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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Um bom estudo da Missão Escola Pública

Um professor pode trabalhar até aos 70 anos. Ou seja, pode continuar a trabalhar depois de atingir a idade da reforma. A decisão pode ser incompreensível numa classe tão desgastada, mas é legítima. Não tem a culpa é que o Governo pague por isso e que a sua decisão se torne um entrave ao rejuvenescimento do grupo de professores se prolongar a carreira numa zona não carenciada de professores e leccionar uma disciplina que formou professores em excesso e tem uma longa lista de não colocados.



"Professores: adiamento da reforma pode revelar-se medida “economicamente danosa”"



 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Começa a ser muito tarde


"Recurso a professores sem habilitação profissional quadruplicou numa década. Falta de professores é transversal a vários países. OCDE alerta que recurso a professores não qualificados pode ter “implicações significativas” para a qualidade e para a equidade da educação."



 

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Um estudo descolado da realidade sobre a falta estrutural de professores

Em 2013, escrevi assim: Se me lembrar do consulado de David Justino, tenho bem presente a indignação que provocou a sua afirmação de que só não "contratava pessoas como João Rendeiro do BPP para gerirem escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar" ou uma inenerrável informatização de um concurso de professores, recheada de incompetência técnica e política, que descredibilizou de forma irreparável por uns bons anos todo o sistema escolar e que abriu portas aos sucessivos devaneios que se seguiram e que parecem não ter fim. Ou seja, só vão faltar professores "já em 2026".


Ora leia as ligações deste estudo surreal:



"País poderá não ter professores suficientes para substituir os que faltam já em 2026.


Professores precisam-se (e com urgência).


Falta de professores: “Não estamos perante um problema irresolúvel”, diz David Justino"


sábado, 15 de junho de 2024

O "triunfo" de Nuno Crato

 


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Encontra aqui a notícia que está na imagem. Foi o que originou a explosão dos professores durante a troika e que provocou a célebre e difícil greve aos exames do ensino secundário. Era ministro Nuno Crato. Já tinha perpetrado o maior despedimento colectivo da história (cerca de 20 mil professores) e preparava-se, com esta medida, para eliminar mais 10 mil. Foi mais um ministro surreal que acentuou a fuga à profissão e a sua consequente perda de atractividade. 


Ontem, avisaram-me que Crato estava pela SICN. Recuei a box e vi. Fiquei perplexo. Disse que tem mais de 70 anos de idade e que está irritado porque não o deixam leccionar. Disse que se fosse mais novo e reformado, aceitava logo o regresso e sem os tais 750 euros (não imagina o que é leccionar no não superior). Disse esta brutalidade num directo televisivo, como disse outra na troika: pode-se leccionar melhor uma turma de 30 alunos do que uma de 15: depende da qualidade do professor. E repetiu que avisou numa linha do preâmbulo de um decreto (em 2014, quando estava de saída, e depois de inúmeras deisões em sentido contrário) que iriam faltar professores, quando basta uma pesquisa rápida para encontrar na comunicação social da época declarações suas a afirmar o contrário (Jornal Sol em 7 de Setembro de 2012: "há professores a mais. Estamos ao nível dos países ricos no número de alunos por turma. Vou continuar a reduzir professores nos próximos anos. Não estou à espera de contestação nas ruas".

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Plano de emergência para a Educação

 


A maioria das democracias ocidentais chegou tardíssimo à falta estrutural do professores; e não foi por falta de avisos. Portugal está na linha da frente dos que mais se atrasaram. O estado de negação foi imperdoavelmente longo.


O Governo apresentou hoje o "Plano+Aulas+Sucesso". É o primeiro. Nota-se o desnorte e o desespero.


Desde logo, omite-se o cerne do flagelo: o clima escolar.


Por outro lado, algumas medidas são previsivelmente ineficazes, nomeadamente as que se dirigem aos exaustos professores que se aposentam, aos exaustos professores a quem se propõe até dez horas extraordinárias, ou no apoio administrativo aos directores de turma (é mesmo surreal esta intenção, já que a entropia informacional é estrutural e profunda).


No fundo, diga-se que é um plano que acrescenta muito pouco ao que existe e que tem medidas dirigidas aos bolseiros do ensino superior e bolsas de estudo para a formação inicial de professores. Tem dados, obviamente, e medidas quantificadas. Mas não basta ter dados. É como com as alterações climáticas: não basta obter dados, é crucial ir ao âmago das causas.


Regista-se que não se cortou no currículo nem nos dias semanais com aulas. E, pelo menos por agora, não há qualquer referência ao que já vai acontecendo por muitos lados e também por cá: a procura desesperada de alguém, as habilitações são detalhes contornáveis, para estar com os alunos.


O ficheiro apresentado pelo Governo Plano-AulasSucesso-MECI.pptx

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores

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São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores


Pelo Público em 13 Setembro de 2022. Como acordado, o texto está publicado no blogue.


