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sábado, 5 de dezembro de 2015

o vocacional vai para intervalo ou anulou a matrícula?

 


 


 


"PS arrasa aposta educativa do anterior Governo. Vai acabar o ensino vocacional do 5.º ao 9.º ano. O básico volta a ser "integrado, global e comum a todas as crianças" percebo a ideia, avançada pelo DN, tal a carga ideológica dos mentores da PàF que só não começaram o ensino dual no pré-escolar porque parecia mal.


 


A generalidade das turmas vocacionais são antecâmaras de delinquência juvenil ou parques de estacionamento de potenciais desempregados. Tem sido assim nas últimas décadas. Mudam as designações quando mudam os governos. Desta vez agravou-se com a sobrelotação além da troika.


 


Este fatalismo é uma prova da sociedade ausente que deixa tudo à escola transbordante. Não actua quando a desgraça se projecta nos primeiros anos de escolaridade e desorienta-se quando a tragédia chega à adolescência e tem o sistema prisional como destino. Mas como se exige optimismo, a interrogação faz-se em linguagem escolar: o vocacional vai para intervalo ou anulou a matrícula?


 


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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

e Portugal? Está bom para turistas!

 


 


 


 


Generalizar "este" ensino vocacional é desistir da democracia e integra o ideário do privado encostado ao Estado que registou a enésima inconstitucionalidade: a inclassificável prova de acesso para professores. Digamos que o território está enjoativo, como noutras alturas da história, em plena crise moral e recomendável para turistas.

sábado, 7 de junho de 2014

do mercado (selvagem) da educação

 


 


 


 


 


Mais de 50% dos alunos do ensino secundário não frequentam as escolas públicas que em muitos concelhos têm condições para todas as ofertas necessárias.


 


O mercado (selvagem) da Educação atingiu um pico inaceitável. Todos reconhecem o fenómeno, mas os interesses mais variados obrigam a silenciar o estado a que chegámos. E não me estou a referir apenas às escolas das cooperativas de ensino e muito menos às privadas com propinas naturalmente elevadas. Há toda uma parafernália de ofertas equivalentes ao ensino secundário que são financiadas pelo orçamento do Estado numa lógica de despesismo e inutilidade. Os conhecedores do assunto identificam inúmeros cursos de "vão de escada".


 


Ontem soube-se que o ensino de adultos perdeu metade dos alunos num ano e que o Conselho Nacional de Educação "teme que os novos cursos vocacionais sejam dados por "operadores" alheios à escola". Enfim. A rede escolar portuguesa carece de uma arrumação e é exactamente esse género de acção que se deve classificar por reforma do Estado com combate ao despesismo e na defesa do interesse das pessoas.


 


 



 


 


 


 


 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dual precoce invertido

 


 


 


 



 


 


Depois de alguém ligado ao actual MEC ter avançado e recuado com a ideia chocante de um ensino dual aos 10 anos, vem agora o responsável pela Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo fazer eco de um dual invertido: "preparação para cursos de medicina a partir dos 10 anos em nome da liberdade de escolha das crianças e contra a "tirania" dos adultos". Valha-nos não sei o quê. A versão cata-vento entrou em registo desesperado? São estas as organizações que apoiam as políticas de Nuno Crato e associados. À medida que o tempo avança desaparecem as dúvidas sobre o retrocesso civilizacional que provocam.


 


E o mais grave é que há muito arco da governação a apoiar este género de "terapias" para a desigualdade. Ainda ontem ouvi na SICN um ex-ministro da Educação, e actual presidente do CNE, afirmar que as escolas são estruturas descentralizadas do Estado; e repetiu.


 


O direito administrativo escolar é, como se sabe, coisa menor nos corredores da capital. As autarquias, que julgo serem do conhecimento aprofundado do ex-ministro, são estruturas descentralizadas, essas sim, as escolas são desconcentradas (só uma outra "autonomia" permitiu uma crise de identidade na classificação entre as duas categorias) e estão mesmo no limite mínimo da concentração com a supremacia, também defendida pelo ex-ministro, dos conceitos de projecto educativo homogéneo e de comunidade educativa para justificar uma antiga teimosia sua: os agrupamentos de escolas. Valha-nos mais não sei o quê.


