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domingo, 2 de abril de 2023

11 Cozinhas (post de 31.07.2018)


É tal o desvario imobiliário na zona histórica de Lisboa, que uma casa com 11 cozinhas esteve à venda por quase 6 milhões de euros. O assunto mediatizou-se e revelou - na defesa e no ataque - o tradicional e nefasto clubismo: é nos clubes como nos partidos, nos países, nas cidades, nos bairros, nas escolas e até nas praias. E, como se vai percebendo, o fenómeno aprende-se de pequenino e parece em crescendo. Vá lá: o vereador proprietário das 11 cozinhas demitiu-se.


domingo, 23 de junho de 2019

Começar Cedo

 


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Quadros de mérito ou de valor aos 10 anos?!


Começar cedo, como se de um adulto em miniatura se tratasse, a competir desportivamente ou a ser alvo de honrarias e louvores no ambiente escolar, eram políticas "inócuas" nos anos 50 e 60 do século passado. Era uma espécie de "inocente" preparação para a "selva dos adultos", associada, de forma consciente ou não, a uma carga ideológica classista e exclusiva. Actualmente, são decisões inaceitáveis no domínio das políticas de prevenção da saúde pública. Como alguém disse, já são inúmeros os estudos e as recomendações da OMS: desde Michael Sandel, sobre a invasão dos valores do mercado em todas as esferas da vida, até ao psicólogo Roy Baumeister (conceito "depleção do ego"), com contributos para o reconhecimento recente do burnout pela OMS, e passando pelo fundamental "Nenhuma Medalha Vale a Saúde de uma Criança" de Jacques Personne ou pelo recente "Range" de David Epstein, (com um estudo comparado que tem, para além de outros dados, uma contraposição do percurso saudável, por especialização "tardia e generalista", do tenista Roger Federer ao dramático esgotamento emocional, por especialização precoce, do golfista Tiger Woods ou das irmãs Polgar - xadrezistas vítimas de uma "MãeTigre"; aliás, fenómeno que exigiu mudanças recentes e drásticas nas políticas de Singapura relacionadas com os resultados escolares -).


Não é defensável usar a "aceitação" das crianças e jovens na aplicação de quadros de mérito ou de valor antes dos 14 anos. Os estudos indicam que os quadros destinam-se (em regra, obviamente, porque há muitos que desconhecem a história) a satisfazer o ego dos progenitores ou a vaidade institucional dos decisores. Será, portanto, um gesto de saúde pública usar um alfinete no ego dos crescidos (como na imagem), antes que a depleção do ego dos futuros adultos comece em idades cada vez menos avançadas.


 



Nota: esta segunda publicação deve-se à partilha para o facebook. A primeira versão não assumia a imagem.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Começar Cedo (1ª Versão)

 


Quadros de mérito ou de valor aos 10 anos?!


Começar cedo, como se de um adulto em miniatura se tratasse, a competir desportivamente ou a ser alvo de honrarias e louvores no ambiente escolar, eram políticas "inócuas" nos anos 50 e 60 do século passado. Era uma espécie de "inocente" preparação para a "selva dos adultos", associada, de forma consciente ou não, a uma carga ideológica classista e exclusiva. Actualmente, são decisões inaceitáveis no domínio das políticas de prevenção da saúde pública. Como alguém disse, já são inúmeros os estudos e as recomendações da OMS: desde Michael Sandel, sobre a invasão dos valores do mercado em todas as esferas da vida, até ao psicólogo Roy Baumeister (conceito "depleção do ego"), com contributos para o reconhecimento recente do burnout pela OMS, e passando pelo fundamental "Nenhuma Medalha Vale a Saúde de uma Criança" de Jacques Personne ou pelo recente "Range" de David Epstein, (com um estudo comparado que tem, para além de outros dados, uma contraposição do percurso saudável, por especialização "tardia e generalista", do tenista Roger Federer ao dramático esgotamento emocional, por especialização precoce, do golfista Tiger Woods ou das irmãs Polgar - xadrezistas vítimas de uma "MãeTigre"; aliás, fenómeno que exigiu mudanças recentes e drásticas nas políticas de Singapura relacionadas com os resultados escolares -).


