideológicos não convivem com a democracia e a necessidade de regulação é fundamental para contrariar a natureza maléfica e mais animalesca da condição humana. A ideia de mercado aplicada à Educação numa sociedade ausente como a nossa é ainda mais arrepiante como se vai comprovando.


 


Já algum tempo que tenho por aqui uma email proveniente de outro concelho do país sobre a oferta no secundário. O email está identificado e tem detalhes de fazer abanar a cabeça na horizontal.


 


 




 


 


 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

coisas estranhas

 


 


 


 


 


 


 


É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.


 


Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.


 


Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.


 


Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.


 


As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.


 


É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.


 


É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.


 


"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.












Este texto é inspirado noutro


post que escrevi há uns anos.

domingo, 22 de julho de 2012

a denuncia de joseph stiglitz em 2009

 


 


O prémio Nobel da economia foi taxativo em 2009: estamos perante uma luta de classes derivada da corrupção ao estilo norte-americano.


 


A desregulação dos mercados inspirada na tese de Milton Friedman está definitivamente desmontada. A ideia de que os grandes grupos financeiros exerciam melhor a responsabilidade social do que os governos, conheceu nestes dias um abalo severo.


 


Já se suspeitava que os offshores acumulavam capital sem fim, mas agora sabe-se que o buraco negro é descomunal. Que ninguém se iluda: os nossos bons alunos para além da troika são gerentes destes interesses e as privatizações em curso em Portugal estão contaminadas por esse tipo de ganância.


 


Se nada mudar, e é difícil que mude com as democracias suspensas, assistiremos a sangrentas batalhas entre classes sociais.


 


Super-ricos "escondem" mais de 17 biliões de euros em paraísos fiscais 


 


 


"Há um “enorme buraco negro” na economia mundial: as fortunas privadas mantidas em paraísos fiscais. Até agora não se sabia quantificar o tamanho desse “buraco”. Mas neste domingo foi divulgado um estudo que revela que a elite internacional de “super-ricos” preserva em paraísos fiscais pelo menos 21 biliões de dólares (17,3 biliões de euros).(...)"

domingo, 10 de junho de 2012

"cartelização de capitais"

 


 



 


 


Foi estranho ouvir pessoas do grupo "mais sociedade" dizerem que desconheciam o que é o neoliberalismo e depois ouvi-las a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconheciam a história, então eram um caso que se devia considerar.


 


Dizerem que a avaliação das pessoas tinha de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, foi uma linguagem bem-pensante e sedutora que se podia transformar em totalitária, como foi exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade.


 


Para percebermos o que queriam esses ultraliberais, tínhamos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.


 


Quando essa espécie de políticos se esconderam na negação do neoliberalismo, trouxeram à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.


 


Espalharam-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados. As propostas que a "mais sociedade" apresentou, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram às claras o argumentário dos que apontavam para um liberalismo contemporâneo que tinha muito a ver com Milton Friedman e que estava fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.


 


O que ninguém duvida é que esse liberalismo com neo branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e está acima de qualquer prestação de contas. E a "mais sociedade" só se importunou com o poder político, mesmo com o que tinha legitimidade democrática.


 


Esse liberalismo "desconhece" a "cartelização de capitais" e tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo. Na Europa essa questão vai colocar-se nos tempos mais próximos e voltarei ao assunto.


 


"cartelização de capitais", que a "mais sociedade" também negava servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.


 


 


 


 


 


(Já usei este texto noutro post)


 


 

sábado, 9 de junho de 2012

lápis

 


 



 


O professor de economia política em Harvard, Dani Rodrik, e no seu texto "O pensamento mágico de Milton Friedman", interroga-nos a propósito das explicações que o economista do "Free to choose" nos daria a propósito do domínio industrial da China.


 


Pegou no exemplo do lápis que Friedman utilizou no citado e célebre programa televisivo para questionar a defesa que o prémio Nobel fazia dos mercados sem regulação governamental. Lembrou-nos que os milhões de lápis que por aí circulam são produzidos numa China que regula a industria com forte intervenção do governo e do partido único.


