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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Da Trágica Falta de Professores

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Destaca o Expresso: "Envelhecimento ameaça deixar escolas sem docentes". Há cerca de uma década que se percebeu que isto ia acontecer, mas os avisadores foram rotulados de alarmistas. Pois bem: o grave problema passou de conjuntural (mais de metade dos professores, 52.000 são cerca de 60% dos que existem, reformar-se-á até 2030) a estrutural. A notícia também destaca o silêncio do Ministério da Educação. Aliás, é um antigo e ensurdecedor silêncio em relação ao essencial. Fala-se de escola do século XXI, de autonomia, de flexibilidade curricular e de inclusão, mas o que é ainda mais estruturante, e com efeitos muito negativos, mantém-se imutável há mais de uma década. Fala-se do que dá algum lustro mediático e silencia-se o que é mais exigente. Dá ideia que há um misto de "nem queremos ouvir falar nisso" com "é melhor fazermos de conta que está bem assim". Será mais grave se subsistir o "está bem assim" misturado com o "não faço qualquer ideia" e com a obsessão de que esta municipalização é uma panaceia progressista.


Mas outra causa que transformou em estrutural a falta de professores ficou patente na aprovação do OE2020. O discurso de Mário Centeno incluiu um elenco de elogios a Portugal: somos dos melhores da Europa a lidar com a dívida pública, nas condições para o investimento, para viver, para fazer turismo e por aí fora, e na educação (citou o PISA). E quando repetiu que os alunos, e só os alunos, estavam de parabéns, a sua bancada irrompeu em aplausos como não fizera a nenhum dos elogios anteriores. Se achou oportuno um elogio (mesmo que exagerado), seria, no mínimo, à escola pública que é quem acolhe todos os alunos e ajuda a melhorar indicadores de resultados e abandono escolar. A omissão dos professores foi particularmente saudada pela bancada do PS. Percebeu-se. É grave este estado da relação dos partidos de Governo com os professores do seu país que foram objecto de uma série de medidas inquestionavelmente neoliberais e que mantém injustiças brutais.


Há dois anos - e para não recuar a 2008, em "Escolas sem Oxigénio", quando tudo começou ou ao tempo da troika -, escrevi assim:


"A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal e no regresso dos professores titulares. Não é assim. Há países "sem" professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha (citada por Centeno no discurso do OE2020 por estar atrás de nós no PISA), por exemplo, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" por um salário. Em Portugal, como em França ou Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa".


Chegados aqui, e como nada se fez na formação inicial e se agravaram as condições de realização do ensino e da carreira dos professores, só nos restaria implorar que os robots atenuassem a falta estrutural de professores. Mas os estudos sensatos em IA remetem a profissão de professor para as insubstituíveis porque os robots do futuro próximo só estarão emocionalmente aptos para liderar os seus semelhantes e em grupos com 1 aluno. Portanto, é avisado antecipar (mesmo que nos rotulem de novo como alarmistas) que nem os robots impedirão a estrutural, e trágica, falta de professores.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Repitamos, Sr. Ministro das Finanças

Uma população mais escolarizada e menos pobre vai reduzindo, naturalmente, o abandono escolar e melhorando os resultados em testes internacionais como o PISA. Quando a sociedade estagna, as oscilações são, em regra, pequenas. É também o caso português. A partir da última década do século XX fomos diminuindo a pobreza e aumentando a escolaridade. Os resultados no PISA, por exemplo, melhoraram gradualmente neste século (a exemplo do abandono escolar precoce: 40% em 2000, 20% em 2010 e 10 % em 2020) e têm tendência a estabilizar uma vez que a pobreza (ou classe média muito baixa quando a fome deixa de ser gritante) teima em não descer dos 2 milhões de pessoas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O OE2020 e os Professores

Na aprovação do OE2020, o discurso do ministro das finanças incluiu um elenco de elogios a Portugal: somos dos melhores da Europa a lidar com a dívida pública, nas condições para o investimento, para viver, para fazer turismo e por aí fora, e na educação (citou o PISA e não vou agora repetir que o entusiasmo é exagerado). E quando Mário Centeno repetiu que os alunos, e só os alunos, estavam de parabéns, a sua bancada irrompeu em aplausos como não fizera em nenhum dos elogios anteriores. Voltarei a este assunto, mas fica evidente que se esperava um elogio (mesmo que exagerado), no mínimo, à escola pública; a omissão dos professores foi particularmente saudada pela bancada do PS; percebeu-se. É uma tristeza este estado da relação deste partido com os professores do seu país que foram objecto de uma série de medidas inquestionavelmente neoliberais.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

E A Poesia

 


Quando o ministro da educação "garante que têm dado resposta necessária às escolas públicas", refere-se aos professores em substituição de quem entra de baixa médica prolongada (também era melhor que não acontecesse) e às obras de requalificação das escolas. Quanto às questões nevrálgicas da escola pública como imperativo democrático, é um silêncio ensurdecedor e uma inacção prolongada que contagiou a antiga geringonça. Resumamos: é um Governo, e um OE2020, com a prosa elementar, mas que eliminou qualquer sinal de poesia.


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sábado, 14 de dezembro de 2019

Orçamento 2020 "Sem Professores"

 


Desde a "coligação" parlamentar que decidiu, na especialidade, "recuperar" todo o tempo de serviço dos professores que este grupo profissional passou a proscrito na generalidade. Não foi apenas porque o PM ameaçou demitir-se, foi também pelo que se seguiu. Os partidos da direita, os mais oportunistas na matéria, desdisseram-se de imediato, como era óbvio, e o BE e o PCP ficaram ainda mais anestesiados. Mas o pior centrou-se no fechamento de portas para o futuro, como se observa no silêncio à volta da relação dos professores com o OE2020.