Não é defensável usar a "aceitação" das crianças e jovens na aplicação de quadros de mérito ou de valor antes dos 14 anos. Os estudos indicam que os quadros destinam-se (em regra, obviamente, porque há muitos que desconhecem a história) a satisfazer o ego dos progenitores ou a vaidade institucional dos decisores. Será, portanto, um gesto de saúde pública usar um alfinete no ego dos crescidos (como na imagem), antes que a depleção do ego dos futuros adultos comece em idades cada vez menos avançadas.


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terça-feira, 31 de julho de 2018

11 cozinhas

 


 


É tal o desvario imobiliário na zona histórica de Lisboa, que uma casa com 11 cozinhas esteve à venda por quase 6 milhões de euros. O assunto mediatizou-se e revelou - na defesa e no ataque - o tradicional e nefasto clubismo: é nos clubes como nos partidos, nos países, nas cidades, nos bairros, nas escolas e até nas praias. E, como se vai percebendo, o fenómeno aprende-se de pequenino e parece em crescendo. Vá lá: o vereador proprietário das 11 cozinhas demitiu-se.

sábado, 2 de abril de 2016

da especialização precoce e da repetição do óbvio

 


 


 


Para além de tudo, e quando se compara os sistemas desportivos com os escolares, há um dado antigo que volta a exigir reflexão: por que será que os desportos que especializam precocemente não se afirmam nas sociedades? Não é apenas por reduzirem o número de praticantes, é também porque impedem o "jogo de rua" e não criam massa crítica essencial à sua mediatização, capacidade negocial e "aceitação" pelas maiorias. Ficam minoritários, que não pode ser o objectivo de um sistema escolar; ou pode? Em Portugal tem sido quase sempre, para gáudio das "elites".

terça-feira, 5 de maio de 2009

vozes

 


 


 (encontrei esta imagem aqui)


 


 


Pais divergem sobre educação pré-escolar obrigatória a partir dos três anos 


 


 


(...)"Segundo explicou ao PÚBLICO o presidente da Confap o objectivo é, até ao final da próxima legislatura (2013), conseguir-se uma “educação de qualidade e não apenas um espaço onde os pais depositam as crianças”. Para Albino Almeida é muito importante que as crianças entrem nas escolas antes do primeiro ciclo, já que “os estudos científicos mostram que estes meninos têm um desempenho e um rendimento superior”.



No entanto, para a presidente da Cnipe, não faz sentido acordar uma idade ideal “sem promover um debate alargado a nível nacional”. Maria José Viseu recordou, em declarações ao PÚBLICO, que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias” e que o mais importante de tudo é assegurar que as crianças vão ser transportadas em condições de segurança e que não vão ser obrigadas a percorrer grandes distâncias para as escolas."(...)


 


 


Ora aqui está uma divergência que interessa seguir com toda a atenção, uma vez que, e nos últimos anos, a única voz que se fazia ouvir era a do representante da Confap. Não sei a que estudos científicos é que o senhor da Confap se refere, mas ao que julgo saber a escola só influencia em cerca de 40% o sucesso escolar (10% para os professores nesses quarenta) ficando a fatia maior, de 60%, para as responsabilidades familiares. Talvez seja por isso que a representante do Cnipe diz que “há vários países europeus que estão a defender a aproximação às famílias”. Bem sabemos que cada país é o que é, e que numa sociedade ausente como a nossa as escolas ainda têm que ajudar na "guarda" das crianças; mas isso não significa projectar uma escola a tempo inteiro com a desresponsabilização de todos os outros sectores da sociedade.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

a política dos dez por cento

 


 


 


 


Texto publicado na "Gazeta das Caldas", jornal das Caldas da Rainha, algures em 1992. Em 2005 dei-lhe o título de "a política dos 10 por cento".


 


Porquê? É uma homenagem aos políticos que ainda não acreditam que as coisas bem feitas têm 10 por cento de inspiração e 90 por cento de trabalho.


