Republico este Editorial escrito em 30 de Junho de 2013. Comecei a escrever o Editorial (21) e, como habitualmente, reli o anterior. Decidi republicá-lo e deixar o próximo para outra altura.
Escrever vinte editoriais em quase dez anos de blogue (este é o post 6821) dá uma média de dois pontos da situação por ano. Esta dedução não é rigorosa, uma vez que nos últimos anos fazia um balanço em jeito prospectivo por mês. Só que o último foi no longínquo 1 de Fevereiro de 2013 porque tenho respirado muito fundo para sobrevoar os meus estado de alma como verá a seguir.
Quem tem um blogue expõe-se. A escrita é um exercício de risco a que me habituei. Nos assuntos do sistema escolar não escapo à espécie de centralidade do espaço da minha localização física e, não raramente, vejo-me envolvido em turbilhões. Já nem me ocupa um segundo o estatuto de local-ghost. Escrevi noutras vezes e repito: "(...)como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio mais construído do que quando entro. As coisas pequenas ocupam o lugar da indiferença.(...)". E deixo passar o tempo, sempre o tempo, num dos exercícios que mais respeito: a quase infinita paciência.
A mistura do virtual com o real é um facto que se acentua. Já sabíamos da praga dos boatos, mas agora temos de aturar as invenções em forma de nickname que preenchem o vazio de quem não tem vida própria e faz do voyeurismo o único exercício de alteridade.
Há muito que me habituei às campanhas profissionais, mas o que vou registando é a impaciência dos que, nada tendo a apontar, se incomodam por não correspondermos ao que nos exigiam. Se isso até é de algum modo compreensível, o que se torna insuportável, mas também risível, é que demorem tanto a entender de vez quem faz da liberdade, no sentido pessoal e social, um modo de vida. Agrava-se quando sentimos que o que escrevi noutro editorial, "(...)Não me dispo do aconchego aos meus, nem da minha pele, como todos nós e procuro que não sejam atingidos pelas ondas de choque(...)", é uma evidência desrespeitada pelo grau zero da condição humana. E nunca me peçam detalhes porque, como sempre, só registo o que interessa.
Seria mais cómodo que a linha editorial de um blogue se restringisse ao puro prazer de escrever e de editar posts sem conteúdos relacionados com causas e com temas denominados de cidadania. No meu caso seria, mas não era a mesma coisa.
Como te compreendo...
ResponderEliminarAté no chá continuas elegante.
ResponderEliminarPortanto, o Paulo Prudêncio continuará a ser um homem livre no pensamento e firme nas atitudes.
ResponderEliminarSendo assim, não se livrará das minhas visitas... :)
E quando se cultiva "a quase infinita paciência", que eu admiro e invejo, a "elegância do chazinho" é ainda mais distinta.
ResponderEliminarSubscrito. É um chá eleganta e distinto...
ResponderEliminar"elegante" desculpem.
ResponderEliminarSubscrevo, também.
ResponderEliminarNão seria nunca a mesma coisa, evidente que não. Nem escreveria com prazer o que escreve se não fosse importantes para si. Que valeria que fosse cómodo, se não fosse tão útil e interessante.
Só o conheço das visitas que faço ao blogue e agradeço-lhe porque informo-me, aprendo sempre e às vezes divirto-me. É ou não serviço público? É e ainda por cima embrulhado em muita sensibilidade e elegância.
O dever de cidadania é também fazer ver que não há uma verdade e que "da discussão nasce a luz".
é bom continuar a "ver-te" assim.
ResponderEliminarvenho cá para sair com um doce brilhozinho na alma, mesmo quando nada disto está fácil.
beijo.
Lindo! LIndo! Lindo! O Correntes lava-nos a alma. Continue Professor! Que lição de saber ser e estar.
ResponderEliminarVou de alma lavada
Assino por baixo. Os vermes têm terreno fértil até...
ResponderEliminar6821? É obra.
Obrigada Paulo
ResponderEliminarSei que continuarás...
e isso basta-me.
Meu estimado amigo Paulo,
ResponderEliminarOs comentários anteriores disseram tudo.
Só posso desejar que te mantenhas igual a ti próprio — a mediocridade, como bem dizes, não merece perdas de tempo com ela.
Um grande abraço e fico à espera dos próximos vinte editoriais.
Ainda bem.
ResponderEliminarObrigado Ruca.
ResponderEliminarObrigado Carlos. Não me livro com todo o gosto mesmo.
ResponderEliminarObrigado aos cinco.
ResponderEliminarObrigado Isabel.
ResponderEliminarObrigado Andreia.
ResponderEliminarObrigado PF.
ResponderEliminarObrigado meu também estimado amigo Mário.
ResponderEliminarÉ mesmo como dizes. Estas coisas merecem o que merecem. Foi apenas um ponto da situação. Andava, como escrevi, há tempos a aturar uma série de coisas e um blogue é, na minha concepção, uma projecção do autor. Arriscado, sei que sim, mas não era a mesma coisa se fosse doutro modo.
Uma grande abraço também.
.......eles bem ladram, mas a cidadania resiste e passa....
ResponderEliminar:) NB.
ResponderEliminarUm bem haja à qualidade da tua diferença. Aprecio e sou dela consumidor.
ResponderEliminarUm abraço.
Muito obrigado Caro Nuno. Abraço também.
ResponderEliminar"como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio mais construído do que quando entro."
ResponderEliminarPeço desculpa de discordar , são as emoções que comandam a consciência. Também as decisões tem uma componente emocional.
Cumprimentos.
Nada a desculpar. Por acaso, e como a frase já é antiga, fico sempre a pensar nessa falta de rigor quando a republico.
ResponderEliminarNão sei se os sentimentos precedem as emoções (pensando nas crianças) e se estas precedem a consciência. Claro que as emoções interferem nas decisões (desde Damásio :)) e é por isso que coloco a consciência a comandar as emoções e a racionalizar as decisões dos adultos e, parece-me, desse modo não separo as emoções das decisões.
Obrigado.
Cumprimentos também.
Caro amigo
ResponderEliminarÉ um terreno onde as fronteiras são diluídas No cérebro quase tudo interage com quase tudo com milhões de ligações: racionalidade , sentimentos emoções tudo interligado.
Cumprimentos
Exacto, concordo.
ResponderEliminarUma coisa é a escrita e outra a ciência :)
Cumprimentos também.