quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

sem decoro

 


 


Não vou discutir agora a razão que assiste às cooperativas do ensino não superior. Tenho respeito por muitas delas e por muitos dos professores que leccionam nessas instituições.


 


O que me traz aqui é a campanha do actual presidente. Não há local por onde passe com cobertura televisiva em que não apareça uma manifestação de uma escola cooperativa. A todos o ainda presidente sorri e dá explicações e justificações sobre o corte que lhes cabe na contenção orçamental. Grande parte dessas manifestações são feitas em tempo de aulas e com alunos à mistura. E sobre isso, a comunicação social nem uma vírgula refere. Tudo normal.


 


Imaginem o que seria se os professores resistentes tivessem usado alunos nos picos da luta em defesa da escola pública. Ou se tivessem paralisado as aulas para virem para a rua protestar com o apoio dos alunos. Seria a indignação nacional.


 


Quando se luta contra uma grande injustiça, a memória fica mais desperta. Nos tempos áureos da contestação, os professores que contestavam viam os dirigentes das cooperativas do lado do governo, do lado da avaliação que diziam praticar e ouviam o seu tom crítico e de desprezo em relação a manifestações e contestações. Era tudo gente muito fina. Agora é "vê-los" na rua, munidos de palavras de ordem, com ameaças de providências cautelares e de fecho de escolas por tempo indeterminado.


 


Há uma diferença que se acentua. Os professores resistentes não tinham apenas uma agenda financeira e não beneficiavam dos ouvidos da cooperação estratégica.

10 comentários:

  1. Santo Onofre duplicado12 de janeiro de 2011 às 21:20

    Temos memória

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  2. Escolas privadas com apoio do Estado?

    Se são escolas privadas têm de arranjar o seu financiamento, através da captação de novos alunos e uma educação eficaz, são a favor do capitalismo mas depois querem o « colinho» do Estado... isto é uma incongruência, também sei que estas escolas servem para outros fins que não o ensino, como a promoção de seres medíocres, que só por terem algum dinheiro fazem um figuraço com as notas que apresentam...mas este é o país que os portugueses quiseram quando escolheram os partidos de direita para governar Portugal, agora não se queixem!

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  3. Fausto Viegas (Norte)12 de janeiro de 2011 às 21:42

    BERGONHA, CARAGO!!!

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  4. 100% de acordo!
    Também acho que deve haver Ensino Particular, mas não à custa do Estado. Negócio é negócio, quem não consegue ganhar dinheiro sem subsídios que arranje um modo de vida.

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  5. Verdade, verdadinha, já dizia a minha vózinha. Continue Paulo.

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  6. Não sou professor, mas perfilho deste excelente comentário. Tem toda a razão.
    Quando o movimento foi ao contrário, o da criação destas escolas 'exemplares', roubaram muitos lugares ao ensino público, estão no desemprego ou procuraram outras vidas !!!
    Agora queixam-se !
    Mas por outro lado, por uma outra leitura, os professores, todos sem excepção, são vitimas, porque estas escolas privadas , como muitas universidades, são a coutada de muitos falhados e incompetentes ou simplesmente de negociantes do ensino.
    Que fazer se nem as gentes nem as ideias jesuiticas e capitaliscas não mudam????

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  7. Estes das cooperativas são uns artistas que até dá para rir. Ai agora berram. As públicas já despediram milhares e salários e carreiras é como é. Os das cooperativas aplaudiam o governo. Pois foi. Agora LUTEM!!!

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  8. Comentários publicados no blogue de uma jornalista do Público, a propósito da opinião de José Manuel Fernandes, ex-director daquele jornal:

    Cara Bárbara Wong, tenho sido um leitor mais ou menos assíduo do seu blogue, tendo-me retido, com particular atenção, às "entradas" sobre o ensino privado, particular e cooperativo.
    Numa "entrada" anterior, os comentários do senhor António Duarte são aqueles que melhor reflectem o meu pensamento e a minha opinião sobre esta matéria.
    Sobre o que escreve José Manuel Fernandes, permita-me uma pequena reflexão.
    Em primeiro lugar, o ex-director do Público baseia-se nos rankings dos exames nacionais. Primeiro erro: como a Bárbara diz, e bem, os rankings estão cheios de fragilidades. Segundo erro do senhor Fernandes, a "escolha" feita: seleccionou três colégios, mas que critérios utilizou? Reflectem eles a média alcançada pelos estabelecimentos de ensino privados com contratos de associação? Talvez não... Quantos concelhos não existem em que foram as escolas públicas a alcançarem melhores resultados? Nem me atrevo a dar-lhe exemplos, recordo apenas que temos de distinguir, de forma clara, os colégios privados que seleccionam os seus alunos e que estão nos primeiros lugares dos rankings, por muitas e distintas razões, dos que mantêm contratos de associação. Também poderia escolher três exemplos de colégios, confrontar os seus resultados com os das escolas públicas instaladas na(s) sua(s) vizinhança(s) e demonstrar exactamente o contrário...
    Bom, mas vamos ao que mais interessa: separar as águas no que diz respeito aos "custos" porque se trata de uma matéria que, decididamente, é a mais relevante. Se se for avaliar o "custo" por aluno nos colégios que existem há menos de dez anos, estamos conversados! Quem trabalha nestes colégios? Maioritariamente, professores em início de carreira, auferindo pouco e com contratos precários (atrever-me-ei a chamar-lhe trabalho escravo?). Quem trabalha nas escolas públicas? Professores com vínculo ao Estado, sujeitos a um Estatuto de Carreira, eternamente alterado ao sabor dos ventos da economia. Como a verba atribuída pelo Estado às escolas públicas se destina, principalmente, ao pagamento dos salários dos docentes (não porque o exijam mas porque é de lei - e lembro que as progressões e os salários se encontram ou congelados ou reduzidos), facilmente se constata que esta despesa é significativamente menor nos colégios. Imaginemos um colégio com contrato de associação que tenha 40 turmas (nada de invulgar se o contrato abranger 5 turmas por ano, do 5.º ao 12.º). O Estado atribuía, até agora, cerca de 110 000 euros/turma, ou seja, neste caso, 4 milhões e 400 000 euros. Em média, um professor em início de carreira ganha 700 euros mas vamos arredondar o salário para 1000 euros e vamos pensar que existe um professor para cada 8 alunos (40 turmas a 25 alunos dá 1000 alunos). Temos, portanto, 80 professores a receber, anualmente, 1 120 000 euros (se lhes forem pagos 14 meses de salários, algo que, infelizmente, não acontece em certos "grupos"). A pergunta é a seguinte... para onde vai o resto do dinheiro? Recordo que não me estou a referir a colégios que têm contrato com o Estado há muito tempo (Penafirme e Arruda dos Vinhos são dois bons exemplos), pois estes, e isso é fácil de constatar in loco, têm um quadro de docentes estável e a auferirem mais do que 1000 euros em média. Estou a falar dos "colégios" pertencentes a grupos económicos (o mais célebre é o grupo GPS) que já aqui no blogue foram objecto de debate. Volto a perguntar... Para onde vão 3 280 000 euros? Para as despesas com manutenção? Para as actividades dos alunos não vão certamente... porque estas são objecto de mais subsídios e quantas mais actividades houver... mais dinheiro é atribuído.

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  9. Segunda parte do comentário (as perguntas ficaram por responder...):

    Face ao exposto, coloco-lhe uma série de questões: É legítimo falar-se em "custo" por aluno quando se demonstra que há dinheiro a ser gasto indevidamente? Será que em vez de "custo" não deveríamos falar antes, e cada vez com maior insistência, em "investimento"? O que falta ao Estado (até à Judiciária...) para investigar o paradeiro destes milhões em falta e, bem assim, aos atropelos às leis laborais que vemos denunciados por todo o lado? Será que haverá professores motivados se lhes forem oferecidos salários baixos e precariedade? Será que, no futuro, existirão professores vocacionados para a sua profissão?
    Finalizo, lembrando algo que me parece fundamental: há bom ensino privado, que funciona legalmente e que obtém bons resultados (porque valoriza o trabalho entre todos os membros da comunidade educativa) e há ensino "privado" que vive dos subsídios do Estado, que se alimenta de ilegalidades e que envergonha quem vive num país democrático! Sinceramente, custa-me que se misturem estes dois conceitos e ainda me custa mais ver que se juntam numa Associação (AEEP) quando os valores defendidos, o mérito dos projectos educativos e a legalidade em que funcionam, de uns e outros, se encontram tão distantes!

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