Título: São as políticas, e não o absentismo ou as aposentações, que causam a falta de professores


Milhares de alunos meses a fio sem professor a pelo menos uma disciplina, ou com constantes substituições dos precários que os ensinam, são sinais preocupantes para as democracias; por cá, tornaram-se indisfarçáveis desde 2017. Como se regista nos EUA, no RU e em vários países europeus (os nórdicos resistiram porque têm classes médias maioritárias e consistentes), é nos territórios com mais problemas sociais ou isolados, ou atingidos pela especulação imobiliária, que cresce a falta de professores.


Aliás, ser professor já só motiva uma minoria interessada na formação em educação básica. É o resultado das reformas neoliberais, sintonizadas com a OCDE, que visaram a sustentabilidade económica dos estados. A forte redução dos orçamentos da educação exigiu políticas de engenharia social que incluíram a descredibilização da escola pública e dos seus professores. Em regra, os governos seleccionaram uma forma de manipulação para popularizar as decisões: destaques mediáticos especulativos das estatísticas do absentismo dos professores e da sua massa salarial.


A bem dizer, Portugal chegou tarde a este processo. Mas acelerou-o a meio da década de 2000. Aplicou a eito, com pouca consistência teórica e sem estudos empíricos, um conjunto de políticas extremistas na carreira dos professores, e na sua avaliação, sustentadas por um modelo autocrático de gestão das escolas. As históricas contestações dos professores (2008 e 2013) - reconhecidas pelas oposições nas campanhas eleitorais, mas "esquecidas" logo que tomaram o poder -, anteciparam a crise vigente.


Acima de tudo, a inacção dos sucessivos governos desconvocou a esperança, instalou o desalento e eliminou a capacidade de contestação dos professores. Mas criou uma casta que se acomodou e que usa um argumentário que suaviza a consciência dos governos.


Para além disso, o marketing partidário manipulou os dados dos resultados dos alunos para certificar o caminho certo. A melhoria no PISA (OCDE), ou a "natural redução do abandono escolar" numa sociedade que se desenvolveu e escolarizou, serviu para discursos oportunistas nivelados pelas contendas sobre os rankings nacionais.


No essencial, as finanças passaram a supervisionar a educação. Como confessou Alexandra Leitão (teve pastas na AP e na Educação) ao Expresso de 19 de Agosto de 2022, "o sistema de avaliação da AP é injusto. Tentei modificá-lo e não consegui. Não houve abertura do Ministério das Finanças. Não vale a pena dizer outra coisa."


De resto, estabeleceu-se um silêncio estrutural sobre uma organização que "adoecia os professores" e os mergulhava num tríptico bem documentado: exaustão, amargura e indignação. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato os procedimentos parciais e arbitrários.


Tudo isto foi fatal. Não só promoveu a fuga dos professores, como transformou as escolas em laboratórios de controlo social e favoráveis ao caciquismo local. Aliás, é já só neste universo que encontramos "dinossauros" a dirigir a mesma escola durante cerca de duas décadas, ou até três ou mais, e que ainda são aplaudidos pela corte do sistema que faz assim tábua rasa da mais elementar ética republicana. 


Por isso, a comparação da actualidade com 2010, como fez o actual ministro da Educação, regista a subida do absentismo e da mobilidade por doença sem a necessidade de inundar os leitores com números. Há causas transversais à AP (exaustão, envelhecimento e milhares de aposentações na década de 2020 que os governos ignoraram) e é igualmente consensual o efeito devastador das políticas.


Em suma, as democracias estão numa encruzilhada e aumenta a apreensão com o crescimento das desigualdades educativas e das escolas para ricos.


E antes do mais, sublinhe-se que a aceleração do digital na pandemia demonstrou a imponderabilidade da substituição de professores por máquinas (ou por qualquer modelo de tele-escola) tão desejada pelos ministérios das finanças, pela OCDE e pelas gigantes tecnológicas.


Mas um sinal sonoro da aflição europeia foi dado por Macron: "nenhum professor receberá menos do que 2000 euros líquidos mensais". Por cá, é matéria indiscutível. O debate não abre, nem com as ameaças frequentes de Bruxelas de levar Portugal a "tribunal se não acabar a “discriminação” dos professores contratados" que "auferem sempre o salário mínimo da carreira independentemente do número de anos de serviço" (que pode chegar às duas dezenas). E recorde-se: a carreira em Portugal é a que tem mais travões na AP e os professores são os únicos que não recuperaram a totalidade do tempo de serviço. Aliás, tornou-se agora mais evidente como eram parciais as contas das finanças.


"Uma mudança de políticas" permitiria, no mínimo, sonhar. Desde logo, tentar que o problema não se agrave e eternize. Recuperaria professores profissionalizados desistentes, revigoraria os que existem e oxigenaria a atractividade do exercício. Mas não há sinais nesse sentido; pelo contrário.


Nesta fase, a acção do Governo centra-se num recuo da lei das habilitações para algo semelhante ao que acontecia no início do milénio. Essa decisão provocou o tradicional debate sobre a melhor formação. Concorda-se com quem defende que a habilitação própria seja equivalente à que permite aceder ao mestrado profissionalizante essencial para a entrada nos quadros das escolas.


