Já escrevi algumas vezes: tirei um bilhete de balcão em Santo Onofre e converso com quase todas as pessoas. Há um registo que é unânime: o agrupamento está em descida vertiginosa e a situação é insustentável. Os meus interlocutores sabem bem o que penso, é público, e também com o que podem contar. Para discursos ajustados às ocasiões a porta não é esta.
Nos casos graves, como o deste agrupamento, há algumas lições a tirar. Existem, desde logo, factos históricos: a escola sede foi uma referência de cultura organizacional que ultrapassou as fronteiras da região e assumiu, já como agrupamento, posições difíceis, mas elogiadas pela comunidade nacional, na denominada luta dos professores.
O sentimento de pertença a Santo Onofre não foi ponderado por quem nunca o viveu. Deu em tragédia.
Sejamos objectivos. A entrada de uma CAP foi o primeiro passo para a situação presente. O ME, as estruturas locais (de vários concelhos do Oeste) do partido do governo e outras entidades que todos sabemos quais são, devem aprender uma lição: uma ocupação semelhante não se deve repetir.
É evidente que a história ainda mais recente mostra-nos que o despautério não terminou aí. Seguiram-se outros episódios inclassificáveis; por pudor, sou franco, vou omitir os detalhes. As divisões por parte de quem se movimentava no palco, por exemplo, foram do mais péssimo exemplo que se podia imaginar.
Ninguém contesta que a indignação se acentua à medida que o tempo passa. É mesmo impressionante a revolta com a presença dos elementos que constituíram a CAP ou com os que participaram nos episódios seguintes. É uma dor que o tempo crava. Nunca tinha vivido nada assim. Penso que já são muito poucos os que não intuíram o estado de sítio.
Em situações deste género, os primeiros responsáveis estão sempre prontos para não prestar contas e os stakeholders do agrupamento é que terão a responsabilidade de reerguer o que foi destruído. Aí é que não é nada de novo, portanto.
Límpido!!!
ResponderEliminarPelo que se ouve "É evidente que a história recente mostra-nos que o despautério não terminou aí. Seguiram-se outros episódios inclassificáveis; mas por pudor, sou franco, vou omitir os detalhes. As divisões por parte de quem se movimentava no palco, por exemplo, foram do mais péssimo exemplo que se podia imaginar." do pior, sem margem para equívocos.
ResponderEliminarCéu limpo...
ResponderEliminarUma fotografia não retratava melhor. Estamos cada vez mais preocupados. Dizem que a escola sede tem menos 300 alunos. O professor Paulo pode esclarecer? Obrigado e bom fim de semana.
ResponderEliminarViva a todos.
ResponderEliminarRealmente é difícil obter os números exactos. Logo que os tenha, publico. Ao que me dizem, os 2º e 3º ciclos em Santo Onofre perderam perto de 200 alunos de um ano para o outro.
Obrigado por comentar.
TODOS PARA O OLHO DA RUA!!!!!!
ResponderEliminarComo foi possível isto ter acontecido? É fantástico como este país se desfez tão rapidamente. Reanimem a escola, por favor.
ResponderEliminarOlá, Paulo!
ResponderEliminarPenso que a história de Santo Onofre, antes e depois da intervenção do M.E. deveria vir publicada num jornal.
Jornalistas, divulguem a história de uma escola que o Mininstério da "Educação" destruiu!!!
Para ti, Paulo, e para todos os resistentes da escola, um enorme abraço de solidariedade!
reb
Tem sido uma missão muito penosa para quem é a favor da democracia na escola, mas:
ResponderEliminar“Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto”.
(José Saramago, escritor português, Nobel de Literatura)
AM
Força aí, Paulo.
ResponderEliminarContinua... e grande abraço.
Obrigado Reb . Muito obrigado mesmo.
ResponderEliminarObrigado mesmo Maurício
ResponderEliminarAM sempre presente
ResponderEliminarEstou tão feliz...
ResponderEliminarVocês são enormes e dignificam o que há de melhor na escola pública. Continuem...
ResponderEliminarpaulo, o eça não dizia q erámos um "povo bovino"?há muito q os "pessimistas" - like me - advinhavam este cenário. havia dúvidas?.. abraço
ResponderEliminarxaneca
Um abraço de solidariedade. Hoje mais sentido do que ontem, por também (me) ter(em) mergulhado no mesmo mar de desânimo. O ME não aprendeu NADA com o que se passou e passa em St Onofre.
ResponderEliminarBeijo