São muitos os que acusam a Alemanha de proteger as suas industrias do comércio livre e da globalização e que tal protecção não se verificou nas actividades industriais do países da Europa do Sul. Está comprovada a acusação, mas tem atenuantes. Por exemplo, a queda do muro de Berlim e a "anexação" da RDA que garantiu à então RFA um justo tempo de reconstrução.
Vem isto a propósito de duas ideias recentes que invadiram o nosso sistema escolar: a procura de engenheiros portugueses, em números muito elevados, por parte da Alemanha e penso que também da Holanda e a liderança destes dois países nos sistemas dual, vocacional e secundário profissionalizante e que envolvem os liderados da Europa do Sul.
Tenho estado à volta do relatório da OCDE, "Education at a Glance 2012", registei alguns fenómenos que podem dar que pensar e que podem indicar uma qualquer repetição da História.
Como se pode ver no gráfico seguinte, a Alemanha regista uma "estranha" estagnação no nível tertiary (grosso modo, um ensino pós-secundário, ou mesmo secundário, profissionalizante) e está num patamar semelhante a Portugal quando se anuncia uma reindustrialização.
Talvez ainda mais interessante, será analisar a expectativa dos jovens com 15 anos em relação às carreiras que querem seguir. Se a Alemanha oferece emprego aos nossos presentes e futuros engenheiros, a Holanda parece ter as mesmas preocupação e acrescenta-a com a procura de profissionais de saúde.
Este excerto do relatório é interessante para compreender essa situação
ResponderEliminar"Vocational attainment tends to be strongest in countries that have historically emphasised this kind of
education or have well-established apprenticeship systems, such as Austria, the Czech Republic, Germany, Hungary, the Slovak Republic and Slovenia."
E agora a melhor parte:
"However, vocational education is a significant part of the education systems in many other countries as well. In an additional 10 OECD countries, a vocational upper secondary or post-secondary non-tertiary attainment is the highest educational level for more than 30% of 25-64 year‑olds."
É Pedro. A Europa tem muito que andar. A reindustrialização tem mais candidatos pelo mundo e falta saber quem está melhor equipado para o que aí vem.
ResponderEliminar