 


Os exemplos semelhantes ao lápis multiplicam-se e parecem imparáveis.


 


 


 


(Já usei este texto noutro post)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

dos sábios




O emprego para toda a vida é monótono e já não existe. Há pelo menos três décadas que pessoas bem instaladas desenvolvem esta epifania Friedmaniana, que só é humana com estados sociais ricosÉ um discurso assinado pelos que vão trocando de lugares, por influência no ambiente dos empregos mais endinheirados, e que já ganharam o suficiente. Esta imposição aos outros de um modo de vida tem um objectivo primeiro: precariedade, ausência de carreiras e eliminação da classe média. Os resultados também se vão acentuando: excessiva mobilidade, abandono das pessoas da terceira idade e quebras da natalidade. Sabemos que a globalização é incerta e que isso se reflecte no mercado de trabalho. Deveria exigir, portanto, as políticas possíveis de estabilidade e não o contrário.


Desta vez foi um não sufragado de forma directa e universal a chocar a Itália. Mário Monti é mais um impositor de estilos de vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

já não é apenas joseph stiglitz

 


 


Começa a ser recorrente ouvir um prémio Nobel da economia afirmar que os programas de austeridade em curso não resultam. Desta vez é Paul Krugman. Considera-os ruinosos e não pode ser considerado de esquerdismo radical, como alguns gostam de classificar a lucidez de Joseph Stiglitz. Para já vai pervalecendo a tese dos alunos de Friedman que chegaram aos governos sem sufrágio directo e universal. Dá que pensar.


Krugman acusa decisores de amnésia intencional que leva a austeridade ruinosa 


"O economista Paul Krugman sustenta que o Produto Interno Bruto (PIB) – ou seja a riqueza gerada – da maioria das principais economias europeias está a evoluir pior do que após a Grande Depressão de 1929, o que prova que a austeridade na Europa não está a funcionar."

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

capital incolor num mundo às avessas

 


 



 


 


 


A correria à volta da reprivatização da EDP, a mais volumosa da História portuguesa, foi ganha pelo gigante asiático chinês "Three Gorges" que tem mais de 14.000 trabalhadores com salários que desconheço. Há especialistas que dizem que foi uma decisão sábia do governo português e que abre as portas da Europa ao capital chinês. Só o tempo ditará as consequências.


 


Estranho, confesso, que a reprivatização desta monopolista jóia da coroa tenha sido ganha por uma empresa estatal, e também monopolista, de um país que os neoliberais não se cansam de acusar de autocrático. O mentor Milton Friedman deve estar a dar voltas no seu aconhego com o triunfo das industrias fortemente regulamentadas pelo estado e com as decisões dos seus melhores alunos.


Governo diz que proposta chinesa para a EDP era “a mais forte em termos globais”


A secretária de Estado do Tesouro e Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou hoje que a proposta da Three Gorges, que pagou 2,69 mil milhões por 21,35% da EDP, foi seleccionada por ser “a mais forte em termos globais”.

domingo, 30 de outubro de 2011

o lápis nos mercados

 


 



 


O professor de economia política em Harvard, Dani Rodrik, desenvolve ideias muitos interessantes no Público de hoje. O seu texto, "O pensamento mágico de Milton Friedman", interroga-nos a propósito das explicações que o economista do "Free to choose" nos daria a propósito do domínio industrial da China.


 


Pegou no exemplo do lápis que Friedman utilizou no citado e célebre programa televisivo para questionar a defesa que o prémio nobel fazia dos mercados sem regulação governamental. É. Os milhões de lápis que por aí circulam são agora produzidos numa China que regula a sua industria com forte intervenção do governo. Podemos interrogar os discípulos convictos, a começar pelo nosso ministro das finanças.


 


Às tantas, trata-se apenas de uma forma de atenuar a ganância e a corrupção. As ideologias que desconsideraram a natureza humana geraram totalitarismos e elevaram a democracia. A necessidade de regular o capitalismo parece óbvia. Como  alguém disse, sempre existiram mercados; capitalismo selvagem é que nem por isso.