Resumidamente, não se ensina violino, basquetebol, gramática ou álgebra, sem se saber violino, basquetebol, gramática ou álgebra. Ajuda muito se se estudar Piaget, Freud, Hannoun, Erikson, Bruner, Ausubel, Sandel, Markovits e por aí fora. É também fundamental que a profissionalização seja em exercício nas escolas (plurianual de preferência) e não num apressado ensino à distância. Estes domínios são mais determinantes do que os debates que diminuem as pessoas porque se formaram depois de Bolonha, ao mesmo tempo que se omite a descida ocorrida com o absolutismo das Ciências da Educação.


E nunca é excessivo repetir que ensinar é difícil. Necessita de um clima de confiança e de boas condições de leccionação. Requer preparação e energia, e exige a desafiante adaptação da personalidade aos estilos de ensino. Inscreve estudo para a vida e convoca a esperança e o optimismo. 


Acima de tudo, urge o regresso de aquilo que as políticas vigentes anularam: professores satisfeitos com uma escolha profissional digna que não os esgota em burocracia e em procedimentos digitais repetidos e inúteis, livres para ensinar e aprender e com tempo para a cidadania.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Da Memória e da Falta de Professores

Já lá estamos.


Em 27 de Fevereiro de 2018 escrevi assim:



A OCDE concluiu que há professores na Europa a precisar de tutorias e há quem pense de imediato em Portugal(...). Discordo. Há países onde já não há professores, tal os tratos a que o grupo profissional tem sido alvo. No Reino Unido e na Alemanha, por exemplo e lido assim de repente, precisam de tutorias porque há pessoas sem formação académica, e muito menos profissional, que recorrem ao ensino "apenas" para terem um salário. Em Portugal, como na França ou em Espanha, ainda não é tanto assim. Mas não tarda. Por cá, lá abrirão os telejornais com a falta de professores porque o estatuto da carreira se degradou. Quase que não existem alunos no não superior candidatos aos cursos de formação de professores e os excessos no tempo para a aposentação provocam baixas médicas em catadupa e uma atmosfera de substituições temporárias pouco apelativa.


domingo, 18 de setembro de 2022

Infelizmente, A Comunicação Social Chegou Muito Tarde à Falta de Professores

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A comunicação social chegou muito tarde à falta de professores; e infelizmente, porque sabemos da influência do quarto poder. Mas não só se atrasou, como desvalorizou quem antecipava o fenómeno.


Há cerca de década e meia que se projecta no Ocidente a falta estrutural de professores. As "Novas Políticas de Gestão Pública" (iniciadas por Thatcher e Reagan e continuadas por Clinton, Blair, e Schröder), aplicadas vinte anos antes, foram fatais. A OCDE e o Fórum Económico Mundial renovaram-nas, projectando a redução de professores na transição digital em paralelo com a sua "uberização" (precarização). Portugal, atrasado como sempre, chegou tarde, mas acelerou a tragédia em 2006 com nuances únicas na avaliação de professores e na criação autocrática de mega-agrupamentos de escolas.


Como sempre acontece, os EUA e o RU iniciam as "reformas" (já conhecem há muito esta tragédia que ajuda Putin e os seus familiares populistas que invadiram o Capitólio e concretizaram o Brexit) e a Europa absorve-as depois. A França e a Alemanha, e até a Espanha, já desesperam com a falta acentuada de professores.


Os nórdicos resistem melhor porque têm classes médias consistentes. Mas a Suécia vive uma grave crise educativa porque aplicou um desastroso programa de privatização total da rede escolar na década de 1990. Com a Finlândia é diferente. Confessam uma década muito difícil na educação. Enfrentam a desistência em se ser professor porque o Governo conservador (de 2015 a 2019 e coligado com a extrema-direita dos "Verdadeiros Finlandeses") de Juha Sipilä, um milionário das telecomunicações, foi pioneiro na estratégia das "políticas rápidas" e das reformas alicerçadas em múltiplos projectos velozes, descontextualizados e fragmentados. O resultado foi mais privatização, mais instabilidade e menos investimento. Tentam recuperar (colo uma ligação nos comentários do facebook), mas destruir é sempre muito mais veloz do que construir.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O Desespero Com a Falta de Professores e as Medidas de Curto Prazo

O Governo, desesperado com a falta de professores, decide por um conjunto de medidas de curto prazo a pensar principalmente em Lisboa e no Algarve. Teria sido curial um concurso extraordinário. Veremos o que se fará de estrutural. "Governo aprova alterações aos concursos para reduzir falta de professores no início do ano"

sexta-feira, 10 de junho de 2022

40 Anos Depois

E devia ser assim em todo o mundo. As políticas neoliberais de gestão pública, iniciadas por Thatcher e Reagan e continuadas por Blair, Clinton e Schröder, resultaram, entre tantas desgraças, na falta estrutural de professores e no brutal aumento das desigualdades educativas. "ECONOMIA. Biden quer enterrar o neoliberalismo e promover empregos mais bem pagos"