terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

keith jarrett


 


Ouvi-o pela primeira vez em vinil. Foi algures nos finais da década de 70.



Conduzido pelo ouvido do meu pai, apareceu-me um álbum duplo: branco, com uma foto, em tons de cinza, do Keith Jarrett ao piano, bem no meio da capa.



Foi na loja de discos do “shopping” Brasília (imortalizado pelo Rui Veloso e pelo Carlos Tê, com a “rapariguinha do shopping”), no centro da cidade do Porto, que o meu pai o comprou.



Encomendou-o, nessa época, estes discos da ECM vinham da Alemanha Federal, salvo erro, e avisou-me: "Paulo, encomendei um álbum que vais adorar."



Premonitório. Hoje, embora tenha o vinil por aqui, bem guardado, ouço-o em cd e através do “itunes”.



É um dos álbuns da minha vida. Quanto mais o ouço mais o meu coração o soletra.



Com um piano “apenas” - dizem que estava desafinado - Keith Jarrett leva-nos ao cume. Sem pautas e improvisando durante uma hora, os sons têm uma harmonia incomparável. Lindo de morrer. Se não fosse o que está escrito, pensaríamos que o concerto foi gravado numa sala com uma ímpar acústica e não ao ar livre.



Gravado em 1975, com influências de jazz, soul e gospel, é música que nunca cansa.  Emociona-me. Tem intensos momentos de verdadeiro estremeção. Só ouvindo.



Esta publicação é uma reedição: encontrei um vídeo e resolvi partilhá-lo. Não é o original, claro. Mas ouça lá meu caro leitor: são pouco mais de nove minutos.








(o meu querido pai fazia anos a 17 de Fevereiro.

Seriam oitenta e cinco. A pensar nisso...)










 




6 comentários:

  1. É sem duvida uma delicia, já ouço desde os meus vinte anos. Muito bom!

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  2. O que eu acho muito bonito e me sensibiliza, é a quase súplica que utiliza...para chamar os leitores a partilharem os seus tesouros, as suas paixões...em forma de musica, de videos ou de poesia...

    Gostei muito da forma como se expressa, sinto-me bem aqui...

    Obrigada
    Maria...

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  3. Pela segunda vez comento este Post, esta musica que anda(o disco todo) no meu mp3 e que bom é ter na memoria um pai que nos mostra novos caminhos.
    Abraço

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  4. Obrigado, muito obrigado pelo comentário. Abraço.

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