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quarta-feira, 15 de junho de 2022

"O velho e o mar"


"O Velho e o Mar"”, de Ernest Hemingway (1952), é uma obra-prima do Nobel da Literatura de 1954. Li-o, a primeira vez, na adolescência (a minha época do "Moby Dick", de Herman Melville o autor do fascinante “Bartleby”). Recordo-o como contemporâneo das letras que Bob Dylan, o Nobel da Literatura de 2016, musicava. São "romances" paralelos, se me permitem. A actualidade certifica o fenómeno. "O Velho e o Mar"” retrata a amizade de um velho e pobre pescador com um rapaz. Tudo acontece no dia em que o velho, que há muito nada pescava, se confrontou com o peixe da sua vida. Chegou a terra apenas com o esqueleto de um espadarte delapidado por tubarões. Está tudo ali. 


Não resisto a transcrever um pedaço da tradução de Jorge de Sena:



- Que tens para comer? – perguntou o rapaz. 
- Um tacho de arroz de peixe. Queres? – perguntou o velho. 
- Não. Como em casa. Queres que eu acenda o lume? 
- Não. Acendo-o eu depois. Ou como o arroz frio.
- Posso levar a rede? 
- Claro que podes.


Não havia rede, o rapaz lembrava-se de quando a tinham vendido, mas todos os dias representavam esta cena. Também não havia tacho de arroz, o que o rapaz também sabia. 



 


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domingo, 29 de maio de 2022

Ensaio no -1

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M. é uma vila quase perdida para os fluxos turísticos. Só tem natureza. A noite estava amena e o céu estrelado. O jantar recomendado tinha ultrapassado as melhores expectativas. Exigia-se um passeio digestivo pelas ruas quase desertas. O som da orquestra era ligeiramente audível. Parecia vindo do interior do planeta. A "Casa da Artes" era numa espécie de -1. Ficámos à porta a ouvir o ensaio e tínhamos lá ficado o tempo que o maestro determinasse para o apuramento dos temas.

domingo, 1 de agosto de 2021

Ensaio

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M. é uma vila quase perdida para os fluxos turísticos. Só tem natureza. A noite estava amena e o céu estrelado. O jantar recomendado tinha ultrapassado as melhores expectativas. Exigia-se um passeio digestivo pelas ruas quase desertas. O som da orquestra era ligeiramente audível. Parecia vindo do interior do planeta. A "Casa da Artes" era numa espécie de -1. Ficámos à porta a ouvir o ensaio e tínhamos lá ficado o tempo que o maestro determinasse para o apuramento dos temas.

sexta-feira, 19 de março de 2021

A Liberdade Evolui

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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 



"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."



(Não é a primeira vez que transcrevo esta história num post).


domingo, 7 de março de 2021

Um Site Muito Interessante

Viaje de carro, aqui, por várias cidades do mundo a ouvir boa música (cortesia de Carlos Vieira de Castro). A visualização não está optimizada para os telefones.