domingo, 3 de novembro de 2013

editorial (20)

 


 


 


 


 


 


 


 


 


Republico este Editorial escrito em 30 de Junho de 2013. Comecei a escrever o Editorial (21) e, como habitualmente, reli o anterior. Decidi republicá-lo e deixar o próximo para outra altura.


 


 


Escrever vinte editoriais em quase dez anos de blogue (este é o post 6821) dá uma média de dois pontos da situação por ano. Esta dedução não é rigorosa, uma vez que nos últimos anos fazia um balanço em jeito prospectivo por mês. Só que o último foi no longínquo 1 de Fevereiro de 2013 porque tenho respirado muito fundo para sobrevoar os meus estado de alma como verá a seguir.


 


Quem tem um blogue expõe-se. A escrita é um exercício de risco a que me habituei. Nos assuntos do sistema escolar não escapo à espécie de centralidade do espaço da minha localização física e, não raramente, vejo-me envolvido em turbilhões. Já nem me ocupa um segundo o estatuto de local-ghost. Escrevi noutras vezes e repito: "(...)como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio mais construído do que quando entro. As coisas pequenas ocupam o lugar da indiferença.(...)". E deixo passar o tempo, sempre o tempo, num dos exercícios que mais respeito: a quase infinita paciência.


 


A mistura do virtual com o real é um facto que se acentua. Já sabíamos da praga dos boatos, mas agora temos de aturar as invenções em forma de nickname que preenchem o vazio de quem não tem vida própria e faz do voyeurismo o único exercício de alteridade.


 


Há muito que me habituei às campanhas profissionais, mas o que vou registando é a impaciência dos que, nada tendo a apontar, se incomodam por não correspondermos ao que nos exigiam. Se isso até é de algum modo compreensível, o que se torna insuportável, mas também risível, é que demorem tanto a entender de vez quem faz da liberdade, no sentido pessoal e social, um modo de vida. Agrava-se quando sentimos que o que escrevi noutro editorial, "(...)Não me dispo do aconchego aos meus, nem da minha pele, como todos nós e procuro que não sejam atingidos pelas ondas de choque(...)", é uma evidência desrespeitada pelo grau zero da condição humana. E nunca me peçam detalhes porque, como sempre, só registo o que interessa.


 


Seria mais cómodo que a linha editorial de um blogue se restringisse ao puro prazer de escrever e de editar posts sem conteúdos relacionados com causas e com temas denominados de cidadania. No meu caso seria, mas não era a mesma coisa.


 


 


 


 


 

28 comentários:

  1. Rui Rodrigues, Amadora30 de junho de 2013 às 22:33

    Até no chá continuas elegante.

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  2. Portanto, o Paulo Prudêncio continuará a ser um homem livre no pensamento e firme nas atitudes.
    Sendo assim, não se livrará das minhas visitas... :)

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  3. E quando se cultiva "a quase infinita paciência", que eu admiro e invejo, a "elegância do chazinho" é ainda mais distinta.

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  4. Subscrito. É um chá eleganta e distinto...

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  5. "elegante" desculpem.

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  6. Subscrevo, também.

    Não seria nunca a mesma coisa, evidente que não. Nem escreveria com prazer o que escreve se não fosse importantes para si. Que valeria que fosse cómodo, se não fosse tão útil e interessante.

    Só o conheço das visitas que faço ao blogue e agradeço-lhe porque informo-me, aprendo sempre e às vezes divirto-me. É ou não serviço público? É e ainda por cima embrulhado em muita sensibilidade e elegância.

    O dever de cidadania é também fazer ver que não há uma verdade e que "da discussão nasce a luz".

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  7. é bom continuar a "ver-te" assim.

    venho cá para sair com um doce brilhozinho na alma, mesmo quando nada disto está fácil.

    beijo.

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  8. Andreia Jorge Martins1 de julho de 2013 às 02:39

    Lindo! LIndo! Lindo! O Correntes lava-nos a alma. Continue Professor! Que lição de saber ser e estar.

    Vou de alma lavada

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  9. Assino por baixo. Os vermes têm terreno fértil até...

    6821? É obra.

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  10. Obrigada Paulo

    Sei que continuarás...
    e isso basta-me.

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  11. Meu estimado amigo Paulo,

    Os comentários anteriores disseram tudo.
    Só posso desejar que te mantenhas igual a ti próprio — a mediocridade, como bem dizes, não merece perdas de tempo com ela.
    Um grande abraço e fico à espera dos próximos vinte editoriais.

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  12. Obrigado Carlos. Não me livro com todo o gosto mesmo.

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  13. Obrigado meu também estimado amigo Mário.

    É mesmo como dizes. Estas coisas merecem o que merecem. Foi apenas um ponto da situação. Andava, como escrevi, há tempos a aturar uma série de coisas e um blogue é, na minha concepção, uma projecção do autor. Arriscado, sei que sim, mas não era a mesma coisa se fosse doutro modo.

    Uma grande abraço também.

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  14. .......eles bem ladram, mas a cidadania resiste e passa....

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  15. Um bem haja à qualidade da tua diferença. Aprecio e sou dela consumidor.
    Um abraço.

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  16. "como é a consciência que comanda as emoções e racionaliza as decisões, saio mais construído do que quando entro."
    Peço desculpa de discordar , são as emoções que comandam a consciência. Também as decisões tem uma componente emocional.
    Cumprimentos.

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  17. Nada a desculpar. Por acaso, e como a frase já é antiga, fico sempre a pensar nessa falta de rigor quando a republico.

    Não sei se os sentimentos precedem as emoções (pensando nas crianças) e se estas precedem a consciência. Claro que as emoções interferem nas decisões (desde Damásio :)) e é por isso que coloco a consciência a comandar as emoções e a racionalizar as decisões dos adultos e, parece-me, desse modo não separo as emoções das decisões.

    Obrigado.

    Cumprimentos também.

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  18. Caro amigo
    É um terreno onde as fronteiras são diluídas No cérebro quase tudo interage com quase tudo com milhões de ligações: racionalidade , sentimentos emoções tudo interligado.
    Cumprimentos

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  19. Exacto, concordo.

    Uma coisa é a escrita e outra a ciência :)

    Cumprimentos também.

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