Só quem for completamente desconhecedor da realidade portuguesa é que, para estudar a passagem de ano dos alunos como a variável dependente, perde tempo a considerar os planos de recuperação como uma variável independente.
Quando o actual ministro da Educação diz que é grave que 25% dos alunos com os ditos planos sejam mal sucedidos, o que devia dizer é que os outros três quartos passam de ano e que isso não tem qualquer relação com as invenções da má burocracia do MEC que o ministro prometeu implodir. Não só não o fez, como aparece a divulgar relatórios completamente estratosféricos. Que raio: haverá ainda quem não saiba que estas variáveis não têm qualquer relação?
Esses planos são, quando muito, responsáveis por subidas de nota que têm como primeira intenção evitar a sobrecarga em burocracia inútil e só quem desconhece o terreno é que, já dominado-por-uma-lógica-yes-minister, se preocupa com relatórios produzidos em ambiente de desconfiança em relação às escolas e aos professores. É nestes momentos que dou razão aos que dizem que não temos solução.
Um em cada quatro alunos em plano de recuperação não tem sucesso
Não sei, realmente, se temos solução.
ResponderEliminarAgora o que eu sei é que a evidência daquilo que o Paulo aqui escreveu até dói e torna tão verdadeiro o adágio que diz que "o pior cego é aquele que não quer ver"...
Bravo, pelo post!
A farsa resulta da aplicação de um diploma legal que, para além do imaginário bacoco que o suporta, se encontra podre no seu conteúdo.
ResponderEliminarConfesso que nem sei como é que foi possível, alguma vez, ter visto a luz do dia. A verdade é que o viu e continua a ver.
Segundo o DN 50/2005, os planos de recuperação são aplicáveis a três grupos distintos de alunos (interpretação minha).
É exatamente por este facto que quando nas reuniões alguém fala em planos eu questione: o plano é referente ao ponto 2, 4 ou 7 do artigo 2º?
2. Bem definido - dificuldades de aprendizagem (surge 1 em 1000, discalculia , dislexia, disgrafia , etc );
4. 1ª Irracionalidade - No final do 1º período apresente 3 ou mais negativas (note-se que agora já falamos de insucesso escolar cuja origem é transversal a vários setores da sociedade e, por este facto, o plano de recuperação vai incidir exatamente sobre tudo aquilo que o aluno/EE não quer);
7. 2ª Irracionalidade (bem mais ignorante do que a 1ª porque recorre à futurologia) - Os alunos que, no decurso do 2.o período, nomeadamente até à interrupção das aulas no Carnaval, indiciem dificuldades de aprendizagem que possam comprometer o seu sucesso escolar são, igualmente, submetidos a um plano de recuperação
Acabe-se com isto e já.
Albino Almeida, presidente da Confap considera que “a falha” resulta do facto de os planos assentarem “num tripé – escola, aluno e família – com dois pés de duvidosa sustentabilidade, o aluno e família”. In “Jornal Público”, 31 de Janeiro de 2010
diretamente
ResponderEliminarObrigado Carlos VC.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarCompletamente.
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