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quarta-feira, 20 de março de 2013

dos mitos e dos excessos no escolar

 


 


 


Recebi por email um texto atribuído a José Matias Alves e que confirmei aqui. É um bom exemplo da crítica ao eduquês que, na minha modesta opinião, interessa combater e implodir.


 




"Dos Mitos.


 


O excesso de planificação e de planos.


"Continuamos a viver num sistema marcado por várias ilusões: a ilusão do comando e do controlo, a ilusão do poder dos decretos e do diário de república (vasto cemitério de leis); a ilusão das lideranças heroicas, salvíficas e solitárias; a ilusão da comunidade educativa; a ilusão dos projetos, planos e programas.



Nesta crónica defendemos a tese que quando há um excesso de planificações, planos e projetos a realidade tende a ficar muito aquém do desejado e previsto. Mais: tende a ser substituída pelas ficções das narrativas que se escrevem ou esquematizam. Partindo de Pfeffer and Sutton (2000,2006) identificamos 5 barreiras à ação resultantes deste excesso: 

1. Quando o discurso e a escrita substituem a ação. Na arena escolar, muitas vezes basta escrever para não ter de agir. Outras, o esforço de planificar esgota a vontade, a energia ou tempo para concretizar. Outras ainda, o que interessa, segundo a boa regra burocrática não é o fazer mas o que se escreveu sobre o que se vai fazer ou sobre o que já se fez.



2. Quando a memória substitui a nova ação. A ênfase da planificação alimenta-se, em regra, da memória, do passado e isso dificulta um ajustamento às novas realidades emergentes.



3. Quando o medo impede a ativação de novo conhecimento. Quando as pessoas estão sob pressão e com medo do seu futuro, não vão trabalhar com afinco, imaginação e ousadia.



Pfeffer e Sutton encontraram duas consequências negativas em organizações que eram governados pelo medo: (l), levou as pessoas a concentrarem-se apenas no curto prazo, muitas vezes causando problemas a longo prazo, e (2) enfatizou a sobrevivência individual desprezando a coesão do coletivo.



4. Quando a obsessão da medida obstrui o bom senso. Uma preocupação com resultados de medição em sistemas de monitorização que (a) são muito complexas, com muitas medidas, padrões e indicadores difíceis de operacionalizar, (b) são altamente subjetivos na implementação, e (c) muitas vezes fazem perder importantes elementos de desempenho. 




5. Quando a concorrência interna transforma amigos em inimigos. Quem é o inimigo? Pessoas dentro da organização ou concorrentes externos?
Se a concorrência e a competição internas são a filosofia de gestão,




(a) promove a deslealdade para com colegas e a organização como um todo,




(b) prejudica o trabalho em equipa, e




(c) inibe a partilha de conhecimentos e a disseminação das melhores práticas.

Vivemos sob o signo da projetocracia, do excesso de planificações e planos. No excesso de retórica e pobreza de práticas (Nóvoa). Da avaliocracia. Precisamos de um novo tempo. Um tempo de leveza dos planos; um tempo de ativação das inteligências adormecidas; um tempo de mais contacto na ação coletiva; um tempo de menos papéis; um tempo de mais reflexão colaborativa; um tempo de uma ação mais humilde, arriscada e empreendedora."

sábado, 19 de maio de 2012

directamente da estratosfera

 


 


Só quem for completamente desconhecedor da realidade portuguesa é que, para estudar a passagem de ano dos alunos como a variável dependente, perde tempo a considerar os planos de recuperação como uma variável independente.


 


Quando o actual ministro da Educação diz que é grave que 25% dos alunos com os ditos planos sejam mal sucedidos, o que devia dizer é que os outros três quartos passam de ano e que isso não tem qualquer relação com as invenções da má burocracia do MEC que o ministro prometeu implodir. Não só não o fez, como aparece a divulgar relatórios completamente estratosféricos. Que raio: haverá ainda quem não saiba que estas variáveis não têm qualquer relação?


 


Esses planos são, quando muito, responsáveis por subidas de nota que têm como primeira intenção evitar a sobrecarga em burocracia inútil e só quem desconhece o terreno é que, já dominado-por-uma-lógica-yes-minister, se preocupa com relatórios produzidos em ambiente de desconfiança em relação às escolas e aos professores. É nestes momentos que dou razão aos que dizem que não temos solução.


 


Um em cada quatro alunos em plano de recuperação não tem sucesso