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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

das utopias e do risco

 


 


 


Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,


 



"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".


 



A perda de "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.


 


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

do dia Trump - um salto para o desconhecido?

 


 


 


A condição naif, mesmo que algo simulada, de Trump, pode provocar mais dano do que a retórica eleitoral extremada (acaba de anunciar, num discurso sem História, que terminou a "carnificina nos EUA" e nem por uma vez usou a palavra democracia ou os seus valores). O seu modo simplista de olhar problemas complexos intranquiliza. Trump parece impreparado para o que vai enfrentar. Já se percebeu que quer radicalizar no universo comercial que, obviamente, se liga às restantes variáveis do mundo global. Se, e em consequência disso, Trump retirar os EUA do centro de várias decisões, e se continuar a fragilizar a NATO e a desestabilizar a ordem mundial, tudo poderá acontecer nesse salto para o desconhecido.


 


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

do risco e das utopias

 


 


 


Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,


 



"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".


 



A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.


 


www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149


 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

À volta do populismo

 


 


 


O sistema acordou com o pesadelo dos EUA. A suprema ironia elegeu, bem lá no alto, um produto do sistema que fez campanha como indignadoA erosão do centro político nas democracias ocidentais é um problema grave que se pode tornar trágico. Há toda uma ganância criada pelo sistema que é cada vez mais difícil de combater. Ontem, no Expresso, Joseph Stiglitz disse que "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." Hoje, Ana Sá Lopes, no I, diz que os "trumpistas estão no meio de nós (olhe para o lado)", Jorge Sampaio, no Público, "alerta para a tendência global dos movimentos populistas", António Lima, no Sol, diz que "os democratas procuram líder no meio dos escombros", Ricardo Paes Mamede, no I, diz que "há uma grande dificuldade em fazer face aos populismos de direita" e Helena Tecedeiro, no DN, fala-nos de Steve Bannon, o tipo que dirigiu a campanha de Trump e que "é acusado de antissemitismo e de ser próximo dos supremacistas brancos. Foi funcionário do Goldman Sachs, acusou Obama de importar muçulmanos cheios de ódio, comparou o programa de planeamento familiar americano ao holocausto e aconselhou as mulheres vítimas de assédio online a se desligarem e pararem de tramar os homens na internet."


 


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domingo, 21 de fevereiro de 2016

sociedades de risco

 


 


 


Com todos os riscos de quem retira do contexto uma qualquer passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,


 



"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".


 



A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias, no combate às desigualdades, por exemplo e se quisermos considerar a sua "totalidade" como tal, atravessar todas as gerações, o risco entranha-se nas sociedades e atinge a escala mundial; como a história, de resto, já nos explicou.


 


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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

domingo, 8 de junho de 2014

as costas largas da inveja

 


 


 


 


 


A corrupção ao estilo norte-americano contaminou a Europa. Foi mais ao menos assim que, por volta de 2007, Joseph Stiglitz enunciou um princípio que nunca tinha ouvido. Os últimos sete anos comprovam a tese do prémio Nobel.


 


Há dias fomos confrontados com a situação profissional de Vítor Gaspar no FMI: "(...)Vítor Gaspar vai receber um salário de 23 mil euros mensais isentos de impostos no Fundo Monetário Internacional (FMI). O ex-ministro das Finanças, que fará 54 anos em Novembro, pode pedir a pré-reforma após trabalhar três anos nesta instituição, segundo os estatutos da mesma.(...)Se o ex-ministro não optar pela pré-reforma, terá aos 65 anos direito à pensão completa que corresponde a 70 % do salário.(...)".


 


É bom que se sublinhe que o FMI é financiado pelos Estados; pelos nossos impostos, portanto. Nos últimos anos, conhecemos inúmeros casos semelhantes a este de Gaspar, percebemos como fizeram escola e como nos empurraram para o estado em que estamos colocando em causa até uma das maiores conquistas civilizacionais: o estado social. Podemos imaginar o que se passa nos EUA e na Europa. Os orçamentos que sustentam Washington e o eixo Bruxelas/Estrasburgo são denunciados como obscenos pela mais elementar sensatez em qualquer latitude.


 


Denunciar estas delapiações das finanças dos Estados não é inveja. A inveja existe, mas não tem as costas tão largas assim.


 


 


 


 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um não definitivo ao "too big to jail"? Um caso a seguir com atenção

 


 


 


Não partilho do basismo anti-EUA, mas vou reconhecendo a conclusão de Joseph Stiglitz: a corrupção ao estilo norte-americano tomou conta da Europa.


 


"O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, revelou esta segunda-feira que estão na fase final processos criminais contra grandes instituições financeiras que no passado tiveram comportamentos que violaram as leis que se aplicam ao sistema.(...)". A revelação pode ser mais uma qualquer coreografia, mas prefiro que seja um sinal de esperança. As instituições financeiras que estão a arruinar as democracias, também em Portugal onde os banqueiros estão em vias de prisão ou de prescrição de crimes, têm de ser combatidas também pelo poder político. É uma espécie de salvação para que se evite uma guerra com proporções inimagináveis.