 


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

à volta do pisa 2012

 


 


 


 


O relatório PISA 2012 tem detalhes que interessa sublinhar. É evidente que estes estudos não devem ser tomados como bíblias. Como é habitual, parece-me que um modo significativo de postar sobre o assunto é recorrer a gráficos de fácil legibilidade acompanhados de umas setas e de uns breves comentários.


 


 



 


 


Verifica-se a queda continuada dos EUA e da Suécia nos resultados a matemática, leitura e ciências. Se os segundos são o modelo escolhido pelos adeptos portugueses de "tudo está mal na escola pública", os primeiros estariam muito mais abaixo se apenas se considerassem os estados do tea party tão do agrado dos referidos portugueses que querem deitar mão ao orçamento do Estado para a Educação.


 




 


 


Este gráfico reforça o anterior e integra os países por grupos que interessa considerar.


 



 


Este quadro relaciona os resultados a matemática com o nível socioeconómico dos países. Estes dados permitem concluir que uma sociedade empobrecida e ausente associada a uma escola incompleta em termos curriculares apresenta uma quebra de resultados. Se continuarmos com cortes curriculares, com a manutenção do número elevado de alunos por turma e com o empobrecimento em curso, o PISA 2015 poderá indicar um retrocesso.


 




 


Os alunos portugueses com cerca de 15 anos em 2011 estavam satisfeitos com a escola. Mais do que os suecos e muito mais do que os dos EUA ou da Alemanha. Os países que obtêm os melhores resultados disputam os últimos lugares neste parâmetro. Dá ideia que o meio da tabela numa conjugação das 2 variáveis não é um resultado que se rejeite.


 


 


 



 


Em relação às expectativas dos encarregados de educação sobre a frequência dos ensino profissional ou superior por parte dos seus educandos, os portugueses projectam-se mais, naturalmente, no ensino profissional. O que é interessante observar é que os alemães têm uma expectativa baixa em relação aos dois tipos de ensino, sendo mesmo muito residual em relação ao ensino superior. Não é de estranhar que andem em busca de quadros nos outros países europeus, talvez como consequência do tal ensino dual precoce que o actual MEC queria importar.


 


 


 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

vocação para sei lá o quê (com vídeo)

 


 


 


 


O vídeo da RTP é conclusivo: os docentes do ensino vocacional asseguram que os cursos não vão de encontro às necessidades dos alunos e a única recomendação do relatório a que a RTP teve acesso indica a generalização. Esta tragicomédia a que vamos assistindo mantém os vícios tantas vezes criticados (generalizar sem testar, facilitismo e manipulação dos relatórios com conclusões desinteressantes). O desenvolvimento do assunto comprovará se não estamos na presença de trapalhadas ainda mais graves.


 


Depois de dar ideia que desistiu do hábito germanófilo, e que não recomenda exportações, do ensino dual, o MEC insistiu no ensino vocacional ao mesmo tempo que abandonava os processos concorrentes. Desde logo se percebeu que o pretendido era a redução financeira misturada com uma confusão programática recheada de preconceitos, achamentos e back-to-basics com um acrescento ainda mais sei lá o quê e que podemos classificar como compressão curricular.


 


É seguro que estamos na presença de mais devaneios para além da troika.


 


 



 



sábado, 28 de setembro de 2013

empobrecer e desistir (2)

 


 


 



 


 


 


Este ministro da Educação é risível. Vai promover um inquérito para saber as causas do óbvio. Por este andar, não será apenas no superior que o plano inclinado se sentirá.


 


 


Em 18 de Setembro de 2013 escrevi assim sem ter consultado os resultados de um qualquer inquérito:


 


 


Os números não enganam: temos menos alunos no ensino superior, menos alunos no ensino regular completo do ensino secundário e do 3º ciclo e se o desmiolo continuar teremos menos alunos no 2º ciclo por via do ensino dual precoce. Estamos a empobrecer e a desistir da Educação. Para além disso, devíamos ter vergonha com o armazenamento de alunos nas salas de aula, com a preguiça para antecipar os problemas e por não combatermos mesmo (veja-se o caso inglês no primeiro ciclo e a relação com a epifania Cambridge) o insucesso escolar no pré-escolar e no 1º ciclo.


 


Que não existam dúvidas: mais anos de frequência no ensino regular completo é o único indicador do avanço civilizacional de uma sociedade. É aí que se estabelece a igualdade de oportunidades. Só a ingratidão de uma sociedade endinheirada, a mais formada de sempre pela escola pública, é que nega a evidência. Não adianta argumentar com o mercado de trabalho: os alunos do ensino regular completo conseguem, em poucos meses, adquirir as competências e os conteúdos da maioria dos cursos profissionais, CEF´s e dual.