 


Penso que é hoje consensual a necessidade de se fazer o ordenamento do território, realizando e cumprindo os Planos Directores Municipais, assegurando assim a qualidade de vida das populações e a preservação do meio ambiente.


 


As actividades físicas e desportivas enquadram-se nestes objectivos, não apenas por metáfora ou analogia pertinente, mas também por consenso. Mas será que se percebe ou discute o seu necessário ordenamento? Sabemos que os níveis de desenvolvimento destas actividades são variados (rendimento, lazer e formação), mas os destinatários são todos cidadãos e os indicadores principais são pois, a cidadania responsável e o bem-estar. Analisemos agora em pormenor, o que se passa com as actividades destinadas às crianças e jovens.


 


Importa antes de mais precisar, que penso que a este nível os pincípios orientadores devem ser comuns, pese embora as diferentes instituições que as promovem (clubes, escolas públicas ou privadas, associações,…). O grau biológico do esforço pretendido, o respeito pelos ritmos individuais de aprendizagem de cada um, as características psicossociais deste grupo etário, devem ser em qualquer circunstância escrupulosamente respeitados. Na nossa realidade, o que observamos são os extremos que se tocam, o caos "urbanístico" latente. É frequente e chocante, verificar o que se passa nos quadros competitivos das diversas instituições: escolta policial para os árbitros, uma pressão desmesurada sobre os jovens (com os próprios pais à mistura), "chicotadas psicológicas", falsificação das idades, jogos disputados em recintos não adaptados às possibilidades biológicas dos jovens, instituições públicas sem um mínimo de meios. Acresce ainda, a preocupação de alguns, que começam a falar de crianças maltratadas na especialização desportiva precoce. A política dos equipamentos desportivos, é realizada sem a preocupação de os rentabilizar, funciona com divórcios inexplicáveis.


 


As escolas, sem autonomia e dirigidas por um poder abstracto e através de ofícios ede circulares, são o exemplo acabado do que foi dito, tendo sempre grandes dificuldades em se integrar e servir os interesses das comunidades. As autarquias, procuram ultrapassar as ausências de actividade. Mas como?


 


Vejamos, como exemplo, as Caldas da Rainha.


 


Na escola preparatória e na secundária Rafael Bordalo Pinheiro, as dificuldades para realizar a disciplina de Educação Física e o desporto escolar de acordo com as legítimas aspirações da comunidade, são elevadas, por sobrelotação e ausência de espaços adequados. Sabemos que o horário "nobre" para realizar as actividades com este grupo etário, oscila entre as oito e as dezoito horas. Entretanto, a autarquia construiu um pavilhão na mata da cidade, que durante este período está invariavelmente vazio. Então? Não seria lógico e ordenado que o pavilhão estivesse na escola, gerido sem conflitos de interesses e ao serviço real da comunidade, sendo utilizado depois das dezoito horas pelos clubes? Com base em que estudo, se está a construir uma nova infraestrutura desportiva coberta, junto à universidade da cidade? Quem a vai utilizar durante o dia? Será a nova escola 1,2,3? E nos dias de chuva, em aulas de educação física de 50 minutos intervaladas por períodos de 10 minutos das restantes aulas, como é que os jovens se deslocam? Quem faz a gestão criteriosa das necessidades reais de equipamentos? Bom, estas e outras respostas deveriam ser dadas pela política participada de ordenamento.


 


Espera-se da escola, que facilite ao jovem depois de 12 anos de escolaridade (cerca de 700 horas de aulas de educação física), os conhecimentes e hábitos suficientes, que o levem a construir o seu próprio programa de actividade física (como vai à biblioteca escolher o livro sem o professor respectivo), que saiba escolher dentro das ofertas que recebe quais as que o beneficiam verdadeiramente e com atitudes e valores conducentes a uma cidadania responsável.


 


Espera-se do desporto escolar, um forte contributo na formação desportiva e integral dos jovens.


 


Espera-se do professor, que continue entusiasmado, que saiba gerir os seus conflitos com o sistema, mantendo a atenção e a lucidez para tentar ser feliz.