sábado, 19 de maio de 2012

directamente da estratosfera

 


 


Só quem for completamente desconhecedor da realidade portuguesa é que, para estudar a passagem de ano dos alunos como a variável dependente, perde tempo a considerar os planos de recuperação como uma variável independente.


 


Quando o actual ministro da Educação diz que é grave que 25% dos alunos com os ditos planos sejam mal sucedidos, o que devia dizer é que os outros três quartos passam de ano e que isso não tem qualquer relação com as invenções da má burocracia do MEC que o ministro prometeu implodir. Não só não o fez, como aparece a divulgar relatórios completamente estratosféricos. Que raio: haverá ainda quem não saiba que estas variáveis não têm qualquer relação?


 


Esses planos são, quando muito, responsáveis por subidas de nota que têm como primeira intenção evitar a sobrecarga em burocracia inútil e só quem desconhece o terreno é que, já dominado-por-uma-lógica-yes-minister, se preocupa com relatórios produzidos em ambiente de desconfiança em relação às escolas e aos professores. É nestes momentos que dou razão aos que dizem que não temos solução.


 


Um em cada quatro alunos em plano de recuperação não tem sucesso

6 comentários:

  1. Não sei, realmente, se temos solução.
    Agora o que eu sei é que a evidência daquilo que o Paulo aqui escreveu até dói e torna tão verdadeiro o adágio que diz que "o pior cego é aquele que não quer ver"...
    Bravo, pelo post!

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  2. A farsa resulta da aplicação de um diploma legal que, para além do imaginário bacoco que o suporta, se encontra podre no seu conteúdo.
    Confesso que nem sei como é que foi possível, alguma vez, ter visto a luz do dia. A verdade é que o viu e continua a ver.
    Segundo o DN 50/2005, os planos de recuperação são aplicáveis a três grupos distintos de alunos (interpretação minha).
    É exatamente por este facto que quando nas reuniões alguém fala em planos eu questione: o plano é referente ao ponto 2, 4 ou 7 do artigo 2º?
    2. Bem definido - dificuldades de aprendizagem (surge 1 em 1000, discalculia , dislexia, disgrafia , etc );
    4. 1ª Irracionalidade - No final do 1º período apresente 3 ou mais negativas (note-se que agora já falamos de insucesso escolar cuja origem é transversal a vários setores da sociedade e, por este facto, o plano de recuperação vai incidir exatamente sobre tudo aquilo que o aluno/EE não quer);
    7. 2ª Irracionalidade (bem mais ignorante do que a 1ª porque recorre à futurologia) - Os alunos que, no decurso do 2.o período, nomeadamente até à interrupção das aulas no Carnaval, indiciem dificuldades de aprendizagem que possam comprometer o seu sucesso escolar são, igualmente, submetidos a um plano de recuperação

    Acabe-se com isto e já.

    Albino Almeida, presidente da Confap considera que “a falha” resulta do facto de os planos assentarem “num tripé – escola, aluno e família – com dois pés de duvidosa sustentabilidade, o aluno e família”. In “Jornal Público”, 31 de Janeiro de 2010

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  3. ramos silva pereira19 de maio de 2012 às 20:17

    diretamente

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