 


O que mais impressiona neste processo de exclusão é que até os professores são atingidos pela voracidade. Os professores estão a desistir há anos a fio. Em Portugal é-se politicamente incorrecto por se pronunciar inclusão ou combate ao abandono escolar. Uma sociedade exclusiva, pobre e imatura elimina essas expressões caras ao desenvolvimento.


 


 


 

sábado, 7 de setembro de 2013

da natureza das coisas

 


 


 


Os dos achamentos essenciais do género-Nuno Crato (não restam dúvidas do back to basics mais retrógrado e estou a pesar bem e não incluo "ajustamentos" financeiros) acrescentam sempre enfoques desesperados na formação de mão-de-obra para as "gorduras" cortadas. É mais uma contradição ideológica dos ultraliberais.


 


O abandono escolar das mãos, seja nas artes, nas tecnologias ou demais actividades (que incluem os manga de alpaca modernos e desculpem dito assim, mas é para ser sucinto e para evidenciar que ler, escrever e contar também são feudalizados nos tempos que correm) não salva a maioria silenciosa que não "pensa", nem a legião de operários e de camponeses que só se ouve quando as mãos se tornam bélicas e nem os intelectuais que decretaram, e bem, a mecanização como instrumento feudal. Mas há mais, há ainda os dos achamentos essenciais que prestam vassalagem.


 


Há saídas: há e mal seria se não houvesse. O que falta, é perceber a dignidade das mãos e a sua libertação do estigma da mecanização. Mãos livres. Mas é exactamente o que os promotores dos achamentos essenciais fatalmente não percebem, como descreve Gilles Châtelet (1998:72).


 


 



 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

não me lembro mesmo

 


 


 


 


 


Perguntava-me, um amigo da mesma idade e com frequência escolar na mesma cidade, pelos exames da 4ª classe e de acesso ao liceu. E não é que não me lembro mesmo? A sério e até nem tenho razão de queixa da memória (a dos anos mais recentes até justificava alguns apagões). Foi aborrecido porque nem deu para prolongar a viagem no tempo.




Mais à noite dei com dois deputados, um da maioria (PSD, pareceu-me) e outro da oposição (fora do arco do poder), a esgrimirem os exames do 4º ano. O primeiro justificava-se com a chegada (usava com ênfase o finalmente) da prestação de contas que trará autonomia às escolas e o segundo contra-atacava com a antecâmara do ensino dual. Tenham ou não razão e qualquer que seja a escolha da nação, só podemos concluir que o país endoideceu. Riam-se muito os dois e o moderador contagiava-se.




Fiz há pouco uma aula de cycling (bicicleta de ginásio, em grupo e com música). As escolhas musicais são quase sempre recomendáveis e o Smoke on the Water dos Deep Purple foi uma delas. Foi nessa altura que desenhei este post e nem a música da época ajudou a memória, embora me tenha alertado que é bem possível que a malta dos debates ande a tomar umas coisas para escapar às chamas da realidade.








quarta-feira, 1 de maio de 2013

ensandecem?

 


 


 


 


 


O ministro Álvaro da economia, e é pena mas não encontro um linque, apresentou números - com um brilho nos olhos e um ar de obra feita - estonteantes do ensino dual. Pelo menos os oitenta e tal por cento de empregabilidade (é aconselhável ler este post sentado) ficaram-me na mente.


 


Este ministro é mais uma obra, realmente: nem vou discutir mais uma terraplenagem do que existia com ligação a empresas portuguesas e não alemãs ou suíças (CEF´s, curriculos alternativos, PIEF´s e mais uma parafernália de arriscadas decisões de combate ao abandono escolar); o que mais me espanta é a empregabilidade instantânea.


 


O senhor tomou posse há menos de dois anos, deve ter demorado uns tempos a implementar a epifania, mas já consegue apresentar números estratosféricos de frequência e oitenta e tal por cento de empregabilidade (bem sei que se pode defender com a frequência de dez alunos e com a promessa de oito empregos por um mês que seja) num país com um milhão de desempregados e milhares de jovens adultos forçados a emigrar.