 


"(...)Após a falência do Lehman Brothers e no auge da crise do subprime, a administração norte-americana aprovou um plano para salvar o poderoso sistema financeiro norte-americano que foi apanhado com os balanços cheios de produtos tóxicos cujo valor se evaporou. Nessa ocasião, sob o argumento de que se tratava de instituições "to big to fail" - demasiado grandes para falirem, pelos problemas que introduziriam em todo o sistema -, o Tesouro dos Estados Unidos injectou 700 mil milhões de dólares nos bancos problemáticos.(...)", o mesmo erro trágico foi cometido em Portugal com o inclassificável BPN e esperamos que não só não se repita como se vá aos offshores buscar o capital em fuga.


 


 



 


 


 


 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

repetições, milhões, burlões e neutrões

 


 



 


 


 


Cansa um bocado repetir, mas é um dever: a bolha imobiliária de 2007 foi imaginada uns anos antes com o produto subprime que era uma uma espécie de bomba de neutrões: o edificado, intacto, regressou à banca, as pessoas faliram e uma vaga de revenda anda por aí com novos produtos como o "visto gold".


 


Só que nem tudo cabe em folhas excel. Só na Europa há cerca de 11 milhões de casas vazias. Em Portugal a coisa aproxima-se do milhão e os sem-abrigo não param de aumentar. É mais um retrato da última mentira de Passos Coelho: "o país está melhor".


 


 


 


 


 


 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

portugal no topo do mundo

 


 


 


A dívida pública foi a mais rentável do mundo em 2012. A de 2013 ainda não se sabe, mas as decisões do tribunal constitucional podem ter comprometido o objectivo.


 


O orçamento português para 2014 é o mais discutido do mundo e o FMI até exige mais cortes a eito em (quase) tudo o que exista. O tribunal constitucional português é, também e de longe, o mais analisado do mundo.


 


Será que na base de tanta discussão mundial estará a intenção dos financeiros dos mercados para que a dívida portuguesa volte a ser a mais rentável do planeta em 2014? Os mercados mundiais são uns generosos com esta intenção de nos colocarem no topo do mundo; e o Governo (e o PR, e a CE, e sei lá mais o quê) até faz uma vénia.


 


 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

jogo perigoso

 


 


 


 


 


Muitos republicanos dos EUA são considerados radicais ideológicos e ciclicamente contribuem para paralisar o Governo. O complexo jogo de equilíbrios de poder nos EUA permite um jogo perigoso que desta vez parte da não aceitação do ObamaCare. Veremos como acaba o problema descrito pelo editorial do Público de hoje.


 


 


 



 

domingo, 4 de agosto de 2013

12 e tal por cento da "reforma" do estado português

 


 


 


 


 



 


 


Podemos até argumentar com a silly season, mas não deixa de surpreender que a transferência de um só jogador de futebol se faça em valores que equivalem a 12 vírgula tal por cento do corte que preenche a mente dos ultraliberais: os 4,7 mil milhões da "reforma" do estado em Portugal. O capitalismo selvagem está sem freio e põe-se com estas coisas num dos países do sul da Europa que tem sido mais devastado pela corrupção.

domingo, 21 de abril de 2013

dos equívocos e do racionalismo

 


 


 


 


A última semana ficou marcada pelo inacreditável erro em Excel que já empurrou milhões de pessoas para o desemprego. A tese, de 2010, que afirmava que acima dos 90% de dívida pública a recessão económica seria "irrefutável" prevaleceu como modelo matemático único e em Portugal também.


 


Sem sequer trazer para a discussão o espectro da corrupção que parece dominar o mundo financeiro, podemos considerar uma espécie de confronto entre racionalistas e empiristas.


 


Os primeiros têm vencido a contenda e os segundos não encontram voz que se exprima eleitoralmente. Como cedo se constatou, essa dicotomia expressava-se politicamente na tradicional diferença entre direita e esquerda, estando a principal força eleitoral da esquerda amarrada a esse género de racionalismo através da denominada terceira via.


 


Nos últimos anos assistiu-se há vitória da tecnocracia de gabinete que se foi transformando em tecnopolítica e que sobrepôs os saberes matemáticos à cultura. Foi também assim no sistema escolar com os achamentos curriculares de Nuno Crato.


 


Não será por acaso que se "recupera" Bachelard nos mais variados domínios.


 


 


 


 


 


Gaston Bachelard (1976:11). "Filosofia do Novo Espírito Científico".


Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

a tragicomédia numa folha excel

 


 






Quem passa pelo blogue há mais tempo sabe que considero o conjunto de poderosas aplicações do Microsoft Office (pode ler os posts neste etiqueta) como inaptas para a gestão de informação em redes, seja numa escola ou noutra instituição. Advogo até a proibição.


 


O que não imaginava é que o FMI baseava as decisões que influenciam a vida milhões de pessoas no Excel. Bem sei que há decisores como o presidente do Eurogrupo (que está em sintonia com o FMI e com as políticas austeritaristas) que declaram mestrados falsos, mas numa Faculdade de Economia portuguesa os alunos já fazem a parte empírica dos mestrados com o SPSS. Pelo que se percebe, na celebrada Harvard produzem-se altos estudos mundiais estatísticos em Excel.


 


Mas a tragicomédia baseia-se num bug do excel que está a fazer correr muita tinta (pode ler aqui o arstechnica onde recolhi a imagem ou o JN). Há um erro na fórmula que sustenta as políticas de austeridade que têm arruinado as economias. O assunto é mesmo grave.


 


Como se vê na imagem, a fórmula para calcular a média inclui as linhas 30 a 49 da coluna L, mas a operação só considera as linhas 30 a 44. O que faz toda a diferença e nos leva a imaginar a competência das restantes decisões.