 


Isto recorda-me os comprovadamente tresloucados M. Rodrigues, V. Lemos e J. Sócrates com a má propaganda e a febre eleitoralista que descredibilizaram as novas oportunidades.


 


Aliás, M. Rodrigues escreve no Público uma crónica, "Abril na Educação", com dados certeiros e consensuais na defesa da escola pública. Como é que uma pessoa que começou a arrasar a escola pública escreve um texto destes? Pois é. A nossa bancarrota também tem uma dose de culpa nacional e dá ideia que temos azar com a sucessão de governantes ensandecidos. A sugestão de bipolaridade pode servir para acelerar o despiste médico.


 


Como bem me dizia noutro dia um amigo insuspeito de parcialidades: "O Sócrates precisa mesmo de psiquiatria". Tinha razão. Não é só ele e com todo o respeito pela especialidade médica.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

já nem roberto carneiro

 


 


 


 


 


 


Até Roberto Carneiro reprova a ideia de mais cortes no sistema escolar e vai ao ponto de tocar em variáveis que aumentam o abandono escolar e diminuem a qualidade do ensino.


 


O aumento do número de alunos por turma e a revisão curricular envergonham um país que nada faz para proteger os progressos civilizacionais das últimas décadas. Estamos mesmo à deriva. Mesmo no que se refere ao ensino dual, e recorde-se que a ideia de ensino profissional é muita cara a Roberto Carneiro, o ex-ministro é taxativo:


 


"(...)Sobre o ensino dual, frisou – à semelhança de outros especialistas – que Portugal não tem a cultura nem o tecido empresarial da Alemanha ou da Suíça, em que as empresas “participam fortemente” neste sistema de via profissional. Em Portugal, referiu, “não é fácil por as empresas a participar, a pagar”. “Normalmente querem receber dinheiro para receber alunos do ensino dual”, disse, sublinhando: “O nosso tecido empresarial é sobretudo de mini e microempresas. Estão com a corda na garganta”.(...)"


 


Já todos percebemos que a corrupção é o grande problema do Estado. Não adianta escamotear mais a verdade e é fundamental que nos convençamos que está em causa o regime democrático.


 


O ex-ministro da Educação Roberto Carneiro diz ser impossível fazer mais cortes na Educação sem provocar “feridas profundas” no sistema e considera que chamar as famílias a comparticipar diretamente o ensino obrigatório abriria mais uma guerra constitucional.(...)


Mas à questão se ainda há pessoal dispensável nas escolas, responde que não: “Já foi feita uma tal razia nos últimos anos!”.


Entre aposentações e contratados a prazo terão saído do sistema cerca de 30 mil professores, estima, recordando que as turmas já passaram para 29/30 alunos por professor.(...)


Roberto Carneiro defende que o país precisa de investir na Educação, até porque, apesar dos progressos alcançados nos últimos anos, continua a ter uma das mais baixas taxas de escolarização de toda a Europa.


“É preciso levar os miúdos até ao secundário e bem. Não vejo grandes possibilidades de cortar aí sem provocar profundas feridas e lesões no sistema”, declarou.(...)"


 

terça-feira, 2 de abril de 2013

a misteriosa gaveta de nuno crato

 


 


 


Texto de Ricardo Costa no Expresso online.






"Pode parecer embirração ou configurar perseguição. Pode, acima de tudo, revelar que os meus horizontes são muito limitados. Então, quando as calotes polares derretem, quando a República Centro-Africana se agita, quando o Papa Francisco surpreende o mundo, quando chove há tantos meses sem parar, eu não tenho mais nada para perguntar?


Quando o país aguarda em transe uma decisão do Tribunal Constitucional, quando os portugueses se preparam para assistir à moção de censura do PS, quando Gaspar faz as contas a mais uma execução orçamental, é só mesmo esta a pergunta que me resta?


Sim, com Sócrates ao alcance, com Marques Mendes como alvo, com Marcelo na mira e com tantos políticos comentadores como assunto, é esta pergunta que me resta?


Confesso que o tema é pequenino, próprio do meu mundo e das minhas curtas deambulações. Mas pronto, aqui vai: que raio é que está a fazer há dois meses na gaveta de Nuno Crato o relatório final sobre as curiosas equivalências de Miguel Relvas?


Eu sei que o ministro da Educação tem que educar a pátria, salvar as crianças da ignorância e transformar os nossos petizes em alemães. Sei que os quer a fazer contas de cabeça e a escolher a profissão aos doze anos. Mas no meio de tanta coisa importante, será que o ministro se importa de abrir a gaveta da secretária e mostrar ao mundo o relatório sobre o seu colega que esconde há dois meses?


Eu sei que é pedir pouco, mas hoje deu-me para isto. Amanhã já penso em coisas importantes."



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

dual(idades)

 


 


 


 


Estudar comparando modelos é um exercício elementar, mas observar países diferentes exige que se considere a história. Foi risível a forma como se anunciou a supervisão da ministra alemã na implementação, nos países do Sul, do ensino dual.


 


Se não estivéssemos mais do que vacinados contra as cópias que mais não são do que terraplanagem e desprezo pela nossa história, ainda podíamos tolerar. Desta vez a caricatura assume formas já conhecidas. Os plagiadores, os de lá e os de cá, limitam-se a sublinhar que a falência é acima de tudo moral.


 


O que se pode ler aqui é elucidativo sobre a ministra alemã da Educação (se se fizesse uma purga semelhante por cá, dizem-me que era uma razia):


 


"(...)Após esclarecimentos e discussão, o CC subscreve o exame minucioso da comissão:




a dissertação da senhora Schavan tem plágio literal de textos em quantidade significativa (sem menção de autor). A quantidade e a forma como foram utilizados “ipsis verbis”, a não indicação das obras/dos artigos em notas de rodapé ou nas fontes bibliográficas resultam, no entender do CC, uma ideia global: a doutoranda disseminou, de forma sistemática e deliberada, pensamentos/ideias que na realidade não eram seus/suas. A senhora Schavan não conseguiu “remover esta imagem”.




A faculdade constata a fraude por plágio intencional. Esta decisão foi tomada com 13 votos a favor e 2 abstenções.




Em seguida, o CC apreciou cuidadosamente todos os argumentos, em especial os que são favoráveis à interessada, nomeadamente:




o intervalo de tempo decorrido desde que a dissertação foi escrita, assim como o fato da pessoa em causa não ter nenhum outro grau académico para além deste.(...)".

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

a ouvir

 


 


 


 


Recebi por email um pedido de divulgação que pode ouvir aqui. É um registo interessante sobre o percurso dos alunos no ensino profissional.

domingo, 16 de dezembro de 2012

à volta do dual, do vocacional e de outras coisas mais

 


 


 


 


 


São muitos os que acusam a Alemanha de proteger as suas industrias do comércio livre e da globalização e que tal protecção não se verificou nas actividades industriais do países da Europa do Sul. Está comprovada a acusação, mas tem atenuantes. Por exemplo, a queda do muro de Berlim e a "anexação" da RDA que garantiu à então RFA um justo tempo de reconstrução.




Vem isto a propósito de duas ideias recentes que invadiram o nosso sistema escolar: a procura de engenheiros portugueses, em números muito elevados, por parte da Alemanha e penso que também da Holanda e a liderança destes dois países nos sistemas dual, vocacional e secundário profissionalizante e que envolvem os liderados da Europa do Sul.




Tenho estado à volta do relatório da OCDE"Education at a Glance 2012", registei alguns fenómenos que podem dar que pensar e que podem indicar uma qualquer repetição da História.




Como se pode ver no gráfico seguinte, a Alemanha regista uma "estranha" estagnação no nível tertiary (grosso modo, um ensino pós-secundário, ou mesmo secundário, profissionalizante) e está num patamar semelhante a Portugal quando se anuncia uma reindustrialização.




 










Talvez ainda mais interessante, será analisar a expectativa dos jovens com 15 anos em relação às carreiras que querem seguir. Se a Alemanha oferece emprego aos nossos presentes e futuros engenheiros, a Holanda parece ter as mesmas preocupação e acrescenta-a com a procura de profissionais de saúde.


 


 





terça-feira, 13 de novembro de 2012

sobre a natureza das coisas

 


 


 


 


 


Tem sido sempre assim: os dos achamentos essenciais do género-Nuno Crato (não restam dúvidas do back to basicis mais retrógrado e estou a pesar bem e não incluo "ajustamentos" financeiros) acrescentam sempre enfoques desesperados na formação de mão-de-obra nas "gorduras" cortadas. É mais uma contradição ideológica dos pseudo-liberais.


 


O abandono escolar das mãos, seja nas artes, nas tecnologias ou demais actividades corporais (que incluem os manga de alpaca modernos e desculpem dito assim, mas é para ser sucinto e para elencar, e evidenciar, que o ler, o escrever e o contar também são feudalizados nos tempos que correm) não salva a maioria silenciosa que não "pensa", nem a legião de operários e de camponeses que só se ouve quando as mãos se tornam bélicas e nem os intelectuais que decretaram, e bem, a mecanização como instrumento feudal. Mas há mais, há ainda os que citarei mais à frente e a quem os dos achamentos essenciais prestam, de forma consciente ou não, vassalagem.


 


Há saídas: há e mal seria se não houvesse. O que falta, se me permitem, é perceber a dignidade das mãos e a sua libertação do estigma da mecanização. Mãos livres. Mas é exactamente o que os promotores dos achamentos essenciais fatalmente não percebem e com isso servem os que Gilles Châtelet (1998:72) escolhe como apontados.


 


 


 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

em que é que ficamos?

 


 


 


 


 


De acordo com o presidente da Siemens Portugal, a chanceler Merkel vem também em busca de 60.000 jovens engenheiros portugueses (o número parece que subiu para 100.000 e pode chegar aos 200.000) e vai começar por oferecer uns estágios. Ou seja, dá ideia que a poderosa Alemanha tem graves insuficiências no seu sistema escolar e espera-se que não seja por causa do algo desacreditado sistema dual precoce. A desistência associada ao pragmatismo paga-se sempre e a um preço elevado.


 


O referido presidente da Siemens está muito bem relacionado com o actual Governo e com a realidade alemã. Também o ouvi dissertar à volta das áreas estratégicas para o nosso país e que implicam um reforço do ensino superior.


 


Nos últimos tempos tem existido uma forte polémica a propósito das ideias sobre ensino dual ou vocacional do actual Governo e dos seus satélites. Já se percebeu que está, naturalmente, instalada a confusão: juntar membros do Tea Party com neoliberais, passando por social-democratas, descomplexados competitivos, adoradores de vento e maurrasianistas, não pode dar bom resultado.


 


E depois há sempre os bicos de pés que não resistem e lançam ruído. Quando se avancou com a ideia do dual aos 10 anos e depois aos 13 estragou-se a atmosfera. Quem conhece o terreno sabe que em Portugal há demasiados alunos nessas idades que necessitam de um currículo adaptado e que o nosso grande desafio está a montante da escola; na sociedade, portanto. Enquanto não atenuarmos o empobrecimento, o sistema escolar enfrentará ciclicamente os mesmos problemas. Precisamos de ter um olho no presente, mas não podemos suprimir o futuro. Quando um dos secretários de Estado da economia escreve o que pode ler a seguir é caso para perguntarmos: em que é que ficamos? A proposta portuguesa de ensino dual e vocacional é para o ensino secundário ou é também para os graus anteriores da escolaridade?


 


"(...)No âmbito do ensino e formação profissional de jovens, está a ser desenvolvido um investimento público muito significativo na aprendizagem dual. Esta via de ensino e formação, equivalente ao ensino secundário regular ou profissional, tem como grande ponto de diferenciação a relevância atribuída à formação prática em contexto de trabalho. Efetivamente, no âmbito dos cursos de aprendizagem, cerca de 40% do tempo de formação dos jovens é desenvolvido nas empresas, consolidando, complementando e aprofundando os conhecimentos de cariz socioculturais, científicos e tecnológicos adquiridos na dimensão mais académica da formação. Simultaneamente, este investimento permite às empresas conhecer e desenvolver melhor o potencial de cada formando, facilitando eventuais processos de recrutamento futuros e de integração através de um vínculo laboral aquando da conclusão da formação.(...)"

terça-feira, 6 de novembro de 2012

das cópias e do excesso de dualismo

 


 


 


Até já cansa repetir que se devem comparar sistemas escolares, mas sem recorrer à cópia.


 


Temos mudado de "modelo a perseguir" com uma velocidade impressionante. Nos últimos anos, as redes sociais e boa parte da comunicação social têm feito eco da excelência do modelo finlandês. Será muito fácil e acertado alguém advogar a não cópia tendo em conta as diferenças idiossincráticas entre Portugal e a Finlândia. Aliás, são os mesmos argumentos que devem ser usados para, no mínimo, recomendar prudência às cópias em curso do modelo alemão.